capítulo 24
Os dois se sentam.
Depois de um tempo, os capuccinos ficam prontos. Arrumo a bandeira e vou entregar. As minhas mãos tremem sem parar. Essa é a primeira vez que eles vêm aqui. Quando estou quase chegando, ouço a sua conversa com Sofia.
― Estou muito feliz por você. Então conseguiu mesmo ir para Stanford.
― Recebi a carta hoje.
― Seus pais devem estar muito felizes.
Ele apenas concorda, balançando a cabeça.
Ele não me parece feliz. No fundo eu sei que ele não queria ir para essa universidade.
Sirvo os cappuccinos. Coloquei o pedaço de bolo na mesa e saio.
O meu coração acelera muito, mas tento me fazer de forte, não demonstrando o quanto a sua presença mexe comigo. Respiro fundo. Sei que daqui a pouco tempo todos nós vamos estar separados, mas acho que assim será melhor.
Eles ficam mais um pouco, mas depois saem. Sofia está segurando no braço dele. E mesmo eu sabendo que não tenho mais nada com ele, o meu peito dói muito de angústia.
A semana passa voando. Essa será a última semana de aula. E até agora não recebi nenhuma carta das universidades. Estou tentando me fazer de forte, mas a minha vontade é somente chorar.
Todos da escola já receberam as cartas. Ou para confirmar, ou avisar que não foram aceitos, mas a minha nada.
Hoje em especial a minha cabeça está doendo muito. Já tomei remédio, mas não está resolvendo.
― Você deveria fazer um exame de vista. A minha mãe tinha muita dor de cabeça igual a você. Quando ela foi ver, era problema de vista.
― A minha cabeça dói muito. Às vezes eu fico até com tontura de manhã.
― Provavelmente é isso.
― Depois vou dar uma olhada.
Estou com Vitória e Nicolas no intervalo. Mas não consigo comer quase nada, só o cheiro da comida está me dando ânsia de vômito.
― Vocês vão no baile?
Nicolas pergunta.
― Eu gostaria de ir ― Vitória responde.
― E você, Ella?
― Sinceramente não estou no clima de bailes. Acho que ficarei em casa mesmo.
― Vamos, Ella. Vai ser legal. Vai ser a última festa do ano. Nós precisamos.
― Eu realmente não quero ir. Mas acho que você e Nicolas deveriam.
Vejo o rosto da minha amiga ficando vermelho a cada segundo.
Nicolas não fala que sim e muito menos que não. Acabo dando um leve sorriso. Mas que logo morre quando eu vejo Aaron entrando com Bella. Poderia ser uma coisa normal a não ser o braço da minha irmã entrelaçado com o dele. Não é somente eu que percebo. Porque todos, principalmente Sofia, param o que estão fazendo para olhar.
Eles se sentam na mesa de sempre. Abaixo o olhar para não ter que ver isso.
― Mas que merda eles estão fazendo? ― Vitória me pergunta.
― Eu não faço ideia.
― Você sabia disso, Nicolas?
Vitória pergunta.
― Estou tão surpreso quanto vocês.
Ao voltar para casa, fico pensando se realmente eles estão juntos. Isso fica martelando na minha cabeça a tarde toda.
Termino de atender um cliente e a minha tia chega.
― Alguma novidade sobre as Universidades?
Dou um sorriso sem graça.
― Ainda não.
― Pode ficar tranquila. Eu tenho certeza de que você vai conseguir, você é muito inteligente.
― Estou torcendo para isso.
― Já está no seu horário. Pode ir.
― Se você quiser, eu posso ficar mais um pouco.
― Está tranquilo. Pode ir descansar.
― Obrigada ― falo, retirando o meu avental. Peguei a minha bolsa e me despeço de todos.
O percurso até em casa é rápido. Estou louca para tomar um banho e deitar. Estou segurando o celular e quando abro a porta, só ouço o barulho do celular quando cai.
Vejo Bella sentada no colo do Aaron. Ele está sem blusa. Mesmo tentando controlar, as minhas mãos tremem. Peguei o meu celular e o coloco no bolso. Eles me observam por um tempo. Engulo o meu orgulho e subo as escadas. Sinto um peso no meu peito, uma angústia. Antes de subir completamente as escadas, sinto lágrimas descendo pelo meu rosto.
Fico um tempo no meu quarto e idiota como sou, acabo chorando. Quando já são oito horas, decidi ir tomar banho. Quando estou chegando no banheiro, vejo Aaron saindo do quarto da minha irmã. Penso em não falar nada. Pensei em ignorar, mas não consigo.
― Você agora está com a minha irmã?
Ele para de andar e vira para mim.
― Eu não vejo o motivo para isso ser da sua conta.
Engulo em seco quando falo:
― Foi tão fácil assim me esquecer?
Ele sorri com aquele sorrisinho irônico.
― Pelo menos eu não fiz como você, não é mesmo? Afinal, quem traiu aqui não fui eu.
Não consigo falar mais nada. Ele se vira para sair, mas volta. Dá um passo encurtando a distância entre nós dois.
― Apenas se coloque no seu lugar. Lixo no final das contas, sempre será lixo. É sempre bom te lembrar. Afinal, é isso que você é para mim...
O meu orgulho se desfaz completamente quando ouço as suas palavras. Ele desceu as escadas. Fico parada no lugar absorvendo tudo que ele fala. E nesse momento me lembro das palavras do Nicolas. Que o Aaron consegue destruir uma pessoa com apenas palavras. E nesse momento, eu pude comprovar.
Hoje é o último dia do ano letivo. É meu aniversário. Sinceramente, se eu fosse pensar em tudo que me aconteceu neste ano. A única coisa boa foi ter ficado tão próxima da minha tia. Além de ter feito amigos como Vitória e Nicolas. Eu realmente os amo.
― O que a aniversariante vai querer?
Vitória me pergunta, enquanto estamos sentadas.
― Eu não quero nada.
― Assim não vale, Ella. Temos que fazer alguma coisa.
― Podemos ir tomar sorvete.
― Só isso?
Ela faz um biquinho.
― Para mim está ótimo.
― Ok. Então vamos comemorar o seu aniversário tomando bastante sorvete. E vou fazer Nicolas pagar.
― Ok. Ele te convidou para ir ao baile?
Ela suspira.
― Ainda não.
― Ele é muito devagar.
― Isso eu tenho que concordar.
A noite eu me arrumo. Já tinha desistido da universidade. Não recebi nenhuma carta, então acabei desistindo.
Hoje eu só quero curtir com os meus amigos.
Estamos na sorveteria já tem bastante tempo. Tomamos tantos sorvetes que não consigo nem mais ver um na minha frente.
― Eu nunca tomei tantos sorvetes igual hoje.
― Acredite, eu também não. ― Nós sorrimos muito. A Vi tirou tantas fotos.
Após as comemorações, deixamos Vi na sua casa porque era mais perto. Ao me deixar em casa, Nicolas sai do carro. Ele me entrega uma pequena caixa. Quando eu abro, é um pingente em formato de rosa vermelha.
― Muito obrigada, eu amei ― falo com sinceridade.
― Eu sempre te vejo com esse colar. Então decidi te dar esse pingente. Assim você nunca vai esquecer de mim.
Eu o abraço forte. Nicolas correspondeu. Quando nos soltamos, ele ainda fica me olhando. Sou pega de surpresa quando ele me beija. Ele segura na minha nuca. Por um momento, gostaria de me deixar levar, poderia deixar que ele me beijasse. Eu poderia, mas não posso.
Me afasto.
― Você não gostou?
Ele me pergunta.
― Eu não posso te beijar, Nicolas.
― Por quê?
Ele me pergunta, se aproximando.
― Para mim, você é só um amigo. O meu melhor amigo.
― Podemos ser mais que isso, Ella. Eu gosto de você. Na verdade, eu sempre gostei.
Fico sem reação com a sua revelação.
― Me desculpa se eu fiz com que você entendesse errado, mas eu não te vejo assim.
― Você nunca me viu diferente?
― Infelizmente, não. Sinceramente, eu gostaria de ter visto.
― Me desculpa por ter te beijado.
Sorri para ele.
― Não precisa se desculpar, Nicolas. Eu sei que não tenho esse direito, mas mesmo assim, eu acho que deveria te dizer.
Ele levanta uma sobrancelha, olhando para mim.
― Vitória. Ela realmente está esperando que você a convide para o baile. Mesmo que você não sinta nada por ela, a convide como amigo. Afinal, vocês são amigos deste o jardim de infância.
Ele me observa por um momento. Mas depois dá um sorriso.
― Irei pensar sobre isso.
Dou um sorriso para ele.
― Eu sei que você irá.
― Boa noite, Ella.
― Boa noite, Nicolas.
Ele entra no carro e vai embora. Sei que posso estar me metendo, mas acho que Vitória merece um final feliz. Pelo menos ela.
Ao entrar em casa, percebo que estou sozinha. Vou direto para o meu quarto. Me sento na cama. Peguei o presente que Nicolas me deu. O observo um pouco. Retiro o colar que Aaron me deu e coloco o outro pingente junto. Fiquei olhando por um tempo e o colocando de volta.
Mesmo Aaron falando tudo aquilo eu não consigo ter raiva dele. No fundo, eu sei como ele é. Sei que por trás daquela casca de garoto mau ele é bom. Um garoto bom e alegre.
No domingo é o baile, mas como eu já tinha falado, eu não quero ir. Quero ficar quieta. Vitória me liga toda feliz, dizendo que finalmente Nicolas a convidou. Não conto a ela o que aconteceu. Prefiro guardar esse segredo. Não quero magoá-la.
Vejo a minha irmã eufórica a tarde toda à procura das coisas que ela vai usar no baile. A ignoro. Fico sentada na sala com um balde de pipoca e assistindo a uma boa série. Na verdade, isso é mil vezes melhor do que um baile idiota.
As sete e meia ela desce usando um vestido preto de baile. Não fico encarando. A minha tia fica feliz da vida ao vê-la, fazendo questão de falar em como os meus pais iam adorar estar aqui. Por um momento fico pensando se a minha irmã ia ser assim se eles ainda estivessem vivos. Bella sai e não faço ideia de quem a está levando.
― Você vai ficar aqui a noite toda?
A minha tia me pergunta, se sentando do meu lado.
― Estou bem. Vou assistir a essa série que é muito boa.
― Você mudou tanto, Ella. Você não é mais aquela garota que chegou aqui há um ano. Eu não vejo mais aquele brilho no seu olhar. E sinceramente, isso me machuca.
― Aconteceram tantas coisas neste ano que não tem nem como contar. Mas uma coisa eu sei, a melhor parte foi ter vindo morar com você. Eu sei que não é fácil cuidar de duas adolescentes, mas eu queria te agradecer por tudo. Muito obrigada mesmo!
Quando termino, os meus olhos estão cheios de lágrimas. A minha tia se aproxima e me abraça com força.
― Meu anjo, eu sempre vou te ajudar. Disso você não pode ter certeza. Eu te considero uma filha, Ella. Eu sei que não sou perfeita, mas sempre vou estar aqui por você.
― Muito obrigada, tia.
A tia Flora fica comigo até às nove, mas depois sai. Fico sozinha mais uma vez. Quando são nove e meia, decido ir dormir. Esse dia já tinha acabado para mim.
Não consigo dormir direito. Cada vez que eu adormecia era um pesadelo diferente. Eu não sabia o motivo, mas algo estava errado.
Na segunda, trabalho na parte da manhã. À tarde eu saio com Vitória. Ela me conta em detalhes tudo que aconteceu no baile e em como Nicolas foi gentil.
― Você finalmente falou que gosta dele?
Ela me encara.
― Nem adianta me olhar assim. Estava na cara, Vi.
― Acho que era apenas paixonite de criança, sabe.
― Por que você fala assim?
― Eu não sei. Sabe, mas acho que acabei confundindo as coisas. Ontem quando estava só nós dois, eu percebi que Nicolas sempre foi daquele jeito. Ele é gentil, carinhoso e muito educado. E bonito, claro. Mas no final, eu só estava encantada por ele.
― Você tem certeza?
― Ontem eu tive essa certeza, mas está tudo bem. Ele é. E sempre vai ser o meu melhor amigo.
Dou um abraço nela.
― E eu a sua melhor amiga.
― Para sempre ― ela responde.
― Para todo sempre.
O ano já está acabando e já me conformo que não irei para a universidade. Mas não vou deixar que isso me abale. Ficarei com a minha tia por mais um ano, ajudarei no café e tentarei mais uma vez.
Estou voltando para casa quando sou parada. Me assusto quando vejo Gabriel na minha frente. Não o vejo desde o dia que tudo aconteceu. Fiquei sabendo que ele tinha se mudado para outra cidade.
― Gabriel?
― Bom te ver, Ella.
― O que você está fazendo aqui?
― Eu dei uma passada aqui para te ver. Estou me mudando para a Itália hoje mesmo, mas precisava conversar com você.
― Acho que não temos nada para conversar. ― Dou um passo para sair, mas Gabriel me para, segurando o meu braço.
― Eu te garanto que você vai gostar de ouvir o que tenho para te dizer.
Fico curiosa.
― Ok. Pode falar.
― No dia que aconteceu tudo aquilo entre nós, eu fiquei muito desconfiado. Eu me lembrava vagamente das coisas. Mas acabei culpado a bebida, mas o mais engraçado é que eu só me lembrava de ter bebido apenas uma taça de vinho.
Levanto uma sobrancelha.
― Eu também.
― Por isso achei estranho. Mas depois eu me lembro de você se jogando para cima de mim. Nós já estávamos na sua cama.
― Eu não me lembro de nada.
― Mas eu continuei achando estranho. Eu tinha certeza de que tínhamos feito sexo. Isso eu tenho certeza.
O meu rosto ficou vermelho de vergonha.
― Afinal, qual ponto você quer chegar com tudo isso?
― O ponto é o que eu descobri ontem no bar.
― O que você descobriu?
― Ontem eu estava em um bar com uns amigos. Até que chegou Sofia. Já tinha um tempo que eu a tinha visto. Mas ela veio falar comigo. Bebemos um pouco. Bem, eu bebi um pouco, mas ela encheu a cara. De uma hora para outra ela começou a chorar se lamentando que Aaron tinha dado um pé na bunda dela. Até aí nada de novo. Mas depois disso ela começou a me contar uma história que diz respeito a mim e a você.
― Afinal, o que ela te contou?
― Eu não dormi com você naquele dia. Eu dormi com a sua irmã.
Balancei a cabeça, não entendendo nada.
― Era eu naquele vídeo. E a minha irmã estava no hospital.
― Eu também achei isso. Mas depois de ouvir a história da Sofia eu entendi o quanto uma pessoa pode ser mau. A sua irmã, junto com Sofia, armou tudo. Naquela noite, ela colocou uma droga na taça que me entregou. E uma dose muito forte de sedativo na sua
A minha cabeça começa a doer.
― A sua irmã é o ser mais baixo que eu já conheci. Ela se aproximou de mim, mas o que ela realmente queria era Aaron, desde o começo.
Vou me lembrando de tudo que ela já tinha me dito.
― Ela combinou tudo com a Sofia. Naquela hora que ela saiu, ela voltou logo em seguida e viu que eu e você já estávamos inconscientes. Ela retirou a sua roupa e a vestiu. A desgraçada comprou até uma peruca parecida com o seu cabelo para ficar mais realista. Sofia filmou um ato sexual, sim, mas não era você. A sua irmã me fez de idiota igual fez com você.
Eu vejo ódio no olhar do Gabriel.
― Ela é tão cínica que depois só precisou colocar nos dois na cama e tudo ficaria como ela planejou. Depois foi fácil. Ela teve a capacidade de bater o carro naquela árvore só para Nicolas a levar para o hospital. Assim sairia como a pobre coitada que foi traída pelo namorado e pela irmã.
― Ela não seria capaz ― falo baixo.
O meu peito dói. Já estou chorando não acreditando em tudo que ela fez. Ela me destruiu. Acabou com a felicidade que eu tinha. Ela acabou comigo.
Mas agora tudo faz sentido. Sofia tinha dito que me viu fazendo sexo com o Gabriel porque ela tinha ido buscar os documentos da Bella.
E Nicolas tinha confirmado que ela realmente tinha entrado na minha casa naquela noite. Elas duas armaram tudo nos mínimos detalhes.
Estou me sentindo usada, humilhada. Está doendo como nunca doeu na minha vida.
― Precisamos contar para Aaron.
― Se eu aparecer na frente do Aaron, ele me mata. Acredite em minhas palavras. Mas eu achei que você deveria saber. Afinal, você foi ainda mais prejudicada do que eu. Agora eu preciso ir. Fique bem, Ella. Você merece. Ao contrário da sua irmã, você é boa. Lamento não ter te conhecido direito.
Ele se despede e vai embora.
Fico sentada na calçada sem acreditar. Os meus olhos doem. Eu não consigo acreditar que Bella fez isso comigo.
Depois de um tempo, a indignação se transforma em ódio. Limpo o meu rosto e vou para casa.
Ao abrir a porta, não a vejo na sala então vou direto para o seu quarto. A encontrei pegando a bolsa para sair. Ela me encara sem acreditar que estou no quarto.
― O que você está…
Não deixei que ela terminasse a frase. Dou um tapa no seu rosto com toda a minha força. Ela cai em cima da cama. Dou mais dois tapas.
Ela começa a me bater, mas o ódio é tanto que não faço ideia de quantos tapas eu dei nela.
― Sua louca. Você é uma louca, Ella!
Ela se levanta. Observo o seu lábio cortado e o seu cabelo todo bagunçado.
― Você é uma piranha, Bella. Como você pode? Como pode fazer isso com a sua própria irmã?
O meu peito sobe e desce rapidamente.
― Eu não sei do que você está falando.
― Você teve a coragem de armar tudo. Você colocou a culpa em cima de mim. Sua cínica! Eu nunca dormi com o Gabriel. Era você. Era tudo você!
Eu gritei. As minhas mãos tremem sem parar. Eu ainda não estou acreditando.
― Eu não fiz isso.
― Você vai ter a cara de pau de negar? Gabriel me disse tudo, sua louca. A sua amiga, bastou beber um pouco para falar.
A expressão de Bella muda completamente. Ela me olha com superioridade. Arruma o cabelo, olhando para mim.
― É a sua palavra contra a minha. Ninguém acreditará em você.
Parti para cima dela com ódio.
― Como você pode?! Por que, Bella. Por quê? Eu sou sua irmã.
Ela sorri.
― Vai começar a apelar para o parentesco? Eu não te considerei nada. Absolutamente nada.
Ela se levanta, olhando para mim
― Por que você fez isso?
A minha voz é baixa. Estou tão cansada.
― Porque você merece sofrer. Só por isso. Por sua culpa, a mamãe morreu. Por sua culpa, Aaron não ficou comigo. Você sempre teve tudo que eu queria. Tudo!
Ela grita alto.
― Do que você está falando? A mamãe não morreu por minha causa.
― Sim, ela morreu por sua causa. Você não poderia esperar para ela ir naquela maldita escola depois. Não! Tinha que ser no dia que você queria. A mamãe entrou naquele maldito carro por sua culpa. Você deveria ter morrido naquele acidente. Não ela. E para completar, você deu em cima do garoto que eu mais gostei. Você sabia que eu gostava dele. Você sabia de tudo. Mas fingiu não ver. Porque é exatamente o que você faz. Você destrói tudo. Você merece sofrer.
― Você é louca. Eu não te conheço.
― Ahhh. Doce irmãzinha. Você nunca me conheceu.
Ela vai até a gaveta da sua cômoda e retira duas cartas. As amassado e as jogando na minha cara.
― E parabéns. Você conseguiu entrar naquelas malditas universidades.
Ela pega a bolsa e sai.
Eu não estou conseguindo acreditar em tudo que está acontecendo. A minha única vontade é ficar isolada em um canto.
Pego as cartas do chão e as abro. Um motivo para que eu ficasse feliz e ela transformou nisso.
Pensei em Aaron e em tudo que aconteceu com nós dois. Ele precisa saber a verdade.
Coloquei as cartas na bolsa e desci as escadas correndo. Peguei um táxi e pouco tempo depois estou na porta da casa dele. Apertei a campainha. Depois de um tempo, a mãe dele aparece.
― Ella. Aconteceu alguma coisa?
― Me desculpe, vim aqui sem avisar. Mas Aaron está?
― Ele não está, Ella. Tem uma hora que ele foi para Nova York com o pai. Ele já está indo para a Universidade.
― Eu pensei que era só semana que vem.
― Era. Mas por algum motivo ele quis ir antes.
Os meus olhos se enchem de lágrimas.
― Você está bem?
A mãe dele pergunta, se aproximando.
― Estou sim. Muito obrigada.
― Você quer uma água. Você está pálida.
― Eu realmente estou bem. Muito obrigada! E desculpa pelo transtorno.
― Não foi transtorno nenhum. Você é sempre bem-vinda.
Ela dá um leve sorriso.
Quando saio da casa dele, não aguento e choro. Estou na praça sentada com Vitória. Conto tudo a ela.
― Eu não estou acreditando que a sua irmã foi tão baixa a esse ponto. Como ela pode fazer isso?
Vitória fala, se levantando com raiva.
― Eu vou dar uns tapas nela.
― Eu já fiz isso. Mas não ajudou em nada a curar esse buraco no meu coração.
― E agora. O que você vai fazer?
― Eu não sei. Não faço a menor ideia. Eu tentei ligar para Aaron, mandar mensagem, mas ele me bloqueou.
― Infelizmente, dá para entender ele.
― Eu sei.
― Podemos contar tudo para todos.
― Com que prova, Vi? Será a minha palavra contra a dela. Eu não tenho provas.
― E o Gabriel?
― Ele já deve estar a caminho da Itália agora. Eu não acho que ele voltará só para desfazer esse mal-entendido.
― E Nicolas. Talvez ele faça a irmã contar a verdade. É uma chance.
― Eu vou contar para ele a verdade. Mas não pedirei para se meter. Duvido que Sofia vá contar a verdade.
― Aquela cobra nunca vai falar.
Vitória se senta do meu lado, desmotivada.
― Isso não é justo. Elas vão se dar bem no final. Cadê a justiça?
― Às vezes não temos justiça. Eu, mais do que ninguém, sei disso. Eu não me importo se Aaron continuaria a me odiar depois de saber a verdade. Mas eu queria que ele soubesse que eu nunca o traí.
― No final, não podemos fazer nada.
― O importante é que eu sei do meu caráter. Talvez no futuro eu consiga revelar toda a verdade.
Ao voltar para casa, falo com a minha tia que fui aceita na universidade de Nova York. Ela conseguiu ficar ainda mais feliz do que eu mesma. Na semana seguinte, Bella se mudou para Boston para resolver tudo sobre o seu curso. No dia da sua partida, fiz questão de não estar em casa para não ver a sua cara de cínica na minha frente.
Eu realmente estou feliz. A minha história não acabou como eu queria. Mas isso é apenas o começo de uma nova história. Estou agora fazendo o que eu sempre sonhei, estudando na universidade de Nova York, fazendo o curso que eu sempre quis.
Acabei de sair da minha aula quando ouço o meu celular tocando.
Vejo uma mensagem do Nicolas.
“Se algum dia no seu futuro, você sentir que está pronta para amar outra pessoa, saiba que sempre estarei te esperando. Não importa o tempo que dure.”
O meu coração se aquece com a mensagem dele. Estou sorrindo feito uma boba. Mas parei um momento, segurando na parede. As minhas pernas estão trêmulas. E aos poucos a minha visão vai ficando escura. Depois disso não me lembro de mais nada.
A minha boca está seca, bebo um pouco de água. Estou no hospital. Ainda me sinto um pouco tonta. A médica que me atendeu, entra na sala e se aproxima da minha cama.
― Os resultados dos seus exames saíram. Você está grávida de três meses e meio, Ella.
Por um momento, não acredito nas suas palavras. Nego para mim mesma que isso está acontecendo. Quando a ficha caiu, a única coisa que eu faço é chorar. E agora o que eu vou fazer?
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