capítulo 12

Depois daquela noite eu não vejo Aaron no outro dia. Tento ocupar a minha cabeça trabalhando quase o dia todo no café. Paro apenas para almoçar e nada mais. Minha irmã não conversa comigo depois de tudo que aconteceu na festa. Só de noite que resolvo ver as mensagens no meu celular. Primeiro, vejo as de Vitória e fico sabendo por ela que Aaron mandou que todos apagassem o vídeo do que aconteceu na festa. Por um momento respiro aliviada, não gostaria que mais pessoas vissem a minha humilhação, principalmente a minha tia. As mensagens do Nicolas se resumiram em pedidos e mais pedidos de desculpas. 

Faço de tudo para evitar a minha irmã. Quando a vejo, não passo muito tempo a olhando, porque quando faço isso, imagens dela sorrindo trazem tudo de volta. 


Hoje é domingo, último dia do festival e mesmo aqui dentro do café, ouvimos músicas e várias pessoas falando o quanto estão gostando de cada coisa ali. Quase todos os dias fiquei com a minha tia até ela fechar o café. Quero me enganar dizendo que é só para ajudá-la, mas sei o real motivo. Estou com medo de mim, da minha reação quando eu o vir novamente. 

Pensei nele muito mais do que o normal, e a noite fiquei sozinha na cama relembrando do nosso beijo. Mas principalmente daquela frase. "Eu gosto de você", mas afinal, por quê? Eu e ele só brigamos, não temos nada em comum. Por que afinal de contas ele iria gostar de mim? Sinceramente, não sei, mas algo me diz que logo saberei.


Acordei cedo para me preparar para o primeiro dia de aula depois das férias, a minha tia está tomando café com a minha irmã. Quando entrei na cozinha, Bella me olha por um momento, mas depois vira o rosto, me ignorando como sempre. No começo isso me incomodava, mas hoje não me importo.

― Hoje eu não vou abrir o café ― minha tia fala, a minha irmã apenas se movimenta devagar na cadeira, a boca em um sorriso contido. Eu me aproximei da minha tia preocupada.

― Aconteceu alguma coisa?

Ela sorri.

― Hoje é o dia da dedetização da loja. Pode ficar calma.

Suspirei aliviada, a minha irmã apenas revira os olhos para mim, a ignorei mais uma vez.

Me despeço da minha tia, e vou andando até a escola.

Observei a escola mais uma vez, as férias passaram rápido demais. E aconteceram tantas coisas. Mesmo tentando ignorar, vejo várias pessoas passando, uns me observam disfarçando, outros apenas me dão um olhar de reprovação. Segurei com mais força a alça da bolsa em uma esperança de não surtar e acabar gritando, porque é isso que estou pensando neste momento. 

― Bom dia!

Me viro e vejo Vitória sorrindo para mim, correspondo.

― Bom dia, Vi, como foi a viagem com seus pais?

Ela suspira, passando o braço no meu ombro. Como eu senti falta disso.

― Foi legal, mas estava morrendo de saudades de você. ― Ela me abraça. 

― Eu também senti. ― Afirmei com sinceridade.

― Você ficou no café as férias toda?

― Sim. A minha tia precisava de ajuda.

Tento não falar o que realmente sinto, não porque não confio nela, mas a verdade é que não confio em mim mesma.

― Eu sei, mas você tem que tirar um tempo para você.

― Eu sei, mas foi legal. ― Sorrio com sinceridade.

Observo os corredores, mas finjo para mim mesma que não estou procurando por um certo alguém.

Vamos para a sala, e Vitória me conta como foi a viagem com os seus pais. Todos começam a entrar e o meu olhar vai em direção a porta. Vejo Aaron entrando logo em seguida Sofia, abaixei o olhar por um momento, não conseguindo ficar olhando para ele por muito tempo.

"Eu gosto de você."

Ouço mais uma vez a sua voz na minha cabeça, o meu rosto começou a se esquentar novamente.

Mas o mais estranho é Sofia que em vez de se sentar com os amigos, vem em minha direção e se senta na carteira atrás da minha. Tentei ignorar, mas sinto um clima pesado.

No intervalo, me sento com os meus amigos. Nicolas se junta a nós um pouco depois. Ele se senta ao meu lado.

― Preciso conversar com você depois. Tem como?

Me virei para ele.

― Claro. ― Sorrio e ele corresponde.

Uma vez ou outra me pego observando a mesa de Aaron. O vejo conversando animadamente com os seus colegas. Ele está tão bonito. Balancei a cabeça, tentando não pensar nisso. 

Retornamos para a sala e combinei de encontrar Nicolas no fim das aulas para conversar. Não faço ideia do motivo da nossa conversa.

Sofia se senta novamente atrás de mim. Respiro fundo quando sinto que ela está me cutucando com a caneta. Tentei ignorar, mas isso só faz com que ela coloque mais força, até não suportar mais e me virei em sua direção.

― O que você quer?

Ele sorri, olhando para mim.

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