seis.
— POTTER! DUNEQUIM! Querem fazer o favor de prestar atenção?
Minerva açoitou os jovens bruxos, sentados na última fileira da sala; Friday deu um sorriso fraco para a professora, envergonhada.
Ela usava uma saia um pouco acima do joelho, uma bata clara, com pequenas estampas; estava com a pele completamente limpa, sem nenhum resquício de maquiagem, mas ainda sim bonita; a loira insistia para que sua dupla prestasse atenção na mais velha, que explicava o que eles fariam no trabalho de transfiguração, mas não era como se ele realmente se importasse com isso; afinal, James pegaria as anotações de Remus e falaria para Friday que eram dele, resolvido!
A moça dos leões estendeu a mão para James, com uma pena entre os dedos.
— Por que eu usaria isso? — o de óculos perguntou, entredentes.
— Para escrever, talvez? — Friday ironizou, com seus cabelos nevados presos em um rabo de cavalo alto.
— Minha mão está machucada, vê? — James lamentou, com pouca preocupação em fingir.
— Você está segurando sua varinha agora mesmo! — a garota berrou, esmurrando o braço do colega.
— A varinha é leve, mas enfim, acha que qual cor combinaria com o ranhoso? — perguntou Potter, com um sorriso animado.
Dunequim olhou bem para Snape, sentado uma cadeira a frente; ele tinha uma ruga na testa, causada pelo seu excesso de mal humor, a boca torcida de raiva e a varinha se mexendo em círculos abaixo da mesa, treinando algum feitiço.
Desde que pisara em Hogwarts, Friday receberia olhares feios de Severus e seus amigos, pelo simples fato de ser uma mestiça.
E não podia negar que o ódio era mútuo.
— Hum, eu gosto de marrom cor de bosta, mas também acho que verde muco serve. — Friday deu uma risada sarcástica, batendo seus dedos na mesa de madeira preta.
— Seu pedido é uma ordem, mademoiselle.
James apontou a varinha diretamente para a cabeça do garoto de cabelo escuro e sujo, preparando-se para lançar o feitiço de forma discreta.
— Você consegue fazer feitiços não verbais?! — Friday exclamou, surpresa.
A loira conseguiu assustar James, achando que a professora tinha o pego.
A varinha de Potter virou para o lado, diretamente ao rosto de Friday; ele colocou as mãos na boca, abalado com o que tinha feito.
— Me desculpa, pelo amor de Merlim, Friday. Não me mata.
Dunequim agarrou sua mochila, procurando um espelho largado dentro dela; refletindo sua própria aparência.
Seus cabelos anteriormente loiros e perfeitos, estavam alaranjados, um laranja horrível, cor de fruta podre.
Friday parecia uma palhaça.
A garota deu um grito, ao ver sua imagem; então se virou para James, com os olhos brilhando em ódio.
— Você! SEU TRASGO MONTANHÊS, VOCÊ FEZ ISSO POR QUERER! — ela berrou, jogando tudo ao seu alcance nas costas e braço de James.
— FRIDAY EU JÁ FALEI QUE FOI SEM QUERER, AÍ! PARA DE ME BATER! — Potter gritou estridente, entre tapas recebidos.
Friday rodou os olhos, o que já se tornará costume com o tempo em que passava com James, presumindo que ele adoraria que fosse outra ruiva, na mesma sala que ela; sentada em um canto afastado, com Marlene e rindo da situação, com dó de Friday por ter que aturar Potter.
Sirius, Peter e Remus já tinham se dado conta do que acontecia, e riam escandalosamente, Lupin até estava com a mão na barriga, com dor de tanto rir.
Em segundos a sala toda zombava da dupla, Friday gritava com o de óculos, apontando para o cabelo dela e mostrando a diferença dela e Snape, achando bom que James aumentasse o grau dos óculos, pois certamente estava cego.
— Você que me distraiu! E pelo menos foi um ruivo bonito, — ele piscou para Lily, descaradamente — e não o marrom bosta que você sugeriu!
— JAMES EU TÔ PARECENDO UMA CENOURA! ARRUMA ISSO, AGORA! — Friday estava tão brava, mas tão brava, que sacara a varinha e a apontara para o nariz de James.
— Eu não sei como arrumar! — ele levantou as mãos, em sinal de rendição.
— Eu te odeio! — ela disse, com as sobrancelhas tortas e rosto fechado.
O sorriso bobo no rosto de James desmanchou, dando lugar a uma expressão preocupada.
— Corandio! – Minerva ordenou, fazendo com que o cabelo de Friday voltasse a cor habitual, loiro claríssimo.
— Obrigada, professora.
— Silêncio, senhorita. — a mulher mandou, com a voz de alguém desapontada e furiosa — Vocês dois, encontrem o zelador Filch mais tarde, cumpriram detenção pelo péssimo comportamento.
— Mas professora... — Friday tentou contestar.
— Silêncio! — Minerva pediu, na mesma hora em que o relógio marcou o final de sua aula.
Dunequim reuniu suas coisas soltas pela mesa, rapidamente, segurando sua mochila de forma desengonçada, correndo para o lado de fora, a tempo de encontrar sua dupla.
James estava com a cara amarrada, de mal humor.
— James... aquilo foi da boca pra fora, ok?
— Tá, Friday. Tanto faz. — James deu de ombros, saindo com os amigos, dando pouca importância para o que a menina tinha a dizer.
Sirius puxou Remus pela bainha de suas roupas.
Aluado acenou para Friday, com um sorriso torto sumindo pelos corredores, junto de James e seu rosto carrancudo.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top