34. Não tente me enganar

_Quem é o pai da Hope? - eu pergunto entrando no contêiner, não quero saber quem é que está aqui. Eu quero saber a verdade!

_Ricardo!? - conheço esse tom, conheço essa mulher.

_Só me dê um nome. - eu tento parecer autoritário mas tudo que me sai é um súplica.

_Podemos falar sobre isso em outro lugar? - ela pede tentando demonstrar tranquilidade mas eu sei que ela não está tranquila.

_Onde? - a urgência na minha voz é percebida por qualquer pessoa.

_Tenho que pegar uma planta em casa...

_Por mim tudo bem! - não tem nada bem na verdade.

_Ok... Você pode me seguir...

_ Não tente me enganar Layla, não tente fugir, diga de uma vez o que eu quero saber. Sim ou não?

_ Ricardo, está todo mundo olhando! - Layla está vermelha.

_Dane-se todo mundo Layla. A verdade que eu quero está aqui. - aponto para seu corpo.

_Vamos sair daqui.

Layla me arrasta para fora, deixo que me guie para longe, ela para em frente ao seu carro e respira fundo, está chorando, quero trazer o seu pequeno corpo para os meus braços, ela respira fundo enxuga as lágrimas e me olha nos olhos com determinação.

_Hope é sua filha.

_Porra... - meu coração para, me sinto tonto, tantas coisas passam na minha mente que não consigo me concentrar. - Pretendia me contar?

_Eu queria dizer na primeira vez que nos beijamos, na primeira vez que ficamos no seu apartamento, eu só tive coragem. Me desculpa! - ela voltou a chorar mas não consigo olhar para seu rosto.

Estou sentado no chão de terra batida, com a cabeça entre as pernas, meu coração esqueceu de bater em algum momento, estou enjoado e tonto com essa notícia.

_Podemos fazer um teste se quiser...

_Você está brincando? Tem que está brincando! Transou com mais alguém quando engravidou da menina? - Layla balança a cabeça. - Então!? Eu não estou duvidando de você Layla, só preciso de tempo para me lembrar de como se faz para respirar... Eu tenho uma filha? - abro um grande sorriso - É tão surreal! Eu estou muito feliz, mas... Acho que estou medo.

_Você quer conhecer nossa filha?

_Muito! Não sei se consigo aguentar toda essa emoção! Acho que vou desmaiar.

_Desmaia dentro carro, porque aqui fora não consigo te carregar. - ela brinca sorrindo de leve - Você está com raiva de mim?

_Eu não sei o que sinto, não estou com raiva, estou... Um pouco decepcionado porque eu merecia saber, isso teria mudado tudo... Mas eu amo você Layla, já errei muito com você e... Não quero perder você de novo.

Ela me beija, os olhos cheios de lágrimas, parece feliz.

_Vamos conhecer a Hope.

O caminho até a mansão onde eles moram é feita em silêncio, nós dois temos muitas coisas para pensar. Quando o enorme portão se abre eu sinto meu coração bater forte, uma mistura de ansiedade e medo, quero correr, quero gritar, quero abraçar Layla e agradecer.

_Hope!? Filha? - Layla chama entrando pelas portas vidro escuro, uma sala grande e confortável me recebe, todo o ambiente é climatizado e outra vez sinto a diferença entre nós, não posso dar a elas um lugar como esse para morar.

Uma menininha de pele morena e cabelos cacheados aparece na porta, ela tem um sorriso grande e corre até a Layla que abraça forte a garotinha enchendo de beijos em seguida.

_Quero te apresentar uma pessoa, esse é o Ricardo Júlio. - a menina tímida me olha curiosa - Ele é seu o pai.

Os pequenos olhos escuros brilham como uma estrela na noite. É a coisa mais linda que eu vi na vida. Não consigo  me conter e choro feito criança. Os pequenos braços circulam meu pescoço, ela pergunta se estou triste por ser seu pai. Como eu ficaria triste?

_Eu nunca estive mais feliz, você é o presente mais especial que eu já ganhei.

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