26. Mentira tem perna curta
Abro a porta do pequeno apartamento sabendo que não tenho para onde correr, meu pai está porta querendo saber o que aconteceu com a filha que se mudou para o exterior sem nenhuma explicação.
Eu tenho uma boa explicação, só não queria dar a ele a brilhante notícia de que estou grávida.
Abro a porta para ele torcendo para que o macacão de linho consiga esconder a minha barriga. O que obviamente não acontece porque ele olha com espanto para o volume que eu gostaria de esconder, ele me olha novamente e vejo a confusão estampada na expressão do seu rosto.
Abro a boca para tentar me justificar uma, duas vezes e desisto. Meus olhos se enchem de lágrimas e eu quero dizer a ele que me arrependo muito, que não queria que nada disso acontecesse mas... as palavras simplesmente saem.
_Filha você comeu semente de melancia? - ele brinca entrando pela porta. Caio no choro. - Tudo bem, tudo bem... - sinto meu pai me abraçar e choro ainda mais. - Foi por isso que saiu do país? - aceno envergonhada. - Você já foi a um médico para fazer o pré-natal? - aceno outra vez tentando enxugar minhas lágrimas. - Já sabe o que é?
_Menina. Uma menina pai. - o homem que tem sido meu herói desde sempre sorri.
_ Uma princesa! - minha mente cruel me faz me lembrar de Ricardo, ele me chamava assim, talvez não com carinho como pai fala da neta. - Escolheu um nome? - volto a chorar cheia de tristeza e mágoa sem conseguir falar mais nenhuma palavra. - Não precisa chorar meu amor eu estou aqui com você, tudo vai ficar bem, vocês ficarão bem.
_Obrigado! - minha voz sai meia rouca e eu estou uma bagunça me deito no sofá com a cabeça em seu colo ainda chorando até pegar no sono.
...
Acordo com uma dorzinha chata na cabeça, o cheiro de comida está ar o que faz meu estômago roncar. Me levanto do sofá onde dormi e encontro a mala do meu pai ainda ao lado da porta, sinto uma dorzinha no peito, culpa e arrependimento. Eu devia ter contato quando fiquei sabendo e não ter me escondido aqui.
_ Boa noite minha filha. - meu pai diz sem se virar.
_Me perdoa. - peço querendo chorar outra vez.
_Eu não tenho porque te perdoar, não me fez mal algum.
_Eu não terminei a faculdade, estou grávida com vinte um e meu bebê nem tem um pai. Sou uma vergonha!
_Se o pai não quis o bebê quem está perdendo é ele, que notícia pode ser melhor que um bebê? Eu estou feliz. - meu pai sorri. - Você não é a primeira mãe solteira e não será última, largou a faculdade porque quis, pode continuar estudando aqui se quiser. Temos condições de criar essa criança Layla. Então não vejo motivo para alarde.
Balanço a cabeça sentindo as lágrimas escorrem pelo rosto.
_Obrigado pai. - agradeço porque é tudo que consigo dizer sem cair no choro outra vez.
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