Parte 7
Alguns minutos passaram até que um pequeno alívio permitisse que ela abrisse a porta do quarto sem continuar sentindo vontade de ficar a sós. O tempo não foi o suficiente para que os pais pensassem de maneira justa em sua atitude na mesa, e tal comportamento e o pensamento equilibrado não eram coisas com as quais eles estavam acostumados.
O pai entrou com forte encarada à garota, enquanto ela sentava-se na cama. A mãe tinha olhar calmo e focado no marido, não parecendo se importar tanto quanto ele com a filha.
— O que deu em você, Daisy? — ele perguntou sem esperar por uma resposta. — Sua melancolia não justifica esse jeito de agir! Recomponha-se e desça imediatamente!
Ao final da bronca curta, saiu do quarto, com aparência tão colérica quanto no dia anterior, na descoberta da empregada fujona. A mãe ficou, e quando não era mais preciso se ater ao marido, concentrou-se na filha.
Sentou-se ao lado da menina cabisbaixa notou o traço de tristeza que ela ainda tentava disfarçar. Daisy fungava e engolia as lágrimas, antes de se ver forçada a olhar para mãe, que tocava seu ombro.
— É compreensível o motivo de agir assim, filha. Você gostava dela e ela se foi. Mas logo essa fase adolescente vai passar, e aí vai perceber o quão tola foi. É esperta e vai perceber que essa não é você.
Aquele sorriso que tentava soar maternal não tinha o apoio do que saía de si. Era uma fala compassiva e em tom doce, mas que tinha um propósito azedo e não podia acabar com a amargura, que era supostamente seu objetivo.
Estas foram as únicas palavras, em tom de sussurro e jeito submisso, que Daisy conseguiu manifestar como um pequeno rompimento do disfarce: — Mas ela não merece isso.
Além do rosto da mãe não ter mudado antes da sua saída, a ordem para que a filha descesse soou sem aquela voz que buscava ser fraterna. Pelo menos desta vez saía verdadeira numa expressão de mesmo estado, sem a procura pelo lado materno justo, achando seu lado materno conveniente, o de autoridade.
*
Encarando-se no espelho da penteadeira e passando a escova sobre os fios, Daisy remoía aquela intragável noite no jantar. Tentava engolir a forte amargura do que ocasionou seu cumprimento forçado à srta. Morris, antes que ela fosse pela última vez para o que seria sua antiga casa.
Apesar dos pais não terem agido como ela queria, a garota ainda não conseguia desobedecê-los, mesmo que a discordância continuasse em mente. Eles não faziam o tipo de ameaçar fisicamente a própria filha, mas isso sequer era preciso, já que a raiz comportamental, agora falha, ainda parecia firme para que não se chegasse a tal extremo.
Ao passar lentamente o cabelo pela orelha esquerda, lembrou-se do contexto onde essa bagunça em sua mente começou. Sorriu ao recordar da florzinha amarela colocada em mesma delicadeza por Amal, o menino entregador. E voltou a memória há alguns minutos atrás em tal cena, onde, graças ao comportamento fora do padrão que teve, possivelmente salvou a mais frágil e bela flor que já viu das garras fervorosas do asfalto.
"Preciso desobedecê-los... Preciso mesmo... Como fiz quanto ao girassol, quando ele estava perdido e correndo risco no sol quente, no meio da rua, de ser pisado... Madeleine parece viver o mesmo tormento... Não posso me distrair com meu comportamento, e preciso fazer da falta dele algo útil, em vez de justificar para alguns seu ponto negativo. Quando tiver certeza de que meus pais dormem, sairei hoje à noite."
E deu um sorriso obstinado no pensamento heroico e um tanto fantasioso: "Se eu me encrencar, pelo menos valerá à pena quando Madeleine estiver bem, sã e salva."
Era uma fantasia que ela sentia-se disposta a realizar, na falha comportamental estabelecida através da ausência da moça para a qual faria aquilo, no dia ensolarado onde sua adolescência começou a florescer.
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