Bônus
Três anos depois...
Me sinto morrendo aos poucos, uma dor profunda corta meu coração, ou talvez ele tenha sido arrancado de dentro de mim, por isso me sinto vazia, não importa quanto passe ela ainda está lá.
Eu nunca deveria ter me envolvido com o Ricardo, nunca deveria ter deixado ele me beijar, me tocar...
Quando disse para o meu pai que eu queria ir para Califórnia ficar lá um tempo ele sabia que eu tinha alguma coisa errada, que tinha alguma coisa a ver com o "namorado" misterioso mas, ele não me questionou. Depois de seis meses meu pai bateu na minha porta, não foi preciso dizer nada ele viu.
A enorme barriga que eu sustentava, a pequena Halley. Ao contrário do que pensei, o senhor Everaldo sorriu, me abraçou, me apoiou de todas as formas. Ele esteve comigo, presente durante todo o fim da gravidez. Foi o apoio que eu precisava.
Eu não voltei a estudar, não trabalhei não fiz nada além de cuidar da pequena Halley eu tinha vergonha de voltar para casa mesmo com toda saudade e agora com ele na minha frente tentando me convencer a voltar é ainda mais difícil
_Chega de ficar se escondendo Layla, você ficou grávida não está sendo acusada de um assassinato! Garotas ficam grávidas todos os dias, algumas muito mais jovens que você. Não depende de ninguém além de mim e quer saber o que eu penso? - balanço a cabeça chorando. - Que a minha neta foi um presente, foi um maravilhoso presente. Eu a amo, talvez mais do que ame você! - meu pai sorri.
_Obrigado pai, eu não mereço o que senhor está fazendo por mim. - choro.
_Filha, eu amo vocês! São tudo que me restou. Agora junte suas malas e vamos embora para nossa casa. Não tem motivos para minha filha e minha neta viverem tão longe de mim.
Obedeço meu pai e faço minhas malas e volto para o Brasil.
....
Quando papai disse que eu deveria voltar a estudar e trabalhar não imaginei que fosse ser tão difícil deixar meu pequeno raio de sol. Eu chorei feito uma boba durante todo o percurso, me senti uma pessoa horrível durante todo o dia até ela estar de volta nos meus braços.
A primeira semana passou rápido e depois a segunda, eu estava no escritório mas, o que eu queria mesmo, era ir para as obras, onde as coisas acontecem.
Meu pai falava constantemente de um rapaz, um tal de Hulk, um engenheiro recém formado que era extremamente competente, ele tinha sido promovido a pouco e meu pai achou que talvez fosse legal se eu estivesse na equipe dele, que era de longe, a melhor em produção.
Por isso estou parada aqui em frente ao canteiro de obras, dentro do container que não estava vazio, um projetista, estava lá e começamos a conversar. Eu estava mais calma e fiquei tranquila porque segundo o projetista o engenheiro da obra era um cara muito legal, muito simples e humilde, pelo visto todos gostavam muito dele, por diferentes aspectos.
Eu estava rindo de uma história que o Augusto, o projetista, contou quando o homem entrou pela porta. Não foi preciso muito mais que um único olhar para saber quem ele era, não importa quanto tempo passe, eu sempre vou revonhece-lo, Ricardo estava diferente, mais velho e mais maduro, com certeza mais bonito.
Não tinha se passado tanto tempo para tamanha diferença, seus olhos castanhos ainda eram os mesmos, o corpo grande ainda tinha a mesma forma pecaminosa que me fez cair.
Não pude conter meus olhos que desceram por todo o corpo até voltar a face, ele ainda tinha o poder de me afetar, eu sentia o coração bater rápido e forte e meu estômago ainda gelava.
Ficamos ali, alguns segundos, nos olhando, ele como se estivesse diante de um fantasma e eu... Eu só pensava em correr dali para os braços do meu pai ou para qualquer outro lugar em que estivesse segura de tudo que estava sentindo, de tudo que ele ainda me causava, mesmo depois de tanto tempo.
_Eu sou Júlio Ricardo Tavares. - ele estende a mão com um tom profissional, eu sei que ele está nervoso, não sei porque mas, ele está.
_Oi Júlio. - respondo estendendo minha mão, tento disfarçar o choque que sua mão na minha me causa - Layla Albuquerque.
_Seu pai me disse que viria. - ele desvia os olhos de mim - Vamos a obra então?
Aceno de vagar pensando que talvez essa fosse a minha melhor oportunidade de correr para bem longe. Assim que saímos do container e caminhamos para obra ele segura meu braço, não com força, só o suficiente para realmente me segurar. Um choque corre pelo meu corpo a partir do lugar do toque.
_Você sumiu! Não apareceu na faculdade, não atendeu minhas ligações... - não acredito que ele esteja dizendo isso!
_Você deixou bem claro que não me queria, foi sexo, diversão. Eu estava apaixonada por você, quebrou meu coração... Porque eu iria atender você ou voltar a faculdade, para ver você? Eu não sou masoquista Ric! Ricardo. - me apresso em completar o seu nome, nada de apelidos, intimidade é a última coisa que preciso, apesar de ser a primeira que eu quero.
_ Eu queria me desculpar. - ele diz. - Eu sei que magoei você e... Me desculpa! - tem alguma emoção dentro dos olhos dele não sei bem o que é, por isso, chuto a primeira coisa que me vem a cabeça.
_Pode ficar tranquilo, meu pai nitidamente não sabe do que aconteceu entre nós e eu não pretendo contar. Seu emprego está a salvo. - respondo puxando meu braço e voltando a andar.
_Não é por isso! - ele volta a me tocar - Eu também estava apaixonado por você, não tinha me dado conta até você sair da minha casa aquele dia e nunca aparecer...
_Não! - eu corto - Não fale, não diga, por favor... Eu já sofri de mais... Não faça isso, não vai mais acontecer! - eu peço dando tudo de mim para permanecer firme sem chorar.
Ele respira fundo e se contém, solta meu braço de vagar. Olha para longe de mim e depois de alguns segundos olha dentro dos meus olhos e diz:
_Você está certa, passou, não precisamos disso isso agora.
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