Affront


"Porque tudo precisa de energia (...) temos que empregar esforço e energia em qualquer coisa que desejamos mudar"

Erin Morgenstern

Dezenove de novembro de 1888, segunda-feira, (...?) Inglaterra.

O sol toca meus olhos, uhn, me viro e encaro Cain, ele continua com os olhos fechados parecendo tão tranquilo, engulo as lágrimas que queimam minha garganta e me afasto dele alisando o lençol da cama e arrumando seu travesseiro afinal ele precisa ficar confortável. Toco seu braço, mas ele não abre os olhos, suspiro e o ajeito puxando o cobertor até seu peito e me inclinando para lhe dar um beijo na testa.

Vou até o roupeiro e me visto, eu preciso de Barbie para enfrentar Marcel. Arrumo meu vestido e saio do quarto, a porta dela não fica tão longe, bato três vezes e espero. Barbie abre a porta e sorri.

- Bom dia. – Ela me dá passagem. – Estava me vestindo, mas pode entrar.

Consinto e me sento na cama, Barbie volta-se para a penteadeira e coloca dois vestidos sobre o corpo, quando escolhe o melhor ela puxa os nós da sua camisola e ela cai aos seus pés, desvio o olhar e encaro Devonne ao pé da cama, com toda certeza é a boneca mais feia da casa.

- Lilith. – Me viro, Barbie está de costas puxando os fios do seu corpete. – Poderia me ajudar aqui?

Reviro os olhos e me levanto, seguro os dois fios e começo a dar um nó neles.

- Puxe. – Estanco, Barbie olha pra mim. – Vamos ele está frouxo puxe.

Puxo os fios, ela balança a cabeça, uso mais força, Barbie nega novamente, apoio um joelho contra suas costas e puxo mais uma vez, Barbie solta um gritinho. Sorrio e amarro as fitas, ela se vira para protestar, porém três batidas suaves na porta a interrompem e sem esperar resposta Caleb entra.

- Pensei que já estivessem prontas. – Ele resmunga e se senta contra a porta. – Deveria ter dormido mais um pouco.

- Eu estou pronta. – Respondo. – Barbie está enrolando.

- Não estou enrolando ninguém. – Ela se senta a penteadeira. – Só mais alguns minutos.

Caleb suspira e balança seus pés, suspiro também e encaro suas botas sujas, afinal, o que ele fez pro Cain confiar tanto assim nele? Tudo bem que ele não parece perigoso para nós, mas sei que isso não significa nada, passo as mãos pelo cabelo e sorrio.

- Precisamos falar com o Marcel ou talvez o Matthew, nada de Fox ou outro membro quero que me ajudem a reforçar isso. – Sussurro.

- Marcel gosta de você. – Barbie diz passando uma escova sobre o cabelo dourado. – Vive te levando para sua sala aposto que ele vai te ouvir sem pestanejar.

- Você fala como se fosse um privilégio ir para a sala dele. – Cruzo os braços. – Eu só recebo broncas quando vou pra lá.

- Helena ainda está aqui. – Caleb diz para ninguém em especial. – Talvez ela nos ajude.

- Assim espero. – Resmungo. – Chevonne, Bankotsu e Jaken podem nos apoiar.

- Chess. – Barbie coloca os brincos de pérola. – Ele te adora tanto quanto o Marcel.

- Eu espero que adore mesmo... – Afundo na cama de dossel. – E não se volte contra nós.

- Bem. – Barbie se levanta. – Vamos?

Caleb se levanta e sai, não existe nenhum cavalheirismo nele, espero Barbie passar e fecho a porta. Descer com eles é estranho porque nenhum tenta iniciar uma conversa ou mesmo quebrar o silêncio e eu os acompanho. Quando chegamos a cozinha ela está estranhamente cheia, nas pontas da mesa Chevonne e Emmeline, Bankotsu e Meredianna logo depois, Yue e Jaken frente a frente, Scorpio se senta na cadeira que provavelmente seria da Doll e Helena na que seria da Fox e por fim Marcel e Matthew estão em pé na cabeceira da mesa.

- Onde está o Cain? – Matthew quebra o silêncio.

- Sobre isso... – Abaixo o olhar. – Temos que conversar.

- Ele não saiu da casa. – Marcel diz firmemente. – Ou saberíamos então onde ele está?

- Dormindo... – Chess aparece ao lado de Marcel. – E acho que isso não é bom. – Ele olha para seu reflexo e desaparece.

- O que Cheshire quis dizer com isso, Lilith? – Marcel indaga, encolho os ombros.

- Eu gostaria de conversar em particular... – Começo.

- Aqui mocinha. – Ele responde secamente.

Olho para Caleb e depois para Barbie eles me olham tão perdidos quanto eu, não sou o Cain e não sei o que ele faria nessa ocasião, Marcel suspira ergo o olhar.

- Vou direto ao ponto Cain ouvirá quando ele acordar. – Engulo em seco. – Conversamos ontem à noite e decidimos que vamos tirar vocês daqui.

- O que...? – Guincho.

- Não do país, mas ao menos de Londres. – Marcel respira fundo. – Veja bem ficar aqui é perigoso a tirar por todos os incidentes que já tivemos, estamos de acordo e hoje antes do pôr do sol vocês irão para...

- Não. – Digo firme e Marcel me olha chocado. – Não vamos embora de jeito nenhum, primeiro eu não sairia daqui para livrar a minha pele e deixar vocês lutarem contra a Wonderland, segundo Cain tem outros planos para nós.

- O que Cain tem pra vocês não é importante. – Marcel diz tentando soar calmo. – A nossa decisão foi tomada...

- E a dele também. – Fecho as mãos em punho. – Cain entrou em um jogo com o Jaguadarte. – Olho o rosto de cada um na mesa. – Ele está dormindo lá em cima e garanto que nenhum de vocês vai conseguir acordá-lo durante essa semana. – Chess volta a aparecer. – Ele está apostando tudo contra o Jaguadarte: alma, mente e corpo e essa disputa só vai ser resolvida daqui a uma semana quando o vencedor acordar.

- Isso não é possível... – Marcel olha para Chess que concorda. – Aquele pirralho de merda...

- Cain não pode ser transportado dessa casa então. – Caleb diz me assustando. – E ele nos incumbiu de uma missão e para tal precisamos continuar em Londres.

- Você não é nada aqui baralho. – Matthew diz encarando Caleb com nojo.

- Eu sou um Cavaleiro de Espadas. – Caleb diz calmamente. – E você, meu caro senhor, deve saber que quando um guerreiro de Espadas jura lealdade a alguém se liga a essa pessoa automaticamente, eu jurei lealdade a Cain e estou ligado a ele podem fazer o que quiser comigo agora, mas não podem negar que eu sou tão membro da Nonsense quanto vocês.

Helena gargalha quebrando o meu espanto, então é por isso que eles estavam tão próximos, Caleb é da Nonsense agora, sorrio.

- Cain quer que busquemos respostas que vocês não nos dão. – Barbie diz firmemente, mas não como uma garotinha corajosa e sim como uma mulher forte. – E nós vamos fazer isso, Caleb porque tem seu pacto com ele e precisa cumprir regras e eu e Lilith porque prometemos fazer isso e vocês não podem mudar nossa decisão.

Marcel abre a boca, mas não diz nada, Scorpio estende suas mãos e toca as de Helena que consente, Bankotsu me encara e consente também, Jaken meneia a cabeça e sorri. Acho que o "estamos de acordo" de Marcel não era tão forte assim afinal. Matthew puxa uma cadeira e se senta engulo meu medo e continuo:

- Eu tenho exigências a fazer e espero receber ajuda, primeiro vocês não vão tentar acordar o Cain...

- Nem podemos. – Chess diz cruzando os braços. – Existem regras em Wonderland e é preferível morrer a quebrá-las, acima de tudo, um jogo é algo que jamais deve ser interrompido. – Ele suspira e sorri. – Cain realmente me pegou dessa vez.

- A todos nós. – Scorpio diz e sorri. – Aquele idiota é mesmo cabeça dura, mas eu que não sou membro oficial da Nonsense nem nada. – Marcel o encara irritado. – Apoio o que Cain fez, afinal, se ele ganhar e acredito que vai fazer isso ele se livrará de um peso que o está matando, vejam por esse lado é algo bom!

- Não sei... – Marcel resmunga. – O que vocês querem?

Demoro a entender o que ele quer dizer, penso primeiro nas exigências de Cain e depois no que eu quero, sorrio.

- Primeiro eu quero que eu possa trabalhar com Barbie e Caleb. – Marcel revira os olhos. – Mas também quero Scorpio, Jaken e Bankotsu.

- Por quê? – Matthew guincha.

- Proteção. – Cruzo os braços. – E vocês podem colocar guardas costas para nós, quanto a isso não faço objeção alguma, podem monitorar cada passo que nós dermos, mas quero os três na minha equipe.

- De acordo... – Marcel diz devagar e acho que se olhar matasse bem eu não estaria mais em pé.

- Temos uma rota a seguir. – Continuo. – Quero usar o sistema da Casa Nonsense e não vaguear por Londres, mais seguro certo?

- É. – Matthew diz irritado.

- Por fim, eu quero ajuda e sempre ter as respostas da qual preciso, se alguém da Nonsense souber que o diga, por favor, e não nos omita os fatos.

- Eu... – Marcel respira fundo. – Quero tudo por escrito na minha mesa em duas horas e só então direi que estou de acordo.

Ele se vira e vai embora, Matthew pensa um pouco, mas o acompanha, Chess logo desaparece também e consigo suspirar um pouco aliviada, uma parte já foi agora vem a segunda etapa... 

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