onze.
POR MAIS DE TRÊS MINUTOS as únicas coisas que Friday ouviu foram passos apressados, até que a imagem de três garotas e quatro garotos foi aos poucos se materializando em frente a ela.
James vinha na frente, agradecendo por não ter esquecido seu casaco; o rapaz tinha a estranha sensação de que a ala hospitalar do castelo era mais fria do que o resto.
Remus o informara que tinham um tempo até a próxima aula, então ele reuniu o máximo de amigos que pode e os levou até a enfermaria. — onde por sorte, conseguiria atazanar Madame Pomfrey e tirar uma risada de Friday.
Logo atrás dele, Dorcas, Marlene e Lily sorriram para ela, e a garota loira inclinada em uma maca ouviu as vozes grossas de três garotos da Grifinória; Remus, Sirius e Peter discutiam sobre quem entregaria um embrulho prateado para a menina.
— Sejam rápidos, logo Friday receberá alta. — Madame Pomfrey avisou, suplicando para que os meninos não quebrassem nada.
— Pode deixar. — Sirius deu uma piscadela, e em troca uma nota de repúdio da enfermeira.
— Trouxe para você.
Remus deu um sorriso fraco e um abraço em Friday, que se sentou para recebê-lo.
Dunequim pegou das mãos dele o pacotinho, e dentro avistou uma infinidade de chocolates; mas seu preferido foi o que chamou atenção.
Chocolate com avelã.
Seus olhos brilharam com a primeira mordida, assim que o gosto de avelã inundou as papilas gustativas dela.
Ela se virou para os meninos e deu um gritinho animado.
— Remus tem um estoque de chocolate escondido, mas é apenas questão de tempo até eu e Pontas encontrarmos os doces. — Sirius se gabou, fingindo limpar os ombros e fazer um high-five com o melhor amigo.
— Como se sente? — Dorcas perguntou, se sentando no lugar em que os pés da amiga deviam estar e revirando os olhos para Sirius.
— Estou bem, melhor do que nunca. — ela afirmou, mostrando o pé enfaixado e um pouco vermelho — Veja, foi só um corte.
— Não era só um corte. — James comentou — Vocês tinham que ver, eu achei que o pé dela ia cair.
— E eu achei que você não tinha medo de sangue. — a única garota que realmente deveria estar na ala hospitalar zombou — Qual é a nossa última aula de hoje?
— D.C.A.T, e adivinha, — Marlene respondeu a pergunta, mordendo o lábio para não rir de Peter, que parecia não saber o que fazer, observando os amigos — É com a Sonserina.
Uma expressão divertida tomou conta do rosto de Friday, era a única que tinha um amigo na Sonserina, e mesmo assim preferia evitar aulas compartilhadas, especialmente pela presença de Snape e Bellatrix.
— Peter! — James berrou, assim que o barulho de três vidros cheios de poções escuras e borbulhantes foi audível, no momento em que bateram no chão e explodiram.
Friday repreendeu o grito de Potter com o amigo, dizendo a Peter que estava tudo bem; não era preciso se esforçar para notar as poucas habilidades de Peter, — principalmente quando se tratava de equilíbrio.
Madame Pomfrey não precisou falar, apenas apontar a saída para que os visitantes abaixassem a cabeça e saíssem sem pestanejar; apenas James permaneceu firme, ficando por exatos 40 segundos a mais que os amigos, antes que os seguisse, correndo para a companhia dos amigos dos leões.
Sussurros animados vinham de dentro da última sala no corredor e Friday sentiu que devia entrar nela, era a única que ainda aparentava abrigar alunos e um professor; no instante que ultrapassou a porta alta e de madeira viu James, Remus, Sirius e Peter no fundo da sala.
Sem que o professor visse, ela se esgueirou em passos largos até o rapaz de cabelo bagunçado e seus amigos, dando um susto em Remus, que se esforçava para prestar atenção no que o homem de pé falava aos alunos.
— Recebi alta para a última aula do dia. — ela explicou para os garotos, que pareciam surpresos em ver ela ali, mesmo que ainda andasse com dificuldade e mancando.
Metade da sala se dividia entre alunos com vestes vermelhas, e a outra com os de vestes verdes.
O professor fez uma linha reta com estudantes das duas casas em frente a algo que parecia um armário, velho e empoeirado.
— Alguém aqui se arrisca a adivinhar o que tem aqui dentro? — o mais velho dentre todos da sala perguntou, em um tom curioso.
Todos os adolescentes ficaram em silêncio, de forma o ruído de dentro do armário ficasse mais alto, junto dos trancos que o que quer que estivesse dentro dali emitia.
— Minha mãe? — Sirius arriscou, e quase todos ali riram.
— É um bicho papão! — Lily falou do meio da fila, um pouco alto demais e arrancando um sorrisinho de James.
— Muito bem, Senhorita Evans. Dez pontos para a Grifinória! — o professor parabenizou, sorrindo para a garota com cabelos cor de fogo — E alguém pode dizer qual a aparência de um bicho papão?
— Ninguém sabe, senhor. — Frank começou — O bicho papão é um transformista, ele assume a forma daquilo que uma pessoa mais teme na vida.
— Perfeito. — ele sorriu — Por sorte, existe um feitiço bem simples para repelir um bicho papão.
Repitam, Riddikulus.
— Riddikulus. — A sala toda repetiu em coro, seguindo as batidas do bicho papão no armário em que estava preso.
— Muito bom, agora quero que vocês pensem em algo que te faça rir, que possa te deixar chorando de tanto rir. Precisam força-lo a assumir uma forma que achem realmente ridícula e engraçada.
James, pode vir aqui por favor?
No momento em que o professor Jigger o chamou, Potter se apresentou na frente da sala, seu nervosismo era claro, — ele já previa no que seu bicho papão se transformaria.
— Eu irei soltar o bicho papão, não tenha medo.
Quero que imagine seu medo da forma mais engraçada possível.
Em um último gesto, o homem mais velho puxou a porta do guarda-roupa e uma sombra preta se esquivou para além da luz.
Só aparecendo novamente a visão dos alunos em forma de quatro adolescentes, sendo um o reflexo de quem apontava a varinha para eles agora.
James, Sirius, Remus e Peter discutiam aos berros; Sirius pulou para cima de James e socou o olho dele, James retribuiu com um tapa na bochecha dele.
Friday riu de escárnio, mas podia ver a cara assustada e angustiada do garoto de óculos, o real.
Remus e Peter levantaram as varinhas, seguidos de Black e Potter; agora, cada um tinha a varinha apontada para o outro.
Jatos de luz verde saíram pela ponta das quatro varinhas, na direção dos amigos.
Instantaneamente, três garotos deixaram a vida e colidiram frontalmente no chão.
Apenas James estava de pé, debruçado no corpo morto de Sirius e agarrando o de Remus, procurando qualquer resquício de vida.
James engoliu em seco, e apontou sua varinha verdadeira para a imagem em sua frente. — Riddikulus.
Instantaneamente o bichão papão tomou outra forma, arrancando um sorriso bobo de James.
Friday e os marotos se matavam de rir com a visão de Severus Snape flutuando, apenas de cueca.
— Ótimo, James. — o professor pediu que o menino parasse, mas a imagem do garoto flutuando permaneceu, para a felicidade de Potter — Friday, sua vez.
A garota loira fechou os olhos, esperando que o bicho papão assumisse a forma de seu medo mais profundo.
Seu coração palpitava, batendo mais rápido em seu peito.
Um suspiro saiu da boca de um colega dos leões, ao ver um homem desconhecido largado em uma maca de hospital.
Seus olhos azuis vidrados e a pele pálida.
Desconhecido para o resto da sala.
Assim que Friday abriu os olhos, sentiu seus olhos inundarem com lágrimas espessas; seu rosto ficou quente e sua mão tremia como nunca antes.
O homem morto era seu pai.
— Sua varinha, Friday. — Professor Jigger indicou, mas Dunequim nem se mexeu.
Seus olhos estavam presos na linha reta do aparelho médico e seu barulho ensurdecedor, sem sinal algum de vida.
James avançou para frente, prestes a acabar com o bicho papão, mas não foi preciso; Friday disparou para fora da sala e seus soluços foram audíveis até certo ponto.
— Dispensados.
O professor murmurou, fazendo com que o transformista voltasse para dentro do armário.
Potter e Lupin saíram da sala, a procura da amiga loira, mas ela já tinha sumido entre os milhares de estudantes que circulavam pelo castelo.
— Por que essa cara, Pontas? — Peter perguntou, alheio do assunto.
Sirius deu um tapa sem som na cabeça do amigo, como se não fosse óbvio.
— Meu peito tá doendo. — James fez uma careta.
Sirius e Remus se entreolharam, os dois com uma expressão marota no rosto.
— Deve ser infarto. — Sirius deu de ombros e Remus empurrou o ombro dele.
— Não seja idiota, Almofadinhas. É amor renegado.
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