capítulo 10
― Que uma carona?
Me viro e vejo o Nicolas ele está em um carro esportivo preto.
Me aproximei.
― Não sabia que tinha um carro.
― Tenho, mas também tenho preguiça de dirigir. ― Ele sorri.
― Adoraria a carona. ― Sorrio.
Dou a volta e me sentei no banco do carona, em seguida coloquei o cinto. Ele liga o carro. Levei um susto quando ouvi um barulho alto do meu lado. Me virei e vejo Aaron sair disparado em uma moto.
― Não se preocupe, ele é assim mesmo.
― Às vezes me esqueço que vocês dois são primos.
Ele se vira para mim sorrindo.
― Acredite, eu também.
O percurso até a minha casa é tranquilo. Vamos conversando e marcamos de tomar um sorvete à noite, junto com Vitória.
Cheguei em casa e fui direto para o banheiro, tomei um banho e me arrumei, hoje ficarei no café até às seis.
A tarde é movimentada, a minha tia atende as mesas e fico no balcão atendendo a todos. Não paramos por nada. Às cinco e meia entra um homem todo de terno. Ele vem na minha direção e olha intensamente. Quando ele se aproximou, reparei no que ele encarava. Melhor dizendo, em quem. A minha tia se mexe sem graça ao meu lado. E percebi que ela conhece essa pessoa.
― Flora, há quanto tempo não te vejo.
Ele sorriu, cumprimentando a minha tia, o rosto dela ficou vermelho. É a primeira vez que vejo ela desse jeito.
― Lucky, há quanto tempo.
O cara pega na sua mão.
― Estava viajando, cheguei hoje. Como você está?
Fiquei olhando de um para o outro. Acho que a minha tia percebe e se vira para mim.
― Desculpa, essa é a minha sobrinha. Ella.
Ele me olha como se estivesse vendo outra pessoa. Fico sem graça.
― Nossa! Você é a cara da sua mãe.
Ele se aproxima, me olhando atentamente.
― Você a conhecia?
― Sim. Éramos namorados na adolescência. Você é muito parecida com ela
― Todos falam a mesma coisa. Mas acho a minha irmã mais.
― Ela teve duas filhas?
Ele se vira para minha tia.
― Sim. Gêmeas, Bella provavelmente está chegando.
― Pena que não posso esperar. Adoraria conhecê-la. Mas deixa para outra vez. Bom, foi um prazer te conhecer, Ella. E foi muito bom te ver, Flora. Depois passo aqui.
Eles se despedem. Mas por que tenho a impressão de já tê-lo visto antes? Me virei para a minha tia.
― Acho ele tão familiar.
― Você conhece o filho dele.
― Conheço?
― Sim. ― Ela pegou uns doces e os colocou na vitrine. ― Ele é o pai do garoto que te levou para a enfermaria aquela vez.
― Ele é o pai do Aaron?
A minha boca se abre de surpresa.
― Sim. ― Ela sorri.
― O pai do Aaron já foi namorado da minha mãe.
Vejo algo estranho passando pelos olhos da minha tia, mas ela tenta desfaça.
― Sim. O Lucky. Foi namorado da sua mãe, se eu não me engano eles namoraram por um ano mais ou menos.
Fico calada absorvendo tudo que a minha tia diz.
― Eles se parecem. __ Suspirei.
― O Lucky, quando era mais novo, era a cara do seu colega. Tirando, claro, as tatuagens. Ele fazia mais o estilo mauricinho.
Ela sorri como se pudesse ver a cena.
― Bem. Isso é passado. E já deu a sua hora.
― Eu posso esperar a Bella.
― Pode ir se divertir um pouco. Ela já deve estar chegando. Aproveita a adolescência, ela passa tão rápido. Afinal, você está de férias.
Dou um beijo na minha tia e saio do café. A noite está fria. Marquei com Nicolas e Vitória às sete. Então ainda tenho um tempo.
Andei um pouco pela praça, várias crianças correm de um lado para o outro. Me sentei em um banco e fiquei quieta, os meus pés estão me matando. Ouço um barulho de moto. Observo a direção do barulho. Alguém para ao lado de uma árvore. Retira o capacete vermelho. Por que o meu coração se acelera?
Vejo Aaron saindo da moto. Ele está de calça jeans rasgada, all star preto e uma camisa também preta. Pelo visto ele gosta dessa cor, porque até a jaqueta é da mesma cor. Sinceramente, não sei o motivo de eu estar prestando atenção nesses detalhes.
Ele anda com uma graça impressionante em direção a um banco. Só agora é que eu vejo a Sofia . Não tinha percebido que ela estava aqui. Ele se aproxima dela, que o abraça.
Falo para mim mesma que não gosto da cena, e o motivo é que eu não gosto de nenhum dos dois.
Eles conversam animadamente. Fico ali vendo toda interação deles. A todo momento Sofia se aproxima. Uma hora é para brincar com ele. Outra hora para retirar alguma coisa do cabelo dele. O que eu não sei porque, não estou vendo nada.
― Sentiu saudades?
Levo um susto quando vejo Nicolas se sentando do meu lado. Dou um tapa no seu ombro. O meu coração se acelera.
― Eu falei que não era para assustar ela ― Vitória fala, aparecendo do outro lado. Ela está de vestido e meia calça. Uma jaqueta para completar. Ela está linda.
― Você está linda, Vi.
Ela fica vermelha, mas não olha para mim, e sim para Nicolas. Ele a observa. Como se a visse agora.
Já tem um tempo que percebi que Vitória sente algo por ele. Ela nunca me disse nada, mas dá para perceber.
Nicolas passa o braço pelo meu ombro.
― Estou devendo um sorvete para vocês duas. Então, aproveitem bastante. Porque não costumo ser tão bom assim.
Nos levantamos.
― Isso é verdade, ele é um mão de vaca ― Vitória responde.
― Também não é para tanto.
Ele ficou vermelho. sorrio.
― Deixa de ser mentiroso, Nicolas, todas as vezes que saímos sou eu que pago. Porque todas às vezes você não tem dinheiro.
― Nossa! Vi, não é assim.
― É sim.
Eles discutem até sairmos da praça. Por algum motivo me virei e vejo Aaron nos observando. Ele se irrita e se senta no banco com uma cara nada agradável.
Vamos para a sorveteria. Mesmo estando frio, aqui está cheio.
Tomamos sorvete e ficamos lá por um bom tempo. Quando deu umas oito horas, saímos, e as ruas ainda estão cheias.
― Nossa, já ia me esquecendo.
Eu e Vitória paramos quando ouvimos a voz do Nicolas.
― Esqueceu de quê?
― No domingo, a minha irmã fará uma festa em casa, e vocês duas vão.
― Mas não vou mesmo ― Vitória fala, cruzando os braços.
― Você vai sim. A última vez que eu te convidei, qual foi a resposta? Me lembrei, eu não vou para uma festa para ficar sozinha.
Acabei rindo com a performance dele, que tem direito a tudo. A voz e as mãos balançando, igual a Vi faz.
― E era verdade.
― Agora tem a Ella. ― Ele olha para mim.
― Nem vem. Pode me tirar dessa. Eu e sua irmã não nos damos bem. Duvido que ela gostaria da minha presença.
― Somos amigos, não somos.
Olhei para Vitória. Ela suspira.
― Ela não gosta da gente, Nicolas.
― Tenho que concordar com a Vitória.
Ele suspira.
― Mas eu gosto, e gostaria mesmo que vocês fossem. Por mim.
Ele faz uma cara de piedade.
― Ok. Vamos fazer assim. Nós vamos. ― Abro a boca para discordar de Vitória, mas ela não deixa e me cala com um gesto de mão. ― Mas tem uma condição. Se a insuportável da sua irmã começar com as piadinhas, nós duas vamos embora.
― Combinado ― Nicolas fala, passando os braços em volta dos nossos ombros.
Desisto, acho que fazer o Nicolas feliz vale a dor de cabeça.
O resto da semana passou rápido, fiquei a maior parte dos dias ajudando a minha tia, até que o domingo chegou muito rapidamente.
A minha irmã ficou no salão a tarde toda. Então com certeza ela irá nessa festa. Já de noite, ela sai às cinco, e eu ainda a ouço falar para minha tia que irá se arrumar na casa de uma amiga. Não precisa ser um gênio para adivinhar quem seja.
A minha tia é um doce em relação a sair à noite, desde que cheguemos, até meia noite, para ela está tranquilo, as vezes a Bella fica mais tempo.
A festa começará às nove. Quando são oito horas, já estou com o cabelo pronto, arrumei e fiz vários cachos.
Faço uma maquiagem simples e escolho um vestido preto, ele é um pouco rodado, mas confesso que gosto. Completo com um All Star.
Às nove e meia ouço um barulho de buzina e já sei que se trata de Nicolas. Me despeço da minha tia que está na sala assistindo a um filme.
Lá fora ele está com um carro vermelho, quando me aproximei vejo que Vitória está no banco da frente. Então me sento no de trás.
― Preparada? ― Vitória perguntou, sorrindo.
― Nossa! Muito.
Ela sabe que é ironia. Depois de um tempo o carro para e percebo que o local é próximo da casa em que eu encontrei Bella aquela vez.
O meu coração se acelera, não sou muito fã de festas, deixo isso para a minha irmã. Saímos e o Nicolas se aproximou.
Vitória vem para o meu lado. Nós três ficamos um segundo observando. A casa dele é linda e está toda decorada com luzes.
Respiramos juntas.
Ao entrar, Nicolas nos leva em direção ao jardim. Passamos primeiro por vários colegas de sala. O sofá foi colocado de lado e a sala virou uma pista de dança. As luzes e o barulho me fazem ficar tonta, mas melhora quando já estamos no jardim. Não vejo a minha irmã. Mas sei que ela deve estar perto.
― Vou pegar alguma coisa para bebermos.
Ele saiu sem esperar resposta. Me virei para Vitória.
― Estou me sentindo como um peixe fora do aquário.
Ela sorri de nervoso.
― Pode acreditar, eu também. Mas não se preocupe, tenho um plano, ficamos por uma hora mais ou menos, e depois vamos embora, o que você acha?
― Adorei. ― Sorrio, concordando.
Nicolas traz as bebidas. Mesmo não gostando muito, pego o copo da sua mão. Bebo um pouco e o sabor não é tão forte, é uma mistura de bebida alcoólica com suco.
Vejo Sofia se aproximando de nós e logo atrás vejo a minha irmã com o namorado, ela me olha por um momento não acreditando que estou aqui. Decido ignorá-la do mesmo jeito que ela faz comigo.
― Que surpresa! Então o meu irmãozinho conseguiu trazer vocês para a festa?
― Não começa
Nicolas responde, e logo em seguida bebe todo o conteúdo do seu copo. Confesso que fico um pouco surpresa, ele não é assim.
Sofia se aproxima do irmão.
― Decidiu se divertir hoje, foi?
Acho que até ela percebeu que o irmão está estranho. Vitória também, porque ela olha para mim desconfiada.
― Se divirtam.
Ela fala e sai, a minha irmã vai atrás como um cachorrinho.
Nicolas pega mais um copo e começa a beber.
― O que ele tem? ― Vitória sussurra no meu ouvido.
― Não faço a menor ideia.
― Estranho, ele não é assim.
― Acho que aconteceu alguma coisa, depois tentaremos descobrir.
Concordo. A festa continua. Eu e Vitória estamos sozinhas no nosso canto e o nosso amigo bebendo como se não houvesse amanhã.
Deixo Vitória um pouco e me aproximo dele.
Ele continua a beber.
― Aconteceu alguma coisa, Nicolas?
Ele me observa e sorri.
― Nada de importante.
A sua voz está arrastada e sei que está mentindo. Ele para um pouco e me olha. Abre a boca para falar algo, mas depois se cala.
― Acho que você já bebeu demais.
Ele sorri.
― Para o que quero fazer, não é nem o começo.
Ele suspira e leva o copo até a boca. Reviro meus olhos.
Levanto a minha mão para pegar o copo da mão dele, com esse gesto ele o segura forte. Mas puxo mesmo assim. Não vou deixar o meu amigo ficar mais bêbado do que está agora.
Mas com esse gesto a bebida é jogada toda em cima de mim. Dou um passo para trás. O cheiro forte faz meu estômago revirar, e percebo que ele está bebendo algo bem mais forte e diferente do que me deu.
― Desculpa, não foi minha intenção.
Ele tenta se aproximar, mas coloco a minha mão na frente para impedir.
― Eu sei. ― Suspirei frustrada ― Me fala onde tem um banheiro.
― Vou te mostrar.
Ele vai na frente, Vitória tenta ir conosco, mas falo que só vou me limpar e volto daqui a pouco, e que depois quero ir embora. Ela concorda na hora.
Nicolas me leva para o segundo andar. Me mostra a porta do banheiro. Ele insiste em ficar no corredor. Mas falo para ele ir ficar com Vitória, não quero deixá-la sozinha. Ele resmunga baixinho, mas me escuta.
Ao entrar no banheiro, vejo que é totalmente limpo. Me olhei no espelho.
― No que eu fui me meter?
Perguntei para o meu reflexo.
Vejo que aqui tem um secador.
Retirei o vestido e passei uma água retirando a bebida. O coloquei aberto em cima da pedra onde tem uma vasilha de cristal com vários sabonetes coloridos.
Peguei um pedaço de papel e o molhei. Passando na minha barriga e em cima dos meus seios. O sutiã está ensopado, pensei se o retirava, mas decidi que não. Vou dar um jeito só no vestido e ir embora dessa maldita festa. Suspiro alto, secando o vestido.
Depois de uns minutos ele não está totalmente seco, mas bem melhor do que antes. O coloquei novamente, desci as escadas daquela casa e fui em direção ao jardim. Procurei pela Vitória para finalmente irmos embora. Mas não a encontrei.
Vejo um grupo de pessoas ao lado da piscina sorrindo.
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