like crazy

NARRADOR
26.05.2025 - Seul

Já faziam três noites que a garota da tequila Sunrise não vinha ao bar.

Chaeyoung sempre foi do tipo de pessoa curiosa, então apenas de olhar para uma pessoa, já queria saber tudo sobre ela. Não foi diferente quando viu aquela bela menina dos olhos negros em seu expediente. Ela sentia falta da presença da outra, mesmo que parcialmente. 

Não era a primeira vez que ela sentia aquilo, mas certamente, a intensidade era completamente distinta. Toda pessoa se sente curiosa sobre alguém, mas não tanto quanto quando se está imerso no oceano daquela pessoa. Mesmo que não seja possível saber o quão profundas sejam suas águas, você continua querendo mergulhar, mesmo que não dê pé.

Chaeyoung queria fazer exatamente isso. Queria conhecer Mina, conhecer todos os seus segredos, medos e crenças. Ela queria ser conhecida, queria que as duas compartilhassem uma obsessão mútua. Não do tipo de obsessão doentia, mas daquele tipo que despertava curiosidade.

— Planeta terra chamando, Chaengi! — os pensamentos da garota foram interrompidos por Park Sunghoon, que a olhava com um sorriso divertido nos lábios — No que está pensando, hein?

— Em nada — ela respondeu simples.

Ele deu uma gargalhada. Sunghoon não era muito mais velho que Chaeyoung, mas tinha idade o suficiente para reconhecer aquele olhar no rosto de qualquer pessoa. Era um tipo de olhar diferente, alguém olhando com expectativa à espera de algo. Quase como quando alguém olha para o embrulho do presente enquanto pergunta a si mesmo o que tem dentro, como quando olha para a porta de casa e percebe que o pai finalmente chegou em casa após um dia exaustivo no trabalho.

— “nada" não é resposta, Hum? — ele se apoiou no balcão sorrindo de leve — não tem como não pensar em alguma coisa. Você está olhando pra porta já faz mais de sete minutos e não tirou os olhos dela para nada.

A Son mordeu o lábio inferior, havia sido pega no pulo. Por que era tão difícil dizer que estava esperando por alguém? Ela nem mesmo tinha culpa de estar procurando Mina por todo esse tempo. Estava fora de seu controle.

Ela até pensou em responder, mas as palavras ficaram presas em sua garganta quando as portas do bar se abriram. Myoui Mina estava ali, em carne e osso.

Ela se aproximou do balcão com uma expressão indecifrável no rosto. Cansaço? Tédio? Era difícil identificar, já que ela não parecia tão expressiva naquela noite. Tudo o que a japonesa fez foi se sentar no banco e batucar a mesa enquanto olhava para o menu do estabelecimento, à procura da bebida mais alcoólica possível.

Ela tinha problemas para esquecer.

— O que você recomenda para alguém que quer esquecer tudo? — é a primeira coisa que ela pergunta quando seus olhos se encontram com os de Chaeyoung.

— Recomendo uma sessão de terapia para aprender a lidar ao invés de buscar refúgio — ela retruca sem pensar — mas se está falando de distrações, recomendo uma boa dose de tequila.

— é. Pode ser.

Mina ficou parada enquanto a garota ia preparar o drink. Seus olhos percorriam por todos os cantos do bar, como se procurassem problemas, como se já esperassem que eles fossem entrar pela porta.

Ou talvez fosse só tédio.

Chaeyoung voltou para o balcão e sorriu para Mina, entregando a tequila para ela. Com um olhar curioso, a coreana apoiou os dois braços no balcão, olhando para ela com aquele olhar difícil de ignorar.

— Você não costumava vir aqui — Chaeyoung começa, com um sorriso — Por que está gastando suas noites nesse lugar agora?

— o bar antigo faliu — ela diz simples, dando de ombros — Tá tudo uma desgraça ultimamente.

— uma desgraça?

— Uma desgraça completa — Mina respondeu com um sorriso amargo, virando a tequila de uma vez só sem nem fazer careta. Chaeyoung arqueou as sobrancelhas, impressionada com a naturalidade.

— Alguém já te disse que você bebe como quem está apagando incêndio? — Chaeyoung diz com uma cara indecifrável no rosto.

— Melhor isso do que deixar o fogo se alastrar — Mina apoiou o copo vazio no balcão, pedindo outro com um simples levantar de sobrancelha.

Chaeyoung serviu, mesmo sabendo que não devia incentivar. A cada movimento dela, Mina a observava de canto, como quem não queria ser pega olhando, mas também não fazia questão de esconder tanto.

— Você sempre fala assim? — Chaeyoung perguntou, cruzando os braços — Como se cada frase fosse uma metáfora mal disfarçada?

— Não é disfarçada. — Mina deu um meio sorriso, daqueles que não chegam aos olhos. — É só jeito de falar quando você não quer dizer de verdade o que está sentindo.

Chaeyoung sustentou o olhar dela, e por um segundo, parecia que o bar inteiro sumira, restando só aquele silêncio denso entre elas.

Ela sabia bem como era não conseguir contar a verdade e ter que deixar a pessoa adivinhar pelas entrelinhas. Viveu a vida inteira buscando aprovação dos pais e tentando deixar eles descobrirem que ela gostava de garotas sem realmente dizer que gostava de garotas.

Ela perguntou a si mesmas se Mina já passou pelo mesmo.

— Talvez eu devesse começar a falar assim também — Chaeyoung brincou por fim, tentando aliviar a tensão. — Assim não preciso admitir que passei três noites esperando você voltar.

O copo de Mina parou a meio caminho da boca. Ela encarou Chaeyoung como quem mede até onde pode ir antes de recuar.

— Eu não sou tão interessante. Por que se deu ao trabalho de esperar? — Mina lançou fria.

Chaeyoung sorriu, e havia algo teimoso naquele sorriso. — Então eu diria que você subestima o quanto eu gosto de mergulhar em águas perigosas — ela disse simples.

Mina desviou os olhos, mas o rubor discreto em suas bochechas a entregava. Que droga aquela garota estava dizendo? Ninguém nunca esteve curioso sobre sua vida e personalidade. Por que uma garota aleatória no bar estaria?

— Você realmente não sabe no que está se metendo.

— Talvez eu não saiba — Chaeyoung se inclinou um pouco mais perto, baixando o tom — Mas você também não parece querer que eu pare.

A japonesa suspirou, voltando a beber. E Chaeyoung, pela primeira vez naquela noite, teve certeza de que havia algo ali. Algo que Mina escondia, mas que não conseguiria esconder por muito tempo.

Porque ela também passa pelo mesmo.

NOTES

Não tenho muito o que dizer. A escola tá me matando. Pelo amor de Deus, me tirem daqui.
Voteeeeeee

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top