Renascimento

Algumas semanas se passaram, Kiren e Seth melhoravam cada vez mais e voltavam à ativa. No entanto não faziam ideia dos acontecimentos que ocorreram antes de eles voltarem.

Os líderes estavam ficando um tanto preocupados com a mensagem e com o repentino apagão que houve na base inteira. De tempos em tempos eram avistadas naves desconhecidas em regiões do universo, o que fez como que os radares e as defesas ficassem mais de prontidão do que nunca, e o que mais assustava era o fato de não saber se o sistema solar era um alvo ou se o episódio da nave 1 4 8 6 havia apenas sido coincidência. Infeliz coincidência

- Knok cara, não está dando, esse canhão de matéria escura ta deixando muito preocupado- Disse Dave ao lado de Knok com seu pensamento vidrado nas probabilidades futuras, o que lhe deixava agoniado.

- Bom Dave, parece que até agora nenhuma nave foi detectada vindo em direção ao nosso sistema, o que pode significar que aquele ataque tenha sido só uma coincidência- respondeu Knok tentando manter a calma e a serenidade na voz.

- Ou pode ser que não, nunca se sabe, mas uma coisa é certa, estamos nos deixando afetar demais por isso, acho que devemos ficar atentos, porém fortes psicologicamente- Disse Gustav que estava junto a Dave e Knok na sala principal.

Knok parou para pensar um tempo e depois disse:

- Você tem razão Gustav, somos mais fortes que isso. A zona de último contato com uma nave desconhecida foi a zona Traf-Ocin (zona de transição dos dois sistemas), qualquer coisa podemos dar uma ida até lá e tentar contado, alguma coisa.

Ambos refletiram por um tempo, avaliando as opções que tinham em mãos, até Dave concluir.

- É, realmente, vou ver o que faço.

Seth e Kiren estavam andando pela base, conhecendo os locais e as pessoas. Tudo era novo para eles que não conheciam nenhuma das novas estações que foram construídas. A base principal que era um porto espacial enorme entre a terra e júpiter, quando alinhados, foi reduzida de nível. Em seu lugar entrou em atividade com o título de base central a que eles estavam, onde tudo estava acontecendo. A instalação, nomeada de ICS(instalação central solar, dita foneticamente "icis"),foi construída pouco depois do fim da guerra, no planeta marte que já era bastante utilizado e evoluído tento rios e grandes plantas.

Na ICS havia ruas por onde passavam carros e jipes transportando coisas para diferentes destinos e foi em uma destas ruas que Kiren avistou Bruno Hoffmann passando do outro lado com pressa.

- EI HOFF- Gritou Kiren fazendo um sinal com a mão enquanto ele e Seth atravessavam a rua- Oi, tá fazendo o quê?

Hoffmann parou e foi dar atenção aos recém-renascidos.

- Olá! É bom ver que vocês estão bem! - disse ele apertando a mão de ambos- Eu estou indo ver o treinamento da...- ele mesmo se interrompeu por alguns milésimos e continuou- de um soldado, querem vir?

- Claro- respondeu Kiren enquanto Seth assentia com a cabeça.

Eles foram andando e colocando o papo em dia. Hoffman explicou algumas coisas que estavam acontecendo, assim como a mensagem que veio com eles e também algumas tecnologias novas em teste. Era um caminho longo o qual os três fizeram andando bem rápido.

Tempos depois chegaram a uma estrutura gigante em formato de paralelepípedo, que cobria uma extensa região, aparentando ser um local de segurança máxima com apenas uma porta na frente por onde eles entraram. Mal se podia ver o seu fim.

Bruno se aproximou da parede e um scanner passou em seu corpo, o que fez a porta abrir logo em seguida.

Seth e Kiren se entreolharam se mostrando um tanto confusos e curiosos.

Quando já estavam lá dentro eles subiram em uma escada na parede. Uma escada tão grande que foi difícil recuperar o fôlego ao chegar ao topo, porém antes mesmo que o pudessem, a vista foi capaz de deixá-los sem ar novamente. Estavam os três sobre uma estrutura um tanto grande e maior que muitos prédios. Ao olhar para cima se via o céu, pois sua cobertura era de vidro de super-resistência e para baixo, eles se depararam com um ambiente de um tamanho impensável. Havia desde florestas de matas densas e verdes até campos de máquinas e pesquisas de todos os níveis, não era possível enxergar o fim daquele lugar.

Hoffmann mediante aos olhares incrédulos de Seth e Kiren disse sutilmente- Bem-vindos ao nosso maior tesouro, uma estrutura gigantesca e super-resistente de segurança inigualável. Este, meus caros rapazes, é local onde temos o desenvolvimento de todos os tipos de coisas que imaginarem desde armas e naves a remédios. Fonte de rico conhecimento e o sonho de qualquer cientista que, como eu, quer saber mais sobre esse universo. Chamamos essa beleza de Centrix, o centro espacial de onde surgem tecnologias eficientes e seguras, visando podermos conhecer mais sobre o universo onde vivemos e podermos viajar por ele.

Ambos estavam boquiabertos com um brilho nos olhos sem poder acreditar naquilo que parecia ser do tamanho de uma cidade.

Após momentos de muita admiração eles desceram as escadas e seguiram em frente até as motos flutuantes, para andarem dentro da Centrix até o local de destino. O caminho pareceu uma excursão. Passaram por locais abertos com várias áreas delimitadas por marcações no chão onde robôs estavam sendo testados; por trilhas em meio a florestas que abrigavam animais da terra, outras de júpiter e outras animais encontrados no universo a fora; também conheceram uma área que continha inúmeros laboratórios em sequencia com solares trabalhando.

- Wow, esse lugar é magnífico Hoffmann!- Kiren olhava para todos os lado tentando captar todos os detalhes, Seth seguia as atitudes de seu amigo comentando e fazendo perguntas- Como construíram isso tudo em 5 anos?

- Admito que não foi tarefa fácil! No começo a idéia era criar um centro de pesquisas geral, porém as coisas foram dando certo e decidimos ampliar para esse nível. Há profissionais terrestres e jupterianos trabalhando aqui também, além de uma região reservada para outros sistemas de relação mais próxima conosco e que ajudaram a investir.

Era realmente muito avançado, porém igualmente seguro.

Após alguns minutos dirigindo eles chegaram a uma sala que tinha uma de suas quatro paredes feita de vidro e que através dele se via outra sala com mais do dobro do tamanho a um nível um pouco abaixo.

Era um local com as paredes cinza, quase brancas, e nenhum móvel nem nada do tipo, apenas um grande quadrado vazio com um soldado de armadura igual a de Seth e Kiren, mas com a luz branca, parado no centro.

- Estou aqui. Podem começar as duas fases teste- Disse Hoff, com sua voz saindo em eco na sala através do vidro.

O soldado estava equipado com duas metralhadoras do dobro do tamanho de um revólver comum e que atirava projéteis normais; duas espingardas de plasma com capacidade de 5 tiros cada; mais dois revólveres de cristais de gelo com 10 tiros e, por fim, um rifle do mesmo tipo que Kiren usava.

Este tanto de arma parecia ser pesado, mas para o soldado não estava parecendo ser nada, pois logicamente, a armadura auxiliava.

Apareceram três robôs e o soldado, que estava com o capacete fechado, acionou as lâminas de seus braços, matou dois rapidamente com um corte no pescoço, em seguida levantou seu pé para dar um chute na altura do peito do inimigo. Quando este saiu do chão, uma lâmina apareceu nele cortando o robô e ao retornar para o solo a mesma se recolheu. De imediato, o soldado deu um chute com o outro pé na altura da garganta, matando o inimigo.

A sequência foi tão rápida que os adversários nem puderam reagir.

Apareceram mais 50 robôs: 25 com maior massa e força e 25 com menor massa, porém maior velocidade. O soldado logo recolheu as lâminas do braço e colocou suas mãos atrás das costas na altura do quadril, retirou as duas metralhadoras uma em cada mão e saiu atirando e dando golpes. Enquanto isso ele se movimentava para sair da linha de tiro até que as balas acabaram. Para não perder tempo recarregando ele colocou as metralhadoras no lugar e colocou as mãos por cima dos ombros, sacando as duas espingardas. Repetiu o mesmo procedimento as guardando. Na sequencia, retirou de cada uma de suas pernas os revólveres, os descarregou e guardou, sobrando apenas um adversário de grande porte que estava mais afastado. Já era de se saber o destino daquele último robô, e assim foi. O soldado, mais uma vez, colocou a mão por cima da cabeça, segurou o cano do rifle e o puxou para frente em um movimento circular fazendo a coronha de borracha bater no chão, preparou, apontou e atirou acertando na cabeça.

Tudo isso ocorreu em cerca de um minuto, o que fez com que Kiren e Seth abrissem a boca a ponto de quase encostarem-se ao chão.

A fase um acabou dando início a segunda e última fase.

Apareceu um grande robô, de leve semelhança a um Fotcre, de 4 metros de altura segurando uma corrente com gomos chegando a ser do tamanho do soldado e uma enorme perda amarrada na ponta.

O indivíduo jogou todas as armas no chão visando reduzir o peso e acionou as lâminas.

O monstro começou a girar a corrente não segurando na ponta, mas um pouco acima, fazendo com que a pedra girasse envolta dele de modo a ganhar quantidade de movimento. Alguns giros depois ele deixou escorregar segurando no final de sua arma o que fez a pedra ir na direção do soldado que correu para frente e deu um salto de lado por cima da corrente com uma cambalhota, desviando.

E assim foi por mais três vezes até que, na terceira, no momento em que a pedra foi para cima do soldado, ele, ao invés de pular, resolveu ir correndo em direção à região que ficava o objeto esmagador. Ao a corrente chegar de encontro ele se abaixou deslizando no chão e, enquanto aqueles enormes gomos de metal passavam a poucos centímetros de sua cabeça, ele segurou em um deles e foi levado no movimento circular do objeto.

Com a corrente ainda no ar fazendo círculos o soldado correu por cima dela até chegar perto da mão do robô e em seguida pulou na direção de sua cabeça. Durante tal movimentação as lâminas foram acionadas ultrapassando os limites de sua mão. O destino daquela lâmina era o olho direito do robô, o qual perdeu o controle sobre a pedra, de modo que esta batesse com força a parede.

O soldado o deixou cego de um olho. Assim que ele se virou pra olhar para sua arma cravada na parede, o ser de habilidades extremas pulou por cima de sua cabeça, deslizando por suas costas até entrar em contato com o solo.

Não muito longe de onde o soldado caiu estava seu rifle. Ele o pegou e quando o inimigo se virou deu três tios em sua testa encerrando a fase dois.

- Filho da mãe!- disse Seth com a mão esquerda na testa- Como? Quem é esse cara, ou melhor, essa coisa?

- Na verdade não é nem homem e nem coisa- respondeu Hoffman com um leve sorriso.

- Um Glingon ou uma Glingon... ou melhor, uma criatura rara- agora foi a vez de Kiren tentar.

- Também não. E por que seria uma criatura?- respondeu Hoff com uma expressão de dúvida.

- Bom no caso se formos levar ao sentido que homem se refere ao sexo masculino e não à raça humana, eu diria que é uma mulher- falou Seth seguro de si.

- Sim Seth, falando assim você até parece uma pessoa mais culta- comentou Hoffmann recebendo um olhar feio de Seth, enquanto Kiren ria-. Então meu caro Seth, eu te digo mais, você a conhece.

Seth olhou para o teto pensativo e com um ar de graça perguntou.

- Conheço?

Hoff balançou assentiu e Kiren continuou a rir, pois já descobrira de quem se tratava.

- É difícil...já conheci tantas.

Após Seth dizer isto uma gargalhada foi arrancada de todos incluindo ele mesmo, porém mais discretamente.

- Nem vem Seth, eu li o relatório sobre sua estadia no campo militar e sei que não tinham garotas não sua ala do exército. - interrompeu Kiren com um ar maligno.

- Ah conheci uma na minha viagem a Hollywood, mas não acho que ela saiba fazer aquilo... – Hoff e Kiren se entreolharam e em seguida um silêncio- ... Conheço? Pera... A Luana, a Luh que me beijou no elevador e que fez o aparelho de medição do coração dar defeito.

- Beijou... Não é esta a definição correta e nem acho que um daqueles aparelhos tenha falhado, mas é ela mesma - Disse Hoff.

- Não sabia que ela era tão boa assim Bruno- comentou Kiren já mais sério.

- Na verdade Kiren, não é ela totalmente que está fazendo isto e sim um chip que nós estamos trabalhando. Ele é colocado no cérebro da pessoa dando habilidades extraordinárias de percepção e raciocínio, mas ainda está em teste, pois pode dar efeitos colaterais. Creio que com o resultado de hoje nós já tenhamos achado o resultado perfeito.

Hoff disse isto enquanto olhava em uma tela de vidro onde estavam sendo mostrados os batimentos, pressão sanguínea, atividade cerebral e outras coisas importantes.

- Se é tão arriscado, por que você está fazendo um teste em uma pessoa?- indagou Seth com um tom levemente indignado.

- Ela que se ofereceu Seth. Não planejávamos usar...

De repente começou a soar um alarme e piscar uma luz vermelha na sala em que estavam.

O painel mostrava os batimentos cardíacos aumentando rapidamente, a pressão muito alta e o sistema nervoso e o cérebro ficaram vermelhos na representação do corpo de Luana.

- Merda! O chip está tomando o controle dela. Retirem o chip imediatamente- disse Hoff no microfone.

Vários guardas entraram na sala e ela matou todos brutal e insensivelmente.

Hoffmann tentou o sistema feito para este tipo de situação que desativava os instrumentos elétricos da sala de treino, só que para a infelicidade de todos não fez nenhum efeito, pois algo bloqueava o uso.

- Se ficar muito tempo ela morre, mas não dá para chegar perto dela. - Hoffmann falava em tom mais baixo andando de um lado a outro, com um ar de muito stress e preocupação.

- Como retira o chip Hoff? Eu mesmo vou até lá!

- Você não vai conseguir. Viu o que ela fez com aqueles robôs e os soldados que foram até lá. Ela irá matar você Seth, não é Luana quem está lá mais.

- É ela ou eu, agora me explica – Seth mostrava-se firme e com um tom de autoridade e demonstrando que não estava disposto a deixar-se ser barrado.

- Tá...- Hoffmann então pediu que Kiren pegasse na mesa uma seringa e trouxesse para ele- Esta seringa, é só colocar no pescoço. A armadura que estamos usando não cobre essa região do corpo justamente para ocasiões emergenciais como estas. Mas tome cuidado, eu sei que gosta dela, só que você já morreu uma vez.

Tinha um corredor de escadaria do lado esquerdo do vidro que dava em uma porta de acesso à sala onde estava Luana.

Seth se preparou alongando seu corpo sob os olhos tensos de Hoffmann e Kiren e de últimas palavras ele disse.

- Se você consegue fazer aparecer robôs, alguns Seths não serão problema!- Deu uma piscadela e desceu correndo. Hoff entendeu o que ele quis dizer e se preparou.

Ao chegar à porta ele viu Luh um pouco longe e então gritou.

- HEY. SOLTA ELA OU EU VOU TER QUE IR ATÉ AÍ ACABAR COM VOCÊ.

Ela apenas inclinou a cabeça em sinal de ofender Seth como se o chamasse para a briga.

- Você gosta de se fazer de durão hã... Boooom- disse Seth de maneira prolongada e depois correu na direção do inimigo que acionou a lâmina como quando foi furar o olho do robô.

Seth, ao chegar perto, pulou armando um soco, mas o chip o acertou com a lâmina antes e Seth desapareceu sobrando apenas uma fumaça levemente laranja que continuou o movimento para frente.

Ele ficou sem entender, mas logo vários Seths apareceram na sala o cercando.

- VOCÊ TEM QUE ME ENCONTRAR- soou uma voz de dentro da sala em pequeno eco, não deixando vestígio de onde ela havia saído- Posso assegurar que estou aqui, mas você vai ter que descobrir onde!

O chip em controle do corpo de Luana começou atacar a todos, fazendo com que eles se transformassem em fumaça laranja, mas não achou o verdadeiro. Após um tempo os clones foram todos para cima dele de uma única vez, o deixando confuso restando apenas a dor de uma fincada no pescoço.

Todos os clones desapareceram sobrando apenas Seth com a seringa no pescoço de Luana e segurando seu corpo que estava jogado em seus braços.

Hoffman desceu da cabine junto a Kiren e disse fazendo um gesto com o braço para a levarem para a enfermaria.

- Parece que a experiência não deu muito certo... - Comentou Seth enquanto se aproximava de Kiren e Hoffmann- A Luh vai ficar bem?

- Sim, creio que graças a você ela não terá nada de mais grave.

Seth balançou a cabeça positivamente mostrando-se aliviado.

- Na verdade não foi o chip que deu errado, nós fomos hackeados. Eu mesmo acho difícil, pois temos o maior sistema de segurança contra hackers no universo, além do fato de que qualquer coisa que tentasse nos acessar mostraria sua presença a Steve, mas é isso que o computador está dizendo.

Hoff mandou um de seus soldados chamar Dave e Knok com a maior urgência e em seguida subiram de volta à sala para analisar os dados do computador.

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