III| Semifinais
A noite que antecedeu a semifinal passou depressa. O Nicholas, que havia ido se encontrar com uma misteriosa mulher à meia-noite, só acabou retornando ao seu quarto por volta das quatro e meia da manhã, e, a partir desse horário, ele finalmente se permitiu adormecer profundamente, afinal, toda a sua ansiedade parecia ter passado. Ou ao menos grande parte dela.
Às onze em ponto do dia em que a semifinal iria ocorrer, todos os alunos que iriam participar disto já estavam saindo de dentro do oceano para irem rumo ao reino Bry, pois lá havia um local separado exclusivamente para esse exame. A princípio, tudo o que os estudantes podiam ver no lugar onde o teste iria ocorrer era uma floresta densa que ia se tornando mais escura e tenebrosa à medida em que eles tentavam apertar os olhos para observa-la melhor.
Será que teriam de lutar ali?!
Para o alívio da maioria, a resposta para aquela indagação rapidamente alcançou os seus olhos, pois, assim que eles atravessaram uma espécie de campo transparente, a vista mudou completamente. No fim, toda aquela floresta não passava de uma camuflagem para o ambiente que eles estavam vendo agora. Havia uma área arredondada bastante espaçosa para os alunos lutarem, que era rodeada por arquibancadas com as insígnias de cada academia participante, sendo elas a A1, B1, C1, D2 e K2. Cada escola tinha o seu próprio espaço para ficar, mas, além disso, havia também uma área um pouco acima das outras arquibancadas, porém, essa possuía menos assentos. Sendo assim, esse deveria ser, provavelmente, um local reservado para os "mais importantes''. Além das arquibancadas e dos telões que estavam espalhados por ali, havia também uma ala médica um pouco mais distante da multidão, para o caso de alguém precisar de socorro. Bell liderava o grupo de médicos que estavam não só dentro daquela área, mas espalhados por todos os lados, juntamente com os organizadores, também.
Aos poucos, aquele lugar foi se enchendo de gente, tanto pelos alunos que iriam participar do exame quanto pelos que só foram para ver a batalha que se desenrolaria ali. Alguns adultos também iam para assistir, e, até o momento, nenhum professor, seja da A1 ou K2, havia dado as caras naquele ambiente para tranquilizar ou, quem sabe, dar dicas para os seus estudantes.
— Eu estou bem nervosa...
No momento a equipe X, juntamente com o Diego, Ryan, Camille, Ária e Eduardo, já estavam dentro do espaço reservado para a K2. Desde que todos chegaram ali, nenhum deles havia puxado papo, pois estavam admirados demais não só com o lugar, mas com a quantidade de pessoas que estavam lá para vê-los lutar. Ter tantos olhos sobre si durante uma batalha era um pouco intimidador, principalmente quando o intuito disso era para analisa-los, julga-los ou avalia-los.
— Não se preocupe, lady Flora! — declarou o ruivo, estufando o peito enquanto se aproximava da mesma, que havia parado de observar a multidão para encarar o rapaz. — Eu estou aqui.
— Puff... — exprimiu Ryan, juntamente a uma risadinha sarcástica. — O pior é que você diz isso como se fosse algo bom.
— Está querendo visitar a enfermaria mais cedo, cabeça de alho? — reclamou Diego, irritado com o comentário do seu rival, e, por conta da sua fala, o Ryan acabou erguendo uma das sobrancelhas, como forma de provocação.
— Eu o desafio a tentar me fazer ir!
De imediato, os fios de cabelo de Diego ficaram envoltos em chamas, deixando clara a sua intenção de começar uma briga ali mesmo. Porém, antes que ele pudesse dar um passo adiante ou fazer qualquer coisa que instigasse uma batalha, a Ária entrou no meio dos meninos e cruzou os braços, enquanto alterava o seu olhar repreendedor entre as faces de ambos.
— Vocês não vão brigar agora, não é? Por favor, meninos, não é hora para isso!
— Como desejar, mademoiselle! — afirmou Diego, ao mesmo tempo em que fazia os seus fios voltarem ao normal.
— "Como desejar, mademoiselle" — proferiu Ryan, imitando o seu rival de uma maneira bastante debochada, entretanto, tudo o que o Diego pôde fazer naquele momento foi lançar um olhar mortal para o de cabelos platinados, como se estivesse deixando claro que aquilo não iria ficar barato. Sabendo que o ruivo não ia fazer nada naquele momento, o Ryan simplesmente abriu um sorriso provocativo para o Diego, deixando-o ainda mais irado.
Se não fosse uma "lady" que houvesse pedido para que ele parasse de brigar, provavelmente o ruivo já estaria dando o máximo de si para arrancar aquele sorrisinho dos lábios de Ryan.
— Será que ainda vai demorar para começar? — indagou Camille, que batia um dos pés contra o chão diversas vezes, devido a sua ansiedade. — Eu não aguento mais ficar esperand...
— NICHOLAS! — uma voz infantil bastante aguda gritou, fazendo com que todos dessem um pulo de susto, com exceção do Ed, que olhou ao seu redor para saber quem havia feito aquilo. Seja quem fosse, essa pessoa merecia os parabéns por ter conseguido assustar todos os seus amigos de uma vez só.
O dono daquela voz se revelou quando adentrou no meio de todos e pulou em cima do Nicholas com tudo, fazendo com que ambos caíssem no chão devido aquele abraço – que mais parecia um golpe de luta, de tão forte que foi – inesperado.
— Eu estava com muita saudade!
O Nicholas ficou meio desnorteado graças ao seu tombo, porém, quando ele focou os seus olhos na pessoa que havia lhe derrubado, um largo sorriso estampou os seus lábios.
— Alephe! — exclamou, e o mesmo logo abraçou a criança com força. A leve dor da queda pareceu ter sido esquecida por ambos, pois, em questão de segundos, os dois já estavam rindo e comentando o quão grande foi a falta que um sentiu pelo outro.
Alephe estava até com lágrimas nos olhos.
— Que bom que você está bem! — afirmou o pequeno, ainda sem largar o Nicholas, que também não parecia querer soltar o menino.
— É claro que eu estou bem! — garantiu, apertando-o ainda mais. — Eu não te disse que sou super mega hiper forte? — a criança riu, mas concordou alegremente com a cabeça.
— Alephe! — bradou uma voz feminina, que fez com que as atenções de todos saíssem dos rapazes no chão e fossem até ela. Ao vê-la, o Diego imediatamente ergueu as sobrancelhas e ficou boquiaberto. Os cabelos ruivos acastanhados da mulher eram brilhosos e volumosos, enquanto as sardas em sua pele desenhavam pontos próximos aos belos e expressivos olhos que ela possuía.
Notando que o seu rival havia ficado completamente hipnotizado com a aparência da mulher, o Ryan balançou a sua cabeça de maneira negativa e encostou a sua mão no pescoço do ruivo, fazendo com que o mesmo desse um pulo, devido a frieza que emanava propositalmente da sua palma.
— Seu... — resmungou Diego, enquanto passava a mão na sua nuca – local este que havia sido atingido pelo toque gelado –, porém, antes de continuar falando, o ruivo lançou um olhar para a Ária, e isso o fez respirar fundo para não acabar xingando ou partindo para cima do seu rival. — Espera só a gente sair daqui! — ameaçou, e Ryan apenas soltou uma risadinha sarcástica, como se estivesse mostrando que não tinha medo das intimidações de Diego.
— Eu disse para você não correr, não disse? — reclamou a mulher, assim que se aproximou do grupo em que a equipe X e os seus companheiros estavam.
— Eva! — exclamou Daphne, com um sorriso, e, sem perder tempo, ela correu para abraçar a moça, que parecia tão contente quanto a mesma por estar revendo-a. — Há quanto tempo!
— É verdade! — concordou. — Não a vejo desde que você decidiu parar de fugir da K2! — comentou, fazendo com que a garota desse uma risadinha, antes de se afastar de Eva. — E vocês, como estão? — questionou a Thomas e Flora, que abriram largos sorrisos perante a pergunta.
— Um pouco nervosos com o exame, mas bem! — respondeu Flora. Para ela, rever a Eva era algo muito bom, pois conversar com a mulher a deixava distraída com uma coisa que não fosse o teste ou a multidão de pessoas que iam chegando. E isso era bom.
— Digo o mesmo! — proferiu Thomas.
— Que bom, crianças — disse, e a mesma também abriu um sorriso para os demais que estavam ali, e todos retribuíram o cumprimento. — Irei ficar torcendo para que dê tudo certo com vocês durante esse teste! — assegurou, fazendo com que todos se mostrassem felizes com aquele comentário. Após ter dito aquilo, a Eva levou seus olhos aos garotos que estavam no chão e logo se aproximou deles para encostar uma das mãos em Alephe, que, ao vê-la, abriu um sorrisinho amarelo; sem graça. — Quando eu disser para você não correr, por favor, obedeça! — pediu, e o rapazinho assentiu, para depois, finalmente, largar o Nicholas. Ambos levantaram do solo ainda emitindo umas risadinhas, e, assim que a Eva observou o garoto mais velho, um sorriso voltou a ocupar os seus lábios. — É, parece que vocês ficaram mais fortes desde a última vez que os vi — comentou, alternando o olhar somente entre as pessoas da equipe X, afinal, ela não conhecia ainda os outros que estavam ali.
— É verdade, Nicholas, voc... — Alephe parou bruscamente de falar quando os seus olhos se focaram em uma pessoa em especial.
Camille.
De imediato, o garotinho semicerrou os olhos e encheu as bochechas de ar, tentando colocar um semblante sério em sua face.
— Jamille! — exclamou, engrossando a voz propositalmente, e isso fez o Nicholas rir, até porque, à medida em que o rapazinho tentava parecer mais sério, mais engraçado ele ficava. — Nicholas, o que ela está fazendo aqui? — perguntou, virando-se para encarar o seu parceiro, enquanto apontava para a Camille. — Essa bruxa disse que você ia morrer nesse teste! — relembrou-o. O Nicholas até abriu a boca para tentar explicar as coisas para seu amigo, mas o Diego foi mais rápido.
— Como você pode chamar uma lady delicada e meiga de bruxa, seu bostinha ambulante?!
Por conta dessa fala do menino, a Eva chegou a arregalar os olhos; espantada. O rapaz não estava pensando em começar uma briga com o Alephe ali, estava?
— N-Não ligue para o que ele disse! — Ária se apressou em dizer, ao mesmo tempo em que agarrava o braço do ruivo com uma certa força, como se estivesse o repreendendo. — Ele não quis te chamar assim, quis? — questionou, encarando o Diego com uma certa seriedade, fazendo com que o mesmo, a contragosto, concorde com o que ela disse. — Viu?! — anunciou, olhando para Alephe com um sorrisinho gentil. — Peça desculpas para ele, Diego, é só uma criança!
— Des... cul... pa... — balbuciou, visivelmente sem querer proferir aquilo. Em resposta, o Alephe simplesmente mostrou a língua para o garoto, e isso fez com que os cabelos do ruivo ardessem em chamas por alguns segundos, revelando uma parte da sua raiva que não conseguiu ser contida.
Perante aquela cena, Daphne e Eduardo não conseguiram segurar as suas risadas.
— Nós somos amigos agora! — revelou Nicholas à Alephe, referindo-se a Camille. Ao saber daquilo, o rapazinho piscou algumas vezes, como se estivesse absorvendo aquela informação, e, em seguida, olhou para a garota, que estava com uma aparência meio sem graça.
— Ah! — exprimiu. — Já que é assim, então me desculpe por eu ter te chamado de bruxa.
— Não se preocupe com isso! — respondeu, abrindo um sorriso um tanto quanto aliviado. Era bom ver que o menininho não havia guardado nenhum rancor dela. — Eu meio que mereci ser chamada assim — admitiu.
Ao notar que as coisas haviam se resolvido e que nenhuma briga desnecessária iria ocorrer ali, a Eva soltou um suspiro. A última coisa que os estudantes precisavam era arrumar uma discussão naquele momento.
Mais tranquila com a situação das crianças, a Eva decidiu se aproximar mais do parapeito, afinal, o local onde as academias estavam era num nível mais elevado em comparação à arena onde ocorreriam os combates. O espaço onde os estudantes iam lutar era em forma circular e bem amplo, mas, nas bordas dele, haviam muros de uns cinco metros de altura que eram usados para erguerem as arquibancadas de cada academia; assim, as pessoas que estavam assistindo não acabariam se envolvendo na briga ou sendo atingidas sem querer. Notando que já havia uma boa quantidade de gente ali, a Eva conjecturou que só faltavam poucos minutos para um dos organizadores darem início ao exame.
— Olá, semifinalistas!
Bingo.
Aquele homem, que havia conseguido calar e chamar a atenção de toda a plateia, estava no espaço de assentos especiais que ficava acima das arquibancadas normais. Além disso, o rosto dele podia ser visto através dos vários telões que estavam espalhados por ali, para que todos pudessem observa-lo e ouvi-lo com clareza.
— Estamos quase dando início à prova que vocês, participantes do exame de prata, terão de fazer, mas, antes de tudo, eu gostaria de apresentar a vocês os dez treinadores de elite! — bradou, e uma salva de palmas ecoou. — Eles estarão assistindo uma parte das suas lutas, então tentem impressiona-los! Caso vocês consigam ter um deles como tutor, garanto que as suas habilidades serão muito bem treinadas. Eles são os melhores nisso.
Outra salva de palmas ecoou, porém, diferente de todos, a Eva apenas soltou um suspiro e balançou a cabeça de maneira negativa. Ela sabia que a maioria dos treinadores de elite só estavam lá porque eram obrigados. A mesma não se surpreenderia se a maioria já tivesse ido embora na terceira luta do dia. No seu ponto de vista, não tinha motivos para aquele organizador colocar ainda mais pressão, e talvez uma certa esperança, nos alunos, até porque, os treinadores nunca escolhiam uma pessoa do exame de prata, normalmente os poucos escolhidos vinham dos testes de diamante e, raramente, do de ouro.
Eva revirou os olhos.
Que pressão desnecessária o homem havia colocado sobre os estudantes... Já não bastavam o nervosismo e o anseio que eles tinham em querer se provarem fortes para todas aquelas pessoas que os estavam assistindo?
— O nível de força de cada treinador equivale a cadeira em que eles estão, dessa forma, o que pertence a primeira cadeira é o mais poderoso e experiente entre eles. Bom, esses detalhes vocês já conhecem, então vamos começar logo com as apresentações! — prosseguiu o organizador, assim que as palmas cessaram. — Ocupando a décima cadeira temos o Anthony Signya, da K2! — ao dizer isso, o Tony apareceu repentinamente no meio do espaço onde os alunos iriam batalhar daqui a alguns minutos. O mesmo estava usando um uniforme completamente preto, com a parte inferior cobrindo até os seus calcanhares, enquanto uma bota preta robusta e brilhante protegia os seus pés. A sua parte superior o cobria até os seus pulsos, e luvas pretas que cobriam as suas mãos deixavam apenas o seu dedo indicador direito de fora. Além disso e do cinto elaborado que ele possuía, havia uma espada – com a bainha de cor preta e alguns detalhes parecidos com raios num tom vermelho escarlate – presa à sua cintura, que acabava dando uma beleza imponente e afiada ao seu uniforme. Ao vê-lo dessa maneira, a irmã do Tony abriu um sorriso, mostrando-se estar orgulhosa dele, e a Eva, por sua vez, também abriu um sorrisinho, que continha o mesmo nível de admiração que a Daphne transmitia. — Ocupando a nona cadeira, temos o John Aveyard, da D1! — revelou, e um homem com um corpo bastante definido apareceu ao lado direito do Anthony. Ele não usava uma camisa na parte superior, e, na inferior, ele possuía uma bermuda e uma bota preta. Sua vestimenta se resumia a isto. Com aquele corpo, o rapaz daria um ótimo fisiculturista. — Ocupando a oitava cadeira, temos a Megan Moura, da E1! — anunciou, e uma mulher de cabelo rosa apareceu ao lado direito do John. O uniforme da mesma cobria todo o seu corpo e era do mesmo tom do seu cabelo. No momento, a mesma tomava um milkshake que parecia ser de morango, devido a coloração rosa dele. Havia muitas cores rosas ali. Ao vê-la, o Nicholas abriu um sorrisinho, afinal, comer durante uma apresentação era o tipo de coisa que ele facilmente faria. — Ocupando a sétima cadeira temos o Thiago Brytleofber, da K2! — proclamou, e o mesmo apareceu ao lado da mulher cor de rosa com um sorriso largo no rosto. O uniforme dele era parecido com o de Tony, sendo ele todo preto e cobrindo todo o seu corpo. O mesmo também usava luvas que deixavam o seu indicador de fora, mas uma coisa que diferenciava a vestimenta dele da do seu amigo era o cinto, que tinha mais compartimentos, e duas pulseiras acinzentadas que ficavam presas aos seus pulsos. Ao vê-lo, o Thomas abriu o mesmo sorriso admirado e orgulhoso que a Daphne havia aberto para o seu irmão. — Ocupando a sexta cadeira, temos o Gael Martins, da B2! — um homem com cabelos cinzas que iam até os seus ombros surgiu ao lado direito de Thiago. Os cabelos dele cobriam a sua face, e seus uniformes excessivamente largos cobriam todo o seu corpo, não deixando nenhuma parte de fora. Flora inclinou a cabeça e franziu o cenho ao vê-lo, afinal, aquele homem era o mais misterioso entre todos os que estavam ali. — Ocupando a quinta cadeira, temos a Geovanna Lee, da C1! — uma mulher de cabelos pretos bastante lisos e com olhos puxados surgiu ali, com uma cara de tédio enorme em seu rosto. Ao vê-la, a Eva teve certeza de que aquela moça iria dar um jeito de sair daquele lugar logo na segunda, ou, quem sabe, ainda na primeira luta. A roupa dela era branca, mas cobria todo o seu corpo. — Ocupando a quarta cadeira, temos o Bruno Reed, da B1! — um homem com finos cabelos loiros surgiu. O uniforme dele era completamente dourado, exceto por sua camisa branca de manga curta, porém, como ela era coberta por uma jaqueta longa, essa pequena mudança de cor em sua parte superior não fazia muita diferença no seu visual chamativo. — Ocupando a terceira cadeira, temos o Charles Carter, da A2! — um homem coberto por tatuagens surgiu ao lado direito do Bruno. Assim como o rapaz da nona cadeira, o uniforme do Charles também não cobria muito o seu corpo. Ele usava uma camisa regata e uma bermuda, para que as suas tatoos ficassem o mais visíveis possível; a única parte dele que escapava dos desenhos era a sua face. — Ocupando a segunda cadeira, temos o Victor Luarys, da A1! — um homem com metade do cabelo platinado e com a outra metade de cor preta surgiu ali. Ele possuía um uniforme preto que cobria todo o seu corpo, assim como luvas que escondiam as suas mãos. Apenas o seu rosto era visível. Ao vê-lo, o Ryan arregalou os olhos e, em seguida, olhou para o Diego, que estava tão surpreso quanto o seu rival. — Ocupando a primeira cadeira, temos a Chloe Solarys, da A1! — declarou, e uma mulher negra, que possuía cabelos cacheados definidos e volumosos num tom vermelho surgiu. A parte de baixo do uniforme dela era um short preto e uma bota da mesma cor, enquanto a superior era uma camisa de manga longa preta com vários detalhes em vermelho, do mesmo tom de seu cabelo. Ao vê-la, Diego se aproximou mais do parapeito onde o Ryan estava e prendeu a respiração, antes de olhar, em choque, para o seu rival.
O que será que estava se passando pela cabeça de ambos naquele momento?
Após as apresentações, o Tony, o Thiago e todos os outros membros dos dez treinadores de elite foram para a arquibancada mais reservada, onde o organizador chefe estava. Naquele instante, o mesmo homem que havia apresentado cada ocupante das dez cadeiras estava dando um discurso sobre a importância de os alunos subirem o grau deles, porém, na verdade, toda essa falação era só uma desculpa para passar o tempo, já que estavam à espera de que os diretores das cinco academias participantes chegassem. Eles não iam passar muito tempo lá, mas a presença deles era necessária para que pudessem passar apoio e confiança aos estudantes por meio de discursos motivadores.
Do lado de fora daquele ambiente, onde a vista das arquibancadas, dos telões e de todas as outras coisas eram camufladas pela visão de uma floresta densa e assombrosa, estavam o Simmon e mais quatro professores; todos eles prontos para receberem os seus respectivos diretores. Os professores como o Michael, o Luís e os demais que possuíam estudantes participando do exame de prata, haviam sido impedidos de entrarem no lugar por alguns organizadores, que estavam vendo se algum deles tinha informações inadequadas em mãos, como, por exemplo, fichas de alunos ou outros dados.
Não fazia muito sentido eles procurarem coisas assim naquele momento, afinal, caso um dos PF's tivesse isso, obviamente os seus estudantes já teriam estudado tudo. Em outras palavras, aquela inspeção não passava de uma grande perda de tempo.
Assim que foram liberados, os professores ultrapassaram o campo de mimetismo com uma certa impaciência, já que haviam perdido muito tempo sendo vistoriados, e seguiram com uma certa pressa até os locais onde os seus pupilos estavam. Minutos após a saída deles, três diretores, o da A1, B1 e C1, chegaram ao mesmo tempo na divisa que camuflava o ambiente onde ocorreria o exame de prata.
De imediato, os olhos de Simmon foram de encontro ao responsável pela B1 – um homem velho, de aparência acabada, e que provavelmente iria ser substituído em pouco tempo –, e, instintivamente, ele bufou de raiva. Já fazia tempo que o mesmo não via o seu "pai". O ancião da B1 também não demorou para perceber a presença do filho, e, ao invés de seguir até o professor que lhe esperava, o mesmo foi rumo ao Simmon, que rolou os olhos por conta da aproximação do velho.
— Ora, ora, ora, olha só o que nós temos aqui.
Um frio desagradável percorreu pela espinha do homem, mas, mesmo assim, ele se forçou a manter uma postura ereta enquanto observava o seu progenitor com uma aparência séria. A essa altura, os diretores da A1 e C1 já tinham atravessado para o outro lado do campo. O professor da B1, que estava encarregado de esperar o seu diretor, ficou com um semblante confuso quando viu a aproximação do seu superior com um professor da K2; a professora da D2 também parecia curiosa em relação àquela interação, por isso, a mesma acabou observando tudo pelo canto dos olhos.
— Parece que esqueceram de te enterrar — ironizou o Simmon, fazendo com que o professor da B1 arregale os olhos; chocado com aquele comentário. De imediato, o homem ameaçou dar um passo à frente para defender o seu diretor, mas o velho o impediu de se aproximar com apenas um olhar; que, diga-se de passagem, fez o professor da B1 tremer.
— Eu sei lidar com estorvos quando me encontro com um — proferiu, ameaçadoramente, e, perante isso, Simmon respirou fundo. O mesmo podia não aparentar, mas estava bastante receoso por ter o "pai" tão próximo a si. — Não sei o que acontece na sua academia de quinta... — iniciou o diretor, voltando o olhar para o seu "filho". — ..., mas, na minha, quando encontramos com algo que não gostamos, nós...
— ... o abandonamos! — completou Simmon, ligeiramente. — Não estou certo, senhor pé na cova?
Imediatamente, o diretor semicerrou os olhos de maneira aterrorizadora, e, mesmo tentando evitar, o Simmon acabou engolindo em seco.
Droga, por que diabos ele ainda sentia medo daquele homem?
— Parece que você não aprendeu que deve respeitar os seus superiores... — revelou o idoso, ao mesmo tempo em que dava um passo a frente, fazendo com que o ar entre ele e o seu "filho" se tornasse mais pesado e intenso.
Diante daquilo, os outros dois professores deram um passo para trás, assustados, mas não desviaram o olhar da cena nem por um segundo sequer. Não queriam perder o que viria a seguir.
O ancião deu outro passo, que foi capaz de estremecer o Simmon de cima a baixo. As lembranças ruins da época em que ele vivia com o seu pai inundaram a sua mente, fazendo com que a sua postura, antes erguida, fosse ficando mais retraída; assustada.
— Eu irei educa-lo, seu pirralho bastardo! — declarou o idoso, ao mesmo tempo em que erguia uma das mãos para agarrar fortemente o braço do Simmon, que se retraiu ainda mais com a aproximação do "pai".
Entretanto, as mãos do velho não chegaram a toca-lo.
— Com licença, senhor... — uma voz masculina proferiu. Era possível sentir uma raiva quase incontida emanar por aquele timbre grave e intimidador. — ..., mas eu não gosto que outros tentem educar o meu pirralho. Deixe que eu mesmo cuido disso.
Simmon arregalou os olhos.
O pulso do diretor da B1 estava envolto em cabelos grossos e resistentes. Kaleb. Os fios puxaram o diretor da B1 para trás, obrigando-o a se distanciar do professor da K2.
— Leve-me para dentro! — o homem pediu ao Simmon, assim que os seus cabelos largaram o pulso do ancião, que encarava os dois com uma expressão irada na face.
— Claro, senhor diretor — proclamou, fazendo com que o Kaleb abrisse um sorrisinho, e, em seguida, ambos atravessaram o campo e adentraram no ambiente onde o exame de prata ocorreria; deixando o anoso ranzinza da B1 para trás.
Chegando do outro lado, Kaleb puxou o Simmon mais para perto de si, para que conseguisse falar num tom mais baixo.
— Sente-se comigo, filho... — Simmon deixou o queixo cair um pouco ao ouvir aquilo. Percebendo isso, o Kaleb ruborizou levemente e pigarreou; — ... para que você possa me atualizar em relação ao Coby, é claro! — disfarçou, mas o Simmon sorriu e passou o braço pelo ombro do seu velho.
— Claro, pai.
Kaleb ergueu as sobrancelhas, um pouco surpreso, mas logo sorriu.
— Sem mais demora, vamos anunciar os nomes das pessoas que irão protagonizar a primeira luta! — anunciou o organizador, depois que todos os diretores foram devidamente apresentados, além de, é claro, terem dito algumas palavras de conforto para os estudantes que estavam participando do teste. A Geovanna da quinta cadeira, a mulher que estava com um semblante entediado durante as apresentações, cedeu o seu lugar para que o Simmon pudesse se sentar lá na área reservada juntamente com o Kaleb; por ter feito isso, a mesma acabou tendo um pretexto para sair dali mais cedo que o normal. Uma parte dos outros treinadores pareciam com inveja, afinal, eles também queriam sair daquele lugar o mais rápido possível. Pareciam ter coisas mais importantes para fazer. — Todos já sabem quem vai lutar com quem, não sabem? Pois bem, agora eu irei decidir a ordem que as lutas irão acontecer! — revelou, e os nomes que estavam nos telões começaram a serem embaralhados em alta velocidade. Em questão de segundos, os nomes da primeira dupla de pessoas que iriam se enfrentar ficaram destacados no telão.
Cássia versus Daphne.
— Oh! — exprimiu a garota, perdendo o fôlego devido a surpresa.
— Boa sorte, Daph! — desejou Flora, colocando a mão sobre o ombro da amiga como forma de incentivo. — Você consegue!
— É isso aí, Doidaphne, arrebenta!
— Você é a dama mais forte que eu já conheci!
Daphne deu as costas para os seus companheiros, enquanto eles ainda lhe diziam palavras de estímulo, e começou a seguir em direção as escadas que a levariam até a arena. A medida em que descia os degraus, ela pôde constatar que estava nervosa devido ao suor que havia surgido nas palmas de suas mãos. Ora, por que justo ela tinha que ser a primeira?! Caso demorasse mais um pouco para ser chamada, talvez os treinadores já tivessem ido embora ou, quem sabe, uma parte da multidão já teria saído...
Reflexões desse tipo inundavam a sua cabeça, porém, assim que a mesma pisou no espaço separado para a batalha, ela respirou fundo e soltou o ar dos seus pulmões com força, como se, junto a ele, estivesse tirando todos esses pensamentos negativos da sua mente.
— Vamos lá! — declarou, erguendo a cabeça, e, em seguida, deu passos largos até alcançar o meio do local. Para a surpresa da plateia, e de Daphne também, a Cássia criou um campo de força abaixo dos seus pés e seguiu até a metade da arena em grande estilo, gerando gritos de incentivos e várias palmas por parte dos telespectadores. — Ela sabe mesmo como cativar o público — murmurou.
Assim que ambas ficaram em seus lugares, a apenas alguns metros de distância uma da outra, a ordem para darem início ao teste foi dada pelo organizador.
— Comecem!
A princípio, Daphne levou o seu olhar até a Cássia de maneira serena, como se estivesse a fim de dar uma breve saudação à companheira antes que elas pudessem começar a luta, todavia, para a surpresa da menina, a sua concorrente já estava mandando um campo de força púrpura com um formato de uma parede na sua direção, para que pudesse prende-la ou, no pior dos casos, esmaga-la.
Instintivamente, Daphne esticou os seus braços e bateu as palmas das suas mãos contra o muro; parando-o. Devido a força que a garota estava fazendo para parar aquele ataque, os seus pés chegaram a afundar tanto no solo ao ponto de criar algumas rachaduras no mesmo. Cássia, por outro lado, fazia leves caretas, indicando que estava se esforçando para chegar ao nível de força que a Daphne possuía. Sem demora, a garota gerou outro campo de força igual ao primeiro bem atrás da sua oponente, com o intuito de pega-la desprevenida para, então, prende-la; entretanto, antes que o pior acontecesse, a Daphne rapidamente abriu um dos seus braços, interrompendo assim, que os dois campos de força se fechassem.
Por estar usando a sua mão direita para segurar um campo de força e a esquerda para segurar o outro, a menina não conseguiu conter um gemido, que emanou da sua garganta graças a todo o esforço que ela estava exercendo.
Se a mesma continuasse assim, uma hora ou outra iria se cansar, e, no fim, a Cássia obteria a vitória! A menina não queria entregar aquela batalha tão fácil assim, então, logo decidiu apoiar os seus pés no chão com mais firmeza para, em seguida, empurrar as barreiras ao seu redor com mais força.
Nada aconteceu.
Os olhos de Daphne arregalaram um pouco quando ela notou um detalhe crucial que aumentava a força daqueles poderes púrpura: a arma de Dinks. Ela estava ali, próxima aos campos de força, para dar mais resistência a eles. Notando aquilo, Daphne sussurrou algumas palavras nada agradáveis aos ouvidos, e, depois, olhou ao seu redor; como se estivesse procurando por alguma forma de sair dali.
— AAAH! — urrou ela, ao mesmo tempo em que ergueu um de seus pés para, logo em seguida, batê-lo com tudo sobre o chão; ocasionando não só no estraçalhamento de uma parte do mesmo, mas num potente tremor também. A fenda que a moça abriu foi grande o bastante para fazer com que ela própria caísse lá dentro, juntamente com os campos de forças e a arma de Dinks.
Cássia ergueu levemente as sobrancelhas perante a cena, no entanto, ela não teve muito tempo para admirar aquilo, pois, em menos de segundos, a Daphne já havia dado um grande salto que a fez sair de dentro da fissura de uma maneira bastante prática e veloz. Sem perder tempo, a Daphne correu um pouco em direção à sua oponente e, em seguida, deu outro grande salto. Ainda no ar, a mesma retirou a sua própria arma de Dinks de dentro do seu cinto e a lançou rumo à Cássia, que até abriu uma barreira para se defender, mas... Bem...
A mira de Daphne não era das melhores.
O objeto acabou passando a uma distância considerável do local onde Cássia estava, e, ao atingir o chão, o mesmo o destruiu; como se a Daphne tivesse dado um soco ali. Devido ao seu erro, a plateia acabou rindo da mira terrível que a menina tinha, e, graças a isso, ela fechou os punhos com força. A vergonha que a atingiu por ter errado e a raiva que estava sentindo devido às risadas fizeram com que Daphne não se importasse de usar a maior quantidade de aura que conseguia, fazendo com que não só os seus punhos ficassem cobertos pela luz verde, mas os seus braços também.
Assim que as suas veias adquiriram um tom verde esmeralda potente o bastante para emanar uma forte luz ao redor de seu corpo, a Daphne prontamente começou a correr em direção à Cássia, que, de imediato, ergueu outro campo de força, com a intenção de parar a sua oponente. Dessa vez, porém, a Daphne não levantou as mãos para tentar interromper o andamento daquela barreira; ao invés disso, a mesma levou um de seus braços para trás, com o intuito de socar aquele poder com toda a sua força.
Assim que o punho de Daphne se chocou contra aquela habilidade púrpura, uma forte corrente de ar emanou pelo local devido ao impacto, fazendo com que os olhos das pessoas que estavam na plateia se fechassem por um tempo. Contudo, assim que todos reabriram as suas pálpebras, a maioria ficou de queixo caído quando perceberam que a barreira de Cássia havia se estraçalhado como um pedaço de vidro por conta da força de Daphne.
Entretanto, os telespectadores não tiveram muito tempo para admirar os pedaços arroxeados da barreira que estavam no chão, pois a Cássia rapidamente gerou um campo de força abaixo dos seus pés, para que pudesse ir para um local mais alto. Percebendo isso, a Daphne não perdeu tempo e correu o mais rápido que pôde para, depois, dar um grande salto que a fez alcançar a altura em que a sua concorrente estava. Nesse ponto, tudo o que a Daphne conseguiu fazer foi jogar seu punho para frente, na intenção de socar a Cássia, que, em sua defesa, criou um pequeno campo de força a poucos centímetros de si.
Receber um soco de Daphne não estava nos planos da garota.
Devido ao impacto do punho contra a pequena, mas grossa, barreira, ambas as meninas acabaram sendo jogadas com tudo para trás, em direções opostas, e bateram as suas costas no chão.
Ao ver aquilo, a plateia ficou em silêncio absoluto. Não era todo dia que a Cássia tinha dificuldades para vencer o seu adversário.
Daphne, a essa altura, já estava tentando se reerguer novamente, e, enquanto fazia isso, ela não deixou de abrir um sorrisinho desafiador para a sua rival, que o retribuiu. A Cássia parecia estar se divertindo com aquilo, até que, instintivamente, o seu olhar seguiu até o local onde os mais poderosos estavam sentados. Assim que os observou, a sua aparência mudou. O diretor da A1, seu pai, a encarava com uma expressão de desgosto, e isso pareceu deixar a garota um tanto quanto abalada.
Nesse momento, a Daphne já se encontrava de pé, correndo até a sua oponente mais uma vez. Com uma certa raiva, a Cássia se levantou.
— Maldição! — resmungou a mesma, ainda com os olhos fixos no diretor da A1. Pelo seu semblante preocupado, era possível notar que a moça não desejava perder; não na frente do seu pai. Imediatamente, ela ergueu outro campo de força em sua frente, porém, diferente dos outros, esse foi ficando muito mais grosso. Ela parecia estar preparada para dar tudo de si contra a Daphne, que já vinha com uma das mãos prontas para desferir um soco.
A barreira de Cássia ficou bastante espessa, e, ligeiramente, ela a jogou rumo à sua rival, causando outra forte colisão entre o seu campo de força e o punho de Daphne.
Dessa vez, o soco da menina não foi capaz de estraçalhar o seu campo de força tão facilmente, todavia, algumas partes dele se racharam. Aos poucos, a aura verde que emanava da mão da sua oponente começou a entrar nas rachaduras, como se estivesse tentando quebrar a sua barreira de dentro para a fora.
— Droga! — resmungou Cássia, ao mesmo tempo em que Daphne usou a sua outra mão para socar e, finalmente, quebrar aquele campo pela segunda vez. Ao ver os pedaços púrpuras caírem sobre o solo, a menina arregalou os olhos. Aquela era uma barreira bem resistente, afinal, ela já havia conseguido interceptar os poderosos ataques metálicos de Morgana!
De maneira natural, ela acabou olhando para o seu pai de novo, que já balançava a sua cabeça de maneira negativa; decepcionado. Perante aquilo, ela mordeu os lábios e fechou os punhos com força.
— Droga! Droga! Droga! — reclamou, irritada com si própria.
Daphne, por outro lado, não havia percebido a troca de olhares que estava ocorrendo entre a Cássia e o seu pai, por isso, acabou pensado que a raiva da menina se baseava apenas no quebramento dos seus campos de força. Bem, em parte, era por conta daquilo mesmo. Aproveitando o seu embalo de vitórias, Daphne decidiu voltar a correr rumo à sua oponente, mas, de repente, uma dor bastante familiar a atingiu.
Pelo Ômega, de novo não!
A garota gemeu de dor e, imediatamente, olhou para as suas mãos. As suas veias estavam num tom de verde ainda mais destacado que o costumeiro, e, para completar a série de acontecimentos desagradáveis, o bracelete prateado da mesma agora estava ganhando uma coloração esverdeada.
"Por que eu não tirei isso antes da batalha?", questionou para si própria, mentalmente, enquanto respirava fundo para que conseguisse se acalmar perante aquele acontecimento. Não era a primeira vez que algo assim acontecia, e isso já estava a irritando. A Daphne não podia permitir que o seu bracelete a impedisse de lutar sempre, pois, caso continuasse assim, ela poderia acabar se prejudicando e entrando em uma situação crítica!
Os olhos dela seguiram até Cássia, que parecia concentrada demais em alguma coisa que estava acontecendo na arquibancada especial dos diretores, e, sem pensar duas vezes, a Daphne fechou suas mãos com bastante força.
— É o meu poder que você quer, certo? — murmurou, encarando o seu bracelete com impaciência. — Então tente pegar tudo! — declarou, ao mesmo tempo em que fechava os olhos e urrava, devido ao esforço que estava começando a fazer.
Naquele instante, a Daphne não parecia querer se segurar. Se era os seus poderes que aquela coisa queria, então era isso o que ele iria ter!
A aura que cobria os braços dela começou a ganhar mais intensidade, e as raízes dos cabelos escuros da mesma foram adquirindo um tom esverdeado. O corpo dela ficou envolto na luz verde, que emanava através das veias presentes em todo o físico da garota. Toda aquela concentração de suas habilidades curativas deixavam a Daphne com uma presença mais imponente, e isso só aumentou quando os olhos dela se abriram e se revelaram completamente verdes.
Obviamente, toda aquela luminescência acabou chamando a atenção de Cássia, porém, ela não foi a única que se surpreendeu com a aparência de Daphne – que parecia estar sendo sobrecarregada de dentro para fora com o seu próprio poder. O pessoal que estava na arquibancada especial também se mostraram curiosos com o que estava acontecendo ali, e, ao notar o interesse deles, a Cássia rangeu os dentes.
Sem demora, os olhos da garota adquiriram a mesma coloração roxa que existia em suas barreiras, e, em seguida, ela ergueu as mãos. De imediato, um campo de força começou a ser criado em sua frente, e este logo foi adquirindo uma espessura cada vez mais grossa, para que ficasse resistente o bastante para parar a Daphne.
Com o passar do tempo, a barreira da Cássia ia se tornando maior e mais temida, enquanto a Daphne ia se fundindo cada vez mais à cor verde. As duas pareciam estar colocando os seus corpos no limite, deixando claro para toda a plateia que a vencedora daquela disputa seria a que tivesse a maior resistência e força de vontade para atingir o ápice.
Após um tempo, o campo de força de Cássia finalmente foi levado rumo à Daphne, que, com bastante dificuldade, ergueu as mãos para parar aquela barreira. Pela terceira vez, o impacto dos punhos contra a habilidade púrpura ocorreu, mas, agora, a potência que foi gerada devido ao choque entre eles acabou não só criando um forte vento, como também rachou o solo ao redor delas. Os telespectadores protegeram os olhos quando as poeiras das rachaduras subiram com a ajuda da ventania, mas, ao contrário deles, a Daphne e a Cássia não fecharam os olhos. Elas estavam com muita adrenalina correndo no sangue para pensarem em fazer qualquer outra coisa que não fosse gritar e concentrar o máximo das suas forças no ataque.
As coisas estavam muito intensas, e a força do punho de Daphne parecia estar no mesmo nível que a força da barreira de Cássia, até que...
— AAAAAH!
E aí gente, tudo bem?
Estou passando no final do capítulo pra lembrar vocês de deixarem uma estrela ☆ e um comentário dizendo o que vocês acharam ♡
Quem vocês acham que vai ganhar essa luta, a Cássia ou a Daphne? Façam suas apostas! No próximo capítulo vocês irão saber, huahuahua.
Por hoje é isso galera, um grande abraço e até breve! 🖤
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