Capítulo 1
Nova York 2023 - Uma semana antes...
O luxuoso hotel The Grandiose em Nova York emanava sofisticação em cada detalhe. Suas paredes revestidas de mármore, seu imponente lustre de cristal e seus móveis elegantes criavam uma atmosfera opulenta que fazia jus à reputação do estabelecimento. No coração dessa galeria de ostentação, encontrava-se o grande salão de eventos, lindamente decorada para ser o lugar mais luxuoso já visto. Por seu imenso espaço transitavam bêbados ricos e pouco simpáticos que foram devidamente convidados por Robert Montego, um político mesquinhos que recentemente vinha ganhando atenção do público. Para todos, um homem digno, contudo, os mais íntimos conheciam bem a teia complexa de segredos que escondia.
Era noite quando Helena chegou à cidade que nunca dorme. Ela havia sido enviada por sua avó para encontrar uma das garotas que trabalhava como acompanhante de luxo para Robert Montego.
Hospedou-se em uma das suítes mais caras do lugar e se infiltrou na recepção de seu alvo com facilidade.
Enquanto caminhava entre os presentes, atraia olhares e sorrisos. Correspondia a todos com movimentos mínimos. Tudo era milimetricamente calculado. Até mesmo a inocência que emanava tinha um propósito.
— Aceita uma bebida senhorita? - Um garçom com um sorriso forçado, questionou. Helena apenas escolheu uma das taças e voltou para as sombras junto a parede norte e de lá observou.
Ali ela conseguia ver e ouvir quase tudo, já que a música escolhida para embalar a noite era monótona o suficiente para permitir isso.
Notou a entrada de James Smith, um velho conhecido seu e cliente habitual de sua avó. Hoje estava acompanhado de um homem asiático que ela desconhecia. Mesmo nao sendo essa sua missao, a curiosidade falou mais alto, então aproximou-se um pouco mais.
— Jonathan Lee! Se não melhorar esta cara, será ma noite difícil, meu amigo! - James chama a atenção do Loiro.
— James, não vejo como comparecer a esta recepção extravagante nos ajudará a encontrar o traidor entre nossos parceiros de negócios. Isso parece um esforço inútil. - Zombou Jonathan remexendo a colher de um dos pratos.
— Vamos Jon! Precisamos estar onde está a ação. Além disso, não é todo dia que um político influente dá uma festa no The Grandiose Hotel. Quem sabe que segredos podem ser revelados aqui? - Respondeu o amigo entre risos.
Jonathan olhou ao redor da sala, observando os convidados se misturando e se divertindo enquanto ele ficou ali parado, sentindo-se como um peixe fora d'água.
— Olhe para eles, James. Essas pessoas sofisticadas nem suspeitariam que há um criminoso à espreita entre eles. Como podemos descobrir quem está nos traindo? - Disse gesticulando para a multidão.
— Deixe isso comigo, amigo. Tenho contatos e faro para encontrar a verdade. Além disso, você realmente acha que eles suspeitariam que um chefe da máfia coreana estaria participando de um evento de alto nível como este? - Jonathan levantou uma sobrancelha, cético, mas um pouco divertido com a confiança de seu amigo.
— Tudo bem, James. Impressione-me. Como você planeja descobrir o rato entre nós? - Disse Inclinando-se.
— Oh, meu amigo, meu querido amigo. Está tudo aqui. Posso encantar os pássaros das árvores. Esta noite, vou conversar com todos os suspeitos em potencial, observar suas reações e analisar cada palavra que disserem. Antes que você perceba, teremos nosso culpado. - James respondeu apontando para o próprio rosto e depois para os demais.
Jonathan balançou a cabeça, um pequeno sorriso se formando em seus lábios. — James, admiro seu otimismo, mas lembre-se, isso não é um show de comédia. Estamos falando de nosso negócio e da honra de nossa família.
— Oh, não se preocupe, chefe. Vou manter as coisas leves, mas prometo que não vou descansar até encontrarmos aquele traidor.
Eles tilintaram os copos e Jonathan acenou com a cabeça em reconhecimento.
— Tudo bem, James. Vamos ver que tipo de loucura você pode desencadear no The Grandiose esta noite. Mas lembre-se, estamos aqui por um motivo. Mantenha o foco.
Enquanto eles se separam para se misturar com os convidados, Jonathan caminhou para um dos cantos, de onde pretendia observar as ações de seu amigo. Correu os olhos entre os convidados e inusitadamente os mesmos se prenderam a alguém.
A observou com curiosidade, seus olhos encontram os da mulher. Por um breve momento, a tensão no ar era palpável. Helena, com um sorriso discreto nos lábios, desvia o olhar e volta sua atenção para o ambiente ao redor.
Entretanto, seu leve flerte é interrompido. Ao virar-se lentamente, ela avista seu alvo. O elegante anfitrião conversava discretamente com alguem, que ela julgo ser um mera segurança. Seu olhar deslizou por todo o seu corpo, capturando cada detalhe, enquanto sua mente começava a traçar estratégias para alcançar seu objetivo. Robert deixa o recepção e sem hesitar, Helena decide segui-lo discretamente. Com passos calculados, ela mantém uma distância segura para não levantar suspeitas. Os corredores do local são iluminados apenas por luzes fracas, criando um clima de mistério e suspense.
O homem caminha com confiança, mostrando que está acostumado com o lugar.
À medida que avançam pelo labirinto de corredores, Helena percebeu que estão se aproximando da luxuosa suíte dacobertura, e que a mesma é guardada por seguranças imponentes. Ela se esconde rapidamente em uma sala adjacente, observando cautelosamente.
Ela estava diante de duas opções, ser discreta e conseguir uma passagem alternativa ou, fazer do jeito bruto. Talvez uma mistura dos dois.
Helena caminhou até os dois brutamontes com um andar cambaleante.
— Um dos cavalheiros pode me ajudar a encontrar minha suíte? - Profere de maneira arrastada. Enquanto ambos trocam olhares, ela se aproximou mais, deixando sua perna em evidência através da fenda de seu vestido.
Um dos homens leva sua mão as costas dela e com movimentos ágeis e precisos, Helena aproveita o momento oportuno e, de repente, desfere um rápido chute na perna de um deles. O homem grita de dor, enquanto o outro fica momentaneamente atordoado com a surpresa.
Sem perder tempo, ela se voltou para o segundo homem, usando sua agilidade para desviar de um soco que ele lançou em sua direção. Com um movimento rápido, ela agarrou o braço do homem e o torceu, fazendo-o gritar de dor e cair de joelhos.
Antes que eles possam reagir, Helena desferiu um chute giratório na cabeça do primeiro homem, que caiu desacordado no chão. Em seguida, ela conseguiu desarmar o segundo homem, utilizando uma técnica de artes marciais que aprendeu ao longo dos anos e lhe imobilizou, o largando quando percebeu que desmaiou.
Com os dois fira de combate, Helena tranquilamente entrou no lugar. Seu rosto permaneceu calmo e sereno, revelando que toda a ação foi executada com uma eficiência impressionante. A grande antessala estava Estranhamente silenciosa. Dando pequenos passos, ela foi se aproximando da grande porta francesa que levava a suite. Agora já conseguia ouvir o horror que acontecia lá dentro.
— Não por favor Robert! Eu não fiz isso. Não vendi informações. Eu sou apenas acompanhante. - Ela reconheceu a voz como sendo de Isabella. — Yeahhhh! - O som seco do contato do punho dele com algo fez Helena cerra os seus próprios.
— Mentira. Acha que sou tão burro assim que não sei o que aquela velha te mandou fazer? - O segundo soco vei seguido do terceiro e do quarto, juntamente com o choro velado e doloroso de Isabella. Estava se segurando para não fazer uma besteira e a voz de Petrovisk ressoava em sua mente num eterno 'mantenha a calma. Espere o momento certo'. Mas tudo isso se perdeu quando ouviu o estampido do tiro.
Helena ergueu as sobrancelhas e empurrou as portas mantendo sua postura impecável. Sua voz ecoou no ar como um sussurro gelado.
— Robert Montego, suponho? - Olhou para a mulher desfalecida e com a cabeça pendendo para um dos lados.
O político se virou, encontrando os olhos penetrantes de Helena. Ele tentou disfarçar seu desconforto, mas a tensão estava estampada em seu rosto.
— Quem é você? - Perguntou ele, com uma mistura de curiosidade e desconfiança.
— Que diferença faz você saber ou não meu nome? O que realmente interessa é que estou aqui para recuperar minha garota. Você a machucou, e agora eu vou machucar você.
Montego soltou uma risada forçada. — Você deve ser a vadia que aquela velha megera manda pra fazer o serviço sujo dela.
Helena manteve sua expressão impassível, mas um brilho de desafio surgiu em seus olhos. – Ah, Robert, normalmente eu não curto muito essa parte do negócio, mas, sabe que vai ser um prazer cortar a sua língua.
Montego avançou em direção a Helena com agressividade, mas ela se antecipou a ele com um movimento ágil. Com um único golpe preciso, ela o desarmou e o jogou no chão.
— Você é apenas mais um homem poderoso acostumado a usar sua força para obter o que quer. - Disse ela com desdém. — Um garotinho mimado que vai correr para debaixo da saia da mamar quando eu terminar. - Ao terminar de falar, ela o socou incessantemente e com tanta força que o fez perder a consciência.
Helena rapidamente se voltou para Isabella.
— Vamos acorda. - A desamarrou da cadeira aonde estava e a deitou no chão. — Você pesa muito para alguém tão magra. - Verificou seus batimentos cardíacos. — Muito fraco. Não faz isso comigo. - Ouviu um barulho vindo do lado de fora. — Droga. Preciso te tirar daqui. BEL VOCÊ ESTÁ PROIBIDA DE MORRER. - A mulher abriu levemente os olhos, agarrou-se ao vestido de Helena a puxando para mais perto e com dificuldade, sussurrou.
— Leve isso para sua avó. - Lhe passou um pequeno broche. — Diga-lhe que a missão está cumprida. Vai logo.
— Você mesmo vai dar isso a ela. Posso te carregar.
— Esquece. Eu já estou morta. - Isabella ergueu a mão e mostrou seu anel. — Eu segui o código. Não tenho muito tempo.
Helena levantou-se com tanto ódio. Havia falhado na missão. Isabella fez algo que ela só tinha visto acontecer uma única vez em toda sua vida, tomou o veneno que carregava consigo para emergências.
A última visão que teve da jovem foi dela arrastando-se até Robert e então ouviu o tiro derradeiro. Sabia que o som dele atrairia os demais seguranças do lugar e estava muito longe de sua suíte. Passou pelos dois homens ainda caidos, aprumou-se e voltou a caminhar elegantemente, se por um acaso encontrasse com alguém, daria seu clássico jeito. No fundo, estava rezando para descontar sua frustração em uma pobre alma, por outro lado, sabia que, se Isabella tinha dado a vida por aquela mísera joia, era por que aquilo valia todo o sacrifício.
Aproximou-se do elevador, porém percebeu que o mesmo já estava em movimento, indo em sua direção. Optou então pela escada. Desceu o primeiro lance e quando ia para o segundo deparou-se com homens subindo. Cogitou enfrenta-los, porém, a voz de seu mestre voltou a perturba-la.
— Tem alguém ali em cima. - Ouviu um dos homens gritar.
Droga! Pensou e Impaciente, adentrou ao corredor seguinte.
Alheio a tudo isso Jonathan, cansado do burburinho e da enfadonha recepção, subiu para seu quarto. Tirou seu terno, gravata e já começava a abrir os primeiros botões de sua camisa quando ouviu o que parecia ser um tiro. Aguçou sua audição a procura de mais alguma coisa e ouviu passos apressados no corredor. Pegou uma de suas adagas, apenas por precaução e abriu a porta do quarto para verificar o que estava acontecendo.
Helena ao se deparar com isso, viu nele a oportunidade de escapar de seus perseguidores sem fazer alarde e agarrou o loiro. Um beijo! Um único beijo o desarmou. Jonathan como se entendesse o que estava acontecendo, agarrou-se ao corpo dela a girando e pensando contra a parede interna de seu quarto.
Helena separou seus lábios dos dele e suspirou aliviada ao constatar que os três homens passaram correndo por eles e viraram no próximo corredor.
— Acho que a senhorita já pode me soltar. - Diz ele em sua língua materna, ajeitando as roupas. Helena começou a caminhar na direção oposta aos homens, precisava descer mais um lance de escadas e estaria na segurança de sua suíte. — Nem para agradecer. Estrangeiros folgados.
Helena parou, girou nos calcanhares e voltou, parando diante do homem.
— kamsa-hamnida. -Disse ela, se curvando. Aquilo pegou Jonathan de surpresa. Helena simplesmente voltou a caminhar e não encontrou dificuldades para acessar seu quarto.
Brasil 2023 - Presente...
— As coisas aqui nunca mudam não é mesmo? - A voz de Helena ecoa pelo grande salão e atrai a atenção de ambas as mulheres. — Eu saio por três semanas e você já quer meu lugar.
Helena caminha até a avó e lhe dá um beijo na bochecha, em seguida vira-se para Cristine e diz: — Presta atenção, sua vaca egocêntrica. Precisa de muito mais que uma carinha bonita e uma boceta capaz de dar algum prazer para chegar ao meu patamar.
— Helena, meu amor. Sempre tão elegante e culta. - A morena desdenha.
— Eu sou mesmo muito elegante com pessoas importantes. Com você eu prefiro ser exatamente o que você exige de mim.
Cristine se levanta e dá largos passos em direção à Helena que sorri satisfeita com o efeito de suas palavras. Aí da precisava descontar seu ódio em alguém.
— Já chega. Vocês duas parem com isso. Vocês podem se espancaram depois da festa dessa noite.
Helena revira os olhos. Detestava essas festas cheias dos chamado por ela de parasitas, egoístas e sem sal. Um desfile horrendo de homens fracos que dependiam das mulher que sua vó agenciava para conseguirem algum destaque.
— Eu acabei de chegar. Preciso mesmo participar? - Helena questiona e recebe aquele olhar que sua vó adorava dar quanto o assunto não era discutível.
— Cristine nos deixe a sós. Vá se preparar que tenho planos para você.
Meio contra gosto, ela se levanta e obedece o comando lhe dado.
— Trouxe algo para mim? - Olivia questiona assim que percebe que estão sozinhos. Helena lhe entrega o broche com pesar.
— Lamento não tê-la trazido para casa.
— Helena, minha querida. Quando vai aprender que alguns sacrifícios são necessários, quando algo importante está está jogo? ‐ Olivia responde deixando a neta em choque.
— A vida delas não tem importância alguma não é mesmo? - A voz de Helena está mais calma e fria que o habitual.
— Elas conhecem os riscos antes de aceitarem as missões. Que foi? Minha netinha está deixando suas emoções falarem mais alto?
Helena pos-se de pé e começou a se retirar. Porém, antes de sair por completo da sala, voltou sua atenção a avó.
— Não vovó, você me ensinou a enterra-las, lembra.
Olivia fitou as costas de Helena por todo o percurso que ela fez. Sentiu um misto de sentimentos conflitantes.
— Não tenho tempo para sentimentalismo barato ou para sentir-me culpada pela criação que optei para você. Tenho um evento importante para realizar. Um que pode nos trazer a glória ou nossa ruína.
Amores realmente espero que gostem. Deem suas opiniões por favor, isso me ajuda muito a sempre manter uma boa escrita ou aperfeiçoa-lá.
》Kamsa-hamnida significa muito obrigada em coreano.
Beijos e até a próxima.
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