#00: Efeitos colaterais de ser solitário
O loiro passeou o olhar ao seu redor, observando todos os colegas juntando suas carteiras para fazer as atividades de física juntos. Tinha que admitir, momentos como aquele quando ficava parado olhando todos se agrupando eram esquisitos, principalmente quando alguma garota cutucava seu ombro e pedia que movesse sua mesa para que pudesse ficar mais perto de sua amiga.
Mas não tinha problema, porque no final do dia, gostava de ficar sozinho. Era tudo sua escolha porque interagir com seres humanos que tem uma visão do muito diferente da sua pode ser cansativo.
Sua única amiga é Chaewon, filha de uma amiga de longa data de seus pais. Foram basicamente criado juntos, então tem a mesma mentalidade e pensam do mesmo jeito.
Provavelmente, seu desgosto por pessoas ou qualquer coisa que saiba pensar e falar seja um fruto de pais controladores com um filho frágil. Nunca podia ficar sozinho, sempre estava com sua mãe ou uma babá que se demitia depois de algumas semanas trabalhando já que era humanamente impossível aguentar um Taehyun criança por mais tempo que isso. Todos seus passos eram controlados. Tudo o que fazia, comia, via, escutava. Não tinha personalidade própria, apenas passava o dia assistindo os desenhos de classificação Livre na Netflix infantil até seus quatorze anos de idade, quando seus pais se divorciaram e agora tinham algo mais importante para se preocupar e gastar dinheiro do que Taehyun, que nesse ponto, só queria ficar sozinho para compensar os momentos de falta de paz quando mais novo.
Não que achasse ruim. Agora já tinha sua liberdade e um emprego de meio período numa floricultura perto da casa da sua mãe.
Passava maior parte da sua semana fechado em seu quarto vendo lives e jogando Overwatch. Não era uma maneira ruim de viver, no seu ponto de vista. Gostava de seguir a mesma rotina, e no final do dia ainda era saudável e tirava notas boas.
Ah, como queria que as coisas ficassem assim.
— Por favor! Não aguento mais ficar preso sozinho o dia todo! Eu quero ir ajudar alguém - o garoto esperneou para sua chefe.
— Beomgyu, não vou ter essa conversa com você de novo.
— Não, Yerim, me escuta, por favor! Nenhum adolescente gosta de ficar sozinho o tempo todo!
— Você não fica sozinho! Você tem o Soobin. E o Yeonjun.
— Mas eles equivalem a nada.
— Ok - a mulher soltou suspiro audível. Todo dia se perguntava porque Jesus tinha escolhido justo Beomgyu para vir ao reino dos cupidos e viver como um em vez de ficar no céu como um anjo normal. — Se eu te der uma missão, você me deixa em paz?
— Deixo! Muito obrigado Yerim, você é incrível - puxou ela para um abraço de urso, que foi rejeitado com bom gosto.
Os dois andaram lado a lado até uma porta cor de rosa no fundo do muro do jardim de rosas. Era naquele campo que as moradias de todos os cupidos ficavam. Moravam no topo de uma montanha sem civilização por perto e rodeados pelas altas muralhas, de maneira que podiam ficar perto do céu e isolados da sociedade humana.
A mulher tirou uma chave de ouro do bolso de sua calça e destrancou a fechadura, dando abertura para seu escritório, que também era completamente decorado com tons de rosa e corações. Tão rosa que chegava a doer a cabeça.
Da gaveta da escrivaninha ela tirou uma pasta cheia de fichas e analisou cada uma delas rapidamente antes de escolher a certa e entregar os papéis grampeados para o moreno ao seu lado. Lá tinham impressas todas as informações sobre um garoto loiro chamado Taehyun Dorset. Dezessete anos, nunca namorou nem beijou, pais divorciados, uma única amiga.
— Só isso? - Beomgyu reclamou com um biquinho nos lábios — Vai ser muito fácil.
— Não subestime suas tarefas.
— Ele é bem bonito. Nem vou precisar usar uma flecha para fazer alguém se apaixonar por ele.
— Beomgyu, consiga fazer ele se apaixonar e depois penso em deixar você pegar uma missão mais difícil que essa. Mas por agora, ou você fica aqui sem fazer nada ou você vai fazer suas malas e pega a próxima viagem até Seul.
— Sim, senhora!
— E não me chame de senhora! - puxou a orelha dele, que soltou um gritinho de dor — Tenho só três mil anos e alguma coisa.
— Todo mundo que viveu antes de cristo é velho para mim. Sem ofensas.
— Céus.. Eu juro, foram as bruxas que deixaram vocês jovens assim. Vá se arrumar agora!
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