2 . Be (lie) ve


"Eu posso ser o único"

- Can I be him, James Arthur

Desde aquele dia nos tornamos amigos.

Com o passar do tempo, amigos irrefutávelmente próximos.

Tinham se passado 4 anos, agora ambos com dezesseis no primeiro ano do ensino médio. Você tinha conseguido se superar em questão de beleza e eu não estava pronto pra isso.

Não estava pronto pra te ver todo dia e não querer te dar um beijo de novo...

É, de novo.

Aos quinze anos a gente tinha combinado de nós beijarmos no telhado da casa dos Monét. Foi o primeiro beijo de ambos e, embora eu tivesse amado aquela sensação foi por um único motivo que eu havia tido a oportunidade de fazê-lo.

Sophia estava conversando com um garoto, Jasper, do segundo ano na época, e para que o beijo deles não fosse um desastre ela queria treinar e não confiava em mais ninguém pra isso.

E eu aceitei...

Depois daquele dia, não falamos mais sobre o beijo.

Depois daquele dia, ela saiu muitas vezes com o tal de Jasper.

Depois daquele dia, eu me lembro de ter ficado noites acordado ouvindo você chorar por aquele garoto.

Depois daquele dia, estive sempre em sua sombra enquanto você beijava outros garotos nas festas.

Depois daquele dia, eu fiquei no andar de baixo da sua casa vigiando enquanto você tinha sua primeira vez com um tal de Carter no seu quarto.

E agora estamos de novo aqui, no telhado da casa dos Monét. Você sentada do meu lado, com a cabeça no meu ombro e eu olhando pro nada.

Já se passavam das duas horas da manhã, mas não estávamos com sono. Eu tinha ido até lá para fazer nosso trabalho de geografia, mas acabamos fazendo um karaokê horrendo na sala de estar.

A gente se divertia tanto.

- Sabia que diziam que quem tem olhos puxados enxerga menos, ursinho? - questionou rindo enquanto passava a mão na parente de meu rosto.

- Sabia que diziam que garotas de cabelo ruivo eram bruxas? - me virei para Soph pegando seu nariz entre o indicados e o dedo médio - Você é bruxa, bruxinha?

- Você é cego, Tata?

- Não, só miopia.

- Então eu não sou bruxa.

- Não sei, será? - coloquei a mão no queixo de modo pensativo - Acho que você me enfeitiçou para eu aceitar aquela sua loucura de cabular aula pra ver garotos.

Recebi um empurrão no ombro direito apenas... Eu forcei uma risada. Acho que já fiz tanto isso que acho que Soso acredita que esse seja realmente meu modo de rir.

Acredito que você fosse mesmo uma bruxa. Você me enfeitiçou mesmo não tendo se dado conta disso. Eu sei que você não sabia que eu estava totalmente apaixonado por você. Eu sei disso. Do contrário, você não teria beijado Jason Carter do segundo ano no dia seguinte...

Você não é tão cruel, eu sei disso.

Também sei que me perdi em muitos dos meus eu sei...

Todas as vezes que você aparecia com um novo garoto, ou simplesmente beijava uns cinco na mesma festa, ou vinha me contar de suas noites com alguém eu apenas escutava, fazia uma piada idiota as vezes...

Eu era seu melhor amigo afinal. Seu porto seguro. Seu confidente. Mas nunca mais que isso.

As vezes, gostaria que você tivesse sido uma filha da puta comigo, talvez eu não estaria nesse estado.

Toda vez que você me liga chorando por causa de um garoto qualquer e pergunta se pode passar a noite comigo, ou quando você só quer ficar abraçada comigo na minha cama, ou as vezes que você insiste em brincar com meu cabelo e fazer maquiagem em mim, eu me encho de esperança.

Eu começo a acreditar que você vai me notar. Que nas horas que nos encaramos mais do que alguns segundos você vai me beijar, que quando você encosta sua mão na minha rapidamente é porque você quer andar de mãos dadas comigo, que quando você olha para o lado vê que eu sempre estive aqui pra você. Só para você Soph...

Mas então você começa a contar dos garotos que você acha bonito, me pergunta sobre as garotas que eu teoricamente peguei.

Aí percebo que fui longe demais. Que onde eu estou é melhor do que nada. Que eu não vou conseguir ser mais do que um amigo.

Mas eu ainda acredito na mentira.

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