capítulo 09

E quando menos percebo, meses já se passaram desde o início das aulas. Continuo a ajudar a minha tia no café e a cada dia que passa estou mais próxima dela. Já não posso dizer o mesmo em relação a minha irmã, a cada dia estou me afastando mais dela, mas não vou ficar mendigando atenção. Ela começou um namoro com o Gabriel. O rapaz de cabelos pretos que fica com eles.

Ele vem direto aqui em casa, sinceramente já vi mais coisas do que eu queria em relação a eles.

Na escola continua tudo normal, me mantenho afastada do Aaron, acho que isso foi a melhor coisa para mim. Mesmo que às vezes eu o pego me observando como uma clara declaração de que ele está de olho em mim. Assim como Sofia.

A minha amizade com Vitória e Nicolas só cresce.

Confesso que estou adorando morar aqui.

Respiro fundo sentindo o cheiro de café, e o cheiro doce de algo que está sendo preparado na cozinha. Hoje é segunda-feira. Falta uma semana para o feriado de aniversário da cidade. Vamos ter muita festa e vários turistas já chegaram. A minha tia está radiante com o movimento do café e eu também. Hoje não me sentei em nenhum momento. Já são quatro horas e a cada minuto que passa chega mais pessoas. 

Ouço um barulho alto de moto, mas ignoro. Estou atendendo alguns turistas, acho que são uruguaios. Uma moça linda de olhos azuis está pedindo um capuccino. A sua amiga, uma morena de cabelos black, sorri para ela. 

Neste momento, ouço a voz da pessoa que estou tentando esquecer. Tento não olhar, mas Aaron para na frente do balcão. As duas mulheres que eu estava atendendo o olham de cima a baixo em um claro sinal de interesse.

― Me vê um capuccino forte e um muffin de morango. ― Ele me encara.

― Só um minuto.

Me viro para as moças.

― Vocês vão querer mais alguma coisa? 

Elas sorriem e se viram para ele.

― Não, pode atender essa gracinha. 

Aaron as observa de cima a baixo e sorri, as duas correspondem e se sentam. 

― Mais alguma coisa? ― Ele se vira para mim.

― Não, só isso.

Ele se senta com as garotas e por que estou com raiva? Me faço essa pergunta. 

Preparei os três cappuccinos, bolinhos e muffin.

Coloquei tudo em uma bandeja, respiro fundo e vou em direção a mesa. Sirvo os três. A garota de cabelos pretos se senta do lado dele e a outra apenas sorri de algo que deve ser bem engraçado, porque ela não para de rir.

Me virei e voltei para atender as outras pessoas. Faço de tudo para não ficar olhando. Mas é impossível, principalmente quando ela coloca a mão em seu pescoço e começa a traçar uma linha em volta da tatuagem ali presente. Aperto o meu lábio com força.

Depois de um tempo ele pagou a conta, não só a dele, mas a das garotas também e os três saem juntos.

Coloco um sorriso no rosto e continuo a atender a todos como se nada estivesse acontecido.

Quando saio do café já são sete e meia da noite. Os meus pés estão me matando, mas vou andando para casa. A minha tia estava muito ocupada e não podia me dar uma carona.

Várias pessoas passam por mim bebendo e se divertindo. A praça da cidade está lotada, assim como os restaurantes e bares da avenida, várias cadeiras e mesas dispostas nas calçadas. Se está assim agora, até imagino na semana que vem.

Só teremos aula amanhã é logo depois entraremos de férias, assim vou poder ajudar ainda mais a minha tia. Hoje está uma noite quente. Compro um sorvete e vou andando tranquilamente para casa.

Dois homens esbarram em mim, fazendo com que meu sorvete caia e suje o sapato de um dele.

― Desculpe. ― Mesmo não sendo minha culpa, não quero causar confusão.

Eles me encaram e um sorriso já começa a surgir em seus lábios.

― Sem problema, gatinha. Uma garota linda como você, se quiser, pode passar o sorvete em todo o meu corpo. ― Ele sorri. ― Claro, que terá que limpar com a língua.

Várias pessoas passam por nós, mas seguem seu caminho.

― Você está sozinha?

Não respondo, tento passar por eles, mas o outro se coloca na minha frente, me impedindo de prosseguir.

― O que você acha de nós dois te levarmos para casa?

Abro a boca para responder, mas ouço uma voz atrás de mim.

― Você está aqui! ― Me virei e vejo o Aaron. ― Estava te procurando. ― Ele segurou no meu braço, me trazendo para mais perto dele, ainda estou tentando entender o que está acontecendo.

― Está acontecendo alguma coisa aqui?

Ele fala para os homens na minha frente.

Os vejo engolir em seco.

― Nada. Só estávamos tentando ajudar a sua namorada. Desculpa.

Abro a boca para falar que não sou a namorada dele, mas sinto que o aperto do Aaron se intensifica.

Os dois vão embora.

― Não precisava da sua ajuda ― falei, me virando para ele.

Ele sorri, retirando a mão do meu braço.

― Sabe o que eu percebi? ― Não respondo e ele continua: ― Para uma pessoa que diz não precisar de ajuda, eu estou te ajudando bastante, pelas minhas contas foram três vezes.

― Você está contando, é?

― É bom ter dados prontos, não é mesmo. Principalmente quando a pessoa diz: " Eu não preciso da sua ajuda".

― Ok, Aaron, muito obrigada. Melhor assim? 

A sua expressão se suavizou.

― Melhor assim.

― Bem. Agora tenho que ir.

Tenho a impressão de que ele iria dizer alguma coisa, mas se cala. Então vou andando mais rápido do que o normal em direção a minha casa,

Entro rápido em casa, sentindo algo estranho, como se alguém estivesse me vigiando. Bella está na sala com o namorado. Este, por sinal, é o único que me cumprimenta. A minha irmã fica apenas deitada no colo dele.

Vou direto para o quarto, penso em tomar um banho, mas não consigo, fico deitada na cama muito tempo e adormeço com a imagem de Aaron na minha memória.

 Na manhã seguinte não encontro Bella, e a minha tia já tinha saído para resolver alguns problemas no café. Hoje em especial está ainda mais frio.

Vou para a escola, mas confesso que estou feliz. Finalmente entraremos de férias.

Ao chegar na escola, encontrei com Vitória nos corredores e vamos para a aula. Sinto alguém me observando, me viro e vejo Sofia me encarando.

Ignorei e continuei a prestar atenção na aula. No quarto horário temos aula de educação física e hoje teremos aula de natação. Eu odeio, principalmente porque tenho que ficar de maiô. Sou a última a chegar na piscina. A água da piscina é aquecida, pelo menos não vamos passar muito frio. Respiro fundo. Indo em direção ao vestiário me trocar.

― Decidiu me agradecer corretamente?

Me virei e vejo Aaron só de calção de banho, ele segura uma toalha branca.

Não olha para o corpo dele, não olha. Fico repetindo isso para mim mesma, tenho que admitir que ele é lindo e o corpo simplesmente maravilhoso. Tenho certeza de que ele faz academia, porque meu Deus, é muita tentação. Pena que o encanto se desfaz quando ele abre a boca.

― Eu já fiz isso, você quer o que mais, hein?

Ele sorri, dando um passo na minha direção.

― Interessante, posso escolher? ― Não respondi. ― Olha que eu tenho uma lista bem, digamos assim... diferente.

Reviro meus olhos para ele.

― A infantilidade está reinando hoje, não é mesmo?

― Nossa! Assim fico realmente magoado, Ella.

Ele fala o meu nome pausadamente, como se estivesse degustando cada letra pronunciada.

― Vamos fingir que você tem coração para se magoar.

― Mas eu tenho, sinta.

Ele segura a minha mão com força, e a leva para o seu peito. Fico um momento não acreditando no que ele fez. Tento retirar a mão, mas isso só faz com que ele segure mais forte.

― Você é muito idiota. Me solta!

― Não até você falar.

― Falar o que, Aaron? Que você é doido. Sim, você é.

Ele sorri. Puxei a minha mão com toda a força, sinto o meu coração batendo forte e tentei não pensar em como a sua pele é quente e macia.

Puxei mais uma vez, mas isso faz com que eu me desequilibre e fique praticamente dentro da piscina. Esperei a queda, mas ela não aconteceu. Abrir os olhos e vejo que a minha mão continua a ser segurada por ele. O seu rosto não demonstra nada.

Engulo em seco.

― Tem como você me ajudar?

Ele me observa e finge pensar sobre o assunto.

― Não foi você que falou ontem mesmo que não precisava da minha ajuda.

― Vai começar novamente?

― Apenas admita, que você sempre vai precisar da minha ajuda, aí eu te ajudo.

― Você está de brincadeira.

― Estou com cara de quem está brincando?

― Deixa de ser infantil.

― Admita.

Respiro fundo, ainda estou com a roupa da escola, se eu molhar, não terei o que vestir. O infeliz continua me encarando, esperando uma resposta. Engulo o meu orgulho e falo. 

― Eu sempre vou precisar da sua ajuda ― falei cada palavra como se estivesse sentindo dor, de puro ódio.

Mas ele simplesmente me solta e caio na piscina. Engulo um pouco de água, nado até a borda, e comecei a tossir sem parar, coloquei o meu cabelo para trás. O desgraçado infeliz se aproxima, se abaixando para ficar perto de mim.

― Eu poderia ajudar, mas não sou uma pessoa boa. Não é mesmo? Como você mesmo disse, eu sou um garotinho mau.

Mas como ele ficou sabendo disso?

Ele se levantou e foi andando em direção ao vestiário.

― Desgraçado, infeliz! Eu te odeio, Aaron ― gritei tão alto que sinto a minha garganta doendo. 

― O sentimento é recíproco. Espero que a água esteja boa.

Quando sair da piscina sinto frio. Vou direto para o vestiário e todos me observam. Encontrei a professora e falei para ela que escorreguei e caí. Ela me dá uma bronca. Mas sai em busca de algo para eu vestir.

Vitória fica comigo um pouco, mas logo tem que ir para a aula. Estou com duas toalhas para me aquecer. Depois de um tempo a professora volta com um conjunto de roupa de ginástica azul e branco. Mais que depressa me visto. Não faço a aula, vou direto para a sala e fiquei lá. Depois de meia hora todos voltam. O miserável do Aaron tem audácia de sorrir quando me vê.

Dou graças a Deus que irão começar as férias. Na frente da escola, vejo Bella aos beijos com seu namorado, eles se desgrudam, o namorado olha para mim e fala alguma coisa com ela, mas minha irmã simplesmente ignora o que ele diz e entra no carro, depois de um tempo ele faz a mesma coisa.

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