Livro 1. Capítulo 4. O segundo dia em Angra
O dia amanheceu ensolarado em Angra. As crianças corriam pelo imenso quintal fazendo uma grande barulheira. Walker e Bill conversavam na varanda enquanto Monica e Diana preparavam o café da manhã e colocavam a mesa. Os adolescentes, por sua vez, continuavam dormindo.
Diana pediu à Jessica que fosse acordar os jovens. Sem muita vontade de fazer o que a mãe pedira, ela abriu a porta do quarto e sacudiu os irmãos.
— Ah, Jessie, por favor... Você dormiu cedo ontem, eu não — Taylor resmungou.
— São ordens da mamãe! — avisou, batendo a porta com força.
Ao perceber que a pequena deixara o quarto, Taylor olhou para o lado e voltou a dormir. No entanto, o sossego não durou muito. Após um ritual de despertar, Isaac abriu a janela e pegou o megafone.
— Good morning, Guys! Wake up! Huh huh! — Para irritar, o mais velho imitou a voz do Butt-Head. — Hora de acordar!
— Mas que merda é essa? — Zac colocou o travesseiro sobre a cabeça.
— Cale a boca, criança, você dormiu a noite toda — rebateu Isaac. — Levantem de uma vez, pessoal, vamos aproveitar nosso último dia aqui!
Não demoraram mais do que trinta minutos antes de descerem as escadas que levavam à sala, onde se depararam com a mesa posta — porém bagunçada — para o café da manhã.
Taylor, com um risinho malvado no rosto enquanto passava manteiga no pão, cantarolou Isn't it weird? Isn't it strange?... Sua intenção era provocar Zac com os versos "Isso não é esquisito? Isso não é estranho?", fazendo menção ao falatório do irmão durante o sono. Porém, como ninguém notou a implicância, ele resolveu ser direto:
— Ô, pirralho, você falou umas coisas bem estranhas ontem à noite. Muito doido, sabe? Falou enquanto dormia...
— Você sabe que isso é comum. — Zac roeu as unhas, preocupado com o que Taylor ouvira.
Isaac, intimidando o irmão mais novo, completou:
— É verdade. Você disse coisas como: "eu não quero", "não posso, sou muito novo". Foi realmente estranho... O que o deixou tão nervoso?
Sabrina, ao ouvir os comentários de Isaac, logo sacou do que se tratava. Com certeza as palavras que Zac dissera durante o sono tinham a ver com o problema dos dois na noite anterior. Ansiosa, roeu as unhas também.
— Vocês voltaram da praia a que horas? — perguntou Zac, desconversando.
— Ah, nem lembro — respondeu Taylor, mastigando. — Tarde. E vocês, o que ficaram fazendo?
— Não é da sua conta! — rosnou.
— Foi só uma pergunta, não precisava ser grosso. — Isaac arremessou um guardanapo amassado na direção do ranzinza.
— Eu e Sabrina brincamos na casa de bonecas, na árvore. — Deu de ombros. — Vocês deviam ir até lá depois.
A mais nova das meninas continuava estranha. Não havia falado nada desde que se sentara à mesa, e Barbara e Isabelle notaram algo de triste em sua expressão facial. Perceberam que Zac, também, não estava em seu normal.
Quando terminaram a refeição, Barbara, Isabelle, Isaac e Taylor retiraram a mesa e foram para a cozinha lavar a louça. Zac e Sabrina, no entanto, fugiram para a beira do mar.
— Aquela dupla está bem estranha — comentou Isabelle, referindo-se ao casal mais novo.
— Cheguei a achar que sim, mas agora não — Taylor retrucou enquanto lavava os pratos. — Eles só não querem nos ajudar com isso.
— Ah, não se trata de fugir do trabalho pesado. É claro que o Zac está esquisito. Ele falou enquanto dormia e agora está todo calado. Sabemos que ele não é tranquilo assim. Pelo contrário, é o mais hiperativo e comunicativo de nós três — argumentou Isaac. — Isabelle tem razão.
— Mas o que pode ter acontecido? — perguntou Barbara.
— Teremos que saber o que eles fizeram ontem depois que deixaram a praia — disse Taylor. — Foi alguma coisa naquela casa na árvore...
— Alguma coisa ruim — concluiu Isaac.
— Aposto que ficaram transando. — Taylor riu. — Mas se foi isso, poxa, nem um sorrisinho no dia seguinte? Sinal de que deve ter sido uma merda!
— Deixe com a gente. — Isabelle refletiu sobre as conclusões de Taylor. O problema devia mesmo ter a ver com sexo. — Eu e Barbara, com jeitinho, descobriremos tudo. Vamos conversar com a Sabrina.
Após terminarem o serviço e guardarem as louças, os jovens deixaram a cozinha e se aglomeraram na varanda. Diana e Monica conversavam por ali, observando Zoe brincar de Lego aos seus pés.
— Seu pai está lá nos fundos com o Bill, organizando as coisas para o churrasco — comentou Diana. — Por que vocês não vão os ajudar?
— Oba! Churrasco! — comemorou Barbara. — Será um churrasco brasileiro ou americano?
— Bill fará o brasileiro — respondeu Monica. — É bem mais gostoso.
— Churrasco Brasileiro? — Taylor franziu o cenho em estranhamento. — Como é isso?
— Linguiças, cortes nobres de carnes, corações, asas e coxas de frango, e, para sobremesa, bananas com canela. Tudo feito na brasa — explicou Barbara.
— Parece bom, mas não tão bom quanto você. — Isaac envolveu a amada em um abraço.
— Sua mãe falou para você e Taylor ajudarem no churrasco. — Ela riu enquanto ele beijava-lhe o pescoço. — Não a deixem sem resposta.
— Ah, nem pensar! — Taylor protestou. — Mãezinha, me desculpe, mas o único calor que quero sentir é o do sol. De bafo de churrasqueira eu estou fora!
Taylor e Isaac deixaram os chinelos e camisetas na varanda e, aos risos, correram em direção ao mar. Isabelle e Barbara, sem graça, pediram licença à Diana e à dona da casa e foram atrás de Sabrina, que conversava com Zac na faixa de areia. Pediram licença ao garoto e, finalmente, conseguiram ficar a sós com a amiga.
— O que aconteceu, Bina? — perguntou Isabelle, olhando dentro dos olhos dela. — Você parece tão triste.
Sabrina não teve coragem de dizer o que se passava e, de cabeça baixa, desenhou um coração na areia.
— Deu algo errado novamente? — Isabelle insistiu.
— Uhum. — Apagou o coração, desenhando um partido no lugar.
— Ele falhou de novo? — chutou Barbara.
— Isso não teria sido tão ruim. — Sabrina soltou um risinho tímido, mas havia lágrimas iminentes em seus olhos.
— Mas o que pode ser pior do que brochar? — Isabelle riu alto, para descontrair.
— No caso, exatamente o contrário. — Suspirou. Com o peito apertado, ela achou melhor contar o problema de uma vez para as amigas: — Nós conseguimos chegar ao final desta vez, e foi ótimo, mas... posso estar grávida do Zac.
— O quê? — Barbara arregalou os olhos para Isabelle. A essa altura as duas foram tomadas por uma descarga de adrenalina que as fez suar frio da cabeça aos pés.
— Vocês transaram sem proteção? — Isabelle usou um tom acusatório, o que fez com que Sabrina se sentisse ainda mais miserável. Mas quem era ela para falar de proteção? Várias vezes fizera sexo com Taylor sem camisinha, correndo o mesmo risco.
— Estávamos na casa na árvore e começamos uma brincadeira que acabou esquentando... Era para ter sido apenas uma diversão. — Sabrina foi incapaz de conter as lágrimas. — Como a gente poderia saber que daria merda? Ele nunca tinha ejaculado antes. Nunca. Ontem foi a primeira vez... E aí, e aí...
Diante do problema, as mais velhas tentaram manter a calma, pois seria ainda pior se deixassem Sabrina notar o quanto estavam assustadas.
— O que vocês pretendem fazer? — Barbara afagou as costas da amiga, que soluçava durante o pranto.
— Esperar. Não tem muito que fazer. Eu... Eu falei para o Zac que meus pais vão me matar se acontecer. Mas ele disse que, caso aconteça, irá me ajudar.
— Ajudar é o mínimo. Mas a questão não é essa, Sabrina... — Isabelle bufou, sentindo calafrios só de pensar no pior. — Vocês dois são muito novos!
— Eu sei... Mas vai dar certo. Tem que dar!
Barbara e Isabelle sabiam o quanto ingênua era a amiga, mas não podiam fazer nada. Sabrina tinha razão: precisavam esperar e torcer para acabar tudo bem.
— Não deixem de aproveitar seus últimos momentos com Isaac e Taylor por minha causa. Prometem?
As duas pensaram em protestar, mas antes que abrissem a boca, Sabrina completou:
— Vou tentar esquecer isso, pelo menos um pouco, e fazer de tudo para animar o Zac. Ele está arrasado.
Barbara e Isabelle tiveram uma conversa madura com Sabrina, mas, por sua vez, Isaac e Taylor não conseguiram arrancar nada de Zac. O mais novo esquivou-se do jeito que deu do interrogatório dos irmãos, com um mau humor muito além do normal.
— E aí, fofoqueiras, conversaram bastante? — brincou Taylor, vendo as três meninas aproximarem-se deles na beira do mar.
— Qual era o segredo, afinal? — Isaac foi direto.
— Você é muito intrometido, sabia? — Barbara jogou água na cara dele e, para disfarçar, inventou uma história qualquer. — Estava comentando com as meninas como o que estamos vivendo é surreal. Continuamos nos perguntando como é possível os irmãos Hanson, nossos ídolos, estarem aqui com a gente. A viagem para Angra torna tudo mais estranho.
— Não tem nada de estranho. Estamos aqui, é real, e eu me sinto muito feliz. — Isaac a agarrou, beijando sua bochecha.
— Talvez demore um pouco até que a gente deixe de ver vocês como imagens em um pôster ou na TV — completou Isabelle.
Taylor a abraçou por trás, sussurrando em seu ouvido:
— Posso garantir a você que isso aqui não é uma imagem em um pôster ou na TV. — Roçou seu volume, rígido, na bunda da garota. — Precisa de mais alguma coisa?
Isabelle sentiu calor mesmo na água fria.
— Acho que... sim. Mas meu desejo é impróprio para a hora e o local. Que tal um passeio de barco mais tarde?
— Seria ótimo passear pelas ilhas da região — intrometeu-se Isaac, mostrando que prestava atenção nos dois. — Talvez Bill possa nos emprestar o barco.
Permaneceram no mar por algum tempo e depois voltaram para casa. Molhados e ainda cheios de areia nos pés, ficaram pela varanda, sentindo o cheirinho da carne grelhada, que vinha da parte de trás do terreno.
— Churrasco sem música não é churrasco. — Barbara foi até um aparelho de som portátil, apoiado no parapeito da janela, e deu play no CD encaixado a ele.
— All Saints? — Zac olhou para ela com ar de reprovação.
— Não curte essa música? — Isabelle franziu o cenho, estranhando o fato de alguém não curtir aquele hit.
— Ele acordou revoltadinho hoje. Não vai admitir que gosta de ouvir girl band. — Taylor acompanhou Never Ever para implicar com o irmão, aproveitando-se do sentido da letra: — Never ever have I ever felt so low. When you gonna take me out of this black hole? Never ever have I ever felt so sad. The way I'm feeling yeah, you got me feeling really bad.*
— Ah, me deixem em paz! Vão ficar pegando no meu pé?
Zac fechou a cara e se retirou para dentro de casa. Correndo, subiu as escadas que levavam ao andar de cima, trancando-se no quarto. Achou que, fugindo das brincadeiras irritantes dos irmãos, conseguiria sentir-se melhor e esquecer o que tanto lhe incomodava. No entanto, isso não foi possível; o problema estava presente aonde quer que ele fosse. A possibilidade de ter engravidado Sabrina o assustava e era bem real.
— Xi! Melhor alguém falar com ele. — Barbara sentiu-se mal por, sem querer, com a escolha da música, ter iniciado outra discussão entre os meninos.
— Mas nem morto! — Isaac rebateu. — Quando ele fica nervoso, sai de baixo.
— Zac quer chamar atenção, melhor ele ficar sozinho. Daqui a pouco ele aparece de volta, como se nada tivesse acontecido. — Taylor deu de ombros, sem se importar com os sentimentos do irmão.
— Se alguém tem que ir até lá, que seja eu.
Sabrina, que se balançava em uma das redes, foi atrás de Zac. Quando entrava em casa, sentiu a menstruação dar o ar da graça. Antes que o sangue escorresse pelas suas pernas, ela correu e subiu as escadas o mais rápido possível, esperando que ninguém notasse o que lhe acontecia.
— Zac! Você está aí? Preciso entrar! — Sabrina bateu à porta do quarto. Havia a necessidade de pegar um absorvente em sua mala. — É urgente!
— Quero ficar sozinho — resmungou. A voz saiu trêmula pela vontade de chorar.
— Preciso pegar um negócio — insistiu a garota, com vergonha de gritar o que precisava. — Prometo não incomodar, se é assim que quer. Mas, por favor...
Zac percebeu que não tinha outra escolha, afinal, a mala dela estava ali. Ao abrir a porta, deparou-se com Sabrina andando devagar, com se fosse um pinguim. Ela sentia-se ridícula por ter que limitar os movimentos, mas não tinha outro jeito de prender o fluxo.
— O que foi? — Zac soltou um risinho de lado.
— Preciso de um absorvente.
— Um absorvente? — O sorriso do menino aumentou consideravelmente.
— Foi o que eu disse.
— É o que estou pensando? Estamos livres?
Ela fez que sim com a cabeça.
— Graças a Deus! — Zac extravasou a tensão com o grito e levantou da cama para dar-lhe um beijo.
A adrenalina fez o garoto deixar Sabrina para trás e descer correndo as escadas.
— Sou o homem mais feliz do mundo! — O pirralho berrou ao chegar à varanda, levantando os braços para comemorar.
Isaac, Taylor, Barbara e Isabelle estranharam o temperamento de Zac. Uma hora, estava triste; minutos depois, extremamente feliz.
— E ainda dizem que sou o mais esquisito dos irmãos... — Isaac riu. — Agora vocês sabem a verdade, meninas; Zac é bem desequilibrado.
— Desequilibrados são vocês, jogando cartas! — Zac posicionou-se entre os irmãos, sentados à mesa na companhia de Barbara e Isabelle. — Tem certeza de que querem passar parte do dia disputando partidas de pôquer? Isso é muito chato!
— Chato é você, criatura! — Taylor afastou a mão do mais novo de seu ombro. — Vá brincar com as crianças. Mackie está chamando você lá atrás.
Sabrina apareceu por ali um pouco depois, com um sorriso amarelo no rosto. Sentia-se feliz por ter se livrado da expectativa de uma gravidez indesejada, mas, ao mesmo tempo, triste por sua menstruação ter vindo logo naquele dia. Zac, ao ver sua amada, puxou-a para si e sussurrou desculpas em seu ouvido, por ter saído depressa do quarto.
— Não acredito! — O espanto de Diana ao chegar à varanda fez com que os jovens da jogatina tomassem um susto. — Com um sol desses, vocês estão jogando pôquer?
— Foi o que acabei de dizer a eles. — Zac misturou as cartas sobre a mesa, acabando com a diversão. — E, para piorar, continuam escutando All Saints. Baralho e girl band não combinam com esse dia maravilhoso.
— Tem razão. — Sabrina bagunçou ainda mais as cartas sobre a mesa, unindo-se ao mais novo, que só não tomou esporro de Taylor e Isaac porque a mãe estava por perto.
Os Hanson sabiam que Diana não era a favor de jogos considerados de azar, então logo se levantaram para arrumarem outra coisa para fazer. As meninas, no entanto, como não se preocupavam com boas maneiras e valores cristãos, nem ligaram para a presença daquela senhora quando decidiram colocar outro tipo de música para animar o ambiente.
— Não sabia que os donos da casa eram tão interessados na cultura do Brasil. Não a esse ponto. — Isabelle comemorou ao encontrar a coletânea Axé Bahia 97 em um catálogo de CDs ao lado do som portátil.
— Agora sim! — Barbara apertou o play após a amiga enfiar o CD no compartimento. — Churrasco com música de churrasco!
"Cheguei, estou no paraíso. Que abundância, meu irmão. Todo mundo mexendo..."
Posicionadas uma ao lado da outra, Barbara, Isabelle e Sabrina deram início à coreografia divertida e sensual de A Dança do Bumbum. Talvez não parecesse tão erótico se elas não estivessem vestindo minúsculos shorts de Lycra por cima de seus biquínis. Os irmãos Hanson, boquiabertos e babando nas bundas que se remexiam, entraram na dança quando Barbara os convidou. Sem jeito e totalmente duros, tentaram imitar os movimentos comandados por Isabelle. Não evitaram nem mesmo descer até o chão, rebolando enquanto as meninas cantavam "e na garrafinha deu uma raladinha...".
As gargalhadas rolaram soltas entre os jovens, que se divertiam, porém Diana, ao contrário, achou aquilo avançadinho demais. Precisou concordar com Walker: definitivamente aquelas garotas não eram boas influências para os seus filhos.
— Vamos, crianças, hora do almoço. — Baixou o volume da música, com a intenção de acabar com a festa. — A carne já deve estar pronta.
Durante o almoço os jovens ficaram sob o monitoramento dos mais velhos, com os olhos de Walker e Diana bem atentos nos seus menores gestos e palavras. Passaram umas duas horas conversando sobre churrasco, a vida no Brasil de maneira geral e, também, sobre o cancelamento do show em São Paulo, que provavelmente repercutiria negativamente na mídia.
— Esses momentos valem o estresse de cancelar um show. Não valem? — Bill perguntou a Walker. — Olhe esses meninos, tão felizes...
— Terei muita dor de cabeça depois, quando voltarmos à realidade, mas, sim, está sendo bom para os meus filhos. Estarão bem motivados para a próxima etapa da turnê.
Mais para o final do almoço, os irmãos Hanson perguntaram a Bill se seria possível fazer um passeio de barco. Diana e Walker ficaram em dúvida quanto à segurança dos adolescentes, mas acabaram liberando a diversão quando o dono da casa os tranquilizou, avisando que um comandante os acompanhariam.
— Isso vai ser demais! — comemorou Taylor.
Não demoraram a arrumar suas coisas e foram para o cais, onde o comandante já se encontrava pronto para a aventura.
— Todos a bordo? — o rapaz perguntou, após ajudar o último dos jovens a embarcar.
À beira da praia, adultos e crianças acenavam para o barco, que cada vez distanciava-se mais.
Zac, como de costume, começou a enjoar. Irritado com o balanço das ondas, que só pioravam as náuseas, ele questionou o motivo de ter aceitado se meter naquela furada. No final das contas, para ele — e para Sabrina, que sentia cólicas —, seria apenas um passeio desagradável.
— Sentir enjoo é uma porcaria. Se eu tivesse engravidado, teria que passar por isso com certa frequência — comentou Sabrina, sentada ao lado do seu ídolo no interior do barco.
— Mas ainda bem que você menstruou e isso não será um problema. Não conseguia me imaginar tendo um filho aos treze anos.
— Nem eu... Seria como brincar de bonecas, de um filho feito na casinha de bonecas. — Riu.
— Se pudermos não falar mais nisso, eu agradeço. Esse papo de gravidez me deixa ainda mais enjoado.
Sabrina calou-se, magoada com o que Zac dissera. Sabia que não fazia sentido ser mãe aos 13 anos, mas não via problema em falar sobre o assunto.
Isaac e Barbara tomavam sol acompanhados de Taylor e Isabelle na proa do barco.
— Esse lugar é muito quente! — reclamou o Hanson mais velho. — Parece que estamos no centro da Terra. Parece que passamos por todas as camadas e fomos parar no núcleo.
— Quanto exagero! — Barbara, deitada de bruços sobre um espaço acolchoado, ajeitou seu biquíni, enfiando a calcinha entre as nádegas. — Quarenta graus para um dia de verão é até pouco.
— Pouco? Estou pegando fogo! — Taylor olhou para o traseiro da garota. — Você sabe que a... a pele... A pele pode ficar bem ardida se não passar um protetor. Não quer um pouco?
— Não, obrigada. — Ela puxou a amarração do top, deixando as costas livres. — Estou acostumada. Quero me bronzear.
— Pode passar em mim, Taylor? — Isabelle, em pé ao lado da amiga, demonstrou o incômodo na voz. Que história era aquela de ele prestar atenção na bunda alheia? — Se quiser eu passo em você depois.
— Ah, sim, por favor. — Taylor retirou a camiseta e virou-se de costas para Isabelle. Não queria que ela percebesse que seu pênis ficara bem animadinho com a visão da quase nudez de Barbara. — Espalhe bastante nos ombros.
— Cadê o cavalheirismo, Taylor? — Isaac implicou com o irmão. — Ela pediu para você passar nela primeiro.
Taylor apertou seu volume sobre a roupa e fez apenas o movimento dos lábios para Isaac: "aqui o meu cavalheirismo!"
— Já estou acostumada, Isaac, seu irmão gosta de colocar as vontades dele sempre na frente.
— Isso foi uma crítica? — Taylor questionou Isabelle, ainda recebendo massagem com protetor solar nos ombros.
— Uma verdade. — Ela deu o serviço por finalizado. — Barbara, será que você poderia ir comigo ali atrás, rapidinho?
Barbara, ainda de bruços, bronzeando-se, virou o rosto para olhar para Isabelle. A amiga fez sinal para irem para a popa. Sem pensar, ela se levantou, deixando os seios parcialmente desnudos na frente de todos, até conseguir amarrar o top nas costas.
— Ooops! — Ela riu, olhando para Isaac, que não deixou escapar o momento.
Taylor, que não era bobo — muito pelo contrário —, aproveitou para dar uma espiadinha também, sentindo que a ereção tão cedo não cederia. Por que a namorada do irmão tinha que ser tão sexy e ousada? Isabelle, que havia reparado nos olhares de Taylor para a amiga em outro momento, ficou ainda mais cismada. Revoltada, ela varejou uma toalha em cima do garoto, que fingiu não entender a sua indignação.
— Precisamos falar sério. — Isabelle cruzou os braços na frente do peito quando chegou com Barbara à parte posterior do barco. — Taylor está sendo um babaca.
— Está? Ele tem esse jeitinho egocêntrico, mas não chega a ser ruim.
— Ele não tirou os olhos de você lá na frente. Não achei legal. E também não achei legal de sua parte enfiar o biquíni no cu e desamarrar o top.
— Eu quis dar uma provocada no Isaac.
— Só que você provocou o cara errado. O Isaac ficou lá na dele, com cara de bobo, e o Taylor babando no seu corpo. — O semblante de Isabelle continuou fechado.
— Me desculpe, não fiz de propósito... E eu não me chatearia se você ficasse um pouco mais à vontade na frente do Isaac.
— Ficaria, sim, Barbara! Não quero brigar com você, então, por favor, já que o Taylor é sem noção, tenha noção você.
— Tudo bem... — Ela esticou o top cortininha até o limite, para que cobrisse quase que totalmente os seios, e tirou o biquíni de entre as nádegas. — Mas não tem por que ficar insegura.
— Como posso me sentir segura nessa situação? É tudo novo, ele não é um cara qualquer, é Taylor Hanson... É difícil. Às vezes acho que ele está interessado, às vezes penso que está me usando.
— Supere essa paranoia, Isabelle. Nenhuma de nós tem como saber quais são as reais intenções deles. Por mais que digam que estão apaixonados, só saberemos depois, caso eles mantenham contato quando estiverem longe.
— Eu sei. Mas, por hora, quero receber toda a atenção dele, sem distrações. Custa esse filho da mãe manter o foco totalmente em mim? Será que é querer demais que ele não olhe para a bunda da minha amiga?
— Você não vai encher sua cabeça de caraminholas logo agora, vai? Eu já pedi desculpa pela minha atitude. E quanto a ele, bem... Olhar não tira pedaço. Ele é homem, e homens agem assim naturalmente.
— Homens safados, sim.
— Taylor não parece ser safado. O fato de ter olhado para a minha bunda não quer dizer que ele está interessado em mim. Ele gosta de você, ele já lhe disse isso.
— Ele ficou de pau duro. Eu vi.
— Você não está vendo coisa demais, não?
— Não. Uma ereção daquela não passa batida.
— Então que tal você aproveitar esse momento de glória? — Barbara sorriu e piscou para a amiga. — Faça o seguinte: diga ao Isaac que estou chamando ele aqui atrás. Assim eu me divirto aqui com ele, e você faz o que quiser com o Taylor lá na frente. Pronto, resolvido!
— Estou chateada. — Isabelle desceu o olhar, e Barbara achou melhor dar um abraço na amiga. — Não sei se conseguirei me divertir com o Taylor nas próximas horas.
— Não precisa ficar assim... Ele gosta de você, não há motivo para tanta insegurança. É melhor lembrar que hoje é nosso último dia inteiro com os Hanson, então, se você não deixar as besteiras de lado, vai acabar perdendo o seu gato para o tempo.
As palavras de Barbara soaram como um chacoalhão, e Isabelle aceitou o conselho da amiga. Chateada ou não, precisava aproveitar cada instante ao lado de quem ela mais desejava na vida.
— Ainda está pegando fogo? — A garota sentou-se ao lado de Taylor, alfinetando-o ao relembrar o que ele dissera quando Barbara enfiou o biquíni entre as nádegas.
— Muito. Esse lugar é um inferno! Não sei como vocês conseguem viver aqui. — Apertando os olhos, ele passou a mão na testa para limpar o suor.
— É fácil aguentar o calor... Basta ficar um pouquinho mais à vontade... — Ela deslizou o top do biquíni paras os lados, deixando os mamilos aparecerem.
Taylor não demorou a agarrar Isabelle, apalpando e massageando os seios redondinhos com marca de biquíni. A garota também não perdeu tempo e, enquanto as línguas brincavam durante o beijo tórrido, invadiu em cheio a bermuda do ídolo. O loiro gemeu ao sentir os movimentos de sobe e desce em sua ereção e, ciente de que não podiam fazer sexo ali, sugeriu que dessem um mergulho para refrescar.
Depois de falarem com o comandante, o barco ancorou próximo a uma ilha, para que pudessem nadar com segurança e, se estivessem a fim, irem até a faixa de areia. Taylor foi o primeiro a pular no mar, seguido por Isabelle. Barbara e Isaac apenas acompanharam do barco o início do mergulho.
Ignorando os avisos do comandante, para que não se afastassem do espaço entre a embarcação e a areia, Taylor e Isabelle nadaram para longe. Braçadas e mais braçadas na direção oposta. Em determinado momento, a garota se sentiu desconfortável com a água mais escura, mais fria e cheia de cardumes insuportáveis.
— Não acha que agora estamos distante demais?
— Não, ainda podemos ver o barco.
— A questão não é se podemos ver o barco, e sim se as pessoas no barco podem nos ver.
— Tomara que não consigam. — Riu. — Seria bem legal dar um susto neles. Imagine o desespero se achassem que fomos levados por uma correnteza.
— Não tem absolutamente nada de legal nisso! Você tem a péssima mania de brincar com o que é sério e cagar para o sentimento dos outros. Gosto de você, Taylor, mas algumas vezes é só decepção. — Isabelle fechou o semblante, voltando a nadar para a área segura.
— Ei, volte aqui! Vamos nadar mais um pouquinho. — Riu. — É só uma diversãozinha, um pequeno ataque cardíaco para agitar a tarde do pessoal.
Isabelle é quem teria um ataque cardíaco se ele continuasse a agir daquele jeito. Chateada com a falta de responsabilidade de Taylor e, principalmente, com o riso fora de hora, ela bateu braços e pernas ainda mais rápido em direção ao barco. Estava certa de que assim como ele brincava com aquela situação, também brincava com o seu coração. Não conseguia acreditar que alguém tão leviano pudesse estar apaixonado por ela.
Os dois retornaram ao barco em silêncio. Bastante irritada com o comportamento de seu ídolo, Isabelle avisou ao comandante que ele podia voltar à residência de Bill. Não importava se os outros estivessem contentes com o passeio, para ela, definitivamente, não havia clima para continuar.
No interior da embarcação Barbara e Isaac assistiam à TV com Zac e Sabrina.
— Eu, hein! O que deu em todos vocês? — Taylor chamou a atenção para si, achando que o inseto do desânimo e do mau humor havia picado a todos, menos ele.
— Shhh! — Zac pediu silêncio. — Estamos vendo Xuxa Park.
— Você não entende português, qual é a graça então? — Taylor franziu o cenho ao tentar captar alguma coisa do programa.
— A graça está justamente nisso! — Zac riu.
— Vocês foram entrevistados no México pelo repórter desse programa. — Sabrina comentou. — Ele entregou jaquetas a vocês como lembranças.
— Ah sim... — Taylor lembrou-se das jaquetas personalizadas que nunca haviam usado.
Isabelle chamou as amigas para se bronzearem. Preferia esturricar ao sol a assistir ao Xuxa Park e olhar para a cara de Taylor. Precisava de um tempo longe do loiro, em um lugar privado onde pudesse se desintoxicar e desabafar.
— Achei que eu fosse levar mais tempo para ficar tão irritada com o Taylor, depois daquela coisa de ele olhar para a sua bunda. — Isabelle bufou ao deitar-se sobre a canga na proa. — Passei por cima do orgulho, fui até ele, demos um amasso, e, quando achei que ficaria tudo bem, o maldito aprontou outra.
— O que ele fez desta vez? — Barbara deitou-se ao lado dela. — Vocês pareciam estar se divertindo durante o mergulho.
— No início. Depois ele veio com uma ideia bem idiota. Acreditam que ele queria dar um perdido dentro do mar? Sumir do campo de visão do barco... Isso é coisa que se faça?
— Já está perdendo o encanto por ele? — Sabrina, que não falara muito naquele passeio, quis saber.
— Para perder o encanto ele teria que fazer algo muito grave. Algo como matar alguém. — Isabelle riu de si mesma ao dar-se conta do quanto era enorme a sua devoção por ele. — Vocês sabem que pra mim é Deus no céu e Taylor na terra, mas ele poderia ser um pouco menos babaquinha... — Suspirou. — Preciso me acostumar. Ele é assim.
— Com a convivência vamos conhecer todas as nuances desses meninos... Se as atitudes de Taylor não forem legais, não acho que você precise se acostumar — opinou Barbara.
— Ah, preciso, sim. Agora que consegui chegar até ele, nada me fará desistir. Acho que com o tempo e a convivência dará para moldar o cidadão ao meu jeito.
— Ele não é massinha de modelar, Isabelle! — Sabrina riu.
— Até porque, se fosse, eu lhe aumentaria o piru.
As três gargalharam a ponto de derramarem lágrimas, até que Barbara conseguiu fôlego para falar:
— Não me diga que o Hanson que mais se acha tem o pinto pequeno. Você me disse que era grande!
— Sempre dá para aumentar! — Isabelle voltou a gargalhar. — Se ele tem alguns defeitinhos de personalidade, vale a pena valorizar o que tem de melhor.
— Obrigada, meninas, por me fazerem rir. — Sabrina deitou-se entre elas. — Depois daquele suspense, de eu achar que estava grávida, o Zac ficou um pouco esquisito comigo.
— Esquisito como?
— Quieto demais.
— Não é coisa da sua cabeça? — Barbara olhou para a mais nova. — Acho que, por estarmos vivendo uma situação surreal, começamos a ver problema onde não tem.
— Eu vejo problemas que existem, estou apenas aprendendo a ignorar. — Isabelle estalou a língua no céu da boca. — Temos que nos acostumar ao modus operandi deles. Esses meninos são de um mundo a parte, vivem outros costumes, em uma realidade bem diferente. Além do mais, Bina, o Zac estava enjoado. Não dava para esperar animação dele no balanço das ondas.
— Se ele não ficar animado com outro tipo de balanço é que você terá que ficar preocupada. — Barbara piscou para a amiga.
— Vocês só pensam em sexo? — Sabrina riu.
— A maior parte do tempo. Aliás, vocês já repararam na bundinha do Isaac? — A mais velha soltou um gritinho.
— O único nesse barco que reparou na bunda alheia foi o Taylor, quase babando na sua! — Isabelle reavivou o drama do início do passeio.
— É impressão minha ou escutei o meu nome? — O loiro, que acabara de chegar à proa com o irmão mais velho, quis saber o que falavam dele.
— Isabelle estava nos dizendo o quanto ela está feliz por estar aqui com você. — Barbara disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça e deu um risinho meio de lado para a amiga.
Isabelle pensou que aquilo não era exatamente verdade no momento. No entanto, seria melhor Taylor acreditar que ela estava contente na companhia dele a desconfiar de que ficara incomodada com seu olhar para a bunda da amiga.
— O Zac não quis vir para fora com vocês? — Sabrina sentiu-se excluída com a ausência do garoto e lamentou: — Ele hoje não está num bom dia...
— Não ligue, qualquer hora ele volta ao normal — falou Isaac. — É o efeito nauseante do barco, o remédio dá um pouco de sono.
Barbara, ao notar que a embarcação se aproximava do cais e que o passeio chegava ao fim, deu a ideia de registrarem o momento:
— Vamos tirar umas fotos?
Isaac e Taylor entreolharam-se, em dúvida se estavam de acordo.
— Hmm... Acho que podemos. — Isaac não quis ser estraga prazeres, mas precisava alertá-las sobre algumas restrições: — Mas, por favor, não coloquem as imagens na internet e nem mostrem para outras pessoas.
— Nem precisavam pedir, sabemos ser discretas. Chamem o Zac, não terá graça se ele não participar — pediu Barbara, com a câmera na mão.
Isaac retornou ao interior do barco para chamar o irmão, que continuava assistindo à TV.
— As meninas estão chamando você para tirarmos umas fotos.
— Não estou me sentindo muito bem...
— É só uma foto, Zac. Acho que a Sabrina ficará decepcionada se você não for.
Zac deu de ombros.
— Será apenas mais um motivo para ela ficar decepcionada comigo. — A voz do garoto saiu tremida e havia lágrimas em seus olhos. — Tudo o que eu tentei fazer com a Sabrina, deu errado.
— Ela não parece triste por qualquer coisa que você tenha feito.
— Talvez ela saiba esconder a frustração. Aposto que quando conversa com as amigas e me compara a você e ao Taylor, eu fico para trás. Vocês são todos certinhos, conseguem deixar as meninas... felizes.
Isaac apertou o ombro do irmão e limpou as lágrimas dos olhos dele.
— Zac, é claro que você deixa a Sabrina feliz, você é um cara muito legal. Tenho certeza de que ela valoriza seu senso de humor e carinho.
— Não sei se isso é o bastante. Acho que não fui tão carinhoso nas últimas horas, talvez nunca tenha sido, e não sou tão bom... Você sabe... Não sou tão bom de cama.
Isaac soltou um risinho, finalmente entendendo aonde Zac queria chegar.
— Seu questionamento tem a ver com o que falou enquanto dormia? Vi que acordou estranho, arredio, depois ficou mais animado de uma hora pra outra, e agora está mais pra baixo novamente... Aconteceu alguma coisa específica que deixou você oscilando desse jeito, não aconteceu?
Zac confirmou, mexendo a cabeça.
— Mas eu prefiro não entrar em detalhes.
— Tudo bem. Se não quer colocar pra fora, não precisa falar. Mas, olhe, você é novo demais, meu irmão. É normal que não saiba fazer tudo direito, e a garota é da sua idade, então nem deve estar incomodada com isso. Aposto que ela também não é expert no assunto. E você tem uma ideia errada de mim e do Taylor; estamos todos aprendendo. Não precisa ficar se achando inferior. Sexo é entrega, apenas deixe fluir.
Zac adorava receber conselhos de seu irmão mais velho. Isaac sabia de todas as coisas. Se o que dissera não fosse verdade, ao menos o convenceu de que sim.
— Agora deixe de ser bobo — Isaac continuou. — Vamos lá para fora, e esqueça essa besteira de querer ser perfeito. Se achar que deva, converse sobre suas inseguranças com a Sabrina mais tarde. Ela vai entender o que se passa na sua cabeça, e isso fortalecerá a relação de vocês.
— Obrigado. — Zac abraçou o irmão.
Entretidos com a sessão de fotos, o tempo restante do passeio passou depressa. Ao chegarem de volta à residência de Bill e Monica, foram direto para o banho.
Barbara, naquela noite quente, optou por um short jeans, curtíssimo, e um body marrom, combinando com a sandália de couro. As bochechas, coradas naturalmente pelo sol, davam um toque a mais. Sabrina também vestia um short jeans, mas ordenando com uma camiseta branca, que contrastava com sua pele morena. Isabelle, um pouco mais lenta, ainda decidia que roupa usar.
— Escolha qualquer coisa! — Sabrina apressou a amiga.
— Qualquer coisa? Ah, claro! Você se esqueceu de que Taylor Hanson está lá embaixo?
— Óbvio que não me esqueci de que os Hanson estão lá embaixo, e é por isso mesmo que estou com pressa. Quanto mais ficarmos aqui, menos tempo ficaremos com eles. E daqui a pouco o jantar será servido. Você sabe que a Diana é rigorosa com os horários das refeições.
— Ah, saco! Você venceu! — Isabelle jogou um vestidinho lilás em cima da cama.
— Isso parece um baby-doll! — Barbara franziu o cenho, pegando o vestidinho de cetim nas mãos. — Não é sensual demais?
Isabelle riu.
— A intenção é essa.
— Você não precisa sensualizar assim para o Taylor ficar doido por você — a amiga a reprimiu. — Além do mais, há outros homens na casa.
— Falou a que enfiou o biquíni no rego! — Isabelle rebateu. — E seu shortinho não é menos vulgar do que o meu vestido.
— Não comecem a discutir. Não tem nenhuma santinha aqui. — Sabrina deu um basta nas amigas. — Até eu resolvi apelar com esse short minúsculo. Zac está precisando de um estímulo...
— Eu tenho o que Zac precisa! — Barbara tirou de sua mala uma embalagem de guaraná em pó.
— Você é a mais preparada! — Isabelle riu enquanto se vestia. — Sua mala parece cartola de mágico, de onde sai de gel lubrificante a pó de guaraná.
— Fiz plano A, B, C, D... Z! Se nada desse certo, se Isaac fosse do tipo fraco, eu poderia apelar para um energético natural. Não foi necessário nada para animar meu macho, mas se Sabrina acha que o Zac precisa de um empurrãozinho...
— Vamos fazer bem concentrado! — Sabrina bateu palmas, animada, imaginando como Zac ficaria após beber o guaraná.
— Não se empolgue tanto, é só guaraná, não é cocaína. — Isabelle jogou a toalha molhada em cima dela.
— Como se eu conhecesse os efeitos da cocaína! — Sabrina jogou de volta a toalha na amiga.
— O que eu quis dizer é que guaraná não faz milagre, não vai deixar seu amorzinho tão ligado assim.
— Deixará o suficiente, eu garanto. — Barbara piscou para Sabrina. — Esse aqui vem da Amazônia.
— E o que isso tem a ver? — Isabelle riu.
— O fator psicológico de saber que é o legítimo ajuda! — Barbara fez barulho de índio. — Isso aqui tem três vezes mais cafeína do que o café. Vai dar certo.
Quando finalmente desceram do quarto para a sala, todos já estavam reunidos para o jantar, que seria servido em breve.
Zac, sentado em uma poltrona de frente para um dos sofás, vestia uma bermuda amarela e camiseta branca. Taylor, rosado do efeito do sol, cheirava de longe à hidratante. Vestido com um short de seda estampado, cheio de Mickey Mouses que brilhavam no escuro, camiseta regata e chinelo, ele relaxava deitado em um dos sofás. Seu visual parecia roupa de dormir, ordenando perfeitamente com o baby-doll de Isabelle. Já Isaac, mais discreto, vestia uma bermuda cáqui, com regata preta. Sentado aos pés de Taylor, observando as irmãs, que brincavam de bonecas, ele saiu de seu devaneio quando ouviu a voz de Barbara:
— Ei, lindo, cheguei! — Depois de dar um beijo nos lábios do seu amor, ela sentou-se no chão para se divertir com Jessica e Avery.
— Você gosta de Barbies? — perguntou ele.
— Por que acha que me chamo Barbara? — Riu. — É brincadeira, o nome é só uma coincidência, mas adoro essas bonecas. Se pudesse eu compraria todos os modelos. Na infância eu só tive uma Barbie, acredita? Naquela época meus pais não tinham condição de me dar mais.
— E como era a sua Barbie? — Isaac pegou uma das bonecas das irmãs, olhando para o cabelo todo embolado e a roupa torta.
— Não muito diferente dessa aí. — Ela esticou o queixo para a que ele segurava. — Descabelada, ruiva e com um braço quebrado. Mas eu o remendei com esparadrapo e brincava assim mesmo.
— Se fosse ter uma Barbie agora, como seria?
— Loira e chique! Barbie Malibu ou alguma de edição de colecionador. Isso! Edição de colecionador! — Ela riu, divertindo-se com a situação.
Depois do jantar, os jovens passaram boa parte do tempo conversando na sala, o que possibilitou um contato maior das garotas com o restante da família. Walker e Diana, interessados em saber mais sobre elas, e, quem sabe, perder a má impressão, perguntaram sobre suas vidas pessoais e sobre suas famílias. Por volta das 10 horas, os dois se despediram, avisando que subiriam para colocar as crianças para dormir. Monica e Bill decidiram se retirar também, deixando os adolescentes a sós.
— Comportem-se, hein? Tomem conta deles, meninas! — disse Bill, sem saber que deveria ter pedido exatamente o contrário.
Barbara, Isabelle e Sabrina vibraram com a ausência de adultos na sala. Sem os olhares controladores, certamente poderiam curtir a noite do melhor jeito possível. Para começar, Barbara preparou um copo de guaraná para cada um, de modo que não faltasse energia para aproveitarem a madrugada.
— Não precisam temer, bebam e vocês se sentirão novinhos em folha — prometeu a garota, dando um gole na bebida. — É docinho e energético. Bebam! Não vou envenenar ninguém.
Carregando seus copos com a bebida em uma das mãos e seus instrumentos na outra, foram para a varanda. Espalharam-se nas poltronas de vime e nas redes, para um showzinho acústico. Taylor iniciou a cantoria com Speechless, mas Barbara foi a primeira a protestar:
— Ah, não...
— O que foi? — perguntou Isaac, assim que Taylor ficou em silêncio. — A voz do meu irmão não é tão ruim assim.
— Não gosta dessa música? — O Hanson do meio quis saber.
As três entreolharam-se, tentando segurar o riso. Odiavam Speechless com todas as suas forças. Por fim, gargalharam sem parar.
— Vocês todas odeiam Speechless? — Taylor sorriu, sem graça, tentando entender se era aquilo mesmo.
— É... — Isabelle, sentada ao lado dele na rede, admitiu com certa vergonha: — É meio ruinzinha...
— Obrigado pela sinceridade. — Taylor deu um selinho em sua garota antes de continuar: — Essa foi a primeira vez que uma fã fez uma declaração assim sobre uma música nossa. Quero dizer, na nossa cara.
— É por isso que são as melhores fãs do mundo — disse Isaac. — É bom saber que têm opinião própria e que não pensam como admiradoras obcecadas sem senso crítico. Nós gostamos de Speechless, mas vocês têm todo direito de não acharem tão boa assim. Digam o que preferem ouvir. — Ele correu os dedos pelas cordas do violão.
Tocaram e cantaram por algum tempo, até que Isaac convidou Barbara para dar uma volta na praia. Saíram de mãos dadas, caminhando pela areia gelada, e avisaram que não tinham hora para voltar. Zac e Sabrina, sentindo que sobravam perto de Taylor e Isabelle, aconchegados na rede, resolveram explorar o subsolo da casa.
— Bill disse que o salão de jogos está em reforma, tomara que não tenha ratos — falou Zac, tateando a parede à procura de um interruptor.
Ao acenderem as luzes, viram apenas uma mesa de sinuca em condição de uso. Todo o restante, em meio à poeira de obra, estava em caixotes encostados à parede.
— Sempre descobrimos primeiro os lugares mais divertidos da casa. Ontem foi a casinha de bonecas, hoje essa maravilhosa mesa. Vamos jogar? — Zac convidou Sabrina para uma partida.
— Precisamos das bolas e dos tacos. — Cheia de malícia, ela olhou em direção à área genital de Zac, erguendo as sobrancelhas enquanto sorria para ele. — Acho que já os encontrei...
— Você é bem danadinha, hein? — O pirralho sentiu seu rosto queimar. — Com esse material aqui não dá para jogar.
— Dá para fazer jogos bem mais interessantes do que uma partidinha de sinuca. Mas, se não estiver a fim, na ausência de tacos e bolas de verdade, podemos brincar de gato mia.
— Gato mia? — Zac, que nunca ouvira falar daquilo, quis saber o que era.
Sabrina explicou como funcionava o jogo e disse que precisavam chamar os outros jovens, para terem participantes suficientes. Zac não achou que os mais velhos topariam a brincadeira, que era bem infantil, então sugeriu que se divertissem sozinhos.
— Tudo bem, então — ela concordou. — Vá lá pra fora. Eu vou apagar as luzes e depois você entra.
Para se esconder, Sabrina subiu na mesa de sinuca e se sentou bem no centro dela. Achou que Zac não seria tão esperto, a ponto de encontrá-la ali. De fato. O garoto procurou debaixo da mesa, atrás das caixas, em todos os lugares, menos em cima da mesa. Cansado de rodar o salão de olhos fechados, ouvindo miados em troca de nada, ele se irritou:
— Sabrina, onde está você? Chega! Eu desisto!
A garota miou novamente, desta vez bem forte, não deixando dúvidas quanto ao lugar no qual se escondera. Zac subiu na mesa e, como recompensa por achá-la, Sabrina foi logo beijando os lábios dele. O garoto ronronou de desejo.
— Zac, você é tão... — Ela não encontrou as palavras para dizer o quanto o achava gostoso, mas usou as mãos para, no escuro, tatear o seu corpo.
— Ahh... — Zac gemeu quando ela apertou seu pênis sob a roupa. — Caramba, Sabrina, assim, você... me mata. — Ele grunhiu mais alto quando ela invadiu a sua calça por dentro. — Hmmm, que delícia...
Excitada e certa do que queria, a garota fez Zac deitar-se na mesa de sinuca e, seguindo seus impulsos mais ousados, retirou-lhe a bermuda e a cueca de uma vez.
— Você está menstruada, Sabrina. O que vai fazer? — perguntou ele, embora já desconfiasse.
Sabrina firmou o membro ereto com a mão e passou a língua na pontinha, dando a ele uma pequena amostra do que faria logo depois. Sem nunca ter chupado, ela fez o melhor que pôde, alternando o movimento das mãos e os da boca. Embora não fosse doce, como ela pensou que seria, achou maravilhosa a textura e a sensação. Zac nunca havia experimentado prazer melhor, disso ele tinha certeza.
— Gostou de brincar de gato mia? — Sabrina perguntou após o gozo, lambendo os lábios lambuzados.
— Nunca vi um gato miar tão alto. — Riu. — Seus lábios são demais. Minha nossa! Acho que podemos continuar com esse jogo durante a noite toda. Será que sua amiga não tem mais daquela bebida energética?
— Tem sim, mas não vou deixar você sair daqui de jeito nenhum. — Sabrina deitou-se ao lado de Zac, beijando aqueles lábios tão carnudos quanto os dela.
A atitude da menina fez com que Zac esquecesse o seu complexo de inferioridade. Ela gostava dele, estava satisfeita, não havia como negar.
Taylor e Isabelle, enrolados um no outro na rede, curtiam o quase silêncio, entretidos com o suave barulhinho do grilo que certamente estava ali por perto.
— Estou ardido, sabia? — O comentário espontâneo de Taylor fez Isabelle sair de suas divagações. — Subestimei o poder do sol.
— A minha cabeça em seu ombro o incomoda? — Ela ergueu-se um pouco, vendo-o contorcer o rosto após o movimento.
— Não, pode ficar assim. Foi apenas uma constatação. Devia ter passado mais protetor solar. É que a queimadura talvez me prejudique agora que eu gostaria de... Hmm...
Gemendo, um pouco pela ardência de sua pele em atrito com a trama da rede e um pouco pelo desejo que sentia, ele mordiscou o lóbulo da orelha de Isabelle. Ela entendeu a qual tipo de prejuízo ele se referira.
— Tenho certeza de que metade da sua vermelhidão e quentura vem do fogo que lhe consome. Safado... — Isabelle encheu-lhe o queixo de mordidinhas, terminando de gemer com os lábios colados aos dele. — Você só pensa em sexo, não é?
— Bastante. Você é uma delícia... Mas... — Ele deu-lhe mais um beijo antes de continuar: — Não é só sexo o que eu quero com você. Gosto de você, de verdade... Até mais do que eu imaginava.
— O que quer dizer com isso?
Ele roçou o nariz no dela, antes de encarar o seu rosto com aqueles lindos e profundos olhos azuis.
— No início eu fiquei meio confuso sobre os meus sentimentos por você. Começou com uma simples atração, que eu achei que seria passageira, e quando me dei conta, sentia-me apaixonado. Você sabe disso, porque já abri meu coração. — Seus lábios tocaram os dela gentilmente. — O que você ainda não sabe, e o que, até pouco tempo, eu mesmo não sabia, é que esse sentimento é forte e necessário.
— Forte e necessário? — Ela sorriu ao ouvir aquilo.
— Uhum. Sentirei sua falta quando for embora.
— Também sentirei sua falta...
Os dois encararam-se, conversando com o olhar, e como se precisassem desde já matar a saudade, beijaram-se nos lábios de um jeito intenso e devorador. A pele de Taylor ardia em reação aos menores movimentos, mas, sem pensar na dor, ele se virou de lado, puxando as mãos de Isabelle para o meio de suas pernas. A garota não demorou a tocá-lo do jeitinho que sabia, deixando-o bem duro antes de baixar-lhe completamente o short e de se encaixar a ele.
Walker apareceu, sem se fazer notar, e viu o que rolava entre eles na rede. Sabia que seria constrangedor interrompê-los, mas sabia, também, que era muita sem-vergonhice fazerem sexo bem ali na varanda. Decidiu voltar para o quarto, descontente com a cena. Deitou-se ao lado de Diana, que dormia profundamente, e deixou que sua cabeça se enchesse de perguntas: será que Taylor se lembraria de usar preservativo? Será que Bill também veria aquilo? Fechou os olhos, tentando não pensar nas respostas, mas a preocupação e a vergonha voltavam o tempo todo.
Um pouco depois de Walker aparecer, quando Taylor e Isabelle descansavam já recompostos após o sexo, Zac e Sabrina retornaram à varanda.
— Sua camiseta está do avesso — Taylor avisou ao irmão.
— Tirei para brincar de gato mia. — Deu de ombros.
— Gato mia com apenas dois participantes? — Isabelle desconfiou de que Zac e Sabrina, na verdade, tinham feito outra coisa. Os olhares cínicos os condenavam.
— Fica mais dinâmico. — Sabrina riu, pois tinha certeza de que a amiga entendera tudo.
A duplinha mais jovem não passou muito tempo ali. Deram boa noite para Taylor e Isabelle e subiram para o quarto.
Isaac e Barbara chegaram da caminhada na areia logo depois e sentaram com o casal para conversar.
— Querem um copo d'água? — Isabelle perguntou a eles, procurando um pretexto para ir ao banheiro e limpar a bagunça que Taylor deixara entre as suas pernas.
— Água que o passarinho não bebe. — Barbara, rindo, falou em português.
— O quê? — Isaac franziu a testa.
— Cachaça. Teor alcóolico 40%. — Isabelle gargalhou, levantando-se para ver o que poderia fazer. — Talvez o Bill tenha alguma garrafa.
Taylor acompanhou Isabelle ao banheiro, onde deram mais uma rapidinha, e, depois de prepararem os drinques, retornaram à varanda.
— Não achamos cachaça, mas tinha um resto de rum e preparamos cuba libre. — Isabelle sacudiu uma jarra cheia com a bebida. — Diversão garantida!
Os casais passaram várias horas conversando e bebendo. Eram 3 da madrugada quando a bebida acabou. Completamente embriagados, Isabelle e Taylor levantaram e levaram a jarra e os copos vazios até a cozinha. Depois disso, retornaram à varanda, deram boa noite e subiram para o quarto.
Isaac e Barbara, não menos tontos que Taylor e Isabelle, antes de subirem para dormir, sentaram-se no sofá da sala. Rindo à toa, não conseguiam nem imaginar a subida pela escada caracol.
— Acho que bebi demais — concluiu Barbara, vendo tudo rodar.
— Ao todo... Todo... — Isaac riu, enrolando a língua. — Nós quatro bebemos 2 litros de cuba libre. Quatro, dividido por dois... Não. Dois, dividido por quatro. Quanto dá?
— Isaac! — Ela se curvou, rindo e escondendo o rosto no colo dele. — Você não vai conseguir... Não vai conseguir calcular nesse estado. Você mal se aguenta em pé.
Ele se levantou, deixando Barbara deitada, toda torta, no sofá. A garota, vendo a sala girar depressa, ajeitou-se de costas, olhando para Isaac, que tentava fazer o número 4 com as pernas.
— Esqueça isso. Quer mostrar equilíbrio? Venha cá... — Ela o chamou com um movimento do dedo, e Isaac caiu sobre ela. — A única parte boa de estar bêbado é fazer coisas inconsequentes...
— Quer fazer algo inconsequente agora? — Isaac pressionou o volume, ereto, entre suas coxas.
— Nem precisava perguntar. — Riu.
Isaac, sem jeito, abriu e puxou o short da garota para baixo. Quando ele desabotoou os colchetes do body, perto da fenda inchada, Barbara sentiu o desejo úmido pedindo mais. Não houve tempo para delicadeza, e ela não queria nada diferente daquilo. Aflita, arriou a bermuda de Isaac, apenas o suficiente para liberar-lhe a ereção, erguendo o quadril para que ele a penetrasse de vez.
Não fizeram questão de ser discretos, e Walker, ao ouvir os gemidos no andar de baixo, foi até a escada que dava acesso à sala. Ele viu os dois corpos em atrito e, horrorizado, limitou-se a retornar ao seu quarto. Sentou-se na cama e manteve-se acordado. As perguntas que o tinham assombrado horas antes estavam de volta.
Isaac e Barbara, completamente bêbados e excitados, experimentaram várias posições diferentes até chegarem ao orgasmo. Exaustos, dormiram ali mesmo no sofá.
-------
[ Notas ]
Músicas citadas:
"Weird'" (HANSON, 1998)
"Never ever"(ALL SAINTS, 1997)
"Dança do bumbum" (É O TCHAN!, 1996)
"Speechless" (HANSON, 1997)
*Nunca me senti tão triste. Quando você vai me tirar desse buraco negro? Nunca, nunca me senti tão triste. Do jeito que estou me sentindo, você me fez sentir muito mal.
Xuxa Park - foi um programa infantil exibido pela Rede Globo entre 4 de junho 1994 e 6 de janeiro de 2001 nas manhãs de sábado. O programa reunia brincadeiras, atrações musicais e quadros variados.
-------
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top