entrega de flores
Entro sorridente na floricultura mais linda de São Francisco. Como sempre, meus pais estão felizes conversando com um cliente, que também parece estar contente.
Encosto meu ombro no balcão de madeira e fico observando-os durante alguns segundos.
Tenho certeza. Eles são perfeitos um para o outro desde sempre. Não é questão de parecerem bonitos quando são visualizados de longe, é apenas percepção.
O porquê é muito visível na verdade. É só notar que sempre estão felizes, fazem bem um para o outro, ele cuida dela e vice-versa. Assim é a nossa vida. Um sempre pensando na felicidade do outro e nunca mudará. Amo eles do jeitinho que são, mas sei que eu jamais conseguirei chegar ao nível de amor que há entre eles. É muito maior do que qualquer coisa que eu já tenha visto.
Mas não nego, gostaria de sentir, com a mesma intensidade.
Quando o cliente foi embora, sorrio para os dois.
- Filha! Que bom que você chegou! - Minha mãe sorri, encostando sua cabeça no ombro do meu pai.
- Sim, você me chamou, aqui estou. O que foi? - Peço, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
- Preciso que você leve uma encomenda até a...como é o nome, Jewel? - Olha para o marido em busca da resposta, batendo suavemente a ponta de uma caneta no balcão.
- Não sei, mas é o Conservatório. Aquele, de música. Sabe? - Pergunta, voltando o olhar para o meu.
- É, pai. Todo o conservatório é de música. - Solto uma breve risada - Eu posso passar lá, rapidamente. - Digo, sorrindo - O que preciso levar?
Sento-me em um dos banquinhos que estavam a minha disposição, direcionando meu olhar aos movimentos da minha mãe.
- Uma pequena caixa de flores. - Responde, sorrindo com delicadeza - Você pode ir de bicicleta, se preferir. Acho que consegue tranquilamente levar esta encomenda sem quebrar nem uma das flores. - Diz, me alcançando a pequena caixa com apenas duas florezinhas.
- Ok, vou de bicicleta. - Salto rapidamente do banquinho e pego as flores. - Já volto! - Aviso com empolgação, afinal, amo andar de bicicleta.
Saio sorridente da floricultura mais linda da cidade, novamente, cujos donos são meus pais. A "Prims Flowers" é o local onde eu nasci. Literalmente, não conseguiram chegar a tempo no hospital e meu parto ocorreu na floricultura. Em nomeação a este lindo e inesperado acontecimento, meu nome que deveria ser apenas Alice, se tornou Alice Rose Spring. Isto, na verdade, é bem irônico pois eu sempre preferi Girassóis. Alice Sunflower Spring seria um pouco estranho, mas Rose já é lindo.
Pego minha bicicleta - que já estava na frente do estabelecimento - e coloco na enorme cesta a caixinha de flores - ela é estilo anos noventa, acho incrível -. Subo em cima da bike e vou em direção ao tal Conservatório, parando na metade do caminho para pegar um girassol é coloca-lo atrás da minha orelha.
Finalmente parando na frente do local, estaciono a bicicleta em um dos suportes e entro no lugar.
Já dentro, começo a analisar o lugar. Ele é todo branco, mas tem uma mistura de diversas cores, através de quadros decorativos. Pianos são espalhados por todo o canto, além de alguns violinos e violões. Realmente, tudo.
Nunca vi algo parecido. É um ambiente tão diferente. Tudo tão...bom? É que aqui parece que tudo está em paz, sem preocupações, com músicas saindo de todos os lados. Talvez aqui a felicidade não esteja escassa.
O mais irônico é que não encontro nenhum estudante para me ajudar. Devem estar em aula, é o mais lógico.
Caminho pelo o que parecem ser horas. Não acredito que até agora não encontrei ninguém que possa me encaminhar para a secretaria. Nem uma placa, pessoa ou qualquer adulto para me prestar assistência.
Subo as escadas e adentro em um corredor que parece ser infinito, mas paro quando escuto as notas de um piano ecoarem no ambiente. Parece um ímã, algo que não para de me puxar e eu não consigo resolver este conflito. Preciso escutar, ver quem está tocando esta bela arte.
Mas quando eu vejo a porta pela qual sai a música, paro. Não posso entrar, posso? Curiosidade mata...
Então estarei morta.
Abro a porta e percebo que além de um pianista não havia mais ninguém ali. Aqui há um palco de madeira com um piano de cauda Steinway e Sons, fora isso, várias cadeiras estão em fila, vazias. Sento-me na da primeira fileira após fechar cautelosamente a porta.
Não consigo me conter, isto é mais do que música, deveria ser uma das sete maravilhas, não é possível.
Ele toca com emoção, uma emoção que nunca tinha visto antes, em nenhum lugar, é esplendido, sensacional, icônico. Se movimenta com as notas musicais, dançando com a melodia e expressando exatamente o que sente. É lindo.
A música dele é como um imã, me atraindo.
Quando as últimas notas musicais são tocadas, aplaudo. É, eu preciso fazer barulho para esse cara perceber que ele é a pessoa mais talentosa do mundo - não que eu já tenha escutado música erudita, prefiro pop/rock, mas minha opinião se muda aqui.
- Quem é você? - O garoto se virá rapidamente do piano para mim, me visualizando com uma expressão irritada e até mesmo assustada.
- Prazer! - Digo, tentando encontrar as palavras corretas - Sou Alice Rose Spring Patterson Bullet. Amei está música, você foi...sensacional. Nunca tinha escutado nada parecido antes. Parabéns. - Digo com toda a sinceridade que encontrei.
- Obrigada, já escutei isto antes. - Diz, arrogante. Me visualiza de uma forma muito persuasiva, o que faz com que me sinta constrangida. - Rose para uma garota com girassol na orelha, irônico. - Comenta, dando de ombros, e apontando para a saída, termina a fala. - Aliás, a porta está ali. É proibida a entrada de pessoas fora da escola para assistirem as aulas.
- Desculpa. - Noto que não sou bem-vida ali, então, justifico meu erro. - É que escutei o som da música e não consegui parar. Eu estou indo embora.
Levanto e pego a caixa de flores, mas não obtive sucesso em parar de olhar para ele. Os olhos azuis e a pele cheia de sardinhas são penetrantes, e não digo de forma boa. É tão rude, silencioso e misterioso que precisaria mais de dez chaves para tentar abrir o que há escondido no interior deste menino. A alma que ele colocou na canção está totalmente obscura na minha frente. Temos um músico que só sente com música.
Ok, lido com isso.
- Então vai. - Ordena, após me ver parada em frente a ele sem ter nem um movimento.
- Ah, desculpa, hm, mais uma vez. - Solto uma risada, tentando descontrair aquele gelo instaurado entre nós. - Só...qual o nome da música?
- Não interessa. Vaza. - Diz, de forma óbvia, apontando mais uma vez para a porta e se virando para o piano em seguida.
Credo.
Saio mais rápido do que entrei e com as flores em mãos, vou novamente a procura da secretaria, até que finalmente avisto uma plaquinha indicando o local.
Engraçado, agora encontrei a tal indicação.
Desço as escadas praticamente voando e dobro dois corredores para finalmente encontrar o que estava procurando.
Entro na pequena sala e vejo apenas duas garotas. Uma delas não tinha uma expressão muito agradável, mas a outra parecia bem.
Apertei uma campainha e logo logo uma mulher que aparentava ser simpática apareceu.
- O que deseja? - Pergunta, colocando os fios loiros atrás da orelha.
- Oi! Sou Alice da " Prims Flowers". Trouxe uma encomenda da loja para vocês... - Diminuo o tom da minha voz a medida que termino a frase, acho que posso estar um pouco constrangida por conta do último ocorrido.
- Ah, sim! Que serviço rápido! Vou trazer o pagamento, já volto. - Ela diz.
Após sair, volto meu olhar para as duas sentadas me observando.
Pergunta. Pergunta. Pergunta.
- Vocês conhecem um garoto mais ou menos loiro, com sardinhas e uma arrogância de outro mundo por aqui? - Pergunto rapidamente com a maior cara-de-pau para as duas, é óbvio que elas não vão saber de quem se trata...mas não custa tentar.
As duas se entreolham e voltam o olhar para mim. Confesso, isso me deixou um pouco intrigada.
- Ela só pode estar falando do Russel. - Diz a morena.
- Russel? - Peço.
- Nicholas Russel. O garoto mais talentoso da escola. Ele é exatamente assim como você descreveu, quieto, mas quando fala só consegue ser idiota. Ele entrou este ano no conservatório, os pais não são ricos, então ele estuda por bolsas. O menino é um gênio, mas fechado para caramba.
- Percebi. Obrigada. - Sorrio sem jeito.
Após cinco minutos, a mulher volta com o dinheiro e me despeço dela e das garotas, saindo rapidamente do Conservatório.
Chego em minha bicicleta e volto para a floricultura. Sem saber o nome da música, mas sabendo o nome dele.
Aliás, vou procurar no Instagram para ver se é realmente dele que elas estavam falando.
E aí, gostaram da surpresa? Confesso que essa história ainda vai abalar muito o meu mundinho! Ela é tão bonita e sincera, espero que gostem, de verdade!
Escolhi essa música pois é uma das que mais gosto de tocar no piano, acho ela incrível. Procurem outras do Richard, não se arrependerão!
Creio que amarão o enredo que eu criei há alguns meses, resolvi postar só agora por conta de You Look Pretty, aliás, se não leu, espero que leia ( posto todos os sábados e quartas).
Girassóis de Rose será postado apenas aos sábados. Espero que gostem, amo vocês.
Não esqueçam de votar e comentar :)
XOXO, Ana Louise.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top