Lost boy - especial Halloween

Então, numa noite assim que fechei os olhos

Eu vi uma sombra voando alto

Ele veio até mim com o seu sorriso mais doce

Me disse que queria conversar um pouco

Ele disse Peter Pan é como eles me chamam

Eu prometo que você nunca mais estará sozinho

Lost Boy - Ruth B.

Cain estava deitado quase pegando no sono, seus pais tinham ido para um importante jantar, sua babá estava amarrada no quintal porque seu pai tinha tropeçado nela enquanto brigava com Abel por ter escondido suas abotoaduras de ouro, a babá era um grande gato preto com olhos engraçados que se chamava Chess e que parecia entender muito bem o que os humanos falavam, mas nem com todos seus protestos conseguiu fugir do castigo. Os olhos de Cain estavam ficando pesados quando ele ouviu algo forçando a sua janela e se sentou, Abel e Lilith se sentaram também.

- Você acha que é ele? - Indagou a menina.

- Não sei... - Cain a respondeu e o trinco abriu. - Vamos, finjam que estão dormindo.

Eles voltaram a se deitar e ouviram algo deslizando para dentro com passos leves e que às vezes desapareciam, a pessoa forçou algumas gavetas e armários, por fim ele suspirou.

- Ei Barb você acha que ela não está aqui?

- Seu idiota... - A outra voz respondeu e o som de um sininho era ouvido quando ela falava meio sussurrado. - Eu disse que ela não ficaria esperando você voltar deve estar longe agora.

- Eu prendi ela. - Cain se sentou fazendo o estranho par se assustar. - Você quer sua sombra de volta?

- Quem é você? - O garoto ruivo saltou... Saltou não, ele flutuou no ar e se agachou sobre uma cômoda com a mão pairando ao lado do corpo.

- É o garoto humano. - Disse a menina ao seu lado, ela tinha cabelos loiros trançados com ouro e finas asas translúcidas. - O de cabelos cacheados e ali o que é igual a ele, mas diferente. - Abel estava se sentando e por fim Lilith tirou os cobertores do rosto. - E você! - A menina sorriu. - A pequena dama.

- É você! - Abel sorriu. - O garoto das historias. - O ruivo se empertigou sorrindo. - O que nunca cresce e vive... Oh você vive lá?! Você viu o meu barco, ou o lobo da minha irmã?

- Estão todos na Terra do Nunca, não estão? - Lilith perguntou.

- Você é Peter Pan? - Cain indagou e o menino fez uma careta, ele flutuou de volta para o chão e passou o peso de um pé para o outro.

- Na verdade meu nome não é Peter as pessoas que me chamam assim. - Ele sorriu. - Meu nome é Jared e ahn só Jared.

- Então quem inventou o Peter Pan? - Abel indagou.

- Onde está aquela adulta? A que conta histórias? - Jared olhou em volta. - E minha sombra?

- Você vai nos levar? - Lilith saltou da cama indo atrás da sombra.

- Para onde? - Ele a seguiu com a cabeça enquanto ela pegava duas caixas uma pequena e enfeitada e outra grande e lisa.

- Para a Terra do Nunca! - Cain desceu da cama e estendeu uma mão, Lilith parou. - É a condição para ter sua sombra de volta. - Ele sorriu perigosamente, Jared gostava de desafios e ele via isso no olhar do outro.

- É um preço justo o que você acha Barb?

- Eles não estão perdidos... - Ela sussurrou.

- Mas nossos pais não estão aqui. - Cain continuou. - Nem a babá, estamos sozinhos, abandonados...

- Vocês são meus então! - Jared sorriu erguendo as sobrancelhas. - Agora devolva a minha sombra menino esperto. - Ele cruzou os braços. - Oh você é muito esperto mesmo! Você poderia ser o meu capitão!

- Por que ele? - Abel desceu da cama, Lilith abria uma caixinha e de dentro dela uma sombra se desdobrou e criou a forma do Jared. - Eu também sou esperto.

- Você pode comandar os meninos perdidos. - Jared disse. - Vai ser o co-capitão então. - Abel sorriu orgulhoso.

- Só meninos? - Lilith pareceu ofendida, ela passou um fio por uma agulha e chamou Jared com a mão, ele hesitou. - Ora você está com medo?

- Eu nunca sinto medo. - Ele inflou o peito e se sentou. - O que eu faço?

- Vou costurar pelo seu pé afinal é onde as sombras se ligam. - Ela sorriu. - Mas antes diga-me que eu vou poder caçar os pele vermelha que eu costuro sua sombra de volta.

- Vocês todos são cheios de exigências?! - Ele cruzou os braços novamente. - Cace os peles vermelhas, mas nunca, jamais, seja pega pelo Gancho jure por sua alma.

- Eu juro por minha alma. - Um brilho sombrio surgiu em seus olhos. - Agora não chore quando eu começar a costurar.

- Eu nunca choro. - Jared bufou e Lilith segurou seu pé puxando a sombra ela segurou os dois juntos e começou a costurar com precisão.

- Como vamos para a Terra do Nunca? - Cain indagou andando até ele, Jared o olhou bem.

- Segunda a direita, e direto até amanhã de manhã. - Ele disse com tanta certeza que Cain nem ao menos conseguiu questionar.

- Mas eles não voam... - Barb sussurrou. - Como vamos levá-los assim? - Enquanto falava ela andava em círculos soltando brilhos que iluminavam o quarto. - São só três crianças abandonadas...

- Barb o seu pó de fada! - Ela parou. - Use neles!

- Pó de fada? - Lilith ergueu as sobrancelhas. - E como voamos?

- Pense uma coisa bem boa e num instante você voa. - Jared disse se levantando. - Oh vamos, temos que ir logo.

Barb olhou preocupada para as crianças mais uma vez, mas elas pareciam tão determinadas em partir que ela só pode suspirar e balançar suas asas para que seu pó mágico voasse até os três.

- Pense em uma coisa boa... - Lilith fechou os olhos e foi a primeira a voar, desengonçada e esperneando até pegar o jeito, depois Abel e por fim Cain saiu do chão.

Eles deram voltas pelo quarto de esbarrando uns nos outros, caindo e voltando a voar, Barb saiu do chão e diferente deles batia suas finas asas enquanto voava, as crianças saíram seguindo Jared pela janela e lá embaixo Chess miou alarmado, mas nenhuma criança se deu ao trabalho de olhar para ele enquanto na esquina da casa o Sr. e a Sra. Maurêveilles voltavam do jantar que tinha sido horrível, eles olharam para cima e viram contra a lua cheia a sombra de três crianças conhecidas e duas com formas estranhas que lideravam seus filhos eles também tentaram chamar a atenção das crianças mas era impossível porque eles já tinham virado a segunda a direita e estavam indo direto até amanhã de manhã.

XXX

- E como ele é? - Cain indagou dando um rasante, já era o segundo oceano que eles cruzavam e tudo parecia tedioso.

- Quem? - Jared indagou voando de costas, como se estivesse boiando.

- O Gancho! - Abel se juntou a eles.

- Ah horrível. - Jared revirou os olhos. - Com todo seu cabelo escorrido e suas roupas engomadas, ele é enorme, mas já foi maior só que eu cortei um pedaço dele.

- Que pedaço? - Cain indagou.

- A sua mão esquerda. - Ele disse sorrindo. - É por isso que ele usa um gancho no lugar dela.

- E os pele vermelha? - Lilith também se juntou a eles.

- São liderados pelo Cacique, um bom homem... E também tem a princesa Tigrinha... - Jared sussurrou.

- Ah Tigrinha... - Barb suspirou e seu brilho mudou de dourado para vermelho. - Mas é perigoso para vocês se aproximarem dos pele vermelha, às vezes eles não soltam os meninos perdidos.

- Por que só meninos? - Lilith franziu as sobrancelhas.

- Uma criança só vai parar na Terra do Nunca se ela cai de seu carrinho e não é reclamada após sete dias, meninas são espertas demais para caírem dos seus carrinhos. - Jared disse e Lilith se sorriu. - Por isso só temos meninos.

- Então eu deveria liderar eles. - Ela subiu mais e deu risada.

- Isso não vale eu pedi primeiro... - Abel resmungou.

- Estamos chegando! - Cain disse e os dois se calaram.

A ilha tinha o formato de uma meia lua às vezes, outras estava cheia, era colorida e tinha árvores enormes, toda cercada por água e nela eles puderam ver o navio grandioso que estava ancorado, era o navio do Gancho, mas ele não estava lá, muito menos sua tripulação que agora explorava a ilha em busca do esconderijo de Jared. Vamos ao Capitão Gancho ele era um homem alto e de faces finas, seu olhar sempre tinha um traço melancólico e distante, seus longos cabelos e roupas eram negros e ele usava um chapéu que cobria seu rosto quando não estava em batalhas, agora mesmo ele andava afundando suas botas com raiva por uma trilha lamacenta, ao seu lado seu primeiro imediato o seguia sorridente, Ângelus era o oposto de seu capitão, seus cabelos eram turquesas e ele usava roupas leves e claras, mas sua aparência enganava a todos porque por baixo da beleza simpática ele era tão cruel quanto Gancho e fora por esse motivo que se tornara seu imediato.

- Acha que vamos encontrar dessa vez, capitão? - Ângelus indagou se aproximando do outro.

- Ele não está na ilha, é o momento perfeito... - Gancho olhou para seu imediato e sentiu um calafrio.

- Capitão! Ele está de volta! Meninos perdidos no alto!!! - Um dos homens gritou apontando para as crianças que voavam de volta a ilha.

- O que faremos capitão? - Ângelus olhava para as crianças e seus olhos amarelos eram frios, Gancho pensou.

- Deixe-os. - Ângelus se virou para ele. - Você é a minha arma secreta, vocês inúteis tentem encontrar o esconderijo dele enquanto voltam e você volta comigo imediato. Tenho um plano para nós.

- Como quiser Gancho. - Ângelus inclinou sua cabeça sorrindo.

Se afastando eles voltaram para o navio ancorado, Jared e as crianças nem ao menos cruzaram seu caminho na volta para casa, eles pousaram graciosamente sobre a árvore do homem morto e olharam em volta, nenhum dos piratas do Gancho estava por ali.

- Os meninos perdidos estão lá embaixo. - Barb voou e puxou um tronco de árvore revelando um grande escorregador. - Vamos?

- Hn... - Jared pensou e se aproximou um pouco. - Você, menino esperto, gostaria de vir comigo?

- Meu nome é Cain. - Ele disse o olhando de cima a baixo. - Para onde?

- Uma aventura. - Jared riu. - Também posso te mostrar a ilha. - Ele estendeu uma mão para o outro. - Quer vir comigo, Cain?

Cain hesitou, Barb e seus irmãos já tinham descido para a casa na árvore e os dois estavam a sós, ele pensou em como nunca se livrava dos irmãos e que sempre tinha que ser responsável e afastando a ponta de culpa que surgia na sua cabeça ele aceitou a mão estendida de Jared voando para longe.

Enquanto isso Abel e Lilith eram saudados por quatro garotos estranhos, o mais alto tinha cabelos pretos, olhos brancos e usava uma pele de gambá a sua volta, o segundo tinha cabelos loiros, olhos cinzentos e usava uma pele de raposa vermelha, enquanto o garoto que estava afastado de todos tinha cabelos brancos, olhos negros e era uma raposa do ártico, por fim o último era sorridente e tinha olhos e cabelos castanhos que se fundiam com sua pele de urso pardo.

- Você é uma garota? - Disse o urso. - Pensei que a única garota da nossa casa fosse a Barb.

- Ahn sou. - Lilith fez uma mesura. - Eu me chamo Lilith e esse é meu irmão Abel, por que vocês usam peles?

- São as nossas caças. - O de cabelos pretos sorriu. - Eu sou o Dois. - Ele apontou para os outros. - Esse é o Dormidongo. - O urso sorriu. - Fantasma. - O loiro inclinou a cabeça. - E aquele é o Alma... - O garoto de cabelos brancos virou o rosto. - Ele não fala muito.

- O que vocês fazem para se divertir? - Abel olhou de um ao outro. - Oh! Podemos caçar os pele vermelha? Ou outra coisa? Eu quero uma pele também e um nome legal.

- Você só ganha um nome se fizer por merecer. - Fantasma sorriu. - Onde está o líder?

- É verdade... - Barb olhou para os lados. - Ele deve ter ido em alguma aventura.

- Com o Cain. - Lilith cerrou os olhos. - Vamos, eu quero caçar os pele vermelha, me leve até a Tigrinha.

- O chefe disse sobre as regras? - Dois perguntou acompanhando Lilith. - Não podemos matar nenhum pele vermelha.

- Por quê? - Lilith bateu o pé.

- Porque senão eles matam um de nós... - Dois olhou para Alma encostado ainda no mesmo lugar. - Venha, eu vou te ensinar como a encontrar eles.

- E ele? - Abel apontou para trás.

- Alma sempre fica de vigia da casa. - Dormidongo, encolheu os ombros. - Ele me dá calafrios... - Sussurrou balançando a cabeça.

Assim os meninos perdidos deixaram sua toca para mais uma caçada, eles só não esperavam que ela seria diferente dessa vez.

Do outro lado da Ilha Cain e Jared pousavam em uma gruta sobre a ilha das sereias, Cain olhou para baixo maravilhado e sorriu vendo as sereias jogarem água para cima com suas caudas multicoloridas e cabelos de cores que ele nunca vira em cabelos, apoiou o rosto nas mãos enquanto Jared o observava.

- Você nunca viu uma sereia? - Ele riu se abaixando ao lado do outro e apoiando o rosto nas mãos também. - São tão bonitas, mas tão arrogantes.

- De onde eu vim sereias não exis... - Jared tampou a boca dele.

- Não diga isso... - Seus olhos verdes encaravam Cain intensamente. - Se você fala que uma coisa não existe ela morre.... Você não quer matar uma sereia, quer? - Ele negou.

Jared sorriu abaixando sua mão, seus olhos estudavam aquele rosto novo e Cain encarava suas sardas sem querer olhar para aqueles olhos intensos, Jared se inclinava mais, mas um som chamou sua atenção e ele se virou bruscamente tentando ouvir melhor.

- O que foi? - Cain olhou para baixo também.

- Gancho. - Jared se levantou e flutuou estendendo sua mão para Cain. - Venha, isso não deve ser coisa boa.

- Você vai me levar para uma aventura, não vai? - Jared consentiu sorrindo e ele aceitou sua mão voando para dentro de uma gruta.

Gancho estava sentado em uma das pedras, era pavoroso e Cain nunca tinha visto uma pessoa tão alta, todas suas roupas eram negras e ele usava um chapéu que lhe cobria o rosto e ao seu lado outro homem alto, mas nem tanto, conversava com uma garota de cabelos meio pretos e meio brancos trançados separados que estava amarrada a uma âncora e virava o rosto.

- Vamos Tigrinha você não quer morrer, quer? - Disse Ângelus sorrindo. - É só nos dizer onde se escondem os meninos perdidos, vocês pele vermelhas vivem brigando com eles... - Tigrinha virou o rosto bufando.

- Deixe-a, a maré vai subir. - Gancho se levantou e balançou seus cabelos.

Cain olhou para o lado e se assustou com o sorriso sinistro que cruzava as faces bondosas de Jared, ele se inclinou e Cain segurou seu braço.

- O que você vai fazer...? - Sussurrou.

- Vai ser divertido. - Ele afastou a mão de Cain. - Eu volto para te buscar.

Jared voou até se esconder atrás de uma pedra, então com um voz retumbante, gritou:

"EU SOU O ESPÍRITO DOS MARES" Gancho ergueu seu rosto e Cain sentiu pena dele, seu olhar era triste e distante enquanto o homem ao seu lado olhava diretamente para onde Jared estava "SOLTEM A PRINCESA E VOLTEM PARA SEU NAVIO."

- Nenhum homem, animal ou alma pode me assustar mais do que o ato de viver. - Gancho sacou um chicote negro da lateral do seu corpo e seu gancho brilhou. - Apareça espírito dos mares e me enfrente se quer a princesa.

Cain mordeu o lábio e se escondeu quando o acompanhante de Gancho se virou para onde ele estava.

- Ou você não tem coragem...? - Gancho sorriu erguendo o rosto.

- Nunca diga que eu não tenho coragem. - Jared saltou sobre a pedra e sacou a faca que ficava presa a sua perna. - Bacalhau.

- Ele é meu. - Gancho ergueu seu gancho e Ângelus se afastou consentindo. - Venha moleque, lute com sua vida e se for capaz me mate.

Cain se encolheu fechando os olhos quando ouviu o som de metal contra metal, ele nem ao menos ouviu a aproximação sutil de Ângelus e quando abriu os olhos ele congelou ao encarar o outro.

- Não vou te fazer mal. - Ele disse. - A não ser que meu capitão queira.

- Você voa? - Cain murmurou, seus lábios estavam brancos de medo.

- Sem pensamentos felizes. - Respondeu o homem olhando para baixo. - Se você caísse assustado daqui duvido que teria pensamentos bons o suficiente para te manter no ar. Aliás você está no melhor lugar para ver a luta.

Ele se inclinou para ver lá embaixo enquanto Jared voava e fazia belas acrobacias fugindo da espada do Gancho que sempre estava perto demais para Cain, Ângelus o observava e às vezes a luta parecendo desinteressado. Jared rasgou o rosto de Gancho e a pena do seu chapéu tinha sido cortada ao meio enquanto ele não tinha nenhum arranhão, Gancho bateu seu chicote negro sobre uma pedra e a despedaçou fazendo Jared voar para longe.

- Por que não me enfrenta na terra, covarde? - Gancho brandou.

- Nunca me chame de covarde. - Jared bufou se aproximando. - Então não use seu gancho.

- Fechado. - Gancho colocou a mão esquerda nas costas e sorriu.

Jared desviava graciosamente sem voar, mas as pedras caídas o atrapalhavam e quando deslizou em uma delas ele sentiu o gancho frio lhe cortar a face de um lado ao outro e caindo ele olhou chocado para o homem à sua frente mas ele não estava atordoado pela dor e sim pela traição, Gancho prometera que não ia usar seu gancho nele.

- VOCÊ MENTIU! - Jared gritou alçando voo. - MENTIU PRA MIM! - Ele apontou sua faca para Gancho. - Na próxima vez vai ser você ou eu Gancho.

- Estarei esperando. - Gancho riu, mas um som ao longe gelou seu sangue: era um tique-taque de relógio. - Ângelus!!! Ângelus vamos voltar!

Quando Jared cortou a mão esquerda dele tinha a jogado a um grande crocodilo que habitava a ilha, o problema é que o crocodilo tinha gostado tanto da mão que passou a perseguir Gancho para poder ter mais um de seus pedaços, ou até mesmo ele inteiro.

Ele voltou para o barco pequeno e Ângelus saltou de onde estava caindo em pé como um gato e sem nenhum arranhão depois foi embora com seu capitão, Jared foi ajudar a Tigrinha que já estava com água pelo pescoço enquanto Cain descia devagar e com medo de não ter pensamentos felizes o suficiente.

- V-você foi incrível... - Ele disse a Jared.

- Não me toque! - Tigrinha se debatia. - Eu me recuso a ser salva por um homem! - Ela alternava entre gritar e respirar enquanto a água subia mais.

- Tigrinha por favor... - Jared suspirou. - E por um cavaleiro? - Ele olhou para Cain. - Venha você é um cavaleiro, não é?

Cain corou e se curvou mergulhando as mãos na água fria para desatar o nó complicado que Ângelus tinha dado com medo de não conseguir salvar Tigrinha, ele prendeu a respiração e desatou o último nó sentindo-a empurrar ele e subir para respirar novamente.

- Eu não precisava de um cavaleiro... - Ela dizia pausadamente entre uma respiração e outra. - Eu mesma podia me salvar!

- Quer que eu te leve de volta? - Jared se propôs sorrindo. - Ou você prefere nadar até sua tribo?

Tigrinha bufou se levantando, ela olhou para Cain com raiva e por fim aceitou ser carregada por Jared ainda de cara fechada e assim os dois voaram para a tribo dos pele-vermelha.

XXX

Quando chegaram a tribo dos pele-vermelha encontraram os meninos perdidos amarrados a uma pira prontos para serem queimados, apenas Barb e Lilith estavam de fora porque Tigrinha jamais perdoaria quem maltratasse uma garota em seu território.

- O que estão fazendo? - Ela indagou se afastando de Jared, Barb começou a brilhar em vermelho com sua aproximação. - Por que estão maltratando os meninos perdidos?

- Pensamos que estavam com você. - O homem alto e de cabelos quase brancos respondeu. - Iriamos queimá-los, olho por olho e dente por dente.

- Não estavam! - Tigrinha bateu o pé. - E o líder deles me salvou do Gancho e... E... Aquilo. - Ela balançou suas tranças. - Libertem os meninos perdidos, hoje eles têm uma dívida de gratidão com os pele-vermelha.

E assim foi feito, Dois, Fantasma, Dormidongo e Abel estavam muito aliviados de terem escapado do fogo, enquanto Lilith se aproximava de Cain para lhe cobrar uma explicação.

- Ele estava comigo. - Respondeu Jared. - Enfrentamos ao Gancho.

- O seu rosto... - Abel arquejou. - Você foi ferido por ele?

- Fui? - Jared já tinha se esquecido, ele sempre esquecia facilmente das coisas até mesmo do juramento de morte que fez ao Gancho.

- Não saiam para uma aventura sem a gente na próxima, ou mal sabem se vão nos encontrar vivos. - Lilith revirou os olhos e se afastou, Dois e Fantasma a seguiram com admiração.

- Oh wow! - Cain se virou e viu um garoto com uma pele de urso. - Oi! Eu sou o Dormidongo, quem é você?

- Sou Cain... - Ele disse devagar. - Irmão da Lilith e do Abel. Quem são vocês?

- Os meninos perdidos, quem mais seriam? - Jared revirou os olhos. - Vamos para casa. - Ele segurou Cain pelo pulso. - Você vai adorar lá.

E assim ele levou Cain, Abel veio em seguida e sorriu para o Dormidongo que suspirou o seguindo, Barb acabou ficando para trás enquanto eles voltavam para a casa dos meninos perdidos.

XXX

A casa era tudo menos arrumada, aconchegante talvez, mas era suja e bagunçada, Cain torceu o nariz e começou a sentir falta de casa ali embaixo porque no começo tinha sido divertido, mas agora ele estava cansado e não queria dormir naquela sujeira.

- Por que vocês não arrumam a casa? - Ele indagou para Jared.

- Estamos muito ocupados vivendo aventuras. - Ele o respondeu.

- Eu posso arrumar se você quiser. - Dormidongo se propôs.

- Claro que não. - Fantasma resmungou. - O que você acha Alma? - O garoto de cabelos brancos revirou os olhos. - Viu?

- Onde está a Barb? - Lilith indagou olhando em volta.

- Às vezes ela fica na tribo. - Dois a respondeu. - Mas ela nunca se incomodou com a bagunça.

- Tudo bem, tudo bem... - Jared balançou as mãos. - Vamos dormir, amanhã saímos cedo da casa e quando voltarmos cansados ela não vai parecer tão bagunçada.

- Você é um gênio chefe! - Fantasma disse empolgado.

- Não muito. - Cain revirou os olhos, Alma se virou para ele. - Oh... E você...?

- Eu o que? - O garoto rebateu, até mesmo Jared abriu a boca pasmado ao ouvir Alma falar.

- Vai ficar aí parado me olhando?! - Cain ergueu as sobrancelhas. - Você não estava lá fora então por que não limpa essa bagunça? - Ele se virou para os outros meninos. - Por que todos vocês não limpam essa bagunça?

- Ahn... - Jared olhou para os outros. - Porque eu sou o chefe e...

- Não! - Cain apontou para ele que recuou assustado. - Eu estou no comando e vamos arrumar isso AGORA!

Lilith riu e Abel abafou uma risadinha, eles já estavam acostumados.

- Mas... Para você estar no comando você só pode ser... - Fantasma pensou. - Como é mesmo? Aquilo Dois, com M...

- Mar? - Ele chutou. - Ah não eu sei! É... É...

- Mãe. - Alma sussurrou e se levantou.

E então começou a limpar a sua volta e vendo que até mesmo o mais estranho do grupo estava obedecendo as ordens do garoto novo eles começaram a limpar, Lilith e Abel se juntaram assim como Cain que bufou sorrindo. Quando terminaram os meninos perdidos caíram em suas camas e adormeceram imediatamente, até Alma dormia profundamente como não fazia a muito tempo, Lilith e Abel se enrolaram em uma das novas camas feitas durante a limpeza e desmaiaram de sono, Jared e Cain estavam na cozinha enquanto Cain bebia o suco de uma flor estranha que Jared lhe entregara.

- Acho que eu nunca vi essa casa arrumada. - Ele sorriu, o corte em seu rosto estava quase curado. - Você me assustou mais do que o Gancho.

- Eu sei ser bem assustador quando precisa. - Cain sorriu. - Mas você merecia por ser um péssimo líder. - Deu de ombros.

- Claro que não eu sou um ótimo líder e você como meu capitão precisa manter as coisas organizadas.

- Você é sempre tão estúpido? - Cain riu e se levantou. - De qualquer forma, boa noite.

Jared o puxou pelo pulso fazendo Cain se desequilibrar e se apoiar nele, o ruivo sorriu e recuou um passo saindo um pouco do chão enquanto Cain o acompanhava como que em uma dança silenciosa.

- Eu poderia te dar um beijo... - Cain murmurou o encarando nos olhos.

- O que é um beijo? - Quis saber Jared.

Cain riu e se aproximou dele que ainda planava confuso e antes que seus lábios tocassem os de Jared ele saltou quando alguém disse:

- O que vocês estão fazendo? - Cain se virou vermelho para Dormidongo que sorria. - Por que não estão na cama? Está na hora de dormir.

- Cain disse que ia me dar um...

- NADA!!! - Cain guinchou se afastando. - Eu ia dormir, isso.

E correu até se enfiar entre as cobertas ao lado dos irmãos, Dormidongo deu de ombros para Jared que bufou e voltou a sua cama enquanto o líder ia para seu quarto separado.

XXX

Os dias na Terra do Nunca passavam devagar e quase sempre um dia só parecia três, às vezes as crianças se aventuravam com os pele vermelha de manhã, fugiam dos homens do Gancho a tarde e nadavam com as sereias a noite, Abel e Lilith tinham se tornado tão parte do bando que quando Cain os chamava pelo nome eles não o respondiam agora eram Copas e Coringa, porque ensinaram aos outros como se jogava baralho e Cain era o Capitão desde o incidente da limpeza e porque ele estava sempre mandando os outros fazerem coisas que não gostavam como tomar banhos e trocar de roupas, tinha um ar mandão, mas no fundo fazia isso porque gostava de todos até mesmo Alma que ainda não falava mas começava a comer e sair com os outros. Outra coisa que também se tornou comum foram as brigas entre o líder e o capitão, Jared e Cain às vezes não se entendiam e é para uma dessas brigas que vamos agora, ela aconteceu porque Jared não queria tomar seu remédio.

- É só um suco de flor... - Ele começou. - Não é remédio...

- Mas que exemplo você vai dar para seu bando assim? - Cain bufou. - Você tem que mostrar coragem!!! Beba seu remédio.

O problema da Terra do Nunca é que o faz de conta às vezes se tornava realidade e quando Cain dizia que o suco era remédio ele de fato virava, Jared não queria demonstrar fraqueza mas também não queria beber.

- Por que você não bebe?! - Rebateu.

- Eu... Eu... - Cain ouviu os meninos gritarem e rirem e sentiu seu rosto esquentar. - Não! O remédio é seu.

- Por que não prova então? - Um sorriso cruel surgiu no rosto dele.

- Não! - Cain insistiu.

- Não vá me dizer que você é um covarde. - Cain recuou e saiu correndo da casa. - EI!!!

- Você é tão idiota!!! - Dormidongo se levantou e correu para fora também.

Mas quando chegou lá não tinha nenhum sinal de que Cain tivesse corrido por ali segundos antes, Jared também saiu e por fim Barb que olhou para os lados sem entender.

- Ele deve ter se escondido. - Jared resmungou coçando a cabeça. - Eu vou pela direita, Barb esquerda e você por terra.

O Dormidongo consentiu ainda emburrado e saiu em busca de Cain o que eles não sabiam é que ele já estava longe, Ângelus vinha rondando a área cada vez mais perto de achar o esconderijo dos meninos perdidos e qual não foi sua surpresa quando viu aquele garoto novo passar correndo por ele e assim agarrando seu pulso ele facilmente levou Cain com ele enquanto voava rápido com um par de asas amarelas que surgiram no segundo em que ele viu sua presa e caso você não saiba asas são a forma mais rápida de se voar na Terra do Nunca, mas não as asas finas como as das fadas e sim asas com penas fortes. Em pouco tempo Ângelus estava de volta à cabine de seu capitão com Cain que se debatia apesar do susto e do voo nada agradável, quando Ângelus enfim o soltou ele encarou um homem grande de expressão triste que tinha uma aura fria e cruel, Cain recuou olhando para os lados.

- Ora você não precisa ter tanto medo assim, não é meu alvo. - Gancho sorriu e se levantou fazendo Cain se sentir menor. - Vamos garoto de pé, você parece nobre, me diga qual é sua linhagem.

- Ahn conde... - Ele sussurrou e Gancho sorriu o erguendo e batendo nas suas roupas com seu gancho para tirar a poeira. - Meu pai é um conde.

- Posso ver no seu olhar. - Ele olhou Cain de cima a baixo. - Por que está metido com aquele menino estúpido quando tem tanto potencial?

- Ele é de fato estúpido... - Cain resmungou e Gancho viu uma oportunidade. - Pra falar a verdade nem sei o que estou fazendo aqui.

- Com certeza você tem um futuro grandioso, eu imagino. - Ele caminhou guiando Cain até um grande piano negro e se sentou dando batidinhas ao seu lado para que ele se sentasse. - Mas aquele menino? Ele nem ao menos vai crescer, sempre agindo de forma imprudente e idiota.

- Nem me fale. - Cain apoiou o rosto nas mãos enquanto Gancho tocava, ele tinha uma habilidade incrível apesar de uma das suas mãos ser, bem, um gancho. - Sempre vivendo aventuras ele disse, não tem tempo para arrumar a casa, comer como gente, tomar banhos normais ou ao menos notar que... - Cain se calou e arregalou os olhos sentindo o rosto esquentar.

- Ele não é recíproco aos seus sentimentos. - Gancho balançou seus longos cabelos negros. - É um mal, querido, daqueles que não crescem eles também não amam.

Cain inflou as bochechas e balançou as pernas se sentindo um bobo por muitas coisas e não percebeu para onde Gancho o estava guiando.

- O senhor acha que ele nunca vai amar ninguém? - Ele sussurrou, Gancho gostou do respeito no senhor. - Ou quem sabe desistir daqui e crescer?

- Nunca, meu bem. - Gancho parou de tocar e afagou os cabelos dele com sua mão de verdade. - Sabe? Vai ser melhor você voltar para seu lar, pode crescer e se tornar um conde, vai ter outros amores também.

- O senhor acha...? - Ele abaixou o olhar e duas lágrimas cruzaram seu rosto.

- A primeira vez que um coração se parte é sempre a pior. - Gancho suspirou teatralmente abraçando um dos seus ombros. - Meu caro você poderia?

- Oh claro. - Ângelus sorriu. - Vinho Cain?

- Não isso. - Ele bufou, Cain olhava de um ao outro confuso. - Você poderia levar esse pequeno conde de volta para sua casa?

- Receio que não. - Ângelus balançou a cabeça. - Só quem o trouxe pode te devolver para seu lar... Caso você não queira eu posso ir falar com o garoto assim você não precisa ver ele.

- Não... - Cain franziu as sobrancelhas, ele sabia que Jared se escondia do Gancho, ele então começou a se dar conta do perigo em que estava.

- Escute, meu bem. - Gancho o abraçou. - Eu sou um homem de palavra e se você me disser onde fica o esconderijo daquele malandro eu juro não encostar uma mão... - Cain olhou para sua outra "mão". - Ou gancho nele.

- Jura de verdade...? - Ele o encarou, Gancho consentiu sorrindo. - Na árvore do homem morto é o esconderijo dele, bem ele não deve estar em casa, provavelmente me procurando, seu remédio ainda deve estar lá e... - Cain arquejou quando Gancho o ergueu do chão.

- Não me leve a mal conde. - Ele o depositou em uma grande gaiola dourada que ficava pendurada em sua sala. - Jurei que não encostaria um dedo ou gancho nele e vou cumprir com minha palavra e resolver nossas diferenças de outro jeito. - Um sorriso frio cortou seu rosto. - Quanto a você dará um ótimo aprendiz quando partimos depois da morte de Jared.

- NÃO!!! - Cain se jogou contra as barras. - VOCÊ PROMETEU.

- Você vai me agradecer quando for o próximo Barba Negra meu bem.

Gancho saiu acompanhado de Ângelo e Cain pode ouvir os seus homens gritando e partindo enquanto ele estava ali longe do chão e se sentindo culpado por ter caído na do Gancho, ele olhou em volta e viu que a gaiola era suspensa por um gancho, passou as pernas para fora dela se balançando, tinha que conseguir sair dali antes que fosse tarde demais.

XXX

Gancho e Ângelus conheciam muito bem a ilha então foram rápidos e por atalhos até chegarem a árvore do homem morto que de fato estava vazia nem mesmo Alma estava lá, ele então foi até a flor porque Cain falara dela, sorrindo Gancho pingou uma gota do veneno que carregava consigo dentro do líquido que se misturou com o resto.

- Que cruel... - Ângelus sussurrou sorrindo. - Não vamos pegá-los?

- Só depois do líder morrer. - Ele riu. - Ainda podemos vender as crianças, mas a morte daquele pestinha em primeiro lugar.

Eles voltaram para a mata e se esconderam esperando até que os meninos perdidos voltassem.

Na sala de Gancho, Cain finalmente tinha derrubado a gaiola, estava machucado mas sorriu quando viu que a gaiola também tinha se quebrado na queda, saiu e como o navio estava vazio não teve ninguém para impedir sua fuga. Enquanto ele corria de volta pela floresta Jared se encontrava com os outros, Lilith tinha ido aos pele vermelhas, Fantasma as sereias, mas nenhum deles tinha visto Cain em nenhum lugar.

- Ele deve ter voltado para casa... - Jared sussurrou, estava tão assustado que tinha até mesmo se esquecido do Gancho.

- Ou pode ter sido devorado por alguma fera... - Guinchou Dormidongo.

- E se o Gancho o pegou? - Lilith sussurrou aflita.

- Não! - Jared trincou os dentes. - Vamos para casa se ele não estiver lá eu mesmo vou ver se Gancho o pegou.

Os meninos não protestaram e voltaram cabisbaixos para a casa, Cain já estava quase os alcançando, mas se lembrou de Gancho então foi mais sorrateiro e conseguiu passar por onde os homens de Gancho não estavam de tocaia: pelo céu. Para ele foi mais difícil se concentrar em pensamentos felizes mas conseguiu cair onde queria, agora só precisava descer até o subterrâneo onde os meninos constatam em vão que ele não estava lá.

- E agora? - Abel parecia assustado. - Eu quero ir pra casa...

- Eu quero ir pra casa também... - Lilith sussurrava esfregando o rosto.

- Parem vocês! - Jared bateu na mesa e a flor quase virou, ele então se lembrou do motivo da briga e a pegou. - Eu vou beber meu remédio e o trazer de volta!

Quando Cain caiu no centro da casa ele não foi notado, porque todos olhavam para Jared que virava todo seu remédio em um gole só, mas antes de engolir ele viu Cain que corria em sua direção, ele passou os os braços pelos ombros do Jared e o beijou. Jared nem ao menos teve reação enquanto Cain sugava o veneno e o cuspia, ele tossiu e cambaleou para trás sendo pego antes que caísse por um assustado Jared.

Cain tentou falar algo, mas seus olhos se fecharam e ele ficou frio e imóvel, apenas um leve bater do seu coração era escutado, Alma deu um passo à frente e examinou Cain de uma forma muito séria para todos, por fim balançou a cabeça e disse:

- Veneno... - Ele olhou para Jared. - Alguém envenenou sua bebida enquanto não estávamos.

- Gancho... - Jared sussurrou e o ar ficou mais frio ao seu redor. - E ele?

- Vai ficar bem, eu acho. - Alma sussurrou. - Ele cuspiu grande parte do veneno.

- Acho que está na hora de cobrar o Gancho sobre a nossa promessa. - Jared pegou Cain no colo. - Vamos atacar o navio e ele vai partir hoje por bem ou por mal.

- E nós...? - Abel sussurrou. - Vamos também?

- Depois que Gancho estiver longe eu vou devolver vocês para sua casa. - Jared bufou se virando. - Todos vocês.

Os irmãos se olharam, Dormouse e Dois trocaram um olhar confuso também o que todos significava? Enquanto pensavam Jared levou Cain para seu quarto e o deitou em sua rede, ele suspirou e se inclinou, agora sabia o que era um beijo, afagou os cabelos do Cain e se levantou.

- Você vai estar bem logo. - Ele sorriu.

Lá fora os meninos já tinham sido roubados um por um enquanto estavam de guarda baixa, Gancho assumiu que a tristeza se dava pela morte do chefe e riu em deleite enquanto voltavam para seu navio. Barb entrou voando e se deparou com toda a bagunça deixada por Gancho e estranhou o silêncio da casa, indo até o quarto do Jared o encontrou saindo.

- O que houve? - Ela murmurou. - Eu estava... - Ela pode ver por sobre o ombro dele Cain na rede. - Ah ali está ele!

- Tem algo de errado Barb... - Jared começou.

- Eu percebi... - Ela olhou para trás. - A casa está uma bagunça e silenciosa.

- O que?! - Jared saiu e olhou em volta. - GANCHO!!! - Ele gritou tão alto que a ilha tremeu e Gancho sentiu os seus pelos se arrepiarem.

Ele contou tudo a uma assustada Barb que se inclinou sobre Cain soprando seu pó de fada sobre seus olhos que se abriram e ele sentou puxando o ar com força, Jared suspirou aliviado.

- Gancho! - Ele olhou para Jared. - Eu... Eu consegui?

- Me salvar? Sim, eu tenho uma dívida com você. - Ele desviou o olhar. - Agora Gancho está com meus garotos e seus irmãos, luta ao meu lado?

- Ele não é um homem mau... - Cain sussurrou saindo da rede, ele cambaleou e foi amparado por Jared que planou até ele. - Ele só é... Triste e amargurado, sabe? Obcecado eu diria... - Jared franzia as sobrancelhas porque nenhuma daquelas palavras fazia sentido para ele. - Entenda que ele só precisa... Ir.

- Ir para onde? - Barb indagou.

- Para longe da ilha. - Cain olhou de um para o outro. - Não o mate por favor...

- Gancho tentou me matar e quase matou você! - Jared bufou, Cain segurou seu rosto fazendo ele o encarar. - Tudo bem.

- Obrigado. - Ele sorriu em resposta fazendo as orelhas de Jared queimarem.

Cain se armou o melhor que pode com uma faca curta e um bom estilingue que era de Dormidongo, ele seguiu Jared e Barb que voavam rápido até que chegaram ao navio de Gancho, que já tinha dado falta de Cain, ele gritou mil maldições enquanto via Jared pousando no seu navio com raiva brilhando em seus olhos verdes.

- Eu vim pelo meu bando! - Ele sacou sua faca. - Lute por... - Cain tocou seu ombro e ele suspirou. - Deixe a ilha, é seu último aviso Bacalhau.

- O que houve com sua promessa? - Gancho jogou os cabelos sobre os ombros, os meninos perdidos agora estavam amarrados ao mastro do navio. - Não era você ou eu?

- Um irritante me fez mudar de ideia. - Ele sorriu minimamente. - O que me diz? Vai embora por bem?

- Por que não desce aqui e me enfrenta?

Jared soltou um grito que assustou a todos os homens a bordo e assim partiu para cima de Gancho que desviava sua faca com facilidade, Barb voou de encontro com alguns homens e enquanto Cain descia da amurada do navio sentiu aquela presença fria atrás dele.

- Eu o convenci a não matar o Gancho. - Ele se virou para Ângelus. - Faça o mesmo com ele agora!

- Você é interessante... - Ângelus sorriu. - Foi bom ter deixado você voltar para casa. - Cain ergueu as sobrancelhas. - Vou convencê-lo e também partiremos como você.

- Obrigado... Eu acho. - Ângelus sorriu e alçou voo com suas asas recém aparecidas novamente.

Jared agora empurrava Gancho sobre a amurada, Barb já tinha derrubado alguns homens e tinha soltado Dois que agora soltava os outros para lutarem, Cain usou o estilingue de Dormidongo para derrubar alguns grandalhões, uma simples pedrada pode fazer um grande estrago, Ângelus voltou a pousar separando um Jared que quase tinha esquecido de sua promessa de um Gancho também enfurecido.

- Capitão... - Ele se virou para Gancho, os homens que tinham condição de prestar atenção pararam também. - Acredito que nenhum dos seus homens querem mais ficar nesta ilha, sentimos falta de pilhar, beber e roubar cidades, estou certo? - Gritos foram dados em respostas, os meninos perdidos olhavam de um lado para o outro. - O que me diz de deixar sua obsessão para trás?

- Você está mudando de lado? - Bradou Gancho dando um passo à frente, Ângelus franziu as sobrancelhas e suas asas farfalharam.

- Estou do lado do seu bando. - Os homens prestaram mais atenção ainda. - Você tem duas opções: lute e morra ou parta agora e esqueça essa perseguição. - Gancho sentiu medo daqueles olhos amarelos. - Te apoiei por muito tempo, mas você está indo longe demais.

- O que você, criança maldita, me diz? - Gancho olhou para Jared. - Vai me deixar partir?

- Vou. - Ele disse pousando no chão. - Eu prometi que deixaria.

Gancho piscou atônito diante de como ele disse aquilo de forma genuína e direta, voltou a olhar para o anjo e sabia que Jared podia recomeçar a luta se quisesse, mas se ele tentasse Ângelus o mataria.

- Eu tenho uma condição. - Disse Gancho e Jared consentiu. - Matem o maldito crocodilo para que ele não me siga e eu partirei agora mesmo.

- Fechado. - Ele sorriu. - Meninos perdidos. - Os garotos e os homens pararam. - Declaramos paz aos homens do capitão Gancho e vamos agora iniciar nossa caça ao crocodilo. - Os meninos gritaram em resposta e Jared os acompanhou.

- Partiremos agora também. - Os homens de Gancho comemoraram e Ângelus sorriu com suas asas desaparecendo.

Os meninos perdidos se esqueceram de toda a perseguição e agora cantavam com os homens de Gancho que preparavam o navio para zarpar, Barb tinha ido contar as boas notícias aos pele vermelha e Alma e Lilith ajudavam os homens que foram feridos por seus companheiros. Jared observava tudo sentado no alto de um mastro, com certa dificuldade Cain conseguiu voar até ele.

- Sua magia está desaparecendo. - O ruivo sorriu. - Você está crescendo.

- Acho que sim. - Cain sorriu em resposta. - Vai nos levar de volta? - Jared consentiu. - Bem obrigado por tudo.

- Vou dar a opção dos meninos perdidos partirem se quiser, caso você se comprometa a cuidar deles também. - Cain arregalou os olhos.

- Não sei se meu pai vai ficar feliz com isso... - Sussurrou. - Mas minha mãe vai adorar se a família aumentar então eu posso tomar conta deles.

- Sabia que você faria isso. - Ele riu. - Aliás eu tenho que te devolver uma coisa.

- Devolver? - Cain o olhou confuso.

Jared se inclinou para frente o beijando, Cain recuou assustado em um primeiro momento, mas depois voltou a beijá-lo sentindo que seu coração poderia explodir de alegria.

- Volte comigo... - Ele sussurrou se afastando de Jared.

- Eu não posso. - Jared sorriu e o deu um beijo longo. - Prometa nunca me esquecer.

- Eu prometo. - Cain sussurrou envolvendo seu pescoço e o abraçando.

Lá embaixo ninguém deu falta dos dois, pois depois de ajudar a tripulação todos os meninos perdidos se despediram e foram caçar ao crocodilo, Gancho emburrado estava com o rosto apoiado nas mãos olhando o vasto oceano, Ângelus deslizou até se sentar ao seu lado sorrindo.

- Você teria me matado, não teria? - Ele se virou para o anjo. - Se eu tivesse insistido em lutar.

- Você morreria de qualquer forma se continuasse, fosse pelas mãos dele, as minhas ou sua própria estupidez. - Gancho grunhiu fazendo Ângelus rir. - Vamos para outro lugar e agora você tem uma nova alcunha para defender e assustar a todos. - Ele abraçou o outro pela cintura. - Vamos em busca de novas aventuras agora Mandrake.

- Não use meu nome morto. - Ele bufou e voltou a apoiar o rosto nas mãos, mas sem afastar Ângelus.

Jared e Cain enfim desceram, se despediram de um Gancho nem um pouco feliz e partiram atrás do crocodilo enquanto o navio zarpou para novas aventuras longe da Terra do Nunca.

XXX

A noite toda ilha comemorava, os pele vermelha dançavam em volta da carcaça do crocodilo, as feras se sentiam livres para andar e as sereias podiam ir até o alto mar sem serem incomodadas pelos homens agora, diante da fogueira Jared se empertigou e gritou para chamar atenção do seu bando que festejava.

- Meninos perdidos, e peles vermelhas. - Babel o saudou com a cabeça. - Hoje além de mandarmos Gancho embora eu também tenho uma proposta a vocês, como sabem amanhã Capitão, Copas e Coringa vão embora e eu dou a vocês a opção de irem com eles, caso queiram.

- Nós vamos crescer se formos? - Fantasma sussurrou, Jared consentiu. - Eu não quero então.

- Eu quero ficar na ilha. - Alma sussurrou.

- Eu quero ir. - Dormidongo sorriu. - Vou poder ter um nome de verdade? E uma mãe, Cain? - Ele consentiu. - Eu vou.

- Eu também quero ir! - Dois anunciou ficando vermelho.

- Então está decidido. - Jared sorriu. - Vamos festejar por hoje!

E mais gritos foram ouvidos enquanto a ilha festejava com eles.

XXX

Na manhã seguinte antes mesmo do sol nascer todos receberam uma nova dose de pó de fada, inclusive Dois e Dormidongo, se despediram daqueles que ficavam e voaram, virando a segunda a direita e indo direto até amanhã de manhã, independente de que horas você voa da Terra do Nunca sempre vai chegar amanhã de manhã. Enquanto isso na casa dos Maurêveilles o senhor Maurêveilles lamentava ter prendido a babá no quintal, se não o tivesse feito as crianças não teriam sumido, a babá? Todos os dias se deitava na janela e chorava junto da senhora Maurêveilles que agora mesmo estava no seu lugar olhando as estrelas, ela sentia que suas crianças estavam voltando e por isso não dormiu vigiando o céu a noite inteira. Quando os primeiros raios da manhã começaram a surgir mais uma coisa vinha com eles: a silhueta de seis crianças e uma fada, ela se levantou com um salto acordando Chess e se apoiando para fora da janela e abrindo os braços para receber seus três filhos. O senhor Maurêveilles acordou e se juntou a ela, Dois e Dormidongo esperavam planando.

- E quem são vocês? - Sussurrou ela olhando as outras crianças.

- Podemos ser seus filhos agora? - Dormidongo começou.

A senhora Maurêveilles arregalou os olhos, se virou para seu marido que não estava prestando atenção às outras crianças e dava uma bronca nos seus filhos sorrindo ela abriu seus braços para eles também que se jogaram nela.

- Vamos embora Barb. - Jared sussurrou se afastando.

- Espere! - Eles pararam. - Vocês não querem ficar? - Jared sorriu e negou.

- Tome sempre seu remédio! - Cain correu até a janela e se apoiou. - NÃO SE ESQUEÇA DE MIM!!!

- Não vou. - Jared riu e voando alto soltou mais um dos seus gritos e com Barb virou a direita e voltou para Terra do Nunca.

- Vocês têm muito a explicar... - A senhora Maurêveilles franziu o nariz, mas depois sorriu. - Mas agora vamos todos tomar café da manhã.

Dois e Dormidongo não protestaram, tudo era uma novidade para eles, Abel e Lilith os guiaram assim como a seu pai contando todas suas aventuras, Cain continuou na janela olhando para o horizonte e a senhora Maurêveilles afagou seus cabelos.

- Eu nunca vou esquecê-lo... - Ele murmurou esfregando o rosto.

- Eu sei querido... - Sua mãe o abraçou. - Você está mudado, sabia? - Cain negou. - Está crescendo. - Ela riu.

- Talvez... - Ele sorriu e a abraçou.

Cain olhou pela janela mais uma vez e suspirou, descendo com sua mãe para a companhia de sua nova família. 

XXX

Meu Deus que especial longo ;A; mas assim finalmente o do Pter Pan tinha que ser O especial asjaksjkaksjkajs acho que corri um pouco no final, mas no geral ficou tão lindinho QuQ não queria matar o Mandrake de novo por isso o Gancho escapou kasjkjskjakjsk eu também deixei o Jared meio sombrio e um pouco diferente dele mesmo porque queria que ele agisse como o Peter do livro que é muito macabro qqq ai espero que vocês tenham gostado <3 e nos vemos no último capítulo TADADAAAAm

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