vinte e sete.

SER MAIOR de idade era engraçado; aos dezessete anos a garota já havia começado a usar magia fora da escola e se preparava para o fim de seus estudos, mas os dezoitos anos pareciam ter um peso maior. 
E bem, Sirius e James haviam começado a chamá-la de velha gagá, quando era apenas alguns meses mais velha do que os amigos.
Almofadinhas era o próximo a fazer aniversário e Remus já o planejava, com ajuda de Marlene, obviamente.

Saindo de uma aula de história da magia, gritos histéricos chamaram sua atenção e quando se virou, viu James correr em disparada até ela, dando pulinhos ao se aproximar mais.

— FRIDAY! MEU AMOR! — gritou, jogando-se na garota — Notou alguma coisa de diferente?

Friday olhou bem para o namorado, e sorriu instantaneamente.

— Você está usando gel! — apontou para seu cabelo e tocou nos fios, percebendo que, provavelmente, ele havia usado o pote inteiro — Uau, James!

— Não! — ele bateu o pé, puxando a capa para perto de Dunequim. — Olhe.

Um pequeno broche brilhava no tecido preto, com letras minúsculas, estava escrito monitor chefe.

— Não acredito. Dumbledore está maluco!

— Ei! Ele e Tia Minnie me parabenizaram pelo bom trabalho nas aulas e pela minha mudança, disseram que estou mais responsável e outras baboseiras. — James fez uma imitação muito boa de Minerva o entregando o broche, mudando até sua postura.

— Bem, Sirius vai ficar louco quando souber. Sem mais pontos perdidos por brincadeiras bobas com outros estudantes.

— Queria que os monitores chefes pudessem tirar pontos de outras casas.

— Isso não é nada responsável. — Friday franziu o cenho, entregando metade de seus livros a James, para que a ajudasse a levá-los de uma aula para outra.

— Guarde seus livros. — anunciou e tirou o mapa do maroto do bolso, com um sorriso suspeito — Vamos comemorar.

Perto da passagem da bruxa de um olho só, encontravam-se três sonserinos suspeitos; observavam astutamente o fluxo de estudantes, finalmente achando seus alvos quando a horda de estudantes se esvaiu, dando espaço a James e Friday.

— Céus, vocês de novo. — James revirou os olhos ao notar que tinham companhia — Querem uma cerveja amanteigada?

— Deveria se livrar dessa mestiça imunda! Ainda a chances para que você se junte a causa gloriosa! Não seja burro.

— Você está me dizendo para não ser igual a você, certo? — James apontou a varinha, furioso com os insultos direcionados a sua namorada.

— Crucio! — o feitiço torturante saiu da ponta da varinha de Snape e atingiu diretamente o corpo de James.

Contorcendo-se no chão e tentando resistir a dor, gritou:

— Fuja!

Friday empunhou a varinha, sem ao menos pensar em deixar James lá; Bellatrix, Dolohov e Snape investiram contra ela. 
Perdendo-se entre feitiços investidos pelos
três, sua varinha voou para longe e ela se juntou a Potter no chão.
Amarrada por cordas impetuosas, os gritos de James se tornavam cada vez mais agoniastes e dolorosos.

— Você estão o matando! — implorou quando Bellatrix se debruçou no chão, a varinha pressionada contra a bochecha da garota, impossibilitando que ela falasse mais — Façam comigo...

Cedendo a dor imposta por Bellatrix, ao cortar seu braço e começar a escrever no mesmo com a ponta de uma faca cega, sentiu lágrimas escorrerem por seus olhos.

Por fim, a palavra mestiça foi gravada em seu braço, envolta por sangue.
Quando Snape deu uma brecha, James não hesitou em fazer outra coisa.

Correu até os três, sem a varinha; e quando perto o suficiente para atingir Snape, ele foi lançado para o outro lado do corredor.

Juntos no mesmo cubículo agora, Potter se esforçou para levantar a namorada, mas sem forças para ao menos segurar as próprias pernas, manteve ela deitada, com apenas a cabeça apoiada em seu peitoral. 

— Glacius! — por trás dos comensais, Regulus carregava uma expressão aterrorizada; berrando por ajuda, ele correu até os amigos e sacudiu o corpo de Friday, impedindo que ela dormisse.
Seus esforços foram em vão, já que ao notar que estava salva e James vivo, permitiu-se fechar os olhos.

— James... — a voz de Friday despertou os sentidos do casal, que ali os observava com preocupação.

A primeira visão da loura foi Madame Pomfrey, as mãos inquietas e soltando pequenos xingamentos por segundo; a segunda foram os grandes olhos ônix de Sirius Black.
Ela trincou a mandíbula ao reparar que James não estava lá, pelo menos não no seu campo de visão.

— Onde ele está? — perguntou, ao tentar se levantar e logo cair nos braços de Lupin.
Aquela já era sua segunda vez na enfermaria em menos de um ano, coisa que não a agradava nem um pouco.

— James está bem. Você precisa dormir.

— Eu não vou fechar os meus olhos até vê-lo.

Sirius e Remus se entreolharam, cada um entendendo o que o outro pensava.

— Pontas vai nos matar. — Black anunciou, antes de, finalmente, ceder e soltar os braços e cintura da garota.

Sentindo o impacto de andar sozinha, Friday cambaleou até a enfermeira e seus cuidados afáveis com quem quer que fosse na maca.
James estava de olhos fechados, sem coragem de olhar para as mãos de Madame Pomfrey, que usava uma linha gigante para remendar o braço dele; os olhos de Dunequim se molharam novamente, ver Potter naquele estado... a quebrava.

— Oi, — ele fingiu sorrir quando notou a presença da garota — Está tudo bem.

Era uma mentira e Friday sabia, até mesmo os olhos de James estavam lacrimejados de dor.

— Seu namorado é muito forte, senhorita. — Madame Pomfrey disse, sem desfocar a atenção dos machucados — E você também.

A garota, que até então nem havia se dado conta, olhou para si mesma; seu braço estava enfaixado, mas ela pode sentir a gravura da palavra em seu antebraço da mesma forma.
Mestiça.

Friday já estava acostumada com os preconceitos, mas isso... essa palavra nunca sairia de seu braço.
Remus notou seu abalo mental e abraçou a amiga, escondendo o machucado com a manga de seu blusão.

— Eu também quero um abraço. — James cantarolou.
O sorriso de Potter se desfez, ao olhar para a namorada e se dar conta do que havia acontecido, do que Bellatrix havia feito.

Seus passos pesados foram audíveis mesmo de longe, correndo para o salão comunal da Sonserina e seus socos na parede de pedras úmidas foram pior ainda.

— Covardes!

— James! — Friday agarrou o braço não machucado e o puxou com toda a força que reuniu.

Escondidos em uma das celas da masmorra, o casal observou o momento exato em que Avery abriu a porta de seu salão, com o nariz arrebitado e sua cara de trasgo.

— Maldito.

— Shiu! — segurando a mão do namorado, ela o guiou para longe.

O salão comunal da Grifinória não estava cheio, e Friday logo apontou para o sofá.

— Chega de lutas por hoje. Senta.

— Eu ao menos consigo andar!

— Senta logo.

James revirou os olhos com uma expressão raivosa, e quando se sentou, sentiu o peso da cabeça de Friday em sua perna.
Se ele tivesse machucado o local, perderia um pedaço naquele momento.

— Podemos ter uma única noite normal? — Dunequim perguntou, assistindo o fogo bruxuleante e tremeluzente na lareira; tão oscilante quanto seus dias em Hogwarts.

— Provavelmente não. — o de óculos suspirou, afagando a cabeça dourada da loura — Não somos normais.

E infelizmente, ser normal era a única coisa que Friday queria no momento.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top