11 | eu afasto as pessoas.
eu sinto que afasto as pessoas
e a culpa é sempre minha.
eu gosto de capturar
gosto de caçar
junto uma borboleta ou duas
afago-as com as palmas das minhas mãos
até que me amem
e acariciem meus dedos de volta
então eu me assusto
sinto cócegas
e as assopro pra longe,
depois as assisto voar
para algo distante dos meus dedos
para algo distante de mim
para um mundo completamente diferente
para um lugar que eu não tenha passe livre para ir.
eu as assisto flutuar
até que eu as perca de vez
e tente me convencer com pouca consistência
que era melhor assim.
o infinito engole minhas borboletas
dança com elas
e eu fico com as memórias
o gosto ruim na boca
as mãos solitárias
e uma grande incógnita circundando minha mente
por que as espantei?
talvez eu seja a pior cuidadora do mundo
talvez eu tenha que me acostumar com o oco do mundo
a viver isolada
a caçar sozinha
eu conseguiria fazer isso
mas a possibilidade me assusta.
talvez eu tenha me acostumado
a abraçar meus próprios dedos
a encurralar nada além de vazio
e a viver sem uma carícia duradora.
eu sou intensa
coloco um feitiço para localizar
minhas flores aladas
mas nunca checo
aperto suas asinhas
e espero que fiquem ao meu lado
mesmo quando as deixo ir
mesmo quando eu imploro para que partam
mesmo quando as machuco se ficarem.
eu sinto que afasto as pessoas
as minhas borboletas
uma a uma, eu assusto
e depois só as testemunho fugir
enquanto me lacro em um viveiro apertado
sozinha
como um animal arisco
incapaz de conviver com algo
além do meu orgulho
e da minha falta de jeito.
Bia R.D. Ramos
2019.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top