New Kingdom



Essa nova Alice se tornou rainha do país

Sua paz foi levada embora por um sonho distorcido

Ela tinha medo de perder para a morte

Ela queria para sempre mandar em seu mundo.

Alice Human Sacrifice – Hatsune Miku

??/??/????, (?) – Heartsplain – Wonderland.

- Pois veja... – Ângelus diz preguiçosamente. – Os reinos devem agir como dois jogos, pois só assim não vão se destruir, cada reino terá uma hierarquia diferente, baralhos serão baralhos e xadrez será xadrez.

Ergo as sobrancelhas, isso não faz nenhum sentido.

- É excelente! – Mikayla exclama. – Assim eu terei o reino maior, certo?

- Baralhos possuem mais cartas do que xadrez possuem peças. – Ângelus ri. – Claro minha dama.

- Perfeito! – Charles encara Mikayla e depois abaixa o olhar. – Eu serei a rainha de Copas!

- Mas e nós? – Rosalinda indaga. – Por que nos deixar tão de lado?

- Não ficaram de lado, pois dividirão um grande reino porque quanto mais cabeças melhor e é melhor se aliarem do que se destruírem.

- Faz um pouco de sentido. – Mira sussurra.

- Pois decerto que eu ajudei e quero minha parte. – Ângelus sorri perigosamente. – Eu serei o Cavaleiro Branco do reino do Xadrez.

- Eu aceito. – Mira diz sorrindo. – Serás bem-vindo em meu reino.

Ergo as sobrancelhas, quando me encontrei com Helena ela me contou uma história diferente disse que foi o povo que elegeu suas rainhas e que o Jaguadarte influenciou nisso, "uma fera que surgiu cuspindo fogo" bem eu não vejo nenhum fogo sendo cuspido, mas é certo que há uma fera muito dissimulada a minha frente.

XXX

Encaro a paisagem desolada e suspiro, uma divisão daquelas é estranha, jamais um reino se ergueu assim e como eu bem sei isso não vai durar muito. Apoio o rosto nas mãos e olho em volta então algo me chama a atenção: um garoto muito parecido comigo anda na minha direção, ele tem os mesmos cachos negros e postura que a minha, mas seus olhos são vermelhos. Bem acho que meu tempo nessa memória acabou. Levanto-me e espero por ele.

- Você atrapalhou a ordem de minhas memórias. – É a primeira coisa que ele diz irritado.

- Atrapalhei? – Ergo as sobrancelhas, Jaguadarte começa a caminhar o sigo.

- Quando fugiu da outra que eu te mostrei você atrapalhou meu plano. – Ele bufa e me encara.

- Então por que não interveio antes?

- Não te interessa. – Reviro os olhos e quando faço isso vejo que o meu redor mudou, estou de volta ao palácio. – Mas até que isso foi positivo, agora aproveite o resto do passeio.

Paro de caminhar, mas ele segue em frente até desaparecer, bem lá vou eu novamente.

XXX

Estou de volta ao palácio que já está se tornando familiar para mim, mas tem algo diferente existem menos guardas de espadas no corredor que dá para saída e tudo parece mais novo, escuto passos atrás de mim e me viro vendo a mesma garota ruiva que me ajudou com o caco de vidro, ela veste uma roupa vermelha e branca com um A sobre o peito, franzo as sobrancelhas.

- Bem-vindo de volta senhor. – Ela faz uma mesura e sorri. – A Rainha o aguarda juntamente com os cavaleiros e Rainhas.

- Cavaleiros? – Ela engole em seco. – Certo... – Ela suspira aliviada. – Seu nome é...?

- Anshel. – Ela faz uma mesura. – Meu nome é Anshel senhor.

- Belo nome. – Ela sorri e cora. – Vamos? – Anshel concorda e começa a caminhar, dou uma olhada em volta novamente eu tenho que me aproveitar desses momentos. – Por que um ás?

- Meu nome senhor. – Ela ri. – Também porque sou a mais nova do naipe, até meu filho ter idade para assumir o posto.

Filho? Abaixo o olhar, ela é realmente a mãe dele aposto que ela deve cantar para ele e sempre sorrir quando aquele bobão tinha medo... Sinto algumas lágrimas apertarem minha garganta, não só por ele, mas também por minha mãe... Anshel me encara de esguelha e sinto vontade de abraça-la sem motivo algum, mas contenho esse impulso, melhor eu parar com isso.

- Seu destino senhor. – Ela para em frente a uma porta e a abre.

Sorrio e passo por ela chegando a um ambiente nem tão amistoso quanto Anshel, vejo Copas sentada encarando Branca, ela parece irritada, Vermelha está ao lado de sua companheira enquanto Charles e Ângelus ficam nas pontas opostas das mesas, então esse anjo tinha um papel muito importante mesmo nunca sendo citado para nós, caminho devagar e me sento a ponta da mesa. O cavaleiro Branco do livro era desajeitado e cômico não um ser grandioso e que sempre exala calma, talvez Carroll não gostasse tanto assim desse anjo.

Encaro todos mesmo não sabendo o motivo todos aqui parecem irritados com algo, menos Charles que encara todos tranquilamente.

- DIGA ALGUMA COISA! – Copas guincha da ponta da mesa, ergo as sobrancelhas. – Estávamos te esperando esse tempo todo!

- Perdoe-me. – Murmuro encarando a mesa. – Qual é mesmo o motivo da reunião?

- Você deveria ter um cavaleiro melhor, Copas. – Branca provoca rindo.

- CALADA! – Ela bate na mesa e não consigo evitar um sorriso. – Você deveria honrar seu posto Jaguadarte. – Ela resmunga cruzando os braços, ora pensei que o reino fosse meu antes de ser dela... – Estamos aqui para discutir a atitude que Charles tomou sem nosso consentimento.

- O corpo é meu logo não preciso de autorização para fazer algo a ele. – Charles responde friamente me surpreendendo.

- QUIETO!!! Ou eu mando-lhe cortarem a cabeça! – Mikayla bufa. – Charles o Cavaleiro da Espada Vorpal deu fim à sua arma.

- Não dei fim a ela. – Charles se inclina apoiando os braços na mesa. – Ela ainda existe, mas dentro de mim e eu posso usá-la quando precisar.

- Um cavaleiro não deveria andar sem sua espada. – Branca comenta para ninguém em especial.

- Ela era perigosa. – Ângelus responde encarando Charles. – Ele fez o certo, pois uma espada precisa de uma boa bainha.

- Esse não é o ponto! – Copas respira fundo, aparentemente gritar com o anjo não está na sua lista de coisas preferidas. – O ponto é que ele fez sem nosso consentimento!!!

- O corpo é...

- Seu. – Vermelha completa e suspira. – Nós entendemos, mas fazendo isso você só pode invoca-la quando necessário logo acabou com nosso plano de conquistar novos mundos.

Novos mundos? Ergo as sobrancelhas e me inclino um pouco, Charles foi o primeiro a voltar para nosso mundo então ele ainda consegue fazer isso, mas talvez não tenha dito nada ainda...

- Já temos mais do que o suficiente aqui. – Ele responde desviando o olhar.

- Nem tanto. – Ângelus ri e se reclina cruzando os braços. – Eu gostaria de andar por aí e descobrir mundos novos.

- Seus planos foram frustrados? – Charles provoca sorrindo. – Que pena.

- CALADOS! – Copas se levanta. – Você não deveria ter feito isso!!! Como vamos conseguir escravos para nosso reino assim?

- Humanos não são escravos. – Charles a encara. – Nem brinquedos você não deve mexer com o mundo deles. Você só é rainha aqui Mikayla, contente-se com o que tem.

Por um minuto penso que ela vai mandar ele para a morte certa porque o rosto de Mikayla assume um tom de vermelho que se compara ao seu cabelo, ela abre a boca e me assusta gritando:

- JAGUADARTE!!!

Todos da mesa se viram na minha direção, engulo em seco.

- Eu... – Cruzo as mãos e respiro fundo, pense como o Jaguadarte Cain... – Eu não conheço os outros mundos e não quero ninguém de fora, eu... – Encaro Charles e ele me olha esperançoso, desvio meu olhar para Copas que parece prestes a explodir. – Eu prefiro deixar essas questões para o futuro.

- Futuro? – Branca se inclina na minha direção. – E como pretende romper as dimensões?

- Não sei... – Encaro Ângelus e ele me surpreende com um sorriso. – Eu acho que podemos achar outra solução com o tempo e os avanços.

- Parece uma boa opção. – Charles responde encarando Copas.

- Como ele outros com esse poder podem nascer. – Ângelus comenta sorrindo. – Eu estou com o Tagarelão.

- Eu também. – Charles responde prontamente.

- Eu também. – Vermelha murmura abaixando a cabeça.

- São quatro contra nós, Copas. – Branca apoia o rosto nas mãos. – Perdemos.

Mikayla grita e sai correndo da sala deixando os outros encarando a porta e sua saída dramática, ela não parecia tão louca na memória passada, com certeza o poder subiu a sua cabeça...

XXX

- Você deveria ir conversar com ela, Jaguadarte. – Mira diz calmamente.

- Eu? – Ergo as sobrancelhas e me viro para ela.

- Ela vai te ouvir. – Ângelus responde calmamente. – Vá antes que ela mande acabar com nossos reinos.

- Se ela não quisesse me matar eu iria com você. – Charles sussurra.

Resmungo e me levanto caminhando para fora, aonde aquela maluca pode ter se enfiado? Vejo Anshel parada à porta e me aproximo dela.

- Viu aonde sua rainha foi?

- Ela foi para a sala do senhor Absolem, senhor. – Ela sussurra abaixando o olhar.

- Guia-me até ela?

Anshel consente e começa a caminhar para a direita, sigo-a de perto, por que eu? Aposto que uma mulher seria melhor para escutar Copas, mas já que nenhuma se arrisca eu tenho que colocar minha cabeça a risco, literalmente, encaro Anshel que parece mais apreensiva a cada passo, ergo uma sobrancelha.

- O que houve? – Sussurro.

- A rainha não gosta de mim. – Ela encara seus pés. – Não depois que tive meu bebê, todos comentam que ela teve uma filha que morreu no Lado de Lá.

Uma filha? Sinto meu estomago se revirar, como Vorpal disse na outra memória, Copas desejava uma filha talvez por já ter perdido uma não só pelas provocações de Branca. Engulo em seco, então quem foi o pai? Por que ela morreu? São tantas perguntas novas! Mas há uma que pode ser sanada agora.

- Quem é seu marido? – Indago a Anshel que ergue a cabeça assustada.

- O-o-o-o Sete, senhor. Nós só podemos ter relações com pessoas do mesmo naipe senhor. Senão consequências horríveis caem sobre nós.

- Que tipo de consequências? – Anshel se aproxima e murmura:

- Coisas bizarras senhor. – Ela olha em volta e para. – A dama de Ouros que teve um caso com o Rei de Espadas teve um filho de duas cabeças... – Arregalo os olhos. – A da direita é uma menina com as características de Espada e a da esquerda é um menino com características de Ouro, a coisa vive presa na torre e os pais foram queimados.

Um arrepio percorre meu corpo, Anshel se afasta e volta a caminhar com passos rápidos, freaks... Então filhos de naipes misturados são aberrações com os ases de Abel. São tantas coisas bizarras que eu não consigo entender completamente, suspiro e encaro a porta pintada de azul a minha frente, não encaro Anshel e nem me despeço, apenas abro a porta e entro sendo recebido por uma fumaça azul intensa e escuto vozes que não posso ver.

- Mas aqui eu posso tentar de novo...

- O que se partiu uma vez não volta jamais. – Escuto uma voz masculina sussurrar. – Siga em frente, siga em paz.

- Se eu tivesse um mundo só meu nada do que fosse seria... – Escuto Copas sussurrar, parece estar chorando. – Os mortos voltariam e daqui ninguém partiria... – Ela soluça.

- Você não pode mudar o passado.

- VOCÊ DEVERIA ME APOIAR!!! – Copas berra, ergo as sobrancelhas.

- Eu não... Mas ele sim. – A fumaça se dissipa como mágica e encaro Copas encolhida chorando, Absolem dá outra baforada e cobre o rosto dela. – Ele pode te ajudar, não eu.

Sinto um choque percorrer meu corpo e inconscientemente caminho em direção a Copas, me ajoelho ao seu lado e seguro suas mãos entre as minhas, ela arregala os olhos. O que há comigo? Eu não estou me apaixonando, estou? Talvez seja coisa do Jaguadarte afinal Charles, ou melhor, o Charles que eu conheço ainda não existia aqui.

- Você é mesmo maluco. – Copas ri e se deita em mim. – Esse aqui nunca vai me ajudar em nada, afinal quem dá um reino a uma completa desconhecida? Ele é louco.

- Você também é. – Sorrio quando ela me encara irritada. – Somos todos loucos por aqui.

Mikayla solta uma risadinha baixa e seca as lágrimas que ainda estão em suas bochechas.

- Maluquinho... – Ela se inclina e meu cérebro não entende o que ela vai fazer, até seus lábios se encostarem nos meus, cerro os olhos e ela se afasta. – Mas eu gosto de você.

Continuo de olhos fechados escutando o farfalhar do seu vestido quando ela se levanta e seus passos se distanciando, suspiro e abro os olhos vendo apenas Absolem ao meu lado.

- Mulheres são uma verdadeira armadilha... – Ele sussurra rindo.

- Podem ser. – Dou de ombros. – Mas homens também sabem esconder suas garras.

Absolem sorri e solta mais uma baforada azul tampando a minha visão e de alguma forma me deixando completamente inebriado, por Deus que Jared volte a aparecer nessa memória antes que eu me arrependa de algo...  


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