Discos e quadrinhos

Essa fanfic é um presente especial para uma pessoa especial, que está sempre me acompanhando, Ma Itsmeanac1 espero que goste.
Inclusive leiam a fanfic dela, Desconstruindo o Eden.
Ps. O primeiro capítulo se passa nos EUA, o segundo na Coreia



Se algum dia Jimin soube o que era, já não o sabia mais.

Ele não sabia dizer sua idade, mas sabia que já havia visto inúmeras civilizações surgirem e sucumbirem. Muito menos sabia algo sobre nome, ninguém lhe disse que ele se chamaria Jimin, ele apenas se chamava Jimin, era uma verdade, apenas isso.

Ele não sabia dizer se nasceu de alguém, ou se havia surgido do nada, pois em suas memórias não havia o menor indício de infância.

Ele não possuia família, sequer havia sido cuidado por alguém, então ele também não sabia de onde sabia as coisas, ele apenas... sabia.

Ele falava todas as línguas possíveis, mas ninguém nunca o ensinara. Ele sabia se portar diante de qualquer povo, suas atitudes eram polidas e elegantes, porém ninguém nunca havia ensinado nada daquilo.

Sua casa era enorme, ele também não sabia onde ela ficava, as vezes ele achava que ela ficava em lugar nenhum ou qualquer lugar, além de que ela parecia um labirinto infinito. Ele jamais havia a visto pelo lado de fora, pois por mais que ele andasse os corredores se entrelaçavam, parecia não haver portas ou janelas para o exterior. Mas também, ele não sabia como havia conseguido aquela casa, apenas sabia que morava ali, e sabia que ela era muito luxuosa. Não tinha certeza se era realmente sua, mas agia como se fosse.

A solidão rondava aqueles corredores completamente brancos, Jimin tinha plena certeza que morava sozinho, o que fazia seus dias serem longos e entediantes. Vez ou outra ele recebia a visita de alguém, fosse do rapaz de sorriso de coração que tinha um sol no peito, fosse da garota ruiva que trajava lindos vestidos. Mas sua companhia preferida era a do garoto de sorriso quadrado que tocava violino.

Ele também não sabia de onde aquelas pessoas vinham, ou como se conheceram, mas sabia que elas possuiam asas igual a si.

A única coisa que distraia Jimin, era suas visitas ao que ele sabia ser a Terra. Havia uma única porta naquela enorme casa que parecia ligar ao exterior, e ela realmente ligava, mas não da forma que Jimin esperava, pois em vez de encontrar a parte de fora de sua casa, ao passar ele sempre estava em algum lugar da Terra.

Aparecia onde deveria aparecer, não escolhendo o local, sendo apenas obra do acaso que jamais falhava em suas ações. Fosse saindo em uma gruta, ou de um armário, ele sempre estava no local certo.

De suas visitas aos humanos, afinal ele não se considerava um, acabou por criar sentimentos pelas pessoas que estavam sempre apressadas para algo.

Mas, Jimin nunca estava apressado, ele possuía todo o tempo do universo consigo

O primeiro homem que amou havia sido um filósofo grego, mas ele acabou por morrer, deixando Jimin abalado por séculos, ele tentou e tentou mais a memória do filósofo rondava sua mente. Depois de muita insistência de Taehyung que ele conseguiu sair novamente. Encontrando assim um novo amor, um viking que se encontrava as escondidas consigo, porém, acabou morto pelos próprios amigos após descobrirem.

Inúmeras vezes aquela situação se repetia, Jimin se apaixonava, ficava com a pessoa, então ela morria. Fosse pela idade, fosse por fatores como assassinatos ou acidentes.

Era deprimente, depois de tanto tentar ele havia decidido que não se apaixonaria novamente, nem que precisasse ficar longe dos humanos.

Mas depois de tantos anos com o amigo em um estado de tristeza constante, aqueles três seres já não aguentavam mais vê–lo assim.

Não se sabia o dia exato, ou horas, pois era tudo tão claro, o tempo todo, que a noção de tempo era difícil. Taehyung estava tocando violino, enquanto Jimin havia se jogado entre as almofadas e edredons de seu quarto, com uma expressão apática e olhos vazios, e Hoseok descansava no balanço ao seu lado, bebendo um líquido semelhante a ouro derretido. Assim que Moonbyul chegou e viu aquela cena, ela decidiu que estava na hora de acabar com aquilo de uma vez por todas.

— Os três ai! – Assim que a voz da garota soou, o som do violino cessou, o cálice parou próximo à boca do dono, e os três a olharam – a gente vai sair! Não é um pedido, isso parece um velório.

— Mas é um velório – Jimin cobriu sua cabeça com o edredom branco e fofinho – o velório do meu coração, que está desfalecido, desde que meu capitão se afogou no mar.

— Jimin para com isso – Moonbyul se aproximou e arrancou o edredom de cima do rapaz – a gente vai sair, vamos.

— Não quero.

— Vamos!

Ela puxou o rapaz até ele ficar em frente ao seu armário de roupas, ele não sabia de onde elas vinham mas estavam em constante mudança conforme os humanos mudavam seus gostos, ficando poucas coisas de recordações, ou por serem atemporais o suficiente.

Ele pegou uma calça com suspensórios, que deixou fora dos ombros, caídos ao lado de sua cintura, e uma camisa qualquer, completando com uma jaqueta jeans cheia de bordados. Quando saiu do closet, seus amigos já estavam vestidos adequadamente.

Taehyung sorriu ao ver Jimin e pegou sua mão, quase o arrastando até a porta dourada que levava para o mundo dos humanos. Assim que abriram, acabaram saindo nos fundos de uma danceteria, tendo suas asas desaparecendo como sempre.

Enquanto passavam pelos jovens que dançavam animados, Jimin notou que o século XX estava sendo bem melhor do que os outros, jamais seria possível ver rapazes e moças dançando tão próximos, ou saias para cima do tornozelo, ou até mesmo tanta luz elétrica, que sempre o espantava.

Hoseok foi o primeiro a encontrar um par para dança, uma jovem de laço no pescoço e vestido de bolinhas, deixando os amigos para trás.

A festa durou um bom tempo, mesmo que Jimin tivesse dançado com algumas garotas, nenhuma havia chamado sua atenção fazendo um mísero sinal de vida brotar em seu peito.

Mas precisava admitir, havia se divertido demais, não deixando de agradecer para Moonbyul.

A curiosidade bateu em Jimin naquela semana, ele precisava dar mais umas voltas para aproveitar as novidades dos humanos, tanto tempo em isolamento havia o deixado desatualizado.

Ele viu um filme no cinema, ficando surpreso com a forma como eles conseguiram prender aquelas imagens, e foi até uma lanchonete, ficando em choque com a delícia que aqueles lanches gordurosos conseguiam ser.

Aos poucos sua rotina em meio aos humanos estava de volta, mas faltava algo para que tudo estivesse em perfeita sintonia.

Foi em um dia, enquanto olhava os discos na loja, que seus olhos encontraram o ser mais lindo que poderia existir.

O garoto de fios claros possuia um porte até que robusto, podendo intimidar alguém, mas sua forma atenciosa contrastava com aquilo.

Quando ele foi devolver o troco de um cliente, Jimin viu as suas covinhas conforme sorria, fazendo milhares de estrelinhas explodirem em seu peito.

Aquilo era a coisa mais adorável possível.

Ele estava apaixonado.

Era assim com Jimin, sempre suas paixões surgiam a primeira vista.

Porém ele nunca errava em suas escolhas.

Mesmo sem ter um toca discos, Jimin começou a frequentar diariamente aquela loja, até que conseguiu descobrir o nome do loirinho de covinhas que agora tomava conta de seus sonhos: Kim Namjoon.

Sua paixão silenciosa seguiu por mais um bom tempo, até que um dia notou algo nas mãos do garoto, a revista em quadrinhos prendia completamente a atenção de Namjoon, ah como Jimin tinha inveja daquele pedaço de papel.

Mentalmente, Jimin gravou o nome, e assim que comprou um disco qualquer, ele correu para a banca comprar todas as revistas possíveis.

Quando Taehyung chegou na casa de Jimin, e encontrou o baixinho cercado de revistas enquanto lia duas ao mesmo tempo, ele tinha certeza que seu amigo havia surtado.

— Jimin... me de uma boa explicação.

— O Namjoon gosta da Marvel.

As simplicidade com a forma que Jimin disse aquilo, até fazia parecer que era algo óbvio. Taehyung sentou ao lado dele, e pegou uma das revistas do chão.

— Quem é Namjoon?

— O garoto da loja de discos.

— Então esse é o motivo daquele monte de quinquilharia empilhadas no outro quarto?

— Não são quinquilharias, são a única forma de eu me manter próximo do meu amado.

Sabendo que nada sairia dali, o rapaz deu de ombros começando a ler também.

Não havia uma edição dos quadrinhos que Jimin perdesse, assim que lançava, ele corria comprar e em poucos minutos já havia lido. Porém, nunca chegava a oportunidade correta para engatar uma conversa com Namjoon.

Foi após o lançamento da morte do Capitão Marvel que Jimin a encontrou. Ele havia chegado olhar os discos, que ele sabia já ter todos daquela loja já, quando viu Namjoon abatido terminando aquela revista.

Por mais que fosse triste, Jimin sorriu internamente.

Quando ele foi pagar, Namjoon havia acabado de terminar a leitura e estava olhando para a capa. O mais baixo tossiu, chamando sua atenção, e apontou para a revista.

— Ele não estava nos melhores momentos, mas não esperava que ele morresse assim.

O vendedor ergueu uma sobrancelha, ele jamais imaginaria que aquele cara que vivia indo em sua loja gostava de quadrinhos.

— É, foi bem... emocionante. Os Vingadores sofreram demais.

— Não só eles, eu quase chorei lendo isso.

— É, tenho que concordar que também fiquei triste. – Namjoon sorriu fraco, mas já mostrando as covinhas – não sabia que era fã, achei que só colecionasse discos.

— Eu tenho uma coleção enorme de revistas da Marvel, de X-men a Vingadores é só dizer o número que eu tenho.

— Uau, que sonho – o rapaz se apoiou no balcão fazendo Jimin sorrir – eu tenho algumas, e alguns discos, mas muito longe da sua coleção. Mas te digo, nada supera minha coleção de selos.

— Coleciona selos é? Eu amo selos, mas não chego a colecionar.

— Pois deveria, é bem legal, se quiser posso te ajudar a começar, sei onde encontrar uns selos raros que não se acha fácil.

— Eu adoraria.

— Sábado eu estou de folga, posso te levar até lá.

— Combinado então.

Quando chegou em casa, Jimin começou a gritar e pular de alegria, ele iria sair com o carinha da loja de discos, claro que não romanticamente, mas iria.

Hoseok o encontrou naquela empolgação, ele sorriu feliz ao ver que finalmente o luto havia saido do seu amigo, dando espaço para um novo  amor, e foi graças a isso que o ajudou a se arrumar o melhor possível para passear com o humano.

O local de encontro foi a loja de discos, quando Jimin se aproximou, Namjoon já estava em frente à vitrine de mãos no bolso, gel no cabelo, e um sorriso enorme.

— Oi Namjoon! – O mais baixo quase correu para chegar perto dele, porém se conteu tentando não o assustador. – Como vai?

— Ótimo, e você? Aliás trouxe o passe pro bondinho? Iremos precisar.

Jimin pôs a mão no bolso, e rapidamente o passe surgiu, fazendo ele erguer mostrando para o rapaz.

— Nunca largo ele.

— Então vamos.

Os dois seguiram até a zona sul da cidade, parando em frente à uma mercearia, Namjoon estava animado ao mostrar o local, então seguindo direto para os fundos, onde um garoto pouco mais velho estava no balcão.

— Jin!

O rapaz quase derrubou os óculos e sua xícara quando ouviu seu nome ser gritado, mas assim que viu quem era sua feição mudou para animação.

— Oi primo!

  Namjoon se apoiou no balcão, se aproximando de Jin, dando uma olhada para os dois lados antes de susurrar.

— Me vê o de sempre.

— Pode deixar.

O mais velho sussurrou cúmplice, e trouxe uma caixinha colorida. Assim que ele abriu, Jimin quase gritou, ali dentro havia inúmeros tipos de selos, todos separados em pequenos espaços dentro da caixa.

— Aliás, ja ia me esquecendo, esse é o Jimin, vou ensinar pra ele algumas coisas sobre selos.

— Oi Jimin – o vendedor estendeu a mão sorrindo – sou primo desse esquisito.

— Ei! Eu não sou esquisito!

— Oi Jin – Jimin apertou sua mão, ignorando a indignação de Namjoon. – Como você consegue tantos selos assim?

— Meu pai viaja bastante, pra comprar coisas e fazer novas negociações, ai em todo lugar ele compra uma porção de selos.

Depois de horas com Namjoon explicando sobre cada um daqueles pedacinhos de papel, ele saiu de lá com Jimin, o levando para almoçar.

Depois desse dia, Namjoon, Jin e Jimin acabaram por se tornar grandes amigos. Eles saiam juntos para tomar milk shake enquanto flertavam com atendentes, fazendo Jimin se encher de ciúmes.

Iam no cinema assistir os filmes em cartazes, que Jimin fazia questão de sempre preferir pelos de terror, pois Namjoon costumava se assustar fácil e agarrar em seu braço, porém Jin também se assustava fácil, o que resultava no baixinho com os dois braços agarrados pelos humanos.

Quando Jin conseguiu comprar seu próprio carro, eles comemoraram como nunca, afinal puderam largar os bondinhos e sair com maior facilidade.

Um sábado à tarde, enquanto comiam batata frita em uma lanchonete qualquer, e Jin estava quase conseguindo o número da garçonete, que Namjoon deu uma ideia que fez o coração de Jimin dar cambalhotas.

— Meus pais viajaram esse fim de semana, deixando a casa só pra mim, então a gente pode alugar uma fita e vocês dormirem lá.

— Eu amei a ideia Namjoon – Jimin sentia todo seu peito se acender por finalmente conhecer a casa do rapaz – ela é ótima, não é Jin?

Mas o mais velho nem respondeu, ele estava entretido demais conversando com a garota, que já havia até mesmo puxado uma cadeira ao seu lado.

Depois de lá, os três seguiram para a locadora, enquanto caminhavam pelas prateleiras eles discutiam qual filme iriam alugar, com Jimin ganhando ao pegar um dos filmes da franquia Halloween, de tanto assistirem Mychael Myers havia se tornado o "vilão" favorito dos garotos.

Eles foram dormir tarde da noite, gastando o tempo com o filme e conversas sobre quadrinhos. Acabando por jantaram uma macarronada que Jin cozinhou, pois se dependesse de Namjoon teria apenas sopa enlatada ou teriam que jantar fora.

Dois colchões foram jogados no chão do quarto do rapaz, no meio da noite ele acabou rolando da cama e caindo quase em cima de Jimin, porém o rapaz ao notar sorriu e aproveitou para poder admirar o humano de perto.

Depois daquele dia, virou uma tradição eles fazerem uma noite de filmes a cada quinzena, normalmente sendo na casa de Jin, já que seu pai viajava mais vezes.

Mas apenas Namjoon possuia o aparelho de fitas, então depois de algum tempo, os dois apresentaram Jimin para a família Kim, acabando por receberem carta branca para o levarem assistir filmes e dormir na casa do mais novo.

Em um dia que estavam sozinhos, havia chovido, então uma goteira apareceu no quarto de Namjoon, o obrigando a transferir os colchões para a sala. Jimin se prontificou em tirar os colchões das camas, enquanto Namjoon foi procurar lençóis, e Jin ficou encarregado do jantar.

Os colchões do quarto de visitas já estavam na sala, mas assim que Jimin retirou o da cama de Namjoon, um grito ficou preso em sua garganta. Havia algumas revistas de conteúdo adulto escondidas ali, um misto de sentimentos invadiu seu ser.

Ciúmes, confusão, choque, e o pior de tudo: saber que Namjoon era menos inocente do que havia imaginado.

Notando a demora do amigo, Namjoon foi ver se ele precisava de ajuda, o encontrando parado enquanto folheava uma das revistas.

O rosto de Namjoon empalideceu, e ele quase pulou para arrancar a revista daquelas mãos gordinhas.

— Jimin – ele entrou com cuidado no quarto, fechando a porta – me entrega isso.

— Calma, não tem nada de mais, você só é jovem, solteiro, com certas... vontades, não é? – Jimin o olhou com a respiração descompassada, por ter sido pego bisbilhotando.

— Olha, você não viu nada aqui ok? Agora coloca essa revista onde pegou.

— Eu não vou contar pro Jin, nem pros seus pais, relaxa.

Quando Jimin foi por a revista no lugar, acabou derrubando e fazendo algumas folhas caírem, para sua surpresa não eram garotas que estavam naquelas fotos soltas.

Ele não teve muito tempo para olhar, pois Namjoon correu juntar aquilo e guardar rápido, mas pelo que pode notar pareciam fotos amadoras.

Eles ficaram se encarando em um silêncio constrangedor, Jimin então preferiu se fazer de desentendido e brincar se Namjoon estava com ciúmes das garotas que não queria que ele visse as fotos, fazendo o humano suspirar aliviado acreditando que o amigo não havia visto o que caiu.

Mas ele havia.

Como havia.

E graças a isso, Jimin acabou gritando e dando pulinhos ao chegar em casa, assustando Taehyung que o esperava. Foi preciso um bom tempo para explicar, mas mesmo assim o rapaz não entendia o que havia feito o loirinho se animar tanto.

— Tae, pensa um pouco, ele também se sente excitado com rapazes...

E foi ai que ele entendeu toda animação, afinal já havia passado longos dias ouvindo o chororô de Jimin por ele não saber se Namjoon gostava de garotos ou não, pois até hoje havia sido o cara mais difícil de se aproximar e conseguir informações.

Nunca que alguém havia demorado tanto tempo para cair nos encantos de Jimin.

Aos poucos, Jimin começou a dar leves sinais e investidas em Namjoon. Ele elogiava o sorriso do garoto e fazia comentários de duplo sentido sobre seus músculos. As vezes o chamava para ir sozinho ao cinema, ou ao fliperama, e passavam horas juntos se divertindo.

No aniversário de Namjoon, um parque novo se instalou na cidade, então o trio de amigos resolveu passar a noite de sexta feira lá, para usar a noite de sábado para uma festa na casa do humano.

Jimin sentiu seu coração quase sair do peito quando dividiu a cabine da roda gigante com o humano, ele segurou em seu braço mentindo estar com medo da altura, e pode aproveitar o momento sentindo o cheiro tão bom que vinha de Namjoon.

Quando a roda parou com eles la em cima, Jimin sorriu para o amigo agarrando mais firme nele.

— A vista é linda, mas é tão alto...

— É alto mesmo, mas não precisa olhar lá pra baixo, se você pode olhar pra mim.

O coração de Jimin chegou a errar a batida ao ouvir aquilo, quando subiu seus olhos Namjoon sorria para si. Ele queria poder parar o mundo naquele momento para não perder nada.

Na noite seguinte veio a festa, e Jimin quase caiu ao ver que Namjoon havia pintado seu cabelo, e agora exibia os fios escuros.

O presente para o rapaz havia sido um walkman, ele sabia como ele desejava aquela coisinha esquisita. E o sorriso sincero qur recebeu fez Jimin notar que havia escolhido certo.

A festa estava animada, os amigos dos humanos estavam dançando agitados enquanto aquelas luzes coloridas iluminavam o cômodo.

Pela primeira vez Jimin viu Namjoon beber.

Ah e ele desejava que ele bebesse mais vezes, pois estava tão próximo de si, o puxando para abraços e dançando consigo.

Quando acabou a festa, Jimin ficou dormindo ali, ele arrumou um colchão na sala e estava terminando de varrer a sujeira que fizeram, quando Namjoon apareceu sorrindo e o segurou pela cintura, o tirando do chão enquanto os girava.

— Obrigado Jimin, de verdade, seu presente foi o melhor.

Segurando os braços do mais baixo, o humano o puxou e deixou um selar em seus lábios, antes de sair dali como se nada tivesse acontecido.

Jimin ficou estático enquanto sorria, ele queria gritar e pular, e falar para Namjoon como ele quem havia ganho o melhor presente de todos.

Pela manhã, os pais de Namjoon haviam saído, então estava apenas os dois garotos em casa.

Depois do café, eles foram assistir um filme. Jimin tentou abraçar o humano, mas foi afastado, parecia que a sobriedade havia feito ele parar de ser carinhoso.

Eles seguiram o filme, e em certo momento Jimin tentou se aproximar novamente, mas Namjoon o afastou de novo.

— Jimin isso nem é um filme de terror, pra que esse grude?

— Mas... – ele queria gritar "você quem me beijou ontem", mas ficou apenas encarando atônito.

— Credo, que bicho te mordeu?

— Eu quem pergunto, ontem tava todo carinhoso comigo e hoje ta assim.

— Eu estou normal.

— Caramba Namjoon, eu só queria sei lá um abraço, carinho, um beijo, custa muito isso? – O loirinho cruzou os braços, recebendo um olhar indignado em troca.

— Jimin eu não sou gay! Sai! – Namjoon se levantou e foi até a porta da frente a abrindo – sai agora!

— É o que? – Jimin se levantou e pôs as mãos na cintura – eu não acredito nisso.

— Quem não acredita sou eu, somos melhores amigos, jamais achei que você fosse me falar e propor uma besteira dessas, agora sai!

Com um bico nos lábios, Jimin pegou sua jaqueta que estava sobre a poltrona e foi pisando com raiva para sair da casa.

— Nem parece que tem foto de homem pelado no quarto e me beijou ontem!

— O que você disse? – Enquanto Jimin cruzava a porta, Namjoon o segurou pelo braço fazendo ele se virar – repete.

— Eu disse que nem parece que tem foto de homem pelado no quarto e que me beijou ontem.

— Calma – os olhos do humano se arregalaram e seu aperto vacilou – repete a última parte.

— Você me beijou ontem.

Namjoon quase caiu desmaiado naquele momento, ele queria gritar e se bater por ter feito aquilo, jurava que havia sido apenas mais um sonho com o baixinho, mas pelo visto havia sido verdade.

— Entra.

— O que? – Jimin conseguiu se soltar e olhou confuso para o amigo.

— Entra!

— Você acabou de me expulsar Kim Namjoon! – Sem olhar para trás, ele saiu da casa e foi para calçada.

— Eu disse pra entrar! – Namjoon o puxou pelo braço novamente, fazendo ele se bater em seu peito.

— Que saco Namjoon! Você acaba de me expulsar seu maluco!

— Você vai voltar e a gente vai conversar!

— Eu não tenho nada pra conversar com alguém que me beija depois me manda embora da casa! Seu babaca!

— A gente vai conversar sim – ele se abaixou e pegou o amigo pela cintura, o jogando sobre seu ombro – não vai por bem, vai por mal.

— Namjoon me solta!

Nenhum dos dois sequer notou as pessoas paradas ao redor vendo aquela cena, o vizinho de Namjoon até mesmo havia encharcado seus pés por estar regando as plantas sem olhar.

Quando entrou na casa novamente, Namjoon trancou a porta e jogou Jimin sentado no sofá.

— Agora você vai me explicar essa história de beijo.

— Caramba Namjoon, que saco, você me deu um selinho antes de dormir, foi isso.

— E por que não me afastou?

— Porque eu queria isso! Mas parece que quem não queria é você.

Era nítida a surpresa no olhar de Namjoon, ele olhava para o amigo enquanto balançava a cabeça e mordia a bochecha, parecia que havia tido uma ideia.

— Jimin – ele foi se aproximando do sofá com cuidado, como se o rapaz fosse um animal arisco que ele não queria que fugisse – você não me afastaria caso eu fizesse isso então?

Antes que pudesse questionar, Jimin teve seu queixo segurado com cuidado e seus lábios beijados. Não era um selinho rápido como ontem, mas ainda era um beijo calmo, Namjoon não queria assustar o amigo.

Quando se separaram, o humano sentou no sofá e ficou fazendo carinho no rosto de Jimin, enquanto olhava em seus olhos.

— Então Jimin...

— Não me afastaria, mas prefiro isso aqui.

Namjoon se assustou quando Jimin o puxou pelos ombros, abraçando seu pescoço, e lhe beijou com afobação. Não combinava em nada com o rosto angelical do rapaz. Quando sua língua adentrou a boca do humano, ele deu um pulo no sofá surpreso, mas não deixou que se afastassem, pois puxou o loirinho pela cintura para mais perto.

Quando esse beijo acabou, eles se encararam ofegantes e riram, colando as testas enquanto trocavam selinhos.

— Meus pais vão me matar – Namjoon puxou Jimin para um novo beijo antes de o olhar nos olhos – eles real vão ficar muito bravos.

— Eles não precisam saber.

E foi assim que um segredo entre os dois nasceu. Quando o baixinho dormia na casa de Namjoon, ele escapava após os pais dele dormirem, apenas para trocarem beijinhos e ficarem abraçados até o sono bater, e ele voltar para o colchão da sala.

Foi quando o aniversário de Namjoon se aproximou, que Jimin prometeu lhe dar um presente surpresa que iria lhe fazer pirar. O humano ficou dias ansioso para aquilo, então quando ele o levou para o cinema seu coração estava quase saindo do peito.

Jimin sorriu travesso antes de levar Namjoon para o banheiro, ele fechou a porta e lhe deu um selinho antes de segurar suas mãos.

— Olha Namjoon, não grita ok?

— Como assim?

O loirinho abriu a porta do banheiro novamente e o puxou, fazendo um clarão lhe cegar. Quando conseguir enxergar novamente, sua boca abriu ao ver as asas de Jimin, e o lugar completamente estranho que estavam.

Namjoon olhou ao redor, vendo aquela casa luxuosa e completamente branca, o choque era enorme, até se questionava se havia sido drogado.

— Bem vindo à minha casa.

Foi preciso um bom tempo para que Jimin conseguisse explicar um pouco sobre tudo aquilo para Namjoon, mas logo estavam entre as almofadas fofinhas de seu quarto, com seu humano sobre seu peito sendo abraçado por suas asas enquanto se beijavam.

Depois desse dia, as visitas de Namjoon para a casa de Jimin se tornaram frequentes, ele conheceu Taehyung, Moonbyul e Hoseok, e achava aquilo tudo tão surreal, mas tão maravilhoso.

Parecia um sonho, para os dois.

Anos se passaram daquela forma, e mesmo que os pais de Namjoon o pressionassem para que ele arranjasse uma esposa, ele sempre dava alguma desculpa e fazia eles abandonarem o assunto.

Pois ele não queria uma esposa, queria apenas Jimin.

Em uma manhã qualquer, Jimin acordou com uma ansiedade alta, ele sentia seu peito doer e o ar lhe faltar. Preocupado, ele foi até Namjoon para ver se estava tudo bem.

Mas quando chegou próximo a casa do humano, notou que não estava nada bem.

Havia várias pessoas pela rua, e o caminhão dos bombeiros estava lá.

Foi difícil passar pela multidão, mas se arrependeu ao conseguir.

A casa estava destruída, a parte da cozinha havia desabado e escombros estavam jogados por toda parte.

Ao encontrar Jin falando com um policial, Jimin correu até ele. O humano o olhou triste e contou que o gás de cozinha havia vazado, ocasionando uma explosão quando sua tia foi acender o fogo.

— Mas cadê o Namjoon?

Jin apontou para os oficiais que retiravam partes dos escombros. Jimin então saiu correndo, ele pulou a linha da polícia que havia sido posta, e se pôs a retirar os pedaços de cimento e tijolos caídos.

— Ei garoto! – Um policial tentou o tirar dali – para de atrapalhar e deixa a gente trabalhar. – Mas assim que o rapaz jogou  um pedaço grande da parede como se não pesasse nada, os oficiais pararam e deixaram ele agir, apenas para ver o que aconteceria.

As mãos dele sangravam, mas Jimin não ligava, apenas cavocava desesperado entre os pedaços da casa. Com muito esforço ele conseguiu encontrar o amado.

O rosto de Namjoon estava cheio de sangue, e um dos bombeiros chegou a vomitar ao ver o resto de seu corpo, mas Jimin não ligou, ele o abraçou e começou a chorar em agonia.

Ele sentia todo seu corpo doer, seus joelhos estavam sobre uma ponta de tijolo que cortava sua pele, mas a dor maior estava na perda.

Foi preciso várias pessoas para conseguirem o tirar dali e deixar que levassem o corpo de Namjoon, ele não queria largar o cadáver da pessoa que tanto amou.

Mesmo depois de anos, mesmo com tantas mortes, ele não conseguia aceitar perder alguém especial. Ele sentia parte de si morrendo junto com eles.

Quando voltou para casa, seus amigos não sabiam o que fazer, com muito custo conveceram ao menos a ir até o mundo dos humanos de vez em quando, para Jin não se sentir preocupado com seu sumiço.

Não durou muito, já que ele inventou uma história sobre se mudar e deixou de sair de casa.

Voltando ao seu estado de luto e inércia.

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