trinta e oito.
O BOSQUE escuro e envolto por nuvens e trovoadas foi o primeiro lugar em que a mente de Friday se direcionou ao pensar em um lugar afastado e protegido.
A pequena área arborizada encontrava-se no canto oposto da Londres onde estavam, o que significava uma viagem longa demais para quatro pessoas em uma aparatação.
James xingava baixinho, caído no chão e levantando a barra da calça.
O simples fato de sua mente ter lhe levado ao acampamento que fazia com seus pais fez Dunequim tremer, era uma memória muito bem enterrada para que aparecesse assim tão fácil.
Era, no mínimo, estranho estar ali.
— Friday... — Regulus tocou em seu ombro frio.
Ela não havia estranhado o fato de Alistair Hood não estar tentando os matar no exato momento, mas o choque imprimiu-se em seu rosto.
Alguma coisa tinha de dar errado em uma aparatação como essas, só era surpreendente que o que deu errado fosse tão benéfico para os três amigos.
Metade do corpo de Alistair Hood estava congelado. Tronco e membros direitos.
— Isso pode acontecer?
— Já ouvi comentarem, a pessoa fica presa entre os dois pontos de aparatação, deve doer.
— Então, precisamos sair antes que o ministério venha resolver isso. James, precisa le... POR QUE VOCÊ NÃO AVISOU?
— Não dói tanto, a aparatação deve ter aberto o machucado. — Potter resmungou baixinho, mesmo sem olhar para cima podia sentir os olhos severos de Friday o encarando.
Ela se ajoelhou xingando e Regulus entregou-a sua varinha.
— Relidor.
O feitiço fez seu trabalho rapidamente e a dor parou, apenas uma menor quantidade de sangue insista em vazar nas folhas secas.
As mãos de Friday tremiam anormalmente, invés de seus dedos serem precisos como sempre, pareciam gravetos.
— Meu deus, Friday... Por que você está chorando? Deixa que eu faço isso.
James pegou a varinha da loura com delicadeza entre seus dedos, pousando a mão dela no chão e apoiando sua própria por cima, para evitar que ela insistisse em ajudá-lo.
— Contiflama — a dor suavizou — Asclépio — e o machucado cicatrizou.
— Vai aguentar até chegarmos.
Regulus estendeu o braço para James levantar, avaliando a perna do outro com os olhos.
— Não sei não...
— Está tudo bem, sério.
Os dois homens se olharem, Friday ainda estava no chão. Apertava as pernas no peito, como se estivesse prestes a rachar no meio.
Potter respirou fundo, desvencilhou-se de Regulus e abaixando com dificuldade.
— Eu vou te levantar, tudo bem? — não houve reposta, apenas um fungado baixo.
Em um segundo, Friday estava com os braços no pescoço de James e as pernas soltas para o chão. Potter a carregava sem esforço algum, após um tempo sem comer direito, Dunequim não passava dos 59 quilos.
O rosto gelado e molhado entrou em contato com a curva do pescoço de Potter e ele estremeceu, ouvindo-a tentando conter seus soluços.
E eles aparataram.
— Por que ela está tão gelada?
— Não sei, acho que ela entrou em choque... viu um corpo ao meio no mesmo lugar onde ia com o pai morto, é demais para uma pessoa só.
— Além de não ter conseguido te ajudar, isso afetou ela.
— Não acho que ela possa se importar com isso...
— Vai por mim, ela se importa.
— Eu me importo.
Era difícil reconhecer as vozes, mas Friday estava alerta o suficiente para saber que havia afirmado se importar com James.
Remus e Regulus riram ironicamente, despejando um cobertor felpudo por cima do corpo da loura.
Lupin apertou sua mão e Black deixou um beijo em sua testa.
Depois estava sozinha com Potter.
— Oi.
Friday tentou responder mas seus dentes rangiam anormalmente e seu queixo tremia, o bosque não era frio assim para causar aquilo. Mas o choque... isso sim havia sido forte o suficiente.
— Eu vou pegar mais uma coberta e te deixar em paz.
— Não. — um sussurro não era o certo para descrever o que saira da boca de Friday, foi mais um suspiro que arranhou sua garganta por dentro, seca demais.
As duas sobrancelhas de James inclinaram-se em surpresa, depois hesitou, deu um passo curto para mais perto e respirou profundamente.
— Aqui, por favor.
Friday pediu e Potter assim o fez.
Com o máximo de delicadeza que pode encontrar, o que não era muito levando em conta o desespero em seu coração, colocou-se ao lado dela, por cima da coberta para não deixar o frio penetrar, e passou o braço pelo pescoço da loura, apoiando a cabeça dela no próprio peito.
Friday riria ao ouvir o coração disparado de James, o ouvido tão próximo de seu peito de forma que conseguisse ouvir cada batida extremamente descompassada, mas a queimação em sua garganta não ajudava.
James tinha milhões de perguntas a fazer, sua mente entulhada com o que ouvira fazia pouco tempo.
O tremor incomodava-o, não era satisfatório não poder esquenta-lá como desejava, e haviam tantas outras coisas que o irritavam.
— É bom estar aqui, é quentinho — houve dificuldade na fala, mas Friday conseguiu. Fechou os olhos e afagou a cabeça no peitoral do homem.
— Friday, meu coração não suporta isso...
— Eu não vou sair daqui.
— E não precisa. É fácil te ter comigo, como respirar, de verdade. Não sei porquê demos errado. — Para James, foi a forma mais prática de abordar o tema nós.
— Fomos rápido demais, sem pensar. — Dunequim ainda não abrira os olhos, aproveitando estar tão próxima de James e poder sentir seu cheiro, menta e floral. Já não havia mais o tão juvenil aroma de vassoura.
— Talvez. Apesar de eu não me arrepender de nada. — Potter falou com o exato tom de quando terminaram, firme em suas palavras.
— Não faz isso, James.
— Por que não?
— Porque eu ainda te amo, mas é difícil...
Se o coração dele antes estava disparado, já não estava mais. Havia parado. Parado no tempo, cada mísero milésimo usado para apreciar o rosto relaxado, o rosto da mulher que o amava. Os lábios vermelhos e delicados ainda tremiam, custava para que seus olhos azuis permanecessem fechados. James não tinha certeza se ela estava alucinando ou não, mas sabia que Friday estava prestes a render-se ao sono, precisava retribuir, agora ou nunca.
— Não tem que ser difícil, e não vai, porque eu também te amo. Amo demais.
Friday conseguiu dar um sorriso curto, queria olhar para o rosto de James, queria beija-lo e prender em seus braços para nunca mais soltar, o fazê-lo de prisioneiro e manter em perpétua. Sua propriedade, única e exclusiva.
Seu corpo e alma ainda pertenciam a James Potter, e ela aproveitaria cada segundo.
Boa noite, como vocês estão?
Esse é o penúltimo capítulo de Friday, e quero saber se vocês gostariam que eu deixasse no último capítulo um espaço para que suas dúvidas sejam sanadas, pois o final ficará em aberto — de forma que cada um imagine seu próprio final, e explicarei o motivo disso depois.
Me respondam, por favor!!! Preciso da confirmação de vocês.
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