capítulo 03

Vou em direção onde ela falou, ouço o barulho do sinal e apresso o passo. Durante o caminho não vejo nem sinal da Bella. Por um momento pensei se deveria ligar, mas já não há ninguém nos corredores. 

Estou a procura da sala 301 A e finalmente encontrei, o meu coração está disparado. Respirei fundo tentando controlar o meu coração. Bato na porta e logo depois a abro. Todos da sala param o que estão fazendo e me observam. Engulo em seco observando cada uma das pessoas presentes, me aproximo do professor de meia idade e entrego o papel que a moça da secretaria me deu.

― Bem-vinda, Ella, pode escolher um lugar.

Infelizmente todos os lugares da frente já estão ocupados, então me sento na quarta cadeira ao lado da janela.

Coloco a minha bolsa no lugar. Estou procurando o caderno quando ouço uma voz grossa. Levanto a cabeça e vejo o mesmo rapaz de olhos azuis que estava na festa. Ele está acompanhado de uma moça ruiva e um rapaz de cabelos pretos.

― Vejo que ficará mais uma vez na minha classe, Aaron ― o professor fala, mas percebo que não gostou nada disso.

― Mais um ano, professor. Sabia que eu estava morrendo de saudades de você?

― Com certeza estava, procure um lugar. 

A moça ruiva sorri para uma loira que logo corresponde, o rapaz de cabelos pretos revira os olhos e se senta na fileira do meio mais aos fundos. A ruiva faz a mesma coisa.

Já o rapaz de olhos claros vai para se sentar com eles, mas quando me vê, levanta uma sobrancelha. Logo em seguida um sorriso brota nos seus lábios. Ele vem em minha direção, então abaixei o olhar, mas escuto a sua voz.

― É, professor, esse ano tem tudo para ser bem mais interessante.

O infeliz se senta logo atrás de mim. A minha respiração se intensifica de uma tal maneira que pensei não ser possível.

―  Então estamos na mesma sala ― ele fala, mas ignoro. ― Não vai me perguntar se precisei ir a um hospital? ― Continuo ignorando, então ouço um sorriso. ― Sabia que eu poderia te processar. ― Vejo olhares em nossa direção, como se cada um aqui estivesse vendo um filme digno de um Oscar. ― Mas eu não vou fazer isso, está vendo como sou um cara legal?

Não o respondi e sinto quando ele pega uma mecha do meu cabelo e começa a brincar, então o coloco todo de lado, mas a situação só piora, pois sinto a sua respiração no meu pescoço.

― Melhor assim, gosto de apreciar um pescoço. E o seu, gatinha, é uma verdadeira delícia.

Observei a sala para ver se tem algum outro lugar para eu me sentar, mas os lugares vagos são exatamente ao lado dos amigos dele. Suspirei frustrada.

O que esse idiota pensa? Já estou quase pulando em cima dele, a minha vontade é encher aquela cara de socos. O professor começa a sua aula. Mas o que mais me incomoda é o fato de ele ver o que está acontecendo e não fazer nada.

Olhei por um momento a garota à minha frente, tomei coragem e bati no seu ombro, ela se virou espantada.

Sorrio, tentando demonstrar carinho.

― Oi.

Ela me observou por um momento, mas acabou sorrindo, correspondendo ao meu sorriso.

― Oi.

― Prazer, o meu nome é Ella.

― Vitória.

Sinto pequenas batidas na minha carteira, tento ignorar, mas é insuportável.

― Eu sei que mal nos conhecemos, mas você se importaria de trocarmos de lugar.

Ela me observa, mas o seu olhar vai para um local atrás de mim, me viro para ver o miserável nos encarando. Vitória suspira.

― Desculpa, Ella, mas não posso.

Balancei a cabeça, entendendo.

― Sem problema, obrigada.

Ela se vira prestando atenção na aula. Gostaria de fazer a mesma coisa, mas é impossível. Sinto, novamente, Aaron pegando uma mecha do meu cabelo. Ouço alguns alunos sorrirem, principalmente os amigos dele, o professor ignora.

Então me virei para ele com ódio.

― Qual é o seu problema?

Ele me encara e já não está com o sorriso debochado no rosto.

― O meu problema é você.

Suspiro frustrada e ele continua"

― Eu tinha falado para a sua irmã, que deixaria o que aconteceu para lá, mas sabe de uma coisa? Acho que não vou deixar.

― Você me beijou, queria o quê?

― Te garanto que um soco no rosto não era uma opção.

― O que você quer que eu faça para acabarmos com isso.

Ele finge pensar e reviro os olhos para a cena.

― No começo queria um pedido de desculpas, mas agora vejo como você é orgulhosa. Quero que saia do colégio.

Ele fala super calmo, como se não fosse um absurdo o que está me pedindo.

― Você está brincando?

Mas ele não sorri.

― Você pode escolher. Primeiro, peça para ser transferida para Deus sabe onde, ou simplesmente irei fazer da sua vida aqui um inferno, e te garanto, será literalmente o inferno.

Fico parada não acreditando em suas palavras, o meu peito sobe e desce rapidamente.

― Eu não vou pedir para ser transferida. ― A minha voz sai mais firme do que pensei que sairia.

Ele sorri.

― Você fez a sua escolha.

Ele se levanta, pega a mochila e se senta com os amigos.

Me virei para frente tentando prestar atenção na aula, só neste momento é que percebo que as minhas mãos tremem sem parar. Respiro fundo.

O sinal bateu, a professora de matemática saiu, então peguei o meu celular e me levantei.

Já estou quase saindo quando vejo a menina de cabelos ruivos e mais duas se aproximando da minha carteira. O restante dos alunos sai sem olhar para trás.

Tento fazer o mesmo, mas sou impedida, quando elas se colocam na minha frente.

― Então a sua resposta foi que não vai pedir para ser transferida. ― A ruiva observa as unhas com tédio, as outras garotas sorriem.

― O que você tem com isso?

― Muitas coisas, mas como é nova aqui, fingirei que não me perguntou isso. Apenas vá embora hoje e não volte amanhã.

Sorrio para elas.

― Não, muito obrigada, mas irei dispensar a proposta.

Ela sorri.

― Ah garota, você não faz ideia do prazer que vou sentir quando eu a vir chorar, implorando para ir embora.

A encaro.

― Sinceramente, quero ver você tentar, mas me diga, é tão bom assim ser o cachorrinho daquele cara?

As outras duas garotas dão um passo em minha direção, mas param quando a ruiva levanta uma mão. Ela se aproxima, ficando cara a cara comigo.

― É uma delícia.

Ela sorri, dá as costas e sai.

Por um momento desejo ficar aqui quieta, mas desisto. Saio da sala. Os corredores estão vazios. Vou andando em direção a uma das placas indicando o refeitório.

Entrei no local e mesmo não querendo, procurei pela minha irmã. Eu a encontrei sentada em uma mesa da ponta, com o mesmo grupinho da minha sala, mas com várias outras pessoas que não conheço, a não ser a moça morena da festa que conversa tranquilamente com o babaca da minha sala.

Peguei algo para comer, e procurei algum lugar vago para sentar. Vejo a moça da minha sala sentada em uma mesa, com mais duas meninas e um rapaz de cabelos pretos.

Vou em sua direção.

― Posso me sentar?

Ela para de comer e se vira para mim.

― Claro! Se senta aqui.

― Obrigada. 

Me sento do seu lado.

― Ella, essa é Talina, e essa é a Malia.

Observo as duas sorrirem para mim, elas se parecem muito.

― Vocês são irmãs?

― Sim ― Malia responde. ― Estou no último ano sala 308 B, junto com a sua irmã, e a Talina no penúltimo ano.

― Vocês se parecem. ― É tudo que consigo dizer.

― E esse é o Nicolas ― ela me apresenta para o menino de cabelos pretos. Muito bonito, tenho que confessar.

― Prazer, Ella.

Ele falou dando um pequeno sorriso.

― Você e sua irmã são idênticas. Estou na mesma sala que ela.

Sorrio sem graça.

― É o que todos falam.

Ele sorri.

― Mas confesso que prefiro o seu cabelo.

O meu rosto se esquenta com o seu elogio, me fazendo corar.

― Galanteador, você, Nicolas. ― Vitória o cutuca, sorrindo. Sorrio também. Então ouço a risada da minha irmã e os meus olhos vão em direção a mesa em que ela está. Vejo ela sorrindo junto com o rapaz de cabelos pretos. Abaixo o olhar.

― Você já conheceu Aaron e o seu grupo, né ― Vitória fala, me encarando.

― Infelizmente sim. ― Peguei o meu sanduíche e comecei a comer.

― Fica tranquila, é sempre assim no começo, acredite, passamos pelas mesmas coisas.

Paro de comer.

― Ele por acaso falou para vocês se transferirem? ― pergunto.

Vitória me observa espantada.

― Ele falou isso para você?

― Sim.

Todas da mesa ficam em silêncio, é, afinal acho que só foi para mim.

― Afinal. O que esse cara tem contra mim? ― pergunto para ninguém em especial.

Ouço Nicolas suspirar.

― Eu estava na festa, e vi o que aconteceu.

Me virei para ele, assim como todos na mesa.

― Você deu um soco na cara dele. Desculpa, mas confesso que sorri muito naquela noite. Mas deixando a graça de lado, Aaron está acostumado a ter tudo que quer, aí vem uma menina nova e ele a beija e recebe um soco como resposta. Acho que ele não quer ficar olhando para você.

― Você o conhece tão bem assim?

Ele suspira. Mas quem respondeu foi a Vitória.

― Nicolas é primo dele.

― Crescemos juntos, acredite, ele não é tão ruim assim como parece.

― Discordo ― Vitória fala. ― Ou você se esqueceu da Vivian.

― O que aconteceu com essa Vivian? ― pergunto, e todos da mesa encararam Vitória.

― Ele era uma garota muito doce, na verdade nunca tinha visto Aaron tão apegado assim a alguém, nem mesmo a Sofia.

― Quem é a Sofia?

― A moça ruiva que está do lado dele ― Vitória responde. ― Que por sinal é irmã do Nicolas.

Me viro para Nicolas.

― Não se pode escolher família, não é mesmo, e respondendo a sua pergunta, sim, somos gêmeos, mas como pode ver, não somos idênticos.

O meu cérebro parece que vai parar de funcionar a qualquer momento.

― Depois você se acostuma, continuando, Aaron gostava muito dela, mas de um dia para o outro ele simplesmente a humilhou para toda a escola, no dia seguinte ela não veio mais a aula.

― Ninguém sabe o motivo ― uma das irmãs fala.

― Então está querendo dizer que ele está fazendo isso comigo por pura diversão?

― Talvez ele esqueça de você, dê um tempo ― Vitória responde e começa a beber do seu suco.

― Espero sinceramente que ele me esqueça mesmo.

― A única certeza é que eu nunca vou esquecer do soco que você deu nele, sinceramente, me arrependo de não ter filmado.

Nicolas fala e sorrindo, mas ignoro.

Observo mais uma vez a mesa em que a minha irmã está, mas sou recebida por olhos azuis me encarando, abaixo a cabeça não querendo mais vê-lo me encarar.

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