Capítulo 17
A fêmea loira me pediu pra sentar e eu obedeci, ela parecia apreensiva de certo modo. Não conseguia entender o porque aquele assunto era tão delicado, para mim era simples ela só precisava me entregar um desses potes cheios de comprimidos e pronto, Rory estaria boa em alguns dias. Ficamos em um silêncio irritante e para mim, totalmente sem sentido, por uns longos minutos. Ela levantou e pegou uma caixa dentro do armário atrás de si, de dentro da caixa ela tirou uma coisa que parecia o cérebro humano.
- Está vendo o cérebro? - assenti. Ela continuou. - O que Rory está sentindo vem daqui. - Ela desencaixou algumas peças e me entregou. - É uma doença mental, Gross. Isso afeta o jeito como ela interagi com as pessoas, o seu humor e até mesmo seus sentimentos.
- É como a minha droga? - me lembro de terem me explicado algo parecido com isso quando acordei na zona selvagem.
- Sim, é como a sua droga. A diferença é que você consegue controlar e ela não pode fazer isso sem o tratamento certo. - seus lábios se contraíram em uma linha fina.
- Então não tem cura? - ela balançou a cabeça afirmando. Minha Rory. Minha pequena fêmea rosa. Me senti mal, como se aquilo pudesse tira-la de mim a qualquer momento. - Eu quero ajudar ela, como posso fazer isso? Estou me sentindo um péssimo macho.
- Você não um péssimo macho, Gross! - rosnei baixo para seu comentário, eu não tinha feito o que disse que faria.
- Disse que voltaria com a cura, eu falei para ela que levaria a cura. E agora? Vou voltar e dizer que não tem jeito? Que ela vai continuar sofrendo o tempo inteiro? - os olhos expressivos da fêmea se comoveram, algumas lágrimas escorreram pelo seu rosto. Ótimo, e ainda por cima estou fazendo outra fêmea chorar! Qual o problema delas? Sempre choram com tudo que digo.
- Isso não faz de você um péssimo macho. Gross, Rory sabe exatamente o que é a doença que ela carrega. Tudo que você precisa fazer é ficar do lado dela, sei que pode parecer difícil e insignificante no começo mas, acredite que ter alguém que se importe é tão valioso quanto ouro. - ela falou enxugando as lágrimas.
- Queria poder tirar isso dela. - murmurei para o vento. Ela sorriu sem mostrar os dentes.
- Eu sei. Vamos fazer tudo que estiver ao nosso alcance para ajuda-la, Gross. Prometo. - assenti e me levantei caminhando em direção a porta.
- Obrigado. - ela acenou para mim.
Sai do centro médico tão quebrado quanto entrei, fui atrás de uma cura e voltei de mãos vazias. O que eu podia oferecer a ela para que ficasse comigo? Já não conseguia pensar direito. Talvez seguie o conselho de Trisha seja meu único caminho, agora torcer para que ela me aceite mesmo sem eu ter trazido uma solução. Não entendia bem sobre essa doença mas, saber que ela é oarecida com a droga que age dentro de mim me trás um sentimento de angústia. Sei como é difícil manter a fera descontrolada dentro de mim, imagine para ela, pequena, indefesa; manter algo dentro de si deve ser um inferno. Entro no elevador e após sair caminho pelo corredor vazio, a porta da sua sala a minha frente parece um terrível obstáculo a ser ultrapassado.
Rory estava sentada atrás da sua mesa novamente, seus pequenos olhos cinza estavam avermelhados assim como seu nariz arrebitado, era óbvio que ela estava chorando. Me aproximei devagar da sua mesa e estudei seu rosto, seu cheiro. Ela estava triste, com medo. Não tinha nenhum brilho de esperança nos seus olhos e aquilo doeu em mim, trouxe uma notícia ruim oara ela. Tentei não rosnar de frustração ou raiva, não queria assusta-la.
- Eu... eu sei que não tem cura. - fechei meus olhos por alguns segundos e encarei os seus. - Mas sei como se sente, sei como é lutar todos os dias para ser alguém melhor, não deixar que as palavras de outras pessoas se tornem seu destino. Eu sei como é sentir que tem algo dentro de você que não faz parte de si. Por isso estou aqui. Eu não tenho a cura, minha Rory, mas tenho amor, carinho, Abraço... Eu tenho tudo isso para te dar. Quero que me aceite como macho, mesmo eu não tendo muito nas mãos, vou te fazer uma fêmea feliz e estar do seu lado em todo o momento, seja ele bom ou ruim, eu prometo.
Mas o que essas fêmeas têm que choram por tudo? Ela começou a chorar, pensei até que tinha dito algo errado. Rory se levantou e me abraçou, aquilo me aqueceu, ela me queria, independente de qualquer coisa, Rory me aceitava.
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