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࣪៹ 𝄒 ˖ ࣪ 𓂃 ۫ . - capítulo um, desobediência com
propósito ꜝꜞ ᳝ ࣪ᅠ ៹ 💣 ✶ ۫
Ninguém em Zaun sabia quem era Astreyd. O nome não passava de um eco apagado, enterrado sob a poeira sufocante das ruas e nos murmúrios esquecidos entre os becos escuros.
Mas Astra... Astra era um nome que trazia medo.
Onde quer que fosse sussurrado, as sombras pareciam crescer, e até os mais endurecidos ladrões e assassinos hesitavam. Silco cuidou para que o nome de sua filha fosse uma marca inesquecível, gravada nas ruínas da subferia, na ferrugem das tubulações e no desespero que corria como sangue nas veias de Zaun.
Ele havia prometido a Astreyd, entre lágrimas e rancores, que ninguém nunca mais a feriria. Mas como proteger alguém que já estava morta? Como lutar contra a ausência? Ele não podia. Então, de sua dor e ódio, Astra nasceu.
Imponente e sorrateira. Ela sabia o peso de seu nome, sabia o que Silco faria se alguém ousasse cruzar seus limites.
A reputação de seu pai era uma armadura invisível, uma ameaça que ninguém ousava testar. Onde quer que passasse, as ruas se abriam para ela como um rio diante de um rei. Dos mendigos famintos aos mercenários brutais, todos sabiam que mexer com Astra era selar o próprio destino.
Afinal, quem teria coragem de desafiar o sangue de Silco?
E, ainda assim, Astra não era apenas uma sombra de seu pai. Ela observava o caos de Zaun com uma curiosidade afiada, quase perigosa. Havia algo de fascinante nas vidas miseráveis que se entrelaçavam sob as luzes tóxicas da cidade, algo que a fazia vagar por lugares que outros evitavam.
Agora, o som da base era sempre o mesmo. O mesmo som corroído de goteiras persistentes ecoando pelo espaço metálico, o zumbido constante das máquinas e o murmúrio abafado de conversas conspiratórias.
Para Astra, era música de fundo. Aquilo não era apenas uma base, era um lar. Um lar frio e sufocante, mas um lar, mesmo assim.
Ela estava sentada em um canto da sala, aparentemente distraída com uma pequena lâmina que girava habilmente entre seus dedos. Seus olhos, porém, estavam fixos no grupo de homens que cercava Silco. Ele estava inclinado sobre uma mesa coberta de mapas e papéis, apontando para algo com o dedo longo e magro.
━━━ O navio parte ao amanhecer. ━━━ disse ele, a voz baixa e cortante. ━━━ Não podemos cometer erros. A Cidade Alta já está desconfiada, mas isso... ━━━ ele gesticulou para o mapa. ━━━ ...isso nos dará o controle das rotas.
Os capangas assentiram em uníssono, mas Astra percebeu a hesitação nos olhos de um deles, um homem mais jovem que parecia desconfortável.
━━━ E se houver resistência? ━━━ perguntou ele, a voz quase tremendo.
Silco ergueu o olhar, lento e calculado, e o silêncio que se seguiu foi mais pesado do que qualquer ameaça explícita.
━━━ Não haverá resistência. ━━━ ele respondeu, sua voz fria como gelo. ━━━ Porque vocês farão o necessário para garantir isso.
O homem engoliu seco, e os outros trocaram olhares rápidos. Poucos segundos depois, o grupo começou a se dispersar, carregando ordens e mapas.
Astra esperou até que todos saíssem antes de se levantar, deslizando pelo espaço com a mesma furtividade que tinha herdado do pai.
━━━ Você vai atacar um navio? ━━━ perguntou ela casualmente, enquanto pegava um dos mapas abandonados na mesa.
Seus olhos brilhavam com uma curiosidade sombria, Silco ergueu o olhar para ela, um leve sorriso curvando seus lábios.
━━━ E quem disse que você pode ouvir conversas que não são para você? ━━━ balbuciou ele, suspirando enquanto pegava um charuto.
Astra observava Silco acender o charuto e dar uma tragada, a fumaça subiu, envolvendo seu rosto em sombras ainda mais profundas sob a luz do ambiente.
Ela não respondeu imediatamente, deixando o silêncio se arrastar enquanto examinava o mapa em suas mãos. Os olhos dela percorreram as linhas e símbolos rabiscados, memorizando cada detalhe com interesse.
━━━ Não precisa me dizer. ━━━ respondeu Astra. ━━━ Eu sempre escuto.
Silco soltou um suspiro cansado, mas havia algo próximo de orgulho em seus olhos.
━━━ Sua teimosia vai te causar problemas, Astra.
━━━ Se eu fosse teimosa, não teria aprendido metade do que sei. ━━━ retrucou ela, com um sorriso travesso que rapidamente desapareceu. ━━━ Eu escuto porque é assim que se aprende... Não acha que já é hora de me ensinar mais do que números e palavras?
Silco soltou uma risada curta, mas havia algo pensativo em seus olhos enquanto a observava. Ele sabia que Astra era precoce, que absorvia o mundo ao seu redor como uma esponja, mas também sabia que Zaun não era gentil com mentes jovens e ambiciosas.
━━━ Há uma diferença entre aprender e se envolver, Astra. Você é minha filha, não minha cúmplice.
Ela revirou os olhos, jogando o mapa de volta sobre a mesa com um movimento deliberadamente descuidado.
━━━ Então é isso? ━━━ provocou, cruzando os braços. ━━━ Você pode construir um império, mas eu tenho que ficar sentada aqui, fingindo que não vejo nada?
━━━ O que você vê não é o que você entende. ━━━ retrucou Silco, sua voz agora mais firme. ━━━ Há coisas neste mundo, Astra, que consomem até mesmo os mais fortes.
A menina permaneceu em silêncio, mas a teimosia em seu olhar deixou claro que ela não seria dissuadida tão facilmente.
━━━ Como aquele navio? ━━━ ela pressionou, os lábios se curvando em um meio sorriso que era tanto desafiador quanto curioso.
Silco deu uma tragada longa em seu charuto, o brilho avermelhado da ponta iluminando suas feições marcadas. Ele soltou a fumaça lentamente, como se ponderasse a melhor forma de responder.
━━━ É um carregamento de suprimentos para Piltover. ━━━ admitiu ele, inclinando-se para frente. ━━━ Remédios, armas... coisas que eles acham que podem manter longe de nós.
━━━ E você vai mostrar que não podem. ━━━ Astra inclinou a cabeça, seu olhar brilhando com algo entre fascínio e entendimento.
━━━ Vou mostrar que Zaun não é esquecida. ━━━ corrigiu ele, seu tom carregado de convicção. ━━━ Que não somos meros ratos vivendo nas sombras da Cidade Alta.
Por um momento, Astra ficou em silêncio, absorvendo as palavras dele. Apesar de sua idade, ela entendia a gravidade do que ele dizia. Havia uma intensidade no olhar de Silco, uma mistura de ódio e propósito que a fazia querer entender mais, ser mais.
━━━ Me leve com você.
A declaração pairou como uma faísca prestes a incendiar. Silco ergueu os olhos para ela, surpreso, mas também com algo que parecia quase... orgulhoso.
━━━ Você não está pronta.
━━━ Como você sabe? ━━━ ela rebateu, dando um passo à frente. ━━━ Você não me deixa tentar.
Silco se levantou, sua presença imponente eclipsando a de Astra. Ele colocou uma mão firme no ombro dela, forçando-a a encontrar seus olhos.
━━━ Porque eu conheço o custo, Astra. ━━━ ele falou com a voz baixa. ━━━ E você ainda não sabe o que está disposta a pagar.
A menina não recuou, mas algo em suas feições suavizou. Apesar de sua teimosia, ela sentiu a seriedade nas palavras dele, a preocupação que estava escondida sob sua fachada dura.
━━━ Só quero ser útil. ━━━ murmurou ela, quase como um sussurro.
━━━ E você será, Astra. Um dia. ━━━ Silco soltou um suspiro longo, seu olhar suavizando apenas um pouco. Ele deu um leve aperto em seu ombro antes de soltar, voltando a se sentar. ━━━ Mas até lá, continue escutando. Continue aprendendo. Porque quando chegar sua vez, quero que esteja pronta para sobreviver.
Astra hesitou, mas acabou assentindo, aceitando as palavras dele como uma promessa. Ela pegou o mapa mais uma vez, mas desta vez com mais cuidado, como se fosse um artefato sagrado.
Silco a observou em silêncio, uma sombra de um sorriso cruzando seus lábios. Ele sabia que não poderia proteger Astra para sempre, mas também sabia que, quando o momento chegasse, ela seria uma força a ser temida.
━━━ Quando eu vou estar pronta, então? ━━━ insistiu Astra, cruzando os braços.
━━━ Quando você parar de achar que precisa provar alguma coisa para mim.
A resposta fez Astra recuar um pouco, mas ela não demonstrou. Em vez disso, virou-se, pegando o pequeno violão encostado na parede e deslizando os dedos pelas cordas, arrancando um som áspero.
━━━ Você sempre diz isso.
Silco sentou-se na cadeira desgastada, observando-a por um longo momento.
━━━ Porque é verdade. ━━━ ele se inclinou para frente, a expressão mais suave do que o normal. ━━━ Você não precisa se provar para mim, Astra. Você é minha filha. Isso é suficiente.
Por um instante, o ar pareceu menos pesado. Astra olhou para ele, suas mãos parando no violão.
━━━ É suficiente para você, talvez. Mas não para Zaun.
Silco não respondeu de imediato. Em vez disso, levantou-se e se aproximou, colocando as mãos nos ombros dela.
━━━ Deixe que Zaun a tema. Mas nunca deixe que a defina. ━━━ era o tipo de lição que ele sempre dava, e Astra sabia que deveria ouvir.
Mas sua mente já estava longe, perdida no som de máquinas e no sonho de um dia ser algo mais do que apenas a sombra de Silco.
[ . . . ]
A noite caiu como um manto denso sobre Zaun, cobrindo as ruas em trevas e o som constante das engrenagens metálicas. Astra sentou-se sozinha em um dos terraços da base, os olhos fixos nas luzes distantes da Cidade Alta. Havia algo hipnotizante naquela visão, uma mistura de raiva e fascinação.
Ela tocou o violão distraidamente, arrancando notas dispersas. Não era boa, mas gostava do som, mesmo que ninguém mais gostasse.
━━━ Está tarde para melodias desafinadas. ━━━ a voz de Silco veio das sombras, e Astra girou os olhos antes de se virar para ele.
━━━ Não sabia que havia um toque de recolher para música.
━━━ Não há. Mas há para mentes inquietas. ━━━ ele aproximou-se, sentando-se ao lado dela. ━━━ O que a mantém acordada, Astra?
Ela hesitou, os dedos ainda brincando com as cordas. Por um momento, parecia uma criança comum, com dúvidas e sonhos. Mas aquela fachada logo se dissipou quando ela olhou para ele.
━━━ Não quero ser só sua filha.
Silco arqueou uma sobrancelha, curioso, mas não surpreso.
━━━ E o que você quer ser?
━━━ Alguém que faz diferença. ━━━ respondeu ela rapidamente. ━━━ Alguém que Zaun respeita. Que eles admiram... ou temem.
Ele ficou em silêncio, observando o rosto jovem e determinado da filha. Havia algo nela que ele reconhecia, a mesma ambição que o havia levado a desafiar Piltover e a se tornar quem era. Mas, ao mesmo tempo, havia algo que ele temia.
━━━ Admiração é uma faca de dois gumes. ━━━ ele disse, a voz suave, mas firme. ━━━ E o medo... pode consumi-lo, se você não tomar cuidado.
━━━ Você sobreviveu.
━━━ E paguei o preço. ━━━ Silco olhou para ela com seriedade. ━━━ Não estou dizendo para desistir de seus sonhos, Astra. Mas quero que saiba o que eles custam.
Astra desviou o olhar, mas suas mãos apertaram o violão com força.
━━━ Já estou pagando. Cada dia aqui, cada olhar que recebo... tudo isso é parte do preço, não é?
Silco não respondeu imediatamente. Ele queria dizer algo que a confortasse, algo que mostrasse que ela estava errada. Mas ela não estava. E ele sabia disso.
━━━ A diferença, minha filha, é que eu escolhi esse caminho. Você ainda tem tempo para escolher outro.
━━━ Você acha que há outro caminho para mim? Olhe onde estamos. Olhe o que sou. ━━━ ela soltou um riso curto e seco.
Silco suspirou, apoiando a mão em seu ombro.
━━━ Você é Astra. Isso significa que você pode ser quem quiser.
As palavras ficaram entre eles, como um eco suave. Astra queria acreditar, mas a realidade de Zaun pesava sobre ela como uma corrente.
Finalmente, ela se levantou, colocando o violão de lado.
━━━ Você sabe que estou pronta, pai. Só não quer admitir.
Silco a observou desaparecer pelas escadas, sua figura jovem, mas já endurecida pela vida que levava. Ele sabia que ela estava certa. Astra era forte, talvez mais forte do que ele gostaria. Mas força sem controle era perigosa, e o mundo que ele havia construído para ela era mais cruel do que qualquer um poderia imaginar.
E Silco temia que, no final, Astra não tivesse outra escolha senão se tornar exatamente aquilo que ela desejava.
A noite na subferia era densa, quase sufocante, com o ar carregado de fumaça e metal corroído. Astra sentia o peso da cidade em seus pulmões enquanto se movia pelas sombras com a precisão de quem havia nascido nelas.
Ela tinha ouvido o suficiente na conversa de Silco para saber onde a missão aconteceria. O cais enferrujado no limite de Zaun, onde as águas tóxicas carregavam tanto sujeira quanto segredos. Os capangas de Silco haviam partido há pouco, e ela aproveitou a brecha para segui-los, mantendo uma distância segura enquanto traçava seu próprio caminho pelas vielas escuras e passagens subterrâneas.
A cada passo, sua mente pulsava com uma mistura de excitação e nervosismo. Eu vou provar que estou pronta, pensava ela, embora uma voz menor, quase abafada, questionasse se isso era mesmo verdade.
Quando chegou ao cais, Astra se manteve nas sombras, seus olhos fixos no movimento dos homens de Silco. Eles se preparavam para interceptar o navio que carregava os suprimentos de Piltover, ajustando armas e discutindo estratégias em murmúrios.
Ela ficou agachada atrás de uma pilha de caixas velhas, observando tudo. Silco não estava ali, ele raramente participava das operações diretamente, mas os homens que ele confiava pareciam ter a situação sob controle. Por enquanto, pensou Astra, enquanto seus olhos se fixavam no navio ancorado.
A embarcação era maior do que ela imaginava, sua estrutura de metal polida contrastando com o ambiente degradado de Zaun. Guardas piltoverianos patrulhavam o convés, suas armas brilhando sob a luz artificial das lanternas.
Astra respirou fundo, suas mãos suadas agarrando o punho da pequena adaga que ela sempre carregava.
━━━ Eles acham que sou uma criança. ━━━ ela murmurou para si mesma. ━━━ Vou mostrar que não sou.
Ela se esgueirou ao redor das caixas, movendo-se como um espectro entre as sombras. A adrenalina bombeava em suas veias enquanto ela se aproximava do navio. Não tinha um plano claro, apenas a determinação de fazer parte daquilo, de mostrar que podia ser tão útil quanto qualquer um dos homens de Silco.
Quando chegou à base da estrutura onde o navio estava ancorado, percebeu uma brecha, uma corda desgastada pendurada na lateral. Era arriscado, mas Astra já tinha escalado coisas piores nos becos da subferia.
Com um impulso ágil, ela agarrou a corda e começou a subir, seus músculos tensos enquanto puxava o próprio peso. O som das ondas se misturava ao estalo das cordas e ao murmúrio distante dos homens no cais.
Quando alcançou o convés, ela se arrastou silenciosamente até um canto escuro, onde podia observar melhor a movimentação. Os guardas estavam espalhados, mas focados em proteger as cargas.
Ela mal teve tempo de reagir quando um dos homens de Silco lançou o ataque inicial, uma explosão que ecoou pela noite e transformou o cais em um caos absoluto.
Tiros, gritos e passos apressados se misturavam em uma sinfonia caótica. Astra ficou paralisada por um momento, seu coração batendo como um tambor descompassado. Ela não tinha pensado no que faria depois de chegar ali, apenas na adrenalina de estar presente.
Quando um dos guardas piltoverianos correu em sua direção, aparentemente sem notar sua presença, ela agiu por instinto. Segurou sua adaga com firmeza e, com um movimento rápido, atingiu a parte de trás de sua perna, derrubando-o no chão.
━━━ Droga... ━━━ ela murmurou, o gosto metálico do medo e da excitação misturado em sua boca.
Ela sabia que não tinha tempo para comemorar. O caos ao seu redor apenas aumentava, e os homens de Silco estavam ganhando terreno. Mas quando ela tentou voltar para o canto seguro onde estava, um par de mãos a agarrou pelo braço.
━━━ O que temos aqui? ━━━ uma voz grave rosnou, enquanto Astra era puxada com força para fora das sombras.
Era um dos guardas de Piltover, um homem grande com uma expressão dura e olhos que brilhavam com o ódio. Ele olhou para ela, confuso por um momento, claramente não esperando encontrar uma menina ali.
Mas Astra não se intimidou. Com um movimento rápido, ela girou o corpo e cravou sua adaga na lateral da perna dele. Ele gritou de dor, soltando-a no mesmo instante, mas antes que ela pudesse escapar, outra figura surgiu.
━━━ Astra?! ━━━ a voz familiar cortou o caos como uma lâmina.
Era Sevika, uma das principais tenentes de Silco, que olhou para Astra com uma mistura de choque e fúria.
━━━ O que diabos você está fazendo aqui?!
Astra não respondeu, apenas ficou ali, ofegante, com o sangue do guarda ainda em sua adaga e os olhos fixos nos de Sevika.
━━━ Vamos! ━━━ Sevika rosnou, agarrando o braço de Astra e arrastando-a para longe do combate.
Sevika conduziu Astra para um ponto seguro, longe do caos que tomava conta do cais. O som dos tiros e gritos ainda ecoava ao fundo, mas a adrenalina que antes a impulsionava começava a se dissipar. Astra podia sentir o olhar pesado de Sevika sobre ela enquanto a mulher a empurrava contra uma parede de metal corroído.
━━━ Você perdeu a cabeça?! ━━━ Sevika rosnou, sua voz baixa, mas carregada de fúria. ━━━ Isso não é um jogo, Astra. Isso é guerra.
━━━ Eu sei disso. ━━━ a menina ergueu o queixo, o olhar desafiador.
━━━ Então por que, em nome de Zaun, você achou que era uma boa ideia se esgueirar para cá? ━━━ Sevika cruzou os braços, frustrada. ━━━ Silco vai me arrancar a cabeça quando souber disso.
Astra hesitou, mas não recuou.
━━━ Eu queria ajudar. Eu... ━━━ sua voz falhou por um momento, mas ela logo se recompôs. ━━━ Eu queria provar que sou capaz.
Sevika ficou em silêncio por um instante, seus olhos avaliando a garota à sua frente. Por mais irritada que estivesse, algo na determinação de Astra a fez suspirar.
━━━ Ouça, garota. Você pode ser esperta, pode ser rápida, mas isso aqui... ━━━ ela apontou para o cais ainda tomado pelo conflito. ━━━ Isso não é brincadeira. Um erro e você está morta.
Astra não respondeu, mas Sevika viu o brilho teimoso em seus olhos. Era o mesmo olhar que Silco carregava quando tinha uma ideia fixa em mente.
━━━ Vamos, antes que alguém perceba que você está aqui. ━━━ Sevika resmungou, agarrando o braço de Astra novamente e a puxando para fora do beco.
[ . . . ]
Quando chegaram à base, o silêncio que os envolveu era mais assustador do que o caos no cais. Sevika não precisou dizer nada, Silco já estava esperando. Ele estava sentado em sua cadeira, um charuto entre os dedos e seus olhos frios fixos na porta.
━━━ Sevika. ━━━ a voz dele era calma, mas carregada de um peso que fazia até mesmo a mulher endurecida hesitar. ━━━ Deixe-nos.
Sevika lançou um último olhar para Astra, quase como se quisesse desejar sorte à menina, e saiu, fechando a porta atrás de si.
Silco ficou em silêncio por um longo momento, observando Astra enquanto ela permanecia imóvel à sua frente.
━━━ Então... ━━━ ele finalmente disse, soltando uma longa nuvem de fumaça. ━━━ você achou que seria uma boa ideia ignorar minhas ordens?
━━━ Eu... ━━━ Astra começou, mas ele levantou uma mão, interrompendo-a.
━━━ Não. Você vai ouvir agora. ━━━ sua voz era cortante, mas ainda assim baixa. ━━━ Eu disse que ninguém iria feri-la, Astra. Que ninguém teria a chance de tocar em você. E o que você faz? Você se joga direto na boca do perigo.
Ela sentiu o peso de suas palavras, mas sua teimosia não permitia que ela recuasse completamente.
━━━ Eu me saí bem. Eu consegui...
━━━ Você acha que isso importa? ━━━ Silco se levantou, sua figura magra mas imponente lançando uma sombra sobre ela. ━━━ Isso não é sobre o que você conseguiu ou deixou de conseguir. É sobre o que poderia ter acontecido.
Astra engoliu em seco, mas não desviou o olhar.
━━━ Eu só queria ajudar, pai.
Por um breve momento, o rosto de Silco suavizou. Ele suspirou, passando a mão pelo rosto cansado antes de se abaixar na altura dela.
━━━ Astra... Eu sei que você quer ajudar. Eu sei que quer mostrar que é forte. Mas há coisas que você ainda não entende. Coisas que quero que você nunca precise entender.
━━━ Como o quê? ━━━ ela piscou, confusa com a vulnerabilidade repentina em sua voz.
━━━ Como o custo de uma vida, Astra. O peso de decisões que não podem ser desfeitas. ━━━ Silco hesitou, seus olhos analisando os dela.
A sala ficou em silêncio por um momento, o ar pesado com palavras não ditas. Finalmente, Silco se levantou e voltou para sua cadeira.
━━━ Você vai aprender, Astra. Mas não assim. Não ainda.
Ela queria argumentar, queria provar que estava pronta, mas algo no tom dele a fez parar.
━━━ Vá descansar. ━━━ ele acendeu outro charuto, indicando que a conversa havia acabado. ━━━ E da próxima vez que decidir me desobedecer... ━━━ ele não terminou a frase, mas o aviso estava claro.
Astra assentiu lentamente e saiu da sala, o coração pesado, mas determinado.
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