Capítulo 3
O tempo passa muito rápido. Eu literalmente não vi ele passar, já estamos no fim desse semestre e eu passei em todas as matérias! Deveria agradecer Layla por sua ajuda e faria isso se não tivesse percebido que ela não é muito fã de agradecimentos.
As vezes não acredito muito nessa pessoa que ela demonstra ser...
Quando a aula terminou ela pediu para que eu esperasse, quase todos foram embora e ela está parada na minha frente, um pequeno sorriso molda seu rosto. Ela as vezes é uma garota legal, uma pena ter fazê-la sofrer, não que eu realmente me importe.
_Estava querendo tomar um sorvete, não quero ir para casa agora... - ela diz. - quer me acompanhar? - a garota oferece tentando parecer simples mas, eu sei que tem uma segunda intenção no que ela está pedindo.
_A Princesa quer minha humilde companhia? - ela acena um sim envergonhado. - Eu ia preferir se me chamasse para uma cerveja, mas o sorvete também é gelado e está quente como inferno hoje. - deixo o meu melhor sorriso sedutor.
Entramos no carro dela, queria dizer que meu interesse nela é exclusivamente financeiro, mas não é. Porque estou mesmo afim de ficar com Layla.
Ela tem esse jeitinho de menina boa, esse negócio de estar sempre ajudando... Não acredito em toda essa bondade, altruísta é o caralho, aposto que ela é uma diaba!
...
_Eu... - ela olha para os lados depois de pedir amburgueres, milkshake e uma cerveja para que eu tome. Achei no mínimo estranho, essa é a primeira vez que uma mulher me paga uma cerveja. Não que eu esteja reclamando! - Obrigada por vim comigo, não queria ir para minha casa...
_Problemas no paraíso? - pergunto de modo sacastíco.
_Eu não quero ficar sozinha... - a vergonha pelo menos parece sincera.
_Onde estão o papai e a mamãe, viajando em uma segunda lua mel? - solto um sorriso maldoso. Eu deveria ser legal com ela, só não consigo as vezes.
Ela morde a boca, olha para os lados como quem tenta buscar algum controle. Depois sorri, o sorriso mais fingido que eu já vi.
_Essa cerveja é boa né!? Que eu comprei? É a mais cara então... Eu não bebo, não faço a menor ideia. - aí está. Eu fico na dúvida se ela está sendo inocente ou jogando na minha cara o dinheiro que tem.
_É uma das melhores... - dou ombros como se não desconfiasse de nada.
_Bom... - ela balança a cabeça e olha para os lados outra vez.
_Está esperando mais alguém? - pergunto curioso com a atitude dela.
_Não. Estou meio nervosa. - ela sorri como se me pedisse desculpas.
_O que está deixando a princesa nervosa?
_Idiotices de menina rica. - ela caçoa de si mesma e eu fico curioso. Esperava muitas respostas, menos essa.
_O que vai fazer durante o recesso?
_Nada. Tenho férias do trabalho, talvez aproveite para treinar mais.
_Você é esportista né!? - Layla fixa seus olhos em mim. - Acho legal.
_É. Participo de competições pequenas, nada de mais. As vezes consigo uma grana. Mil, dois mil... Não é muito.
_Eu acho que é muito bom! Sua família deve ter orgulho.
_É... - omito o fato de não ter uma família.
_Por que você não bebe? Não bebe nada?
_Muito raro. As vezes no fim do ano ou em alguma data comemorativa eu tomo uma taça de champanhe, mas é bem raro. Não gosto de bebidas...
_Por quê? - minha curiosidade vence nessa, porque eu sinto que tem uma história aí.
_Meu tio... - Layla desvia os olhos e eu chego a tremer me medo pelo que vem - ele tinha alguns problemas com bebida, sempre arrumava confusão, as vezes chegava em casa sem conseguir ficar em pé, ficava violento e... - tenho vontade de pedir para ela parar porque essa porra me embrulhou o estômago de verdade, sinto um ódio profundo por caras que tocam crianças - eu tinha uns sete anos...
_Porra... - escapa sem que consiga conter.
_Ele chegou muito bêbado, queria dinheiro para alguma coisa e minha mãe não quis dar, meu pai tinha arrumado um segurança para ficar de olho nele nessa época, acho que ele sabia que algo ruim estava para acontecer... - Seguro a pequena mão dela que tem os olhos cheios de lágrimas. - Meu tio agrediu a minha mãe, machucou ela, eu tentei segura-lo, tentei... Acho que a raiva dele se virou na minha direção, ele ia me machucar... - os olhos dela brilham com alguma lembrança boa porque ela sorri e eu me sinto estranhamente aliviado - o Zeca correu para chamar o segurança e antes que meu tio fizesse alguma coisa tomou um tiro na perna, ele até tentou atacar o segurança mas tomou outro tiro na barriga e... As imagens do sangue, e o som dos tiros, o cheiro da bebida que vinha dele.
_Ficou gravado na sua mente... - eu digo.
_Ficou.
_Quem é Zeca? - tento mudar de assunto porque esse, apesar de ser menos do que eu esperava, é bem ruim.
_Obrigada. - Layla agradece a moça que nos serve. - O Zeca é filho da cozinheira, foi meu amigo durante toda a minha infância e nós namoramos por dois anos. - só isso?
_Onde ele está? - a curiosidade vence outra vez.
_Ele foi estudar nos Estados Unidos, passou na federal, passamos juntos, no ano passado o professor dele ofereceu uma bolsa para que ele fosse estudar lá. Intercâmbio...
Os olhos e o sorriso dela brilham, o rosto inteiro parece se iluminar e eu me sinto curioso para saber mais sobre ela.
_Acabou?
_Nós resolvemos terminar, eu não podia ir na época e... Acabou. Ainda somos amigos. - ela dá ombros. - assim como seu rosto se acendeu o brilho se foi, percebo que ela ainda é apaixonada pelo cara e me pergunto se tenho chance de disputar com isso.
_Você deveria experimentar. - aponto com a cabeça para a cerveja sobre a mesa. - É a melhor que tomei na vida!
_ É meu aniversário... - ela solta de repente.
_Mais um motivo para comemorar. - coloco a garrafinha de cerveja na sua frente esperando que ela beba.
_Estamos comemorando...
_Onde estão seus pais? - vamos ver se ela só ou desvia outra vez
_Acho que vou experimentar só um pouco dessa bebida. - Layla pega a garrafinha e leva a boca.
Eu estava bebendo naquela garrafa, não esperava que ela fosse aceitar. Não era a primeira vez que uma mulher compartilhava cerveja comigo mas com a Layla aquilo parecia... Desconexo.
...
_Eu me sinto tããããoooooooooooooo leve. - uma Layla muito chapada diz com um sorriso torto.
_Eu percebi.
_Estou meio tonta. - Você está muito chapada garota! - Eu já estava antes da última garrafa.
_Você só bebeu três não é muito... - acho engraçado a forma como ela gesticula.
_O carro! Como eu vou embora!? - a garota dispara a rir como se fosse a melhor piada que ouviu. - Eu estou muito ferrada!
_Eu levo o carro. Não estou bebendo mais.
_Você é legal, a Jéssica detesta você. - Bêbados e sua sinceridade - Todos pensam que você se aproximou de mim porque quer um emprego. Não que eu me importe com isso agora, estava precisando de um amigo. Todos tem suas vidas e, namorados e... Eu não quero arrastar ninguém para meus problemas, nem que as pessoas tenham dó de mim.
_E porque as pessoas teriam dó de você? Você tem tudo! - Que cometário sem lógica!
_ Minha mãe está morrendo. - dessa vez ela foi direita. - Meu pai levou ela para fazer um tratamento fora do país. Vou ficar sozinha naquela casa durante todas as minhas férias. Acho que quero ir na fazenda, gosto de lá. Quer ir na fazenda comigo? Tem cavalos lá. Você já andou a cavalo?
_ Talvez. - dou ombros. Talvez ela não percebido mas, me contou algo que parece não gostar de falar.
...
Jogo as chaves no móvel da sala me perguntando onde estava com a cabeça quando resolvi trazer essa garota para minha casa. Eu devo estar com algum problema. Deveria ter deixado ela em algum motel por ai. Ela não saber onde mora pareceu algum tipo de jogada. Layla tira a roupa bem na frente como se não fosse nada, ela tem um corpo muito bonito, curvas delicadas nós lugares certos.
_Você se importa de me dar uma camisa? - ela diz levando a mão no sutiã.
Porra de mulher gostosa! Ela só pode estar fazendo de propósito. Jogo uma camisa velha e ela veste se deitando na cama. Não vou beber nunca mais, esse negócio deixa a gente com sono, é tão estranho...
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