A verdadeira guerra

A tripulação sobrevivente ia entrando aos poucos, enquanto outros procuravam e traziam para dentro peças e pedaços da nave humana caída, além dos corpos dos mortos para que estes fossem enterrados com a devida honra.

Dave estava andando pelos corredores junto a Knok quando Seth o chamou. Os dois se entreolharam e então Dave pediu licença a Knok indo ao encontro de Seth, visando uma conversa particular.

- Foi uma missão e tanto essa sua ein...- Disse Seth de maneira séria.

- Não imaginava que rendesse tudo isto, porém parece que as coisas ultimamente não acontecem como planejado - Respondeu Dave também sério e enigmático.

- Está se referindo à sua tentativa de me deixar fora de risco ou a ter me contado pessoalmente.

Dave ficou em silêncio por um tempo, pois o modo como Seth foi direto não lhe deixou brechas para pensar. Vendo que teria ali uma conversa bastante complicada, ele suspirou e pôs-se a falar.

- Luana lhe contou então... Eu mesmo a pedi para falar. Desculpe-me por não ter sido eu- Parou enquanto olhava para seu filho fixamente.

- Bom... já tive bastante tempo para pensar nisso e admito que surpresas já estão entrando em minha rotina. Quando Luana me contou sobre você, sobre minha irmã e minha mãe, foi um tanto difícil, e feliz ao mesmo tempo, porém confesso que gostaria de ter ouvido de você. Ouvir as historias, apesar da correria na qual estávamos todos desde que reapareci.

- De certo estava sim tudo muito corrido, no entanto não me faltou oportunidade para conversar contigo nem agora nem antes de a guerra acabar- Disse Dave e então ambos ficaram em silencio por um tempo e sob outro suspiro continuou- Eu não te deixei lá abandonado... creio que sabe disso- Seth acenou que sim com a cabeça- Eram tempos difíceis. Após sua mãe ter tido você, pensei em sair do posto de capitão interestelar. Dediquei mais tempo a você e a sua irmã, porém não fui capaz de impedi a morte de Beatriz. Foi então que percebi que no espaço, que junto a mim, não era seguro e seria questão de tempo para perder mais de minha família. Victor era, e ainda é de minha enorme confiança, contei com ele para proteger vocês, só... que sua irmã não aceitou. Ela já era maior de idade e tinha tomado sua decisão de lutar ao meu lado. De certa forma tê-la comigo me fez bem, me deu força em diversos momentos, mas também me fez chorar pela sua morte.

- Sei que deve ter sido difícil tomar tais decisões, assim como foi difícil lidar com a falta de vocês. No entanto, fico feliz por não ter decidido continuar a me proteger me mantendo longe. Vejo que esse é o meu lugar, nossa família viveu isso e me sinto mais completo em viver também. Por isso peço a você: Sei que se preocupa comigo, mas não me deixe longe para minha proteção. Quase perdi o pai que havia acabado de ganhar e estava longe dele. Tenho certeza que minha mãe e minha irmã estão felizes por nós estarmos vencendo mais esta luta juntos e não separados como antes.

Dave diante da grande emoção deu um forte abraço em Seth, um forte e demorado abraço.

- Quero que me conte mais sobre elas e todo o resto- Disse Seth com um sorriso no rosto e com o braço sobre o ombro do pai.

- Com todo o prazer.

Luana e Kiren passavam por ali naquele momento, indo em direção à cabine onde se encontravam Beatriz, Knok e Hoffmann, quando viram os dois.

- Não queria atrapalhar o momento aí de vocês, o qual creio que seja bem importante, mas temos que fazer algumas perguntinhas a um amigo nosso que renasceu- Luana se aproximou e se juntou à dupla, de modo que Seth rapidamente tomou a frente na fala e usou de seu sarcasmo.

- Pode começar a me perguntar!

Luana olhou para ele e riu assim como Kiren e Dave.

- Anda logo engraçadinho- A garota revirou os olhos e os quatro começaram a andar.

A cabine era maior do que a das naves solares, porém tinha o mesmo design, assim como todo o restante da nave. De cara já podia se perceber o quão potente ela era, superando qualquer outra Glingon ou Humana, além de seu tamanho descomunal.

Os quatro foram direto para a cabine se encontrar com Beatriz, Hoffmann e Knok, pois haviam muitas coisas a serem discutidas.

- Impressionante não é?- Anunciou Beatriz enquanto observava todos olhando os quatro cantos da cabine- Ela foi criada por mim e o pessoal da equipe amarela que foi parar no mesmo lugar, tendo uma ajudinha especial- Dito isso ele começou a caminhar com os braços para trás e sua postura era diferente da usual. Beatriz ainda era aparentemente o mesmo, mas de certa forma ele carregava um ar de autoridade maior, como se tivesse conhecimentos além- Como podem ter percebido foi seguida a mesma planta das naves com as quais já estamos acostumados. Utiliza alguns equipamentos e sistemas nossos, porém foi extremamente melhorada pela tecnologia Starling.

No exato instante que a palavra Starling saiu da boca do ex Subcapitão, todos miraram seu olhar para ele de maneira questionadora e surpresa.

- Starling? Como assim?- Knok foi o primeiro a fazer o questionamento que martelava a cabeça de todos.

- Imaginei que ficariam surpresos, e sim, está nave possui diversas tecnologias Starlings como motores, camuflagem, sistemas de rastreamento, armamentos e algumas outras melhorias dentre estas. Mas!- Ao dizer isso ele levantou seu braço direito sinalizando a força daquele contraponto- Tenho o prazer de anunciar que aquela lâmina gigante que cobriu a nave e cortou a outra foi por conta de minha equipe e eu. Tivemos a ideia e ajudamos a desenvolver o projeto. Creio que para um primeiro dia de teste ele funcionou bem... Ah, quase me esqueci, dêem um oi para nossa nova IA.

- Olá a todos! É um prazer conhecer meus novos cooperadores.

Todos se entreolharam, e, estava na cara que não gostaram da novidade.

- Não sei se é uma boa ideia trocar de IA assim, Steve já esta há tanto tempo...

- Relaxa Seth- Disse Beatriz sorrindo- Estou zoando vocês, esse é o nosso velho Steve. Busquei ele no caminho pra cá, junto com o pessoal do Módulo 5, que estão em boa forma por sinal.

- Posso até ser meio antigo, mas não velho, meus sistemas são tão avançados quanto essas parafernalhas starling que você arrumou.

- É bom ver que não perdeu o senso de humor!

- É BOM VER QUE NÂO PERDEU SUA VIDA!- Steve e Beatriz interagiam como os bons amigos que sempre foram.

- Creio eu que você tem muitas coisas para explicar, não estou certo?- Comentou Dave aproximando de seu amigo.

- Totalmente... sentem-se, pois o papo é longo- Concluiu Beatriz enquanto os seis se dirigiam a uma mesa com diversas cadeiras ao redor que se levantou do chão.

Beatriz se preparou, pegou um copo de água de cima da mesa e pôs-se a falar.

- A saída do meu grupo foi bem sucedida, as cápsulas seguiram na direção correta até a explosão causada pelo tiro da nave Bundni. A conexão logo caiu e a trajetória foi alterada. Tempo depois, flutuando no espaço, fomos em direção e em seguida puxados pela gravidade de um planeta azul misterioso.

Eram os Starlings. Um pequeno grupo nos acolheu e levou para uma base não muito grande no planeta. Quem comandava era Strik, e para minha surpresa ele estava ali para ajudar.

Strik estava contra a guerra e tinha planos para acabar com ela desde que era apenas o irmão de um aspirante a imperador Starling. Logo, sua primeira missão na direção de seus objetivos foi garantir e apoiar seu irmão na batalha política para torná-lo imperador. Entretanto, não era fácil lutar contra o planeta inteiro repleto de uma ideologia já consolidada e uma aceitação tão grande em relação à Guerra das Galáxias só com ajuda de um pequeno e seleto grupo. Logo, decidiu abafar seus planos por um tempo até conseguir uma posição mais estável na alta patente. Ele era o braço direito de Kroquest Bueig, ou melhor dizendo, Strek, o que lhe permitia maior acesso a diversos setores, podendo assim reacender a chama da evolução. Bom... Isto até uma grande descoberta que mais uma vez abalou seus planos, mas desta vez de forma devastadora. O segundo braço direito de Strek e líder do nosso grupo Artrix, Frucher, estava envolvido em um esquema contra os Starlings sob ordens do grupo chamado de Sociedade.

A verdade é que Strek não estava bem quanto a seus companheiros de confiança e nem a seu poderoso e eficiente grupo de defesa, ou pelo menos era isso que o imperador pensava ser.

Com o apoio de Frucher, a Sociedade adentrava cada vez mais no planeta conseguindo maior acesso e influencia lá dentro. De certa forma, Strik, sabendo da ameaça, poderia usar o conflito entre os Starlings e a Sociedade para dar um fim aos dois. Inicialmente o plano era trazer Seth e Kiren para a base, visando clonar e usá-los como exército próprio, enquanto Frucher queria que os solares ficassem mais e mais fortes e pudessem provocar uma rebelião contra os Starlings envolvendo os demais sistemas- Algo que já havia ocorrido no passado e que foi impedido pela própria Sociedade nos tempos em que ainda não havia se corrompido-, facilitando assim que o líder Calic invadisse o planeta fragilizado e tomasse o lugar deles na hegemonia galáctica.

Mas!- Beatriz repetiu o movimento com a mão- Depois de um tempo, Strik percebeu que os clones poderiam ter grande chance de estarem sob controle de Frucher, pois a maneira como ele havia expandido era enorme e já não era mais capaz de ser detido. Foi aí que veio a ideia da bomba, o seu plano B.

Ao ver o seu plano dando certo e o decreto de busca aos nossos soldados solares ser emitida, nosso companheiro, já comigo ao seu lado vivendo no planeta e auxiliando em seus planos. Ah, e à propósito- Beatriz se virou para Seth e Kiren que estavam vidrados nele assim como os demais presentes- O plano de invasão à nave lendária Bundni foi ótimo, porém tentar entrar sem o código de acesso é suicídio- Ele deu uma piscadela que fora logo compreendida pelos dois.

- Filho da mãe- Seth ria enquanto se ajeitava no assento e negava com a cabeça desacreditado. Beatriz mantinha um sorriso no rsoto e logo voltou ao assunto.

- Enfim. Vocês estavam em apuros e ele ofereceu ajuda. Lake se prontificou a arriscar a própria vida pedindo vocês que entrassem naquela base e, consequentemente encontrassem a bomba Starling. Infelizmente ele morreu bravamente ajudando a salvar a Via Láctea do caos.

Strik sabendo que Luana havia se infiltrado, garantiu que ela continuasse sem ser percebida, de maneira a acompanhar enquanto ela descobria toda a verdade sobre sua família e, com o auxilio de Batrok, encontrava a tal bomba.

Ela alterou o que tinha que ser alterado e tudo caminhava para o desfecho perfeito: Os três solares saindo do planeta Star e extinguindo a existência dos Starlings.

- Mas no caso nós dois tivemos que atirar e "morrer" no novo desfecho- Comentou Kiren com certa ironia na voz.

- Se sacrificaram por conta de uma falha banal. Falha que não encontrei enquanto a adulterava e Strik, com toda a sua sabedoria capaz muito bem de prevenir esse erro, deixava passar- Luana comentava em um tom desafiador e encarava Beatriz como um estranho, o que de fato era em partes- Poderia dizer que foi, como eu disse, apenas um erro banal, porém todos temos maturidade para saber que não- Um largo sorriso se abriu no rosto de Beatriz, estava realmente impressionado.

- Não é à toa que você conseguiu fazer tudo o que fez naquele planeta Luana, é muito esperta. Logo, eu digo que ela está certa, nós colocamos um defeito proposital na bomba- O ex Subcapitão olhou ao redor vendo a pergunta "por quê" estampada em cada rosto ali presente- Destruir os Starlings não acabaria com a ameaça da Sociedade e para combatê-la a galáxia precisava se unir. Os seres do universo necessitavam de heróis, pessoas dispostas a se sacrificar por eles e foi exatamente isso que esses soldados mostraram poder fazer. Não é surpresa que os solares são vistos com orgulho em todo o canto. Mas!- Novamente a mão- Amei fazer isso- ele comentou sorrindo e rapidamente se recompôs- Enfim, precisávamos matar vocês e deixá-los vivos... Como? Simples, vocês basicamente não atiraram na bomba. Quando Batrok os levou para o laboratório, ele não mexeu em suas armaduras, ele criou uma conexão neural em vocês. Ambos fecharam os olhos e dormiram profundamente enquanto sua consciência controlava dois clones que estavam escondidos lá.

Era como se estivessem no corpo deles e os controlando sem perceber, ao passo que os corpos de verdade eram lacrados em uma câmara extremamente resistente e que foi lançada para fora da órbita segundos antes do "cabum". O impacto destruiu toda a estrutura da caixa e a armadura de vocês teve que fazer um esforcinho para lhes manter vivos. Os conhecimentos da mente humana foram o suficiente para deixar certo de que os sentimentos de Seth não permitiriam que Luana morresse junto, apesar de que mesmo assim ainda foi um risco, do qual lhe peço perdão por tê-la colocado, mas era necessário- Beatriz abaixou a cabeça de olhos fechados e direcionado a Luana como um pedido de desculpas e concluiu.

Em diante já é história conhecida. Strik não retornou à base. Antes de sair do planeta pela última vez havia dito que a guerra não acabaria ali e que acreditava que nós, solares, conseguiríamos junto ao universo acabar com o que ele começou. A verdadeira guerra, a guerra entre a Via láctea e a Sociedade.

As novidades eram muitas para se digerir. Todos apenas tentavam assimilar tudo aquilo para depois esboçar alguma reação.

- Então quer dizer que o que fizemos foi só o começo?- Questionou Seth.

- Vocês deram um salto enorme e venceram o que pensavam ser a guerra, porém foi só uma batalha. A vitória de vocês impediu que a Sociedade tomasse posse do maior armamento do universo, no entanto ainda não acabou.

Kiren suspirou e ao se esticar em sua cadeira de maneira a ficar o mais relaxado possível disse.

- Ahhh, preferia continuar dormindo.

Seth sorriu e concordou com seu amigo e então, logo em seguida, Luana se levantou e anunciou.

- Deixarei que conversem o que tenha de ser conversado, e irei dar uma volta pela nave. Fiquei curiosa quanto a ela possuir equipamento tão avançado. Se me permitirem, eu irei me retirar.

Dave e Knok apenas assentiram e viram a soldado bater uma rápida continência e preparar para sair. Antes que Luana seguisse seu caminho, ela olhou para Seth no fundo dos olhos como se lhe dissesse várias coisas. Rapidamente, seguindo o impulso, pediu para ir junto sendo seguido também por Kiren.

Dave, Knok, Hoffmann e Beatriz continuaram sua conversa, pois além de informações técnicas, eles também estavam muito felizes em rever o velho amigo.

Seth, Kiren e Luana saíram pela porta da cabine e seguiram andando pelos corredores, quando então Seth foi logo perguntando.

- O quê foi Luana? Aquele olhar dizia que quer falar alguma coisa, então já que estamos nós três aqui...

- Primeiro somos levados para um planeta desconhecido, de repente eu enfrentei um soldado que utilizava de nossa armadura- a qual tem um projeto confidencial e restrito- então por fim Beatriz reaparece dizendo estar aliado a Strik. Pode ser que eu até realmente acredite no Strik, mas de uma coisa eu sei...- Luana deu uma pausa, os três param de andar e passaram a se entreolhar. Desse modo, em meio ao silêncio, Kiren disse em voz baixa demonstrando ter compreendido Luana

- Beatriz era um dos poucos que tinha acesso ao projeto da armadura.

- Exato- Luana apontou para ele enquanto dizia.

- Mas será que... sei lá. Não sei se ele o faria. Ele realmente nos salvou durante a invasão da nave Bundni passando o código de acesso.

- Eu sei Seth, mas é por isso que disse, acredito na história dele, mas ele é um grande suspeito quanto à questão da armadura- Luana estava firme em suas ideias.

- De qualquer maneira não há como descobrirmos isto agora. Precisaremos pesquisar e talvez manter a existência dessa armadura no silêncio- Disse Kiren olhando para seus amigos.

Os dois concordaram e então seguiram seus caminhos observando todo aquele monstro de nave pela qual estavam fascinados.

- Beatriz... Sabe algo sobre a nave Glingon?- Perguntou Knok sentindo que já sabia a resposta.

Beatriz, com uma grande tristeza, se aproximou de seu parceiro e deu a notícia enquanto apoiava sua mão no ombro do Glingon.

- Me desculpe, não pude salvá-los. Quando entraram no hiperespaço foram direto para o planeta da Sociedade. Infelizmente não houve como os resgatar.

Knok ficou extremamente abalado, havia perdido toda a sua tripulação e também seu grande amigo e subcpitão, Gustav. Dave ficou ao seu lado a consolá-lo. O sentimento de tristeza e luto governaria aquela volta para casa, pois muitas perdas haviam marcado aquele dia e assombraria os sonhos de nossos guerreiros.

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