Valley of Tears pt.2

Eu não consigo me agarrar

Mas não posso deixar ir

Não havia nada

Para me agarrar

Algo não está certo!

Meu inimigo é invisível, eu não sei como lutar

O medo paralisante é mais do que posso suportar

Quando eu estou contra

O eco no espelho

Echo - Gumi

Ando um pouco com Caleb e Toby ainda brigando suspiro e me viro apoiando as mãos no quadril e eles param, Caleb ergue as sobrancelhas e Toby encolhe os ombros.

- Vocês podiam fazer mais silêncio. - Resmungo. - Abel pode escutar vocês facilmente, tínhamos que ser sorrateiros.

- Ele vai se esconder de qualquer forma. - Caleb olha em volta. - Onde você acha que ele está?

- Você que conhece o parque. - Murmuro e cruzo os braços.

- Não conheço não... - Caleb responde, sua expressão mudando para medo.

- Como não? Você não vinha aqui se divertir? - Toby rebate.

- Claro que não. - Caleb revira os olhos. - Esse parque era utilizado quando Alice era criança, Copas amava trazê-la para cá e fazer festas com todo o reino, isso era o que meu pai falava. Depois que Alice cresceu e bem assumiu o reino ela nunca mais veio para cá, mas algo a impediu de destruir o lugar.

- Ela deve odiar o lugar porque a traz lembranças... - Toby sussurra, seus olhos encaram o chão. - Mas não o destrói pelo mesmo motivo.

Caleb troca um olhar comigo, respiro fundo e me viro de costas voltando a andar sem rumo Toby fica um pouco para trás olhando tudo um pouco distraído, me viro preocupada para Caleb.

- O que você acha que ele tem?

- Talvez seja a proximidade com o reflexo dele. - Ele olha para trás. - Ou ele só está preocupado com o Cain.

- O Cain está seguro. - Respondo. - Eu só estranhei esse comportamento dele.

Paro e olho para o lado vendo uma roda-gigante baixa, caminho até ela e pulo a cerca de proteção olhando tudo em volta a alavanca que a liga está repleta de poeira, acho que não tem como Abel ter se escondido no alto aliás ele nem teria como descer. Bufo com raiva da minha teoria e saio, agora Caleb e Toby olham na mesma direção, me aproximo deles e vejo um edifício de dois andares estreito e na porta há uma placa escrito "O misterioso gabinete de estranhezas do Dr. Dodô", ergo uma sobrancelha.

- Isso é tão óbvio! - Aponto para o gabinete. - Ele não se esconderia ali! É estúpido.

- Talvez ser misterioso não seja o tipo do Abel. - Toby dá de ombros.

- Não custa olhar e você achou que ele estava na roda gigante. - Caleb revira os olhos. - Vamos.

Cruzo os braços e os sigo, Caleb força a maçaneta que se abre facilmente e começamos a andar pelo primeiro andar que possui duas salas uma com aquários vazios e sujos onde talvez algo habitou algum dia, mas que hoje já está morto e podre. Olho embaixo e atrás de cada aquário, mas nada então vamos para a próxima sala que está destruída como se algo tivesse a arranhado por completo, toco os arranhões gravados em uma estante de madeira com potes quebrados.

- São cortes de espadas. - Caleb murmura olhando para cima. - Como se alguém tivesse...

- Extravasando a raiva. - Me viro para o encarar. - Acho que ele esteve por aqui e vocês estavam certos...

- Não está aqui. - Toby olha em volta, ele passa uma mão pela parede e seus olhos ficam laranjas. - Lá em cima.

- Você viu algo? - Murmuro. - Ouviu ele?

- Não. - Toby pisca voltando ao normal. - Eu só... Só... - Ele olha para as paredes de novo. - Não sei... Toquei nos arranhões e vi uma trilha estranha e ela segue para cima.

- Seus poderes estão mais fortes. - Caleb se aproxima dele e segura sua mão a pressionando sobre a parede novamente. - Ache o esconderijo dele.

Toby o encara depois consente e seus olhos voltam a ficar laranjas, ele começa a andar com uma mão se arrastando sobre a parede e sobe a escada apertada no final do corredor seus passos quase não fazem barulho enquanto o seguimos. Toby para e olha para o teto do segundo andar ele estica sua mão e para com seus olhos voltam ao normal depois ele encara Caleb irritado.

- Eu não consigo! - Ele exclama se assustando. - Tem uma corda escondida entre as madeiras, mas eu não alcanço! Ninguém do tamanho do Cain alcançaria.

- Abel não tem o tamanho do Cain. - Sorrio e Toby bufa. - E o Abel foi criado em um circo, sabe? O Jared conseguia alcançar um lustre saltando e se agarrando em hastes finas, acredito que ele consiga se segurar em algo... - Olho para o corrimão ao meu lado. - Ou usando isso de apoio.

- É realmente um bom esconderijo, bom trabalho. - Caleb dá um tapinha na cabeça dele depois se se abaixa. - Suba que eu vou te levantar é melhor do que você cair pulando do corrimão.

Toby continua de cara fechada, mas sobe em seus ombros e Caleb se levanta, ele fica em pé sobre os ombros do outro precariamente e apalpa as madeiras até que puxa uma revelando uma corda enrolada, Toby a segura e a puxa para baixo, mas nada acontece.

- Pro inferno... - Toby resmunga erguendo um pé no ar.

- O que você vai fazer? - Caleb segura seu calcanhar.

- Confia em mim eu meio que sei o que fazer. - Toby ri e pula, prendo a respiração.

Ele se balança e desce lentamente enquanto um alçapão se abre e quando ele toca o chão o mesmo acontece com uma escada fina.

- Realmente um acrobata. - Toby dá risada e solta a corda. - Ele desce a escada com o próprio peso.

- Acredito que ele armou isso para ninguém encontrá-lo. - Caleb olha para cima. - Você acha que deu tempo para ele vir até o esconderijo?

- Não sei... - Murmuro abraçando meus ombros.

- Eu vou na frente. - Caleb começa a subir sem olhar para trás.

Toby dá de ombros e o segue e vou logo em seguida. Caleb entra e paramos na escada, escuto seus passos sobre a madeira enquanto ele anda um pouco depois aparece na saída do alçapão.

- Ele não está aqui. - Ele responde olhando para trás.

- Tudo bem. Toby continue a subir. - Respondo para ele que bufa sumindo do meu campo de visão. Toby sobe e vou logo em seguida.

Me apoio nos braços para me içar e encontro um sótão amplo e empoeirado com uma única janela circular suja ando até ela e olho para fora vendo o parque começando a brilhar no escuro da noite, perto da janela têm alguns livros ilustrados todos de contos de fadas, alguns pedaços de giz e desenhos no chão, olho para a parede em volta que tem recortes colados, alguns de circos outros de ilustrações de roupas, passo a mão pelos desenhos e recortes... Meu peito se aperta e tento imaginar um Abel escondido aqui o que ele pensa quando está sozinho, como se sente...? Arregalo os olhos e encaro o teto para afastar as lágrimas.

- Você não deveria ter subido... - Caleb sussurra. - Sabia que ia ficar triste.

- Não estou triste. - Respondo me virando de costas para eles. - Estou preocupada, você acha que podemos nos esconder aqui? Esperar ele voltar?

- Não parece um bom plano... - Toby sussurra. - Não só nós três, precisamos encontrar os outros assim teremos reforços.

- E se o parque não estiver vazio. - Caleb começa me viro para ele. - E se tiver alguém atrás dele ou atrás de nós? - Ele morde o lábio. - Bill pode voltar também.

- Acho que se o Bill estiver sozinho não vai conseguir fugir dos quatro que ficaram do lado de lá. - Caleb empalidece. - Você está bem mesmo?

- Estou... - Ele desvia o olhar.

- É o Cain. - Toby franze as sobrancelhas. - O que você sentiu?

Caleb arregala seus olhos e depois cruza os braços, ele parece pensar antes de sussurrar:

- Medo. - Ele baixa o olhar. - O medo dele está passando para mim, é isso. - Caleb fecha os olhos. - Saudades... - Ele faz uma careta. - Ele está sentindo saudades de algo.

- Por que eu não sinto o que a Babel sente?

- Não é o mestre que deve sentir, simples. - Caleb abre os olhos e sorri. - É o nosso papel sentir.

Sorrio e sinto meu rosto esquentar, Toby grunhe e me viro para ele.

- O que foi? - Ele responde revirando os olhos. - Só não gostei desse sorriso bobo, nada demais.

- Ah e você pode ficar perguntando sobre o Cain? - Caleb rebate, Toby fica vermelho instantaneamente. - Você por acaso...

- Vocês parecem crianças. - Respondo batendo palmas. - Então vamos para baixo, espero que Babel sinta algo e volte antes que Abel faça isso.

- Como fechamos o alçapão? - Caleb olha para baixo.

- A escada desce com o peso talvez quando ela suba a corda vá junto e fechamos a madeira. - Toby responde andando em direção a saída, mas para. - O que vamos fazer exatamente?

- Esperar os outros. - Penso. - Talvez com eles aqui a gente consiga bolar alguma armadilha, como eu digo para a Babel voltar?

- Ela vai vir. - Caleb responde, ele apoia uma mão contra as minhas costas e me empurra. - Vamos.

Caleb desce por último e empurra a escada para cima, assim como Toby disse a corda volta ao seu lugar sozinha, depois ele sobe sobre os ombros de Caleb para fechar o alçapão e a madeira. Descemos as escadas e voltamos para o térreo, me sento com os dois contra a porta e ficamos em silêncio.

- Acha que eles estão bem? - Toby sussurra.

- Devem estar. - Caleb o responde. - Se não eu saberia.

- Será que eles encontraram o Abel?

Os dois ficam em silêncio, bufo e apoio o rosto sobre os joelhos. Depois do que me parecem séculos alguém bate na porta, troco um olhar assustado com eles, mas escuto Babel reclamar e bater de novo Caleb abre a porta e vemos os três parados, Babel toda esfarrapada, Barbie suja e Cain descalço e ensanguentado.

- O QUE...? - Babel faz sinal de silêncio e entra. - O que aconteceu com cada um de vocês?

- Longa história. - Babel sussurra e puxa o ar. - Mas basicamente eu e a Barbie enfrentamos o Dois de Ouros e o Cain teve uma briga com um espelho.

- Um espelho? - Me viro para ele que dá de ombros. - Como um espelho pode ter te deixado assim? - Reparo na chave pendurada em seu pescoço. - Isso era do Jared... - Murmuro.

- Era. - Cain segura a chave e desvia o olhar. - Hamnet estava no espelho, ele me provocou e eu soquei o vidro e me machuquei... - Ele fica vermelho. - É idiota eu sei. O que vocês estão fazendo aqui?

- Encontramos o esconderijo dele. - Caleb o responde. - Fica lá em cima, algum sinal dele? E você disse que Noah estava por aqui?

- Estava. - Babel suspira. - Amarramos ele com as cordas de um brinquedo, acho que ele não vai vir atrás de nós caso se solte, mas Hamnet é um problema.

- Ele estava no palácio, não aqui. - Cain suspira. - Eu persegui o Abel na túnel cheio de manequins, mas ele escapou e eu o perdi de vista.

- Ele fica aqui em cima. - Sussurro. - Mas não voltou para cá até agora.

- Ele vai vir pra cá. - Barbie olha para cima. - O outro Dois estava atrás dele, acho que vai vir se esconder quando achar que a barra está limpa.

- Ele se esconde no porão, tem uma escada que só desce quando alguém usa seu peso para puxar uma corda, quando a porta se fecha a corda e a escada ficam escondidas e ele fica trancado no sótão. - Toby explica. - Precisamos nos dividir para emboscar ele, se todos ficarem em um único lugar ele foge de novo.

- Como vamos fazer? - Cain olha pra mim. - Alguma ideia?

- Bem... - Torço as mãos. - Alguém tem que ficar aqui embaixo, alguém forte para não o deixar sair a casa só tem essa porta. - Penso. - Alguém ágil tem que ficar de fora caso Abel se tranque no sótão essa pessoa vai poder abrir ele.

- Acredito que sejamos eu e a Babel. - Caleb responde. - Eu fico na porta e se ele se trancar eu subo e assim a Babel consegue abrir o alçapão.

- E os outros? - Toby indaga.

- Barbie pode ficar lá dentro. - Cain sugere. - Ela pode dar uma surra no Abel se ele tentar nos atacar.

- Você é idiota? Ninguém vai bater em ninguém. - Bufo. - Nós quatro temos que ficar lá dentro... - Arregalo os olhos. - Um para barrar sua fuga se ele tentar sair, alguém para segurar ele e bem nós dois. - Encaro Cain que novamente desvia o olhar. - Ele só vai ouvir a um de nós...

- Isso depende. - Cain sussurra. - Caso ele seja realmente o Abel... O verdadeiro ele vai te ouvir. - Ele suspira. - Agora caso seja o Vorpal ele vai apenas me ouvir. - Cain continua apertando a chave entre os dedos.

- E se eu falar com ele? - Toby sugere sorrindo, Cain continua sério. - Sem graça.

- É melhor subirmos. - Caleb começa a andar. - Vocês têm que se enfiar no sótão e nós temos que o deixar fechado, senão ele não vai entrar.

- Eu perco toda a diversão me escondendo. - Babel balança a cabeça. - Vamos porque se ele começou a vir para cá logo menos deve chegar.

Subo em silêncio com todos, Babel e Caleb conseguem abrir o alçapão com mais facilidade do que Toby, subo com os outros três e quando eles fecham a portinha ficamos no mais completo escuro.

- Acho melhor eu me esconder em algum ponto cego... - Barbie começa. - Atrás da porta talvez.

- Eu vou com você. - Toby puxa ela. - Acho que vocês dois sabem se resolver.

Encaro Cain com a pouca luz que vem da janela embaçada, ele está tão desconcertado quanto eu, estico minha mão e seguro a dele Cain puxa a mão de volta.

- Está machucada... - Ele sussurra. - Vamos nos esconder.

Cain me acompanha até um sofá coberto por um lençol branco, ele se senta atrás dele e faço o mesmo.

- Eu não queria começar essa conversa... - Sussurro. - Mas você sabe que eu não quero que o Abel morra, sei que você quer vingança pelo Jared e...

- Eu não quero matar ele. - Cain responde sem me encarar.

- Mas e se quando você o vir frente a frente você mude de ideia?

- Não vou. - Cain se vira pra mim. - Lilith eu nem tenho meios de o matar, você tem essas armas que você pensa que eu não sei que você anda com elas o tempo todo, mas eu não tenho nada. - Sinto meu rosto esquentar e aperto as pistolas que sinto através do vestido. - Mas o que eu não sei é como fazer ele ficar bom, como o Abel pode ser normal... Eu tenho medo que ele machuque outra pessoa, que mate mais alguém... - Cain aperta a própria garganta. - Não me importo de morrer, mas não quero que outra pessoa pague por isso, pela nossa imprudência de querer o Abel de volta.

Sinto o baque de suas palavras e me calo, Cain soluça e esfrega os olhos sinto minhas próprias lágrimas presas na garganta e me deito sobre seu ombro ele me abraça e suspira.

- Eu nunca quis que ele morresse... - Sussurro. - Nunca quis estar entre você e ele, ter que escolher um lado. - Cain acaricia meus cabelos. - Não quero perder nenhum dos dois. - As palavras saem sussurradas e me assusto com a dor nelas. - Quero ter meus dois irmãos.

- Eu também... - Cain sussurra em resposta. - Mandrake me disse para não vingar sua morte nem a do Charles, mas ele me deu algo e não disse o que era, essa chave. - Me afasto e Cain gira a chave entre os dedos. - E se ela for um meio de trazer o Abel de volta? Se for algo que possa lhe tirar a insanidade? O que o corrompeu não foi a alma de Charles como eu pensei, mas sim o espírito da espada.

- Mas Charles pode ainda estar ali, não pode? - Franzo as sobrancelhas. - E se o Abel conseguir fazer como você? Se libertar do Charles, se libertar da espada...?

- Eu não sei... - Cain abaixa a cabeça. - Ele teria que querer fazer isso e bem o Charles também se é que ele está lá, nesse caso ele teria que querer ajudar o Bell tirando a Vorpal dele...

- Talvez se você falar com ele... - Começo.

Cain ergue uma mão e aperta minha boca, penso que é pelo que eu disse, mas escuto o barulho de algo: o alçapão. Abaixo sua mão e aguardo em silêncio sentindo as batidas do meu coração mais altas do que o normal. 

XXX

Dois capítulos no mês porque estamos de quarentena por causa do Coronga vírus então acho que ler é uma boa forma de ficar em casa :v esse é o momento de indicar The Ripper para seus amiguinhos que não tên nada pra fazer aksjajskjaksj aí gente brincadeiras a parte eu tô bem preocupada com essa quarentena, mas vou tentar aproveitar ao máximo e quem sabe terminar From Hell e já engatar o final dessa história :3 bem a música desse capítulo eu não tenho noção nenhuma se já apareceu em The Ripper, caso sim só ignorem akskajskjaksj outra coisa aproveitando que estou em casa vou atualizar as playlists das duas histórias no spotify e postar no meu mural, então fiquem de olho que eu vou fazer isso em breve UwU 

Bem é isso ner, façam suas apostas é o Abel que tá aqui e se for ele vai descer a porrada em geral ou o que? AKJSKJSKAKSJKAJ até o próximo capítulo -3-  

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