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"Às vezes, o mais desconhecido não é o mundo ao nosso redor, mas sim o reflexo que nos olha no espelho."
~????
AUTORA
Markov observou por um tempo sua filha suspirando e apontando para o alvo novamente. Sem que percebesse uma lágrima ameaçou cair de seus olhos.
Ele se odiava.
Por culpa dele, que uma criança está segurando uma arma. Ou melhor, por sua culpa, sua filha está segurando uma arma. O que não melhora a situação.
- Ei, você aí- Markov chama atenção de um soldado que estava na porta- Pode se retirar.
- Sim Senhor!- O rapaz responde sem questionar nada. Afinal, Markov era o braço direito de Dreykov. Ninguém discorda de uma ordem vindo dele. Naquele lugar, Markov Lestrange só estava abaixo de Dreykov.
Um tiro.
Quase acerto.
- Margot, venha aqui- A menina olha para seu pai e sem pensar duas vezes, coloca a arma sobre a mesa e vai correndo até seu pai, que se agachou no chão- Está cansada? Muito?
- Sim... Desculpa, foi tudo culpa minha- A pequena garota fala baixinho.
- Ei- Ele ergue a cabeça dela- Nada disso é culpa sua. Você talvez não entenda agora, mas eu sou o malvado da história. Quando você crescer, se me odiar, eu irei entender.
- Eu jamais vou te odiar- Margot abre um grande sorriso- Você é a minha pessoa mais especial. Você tá chorando...?
- Não- Ele limpa rapidamente algumas lágrimas- Você também é especial para mim, mais do que você imagina.
- Papai, a gente ainda vai ir naquilo que você me contou... Como que era o nome... - A garota coloca a mão no queixo, como se isso fosse ajudar a pensar melhor- Parquinho!
- Claro que vamos. Eu vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para que você possa viver tudo que alguém da sua idade possa viver. Talvez demore um pouco, mas vai acontecer- Markov da um leve sorriso- Eu tenho um presente para você.
- Um presente?
- Sim- Ele coloca a mão no bolso e retira um relógio de bolso- Isso aqui está na minha... Na nossa família a alguns anos, e agora, é a sua vez de protegê-lo.
- É muito bonito- Ela pega o relógio e olha com cuidado- Mas por que está me dando isso?
- Seu aniversário está chegando e eu temo que não estarei aqui no dia.
- Por quê?
- Porque quero ter uma vida tranquila com você, mas para isso, preciso ver todas as saídas possíveis para que tudo dê certo- O homem força um sorriso ao ver o rostinho triste dela- Não fique triste, preciso que seja forte até eu voltar. Esse relógio é para cada vez que sentir minha falta ou se sentir meio desconfortável com o Dreykov. Ele é meio malvado, mas nunca fará nada com você.
- E você?
- Eu o quê?
- Quando se sentir sozinho e desconfortável, o que vai usar?
O homem fica quieto por um tempo, sem saber o que fazer. Até que ele tem uma ideia. Ele se levanta e vai até sua mochila, tirando de lá uma caixinha retangular.
- Sabe o que é isso?- A menina nega sutilmente, demostrando curiosidade sobre a caixinha- É uma caneta tinteiro. É antigo, mas é uma das heranças de nossa família.
Abrindo a pequena caixa, é revelado duas canetas pretas com a ponta dourada. Nelas, estava gravado M.L.
- Uma delas vai ficar com você e uma comigo. Sempre que sentir saudade, eu olharei para ela, e pensarei em você- Ele retira uma caneta e estende a pequena- Esse "M" pode ser de Margot para mim, já para você, pode ser de Markov.
- Você vai confiar esses dois objetos de família em mim?
- A família Lestrange sempre foi disfuncional, e eu confio o bastante para guardar essas coisas. A partir de hoje, estamos ligados com isso, posso estar longe, mas esses objetos, são as provas de que queria levar você comigo- Ele diz olhando nos olhos na pequena- Quando eu voltar para te buscar, vamos dar um outro significado a nossa família. Ela é fadada ao fracasso e morte, mas, nós podemos mudar isso.
- Você confia em mim? Para tudo isso?
-De olhos fechados.
- Eu prometo guarda-los como se fosse minha vida.
- Eu sei. Você é uma Lestrange.
A pequena Lestrange olha seu pai, sem dizer nada por um instante. Mas sua curiosidade é maior.
- Você vai procurar e entender o que aconteceu meu meu tio?
Markov olha um pouco surpreso para ela. Ele não havia mencionado sobre o que iria fazer, achou que ela nem se lembraria que um dia teve um tio, já que o mesmo morreu quando a garota era muito nova. Tudo que ela sabia sobre ele, era as história que seu pai lhe contara.
Aparentemente, a garota prestava bastante atenção, até no que não devia. Ele tinha conversado com um amigo, mas no dia da conversa, a menina estava dormindo. Ou pelo menos, era para estar.
- Sim. Ele encontrou uma brexa, e eu quero encontrar, mas não pretendo falhar como ele. Depois, irei voltar para te buscar, aí, você não vai precisar segurar uma arma.
- Mesmo? Sem treinamentos de dia, tarde e noite?
- Sem acordar cedo também. Vou te colocar em uma escola, e em forma que o tempo passar, quero ouvir reclama-lá da escola- Ele fala de forma animada- Quero ter que dar um fim no seu primeiro namorado. O segundo também. Onde já se viu, tentar roubar a minha menininha?
- Eu nunca vou namorar, papai.
- Pense assim até os 50, aí viverei uma vida tranquila.
- Fechado!
Ele sorri e puxa ela para um abraço apertado. Ele estava com uma sensação ruim no peito. Algo além da sua compreensão.
Ele iria partir daqui um mês. Iria deixar sua filha para trás, sabendo que a garota iria sofrer um pouco, mas também não podia fazer nada. Ele tinha que fazer para a liberdade, ou viveriam assim pelo resto de suas vidas.
Mas ele voltaria.
- Tem um Luther, ele é mais velho que você, mas você pode confiar nele. Tem também um novo garoto, Lee, faça amizades, e se junte a eles. Nunca fique sozinha, são pessoas novas, apreender a unir forças e nada vencerão vocês.
- Sou obrigada?
- Sabe quando você fica naquele quarto aguardando algo para fazer? A partir de alguns dias, eles estarão junto com você- Ele explica com calma- Eu já os conheci um pouco.
- Você já aprovou eles?
- Sim. São bons garotos.
Ela para e reflete um pouco.
- Ok, irei conversar com eles. Não prometo nada.
*
MARGOT LESTRANGE
Estou em frente ao grande janela do meu quarto. Já tinha voltado do colégio, já me obriguei a comer. Enfim, estou sozinha um pouco.
Não estava afim de levantar um só dedo hoje. Depois do sonho que eu tive, queria que tudo acabasse o mais rápido possível.
Eu não merecia nada do que ele me prometeu. Mas, ele não cumpriu a promessa de voltar. Quer dizer... Bom, ele voltou. Só não saiu como o planejado.
Por minha culpa.
Na verdade... Eu realmente tinha culpa? O que aconteceria se eu nunca tivesse nascido? Ele estaria ao lado de Dreykov, sem ter um motivo para tentar fugir? Ou também tentaria fugir? Iria morrer por causa disso também? Viveria?
Um parte de mim acredita nisso, que ele estaria bem, vivo e feliz de alguma forma.
Isso, é algo que levarei pelo resto de minha vida. É um peso que acho injusto de descartar.
Toc Toc Toc.
Alguém bate na porta, com certa força até. Direciono meu olhar sobre a porta e caminho lentamente.
Eu abro a mesma, vendo Pietro um tanto eufórico entrar sem nem esperar a minha permissão- o que ele já fazia com os outros de vez enquanto. Era raro, mas acontecia.
- Pode entrar- Murmuro indo até a minha mesa. Pietro andava de um lado para o outro, até que decidiu se sentar, uma forma de tentar conter seu nervosismo, falhando claramente. Ele está batendo os pés de forma nervosa.
- Desculpa estar entrando assim...- O sotaque que sempre o acompanhava se mostrava mais intenso- Você precisa fazer ele parar.
- Preciso que seja mais específico, para que eu consiga negar.
- É sobre... Negar? Não, tem que me ajudar- O platinado se levanta e para na minha frente - Lee... Aquele... Ele está dando em cima da minha irmã... Minha irmãzinha... Ele está me traindo.
- Ainda não entendo onde quer chegar. Você tinha um caso com ele?
- Claro que não! Ele era o meu amigo... Amigos não tentam ficar com a irmã um do outro... - Pietro para de falar e me observa, como se pensasse em... Suas atitudes? Atitudes do Lee?- Bom... Você conhece ele a mais tempo. Fale com ele.
- Não tenho nada haver com isso.
- Você não acha isso... Um absurdo?
- O que eu tenho haver com a vida dele? E o que você tem haver com a vida de sua irmã?- Respondo perdendo um pouco a da minha paciência- Se eles querem ficar... Juntos, deixem. Nada do que você fizer vai mudar isso. Se não permitir, é perigoso que fujam ou tomem veneno e morram.
- Veneno?
- Misturei as histórias.
- Estava me contando histórias?
- Queria que eu dissesse o quê? Nunca estive envolvida em algo do tipo- Volto a olhar para a janela- Correção: ainda não estou.
O garoto suspira ao meu lado, e logo fica em silêncio. Talvez olhando para a janela também, pois senti seu olhar sair de mim.
- O Lee é um boa pessoa. Confio nele. Acho que... É só um ciúmes bobo da minha parte- Ele confessa em um tom mais calmo do que antes- Sempre foi Wanda e eu. A ideia de ter alguém a mais me deixou louco. Como se eu fosse perdê-la.
Olha para ele que volta a me olhar.
- O que conhece do Lee?
- Quê?
- Disse que confia nele... Qual foi o tempo, para que você desse que confia nele?
- Não sei. Acho que atitudes falam mais do que palavras- Pietro diz de uma maneira sério, o que não dura muito- Falei bonito agora não?
Volto a olhar para a cidade e sinto seu olhar sobre mim.
Como que ele pode confiar tão rápido em uma pessoa? O que ele realmente sabe do Lee? O que ele sabe sobre mim? Me conhece a menos de três meses e já sai contando suas frustrações, seus motivos de estar desanimado. Sobre seus medos.
Como alguém consegue ser tão aberto, que qualquer um lê ele como se fosse um livro, e ele ainda é capaz de sorrir, perturbar a paz de qualquer um e dormir tranquilamente.
Agora, se olhar bem a situação, eles conheceram que o Lee realmente era, e não o agente treinado que Dreykov criou.
Lee aprendeu a guardar tudo de bom que tinha, e agora, consegue abrir o baú e distribuir tudo que guardou.
Lee gostava de provocar e tirar sorrisos das pessoas, muitas vezes, por fazer algumas gracinhas na frente de Dreykov, ele era punido.
Lee tem isso dentro dele.
Agora eu... O que eu tenho? Quem eu sou? Se não posso ser quem Dreykov queria, quem eu realmente sou?
Onde estão esses sentimentos que as pessoas têm? O que eu sei fazer além de torturar e matar as pessoas?
Só sei que joguei tudo de bom naquele buraco e enterrei naquele dia. Não merecia nem mesmo chorar, como fiz naquele dia.
Quem eu realmente odeio? As pessoas a minha volta, ou a mim mesmo?
- Te emocionei tanto que ficou sem palavras?- Pietro me trás de meus pensamentos. Seus olhos estavam extremamente azul. Tão claro que é quase transparente. É como se eu pudesse ver sua alma pelos seus olhos. O que será que ele vê, ao olhar para meus olhos?- Tá tudo bem?
- Já acabou de reclamar?
- Sim, você realmente é uma boa ouvinte- Ele volta a andar até a minha cama, se jogando, novamente.
- Eu falei para dizer as palavras aos ventos, não a mim.
- Não foi uma fala onde eu deveria olhar entre as linhas?
- Não?
- Claro que foi! Você é curiosa, só finge que não é. É toda seria, parece que vai matar qualquer um só com seu olhar, mas está sempre de olho em nossas coisas, opinando só quando lhe convém.
- É isso que vê em mim quando me olha?- Pergunto vendo ele me olhar sério por um instante.
- Não.
- Estava mentindo?
- Quero dizer... - Vejo ele se sentar na cama- Você é sim, uma pessoa bem séria. Mas sei que é uma boa pessoa.
- O que garante que sou uma boa pessoa?
- Eu vejo. Lembra que eu disse que as atitudes falam mais que palavras?- Ele me responde- Sempre ajuda cada um com alguma atividade que temos dúvida. Esses dias Morgan estava brincando de pega-pega e estava correndo feito doida pela torre, você colocou sua mão na ponta da mesa, para impedir que a mesma batesse.
- Isso não comprova nada.
- Não? Diz não se importar com ninguém, mas está sempre ajudando e fazendo coisas que não precisa, mas mesmo assim faz, com cada um dessa Torre- Pietro se levanta e para em minha frente- Esqueça o que Dreykov te disse. Você não é ruim, mas colocaram tanto isso na sua cabeça, que você acredita. Olhe para você, e pense o que realmente gostaria de fazer.
Ele me dá um pequeno sorriso e fala que tem que ir, me deixando sozinha.
Eu que eu gosto de fazer? O que eu sei fazer? O que eu devo fazer? Por que eu devo mudar? Eu realmente me importo? Tudo que aqueles dois me disseram, realmente eram mentiras?
Tantas perguntas, e nenhuma resposta.
O que eu preciso para respondê-las?
No fim, só adicionei mais e mais perguntas.
*
OIIIIII!!!!
Bão?
Era para eu ter postado ontem, mas acabei não terminando de corrigir.
Sem contar que Domingo teve o ENEM. Vocês fizeram?
Eu não fiz, mas decidi descansar em homenagem a quem fez 😌
Espero que tenham gostado!
Adios!
Feito com muito carinho EVFR. 💝
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