24. Despedida
_Foi isso que aconteceu, sinto muito. - minha prima diz depois de me contar a história com cada mínimo detalhe sórdidos que conhece. - Acho que Ricardo se apaixonou por você. Ele devolveu o dinheiro todo. - Vanessa diz, ela é irmã da Verônica, filha de mães diferentes, a mãe dela é a atual mulher do meu tio e é o sopro de paz que essa família precisa.
_Você ouviu isso? - pergunto com o coração quase parando.
_Ouvi a Verônica falando com o nazista. - acho engraçado como a mocinha de quinze anos a minha frente apelidou Dimitri. - ele e a Barbie estão namorando. Namorando não, você sabe, eles... - ela fica vermelha e eu abro um grande sorriso.
_Eu sei.
_Ele estava muito bravo, disse que ia te contar porque queria ver você sofrer de qualquer jeito! O seu namorado foi pago para isso ele tinha que te fazer sofrer... Ouvi a Verônica dizer que sabia que ele desistiria, ele é bom demais, foi que ela disse. Talvez ele precisasse muito do dinheiro... Acho que deveria perdoar ele, sei lá, tipo esses filmes românticos... - os olhos em expectativa da minha prima me fazem ter ainda mais vontade de chorar.
Eu sei que Ricardo é um homem bom, eu vi sua luta e honestidade, eu sei que ele criou algum sentimento por mim e talvez por isso tenha desistido. Eu tenho dinheiro e uma vida abastada, mas sei como são as coisas lá fora, não que a atitude dele esteja correta. Não posso ser hipócrita e dizer que jamais cometeria um erro desses...
Respiro fundo.
Talvez eu perdoasse e tentasse outra vez. Tem muita coisa em jogo e eu não posso, não posso me arriscar por alguém que não me ama o suficiente quando tudo ao meu redor está prestes a mudar.
_Eu viajo na segunda.
_Você vai mesmo embora? - balanço a cabeça com um pequeno sorriso - vou sentir sua falta. Você é mais minha irmã que a Barbie.
_Eu sei pequena. - outro suspiro - prometo te ligar.
_Tudo bem... Vou embora, do vim te contar, fiquei prestando atenção na conversa deles só para te contar tudo. Já que não vai ficar podia pelo menos se despedir do grandão.
_Eu prometo que vou despedir dele, ok!?
_Te amo Lala... - Vanessa é mocinha e uma criança ao mesmo tempo. Uma inocência e simplicidade ímpar.
_Eu também te amo.
...
Papai saiu para algum lugar, acho que foi a trabalho, ele não sabia que estava em casa, contei por alto sobre a viajem, para ele vou viajar para o exterior com meu namorado.
Me lembro da promessa que fiz a pequena Vanessa. Coloco uma roupa confortável e vou atrás dele para me despedir. Estaciono o carro, antes que eu saia do carro vejo Ricardo atravessar a rua, ele não me e agradeço por isso, tenho mais tempo para pensar.
Me encosto no carro e espero alguns minutos até que Ricardo aparece, ele segura uma sacola, está diferente, parece triste, talvez ele esteja.
_Oi... - digo sem ânimo para essa conversa.
_Oi. - ele responde - Quer subir?
_Posso? - eu não sei se quero subir, ainda me sinto fraca quando se trata dele.
_Claro! - Ricardo responde, parece sem graça. Respiro fundo e o sigo em silêncio, perdida em meus pensamentos, queria poder ler os seus pensamentos. Entramos no pequeno apartamento e eu começo a falar.
_Você foi pago para me fazer sofrer? - pergunto direta, ele se quer fechou a porta. Uma respiração profunda é ouvida e sei que ele está buscando alguma resposta, uma mentira qualquer que talvez me faça perdoa-lo.
_Sim. - não esperava que ele admitisse tão facilmente.
_Você não fez, escondeu a verdade, devolveu o dinheiro. Por que? - meu coração para esperando que ele diga que me ama.
_Eu pensei que fosse outro tipo de pessoa. Conheci você Layla e... - ele toca meu rosto, não me afasto - percebi o quanto é ainda mais bonita por dentro do que por fora. Aprendi a gostar da sua companhia. Estava sempre sozinho e depois que tive você por aqui foi tão bom, eu gosto de você. - coração tolo, está batendo desesperado por algo tão bobo.
_ Não tem nada a ver com sexo? - que pergunta idiota! Nem mesmo sei porque pergunto algo tão..
_Tem, isso também foi bom. Foi maravilhoso! - não espera essa resposta, desvio meus olhos dos dele um tanto constrangida.
_ Você mentiu... No estacionamento, mentiu. - acusa-lo me parece o melhor caminho.
_Não foi uma mentira. - foi uma mentira e ele sabe - eu quero você de volta. - ele diz olhando nos meus olhos.
_Por que? - diz que me ama e eu desisto de fugir, diz que me ama e eu terei coragem para te contar sobre o que tem aqui dentro mim
_Gosto de você.
Me ergo e beijo os lábios dele. Eu sabia que acabaria sedendo a ele, porque quando se trata do Ricardo eu sou fraca. Sou boba o suficiente para me entregar outra vez a ele, uma última vez. Passamos o restante da tarde e parte da madrugada juntos.
Me levanto em silêncio, me despeço em pensamento, faço promessas com o coração e deixo o apartamento dele sabendo que nunca mais vou voltar. A volta para casa é regada a choro, soluços perdidos na escuridão do meu carro.
Ricardo me liga várias vezes, me manda muitas mensagens, implora por um perdão que eu já dei a ele. Não é questão de perdoa-lo, eu só quero algo que ele não pode me dar...
Bloqueio o número dele porque não quero fraquejar, não quero desistir.
As sete a meia estou entrando no avião, me despeço do meu país, do amor da minha vida, do meu pai e da minha vida. Tudo será diferente agora e eu vou recomeçar. Recomeçaremos eu e a vida que flui dentro de mim.
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