10 De Junho De 2017
Depois de nossa conversa animadora, Rebecca evitou por meio de todas as formas esbarrar em mim no restante da semana.
No sábado entregamos as últimas casas. E as pessoas deixaram de vez o ginásio. Como comemoração, Rebecca pediu para todos os voluntários virem a noite para fazermos um churrasco.
Confesso que não estou no clima para isso, depois de falar com Ana novamente que ela não deve ter esperanças. Porque não quero nada com ela. Mas nunca vi uma mulher tão inclinada à submissão.
"Eu aceito ser sua amante até você descobrir que realmente gosta de mim. Eu vou te esperar, seja o tempo que levar."
Foi o que ela respondeu enquanto chorava.
Como uma boa pessoa que sou, desliguei na cara dela.
Isso não se trata apenas de Rebecca. Trata-se de eu não ter mais saco para aturar as manhas de Ana. E por ter absoluta certeza de que não gosto dela.
Talvez nem amizade eu sinta mais por ela.
Eu vim aqui essa noite mais pela insistência do Caiã do que por vontade própria.
Agora tenho que assistir Rebecca sorri enquanto Caiã fala sobre algo em seu ouvido.
Comigo é sempre briga, mas com ele é sorriso?
Viro todo conteúdo da latinha de cerveja e em seguida a espremo.
A cada riso dela, uma latinha é amassada.
— Cara, acho que a latinha não tem culpa de nada. — olha para o lado e vejo Maurício sentando-se ao meu lado.
— Realmente. — digo observando sete latas ao meu pé.
— Você tentou conversar com ela? Ou deixou o caminho livre para seu irmão? — ele pergunta enquanto beberica sua cerveja.
— E existe modos de conversar com essa diaba? — inclino meu corpo para frente e apoio meus cotovelos na coxa. — Quando eu pensei que estivéssemos tendo uma conversa decente, terminou em briga. — passo as mãos por meu cabelo. — É melhor me conformar que não somos nada compatíveis.
— Pensando por esse lado, realmente, vocês são como anjo e demônio. — Maurício gargalha. — Mas cara, a vida é muito curta para acreditar em falta de compatibilidade. Fica remoendo isso e depois que perder vai se arrepender. — ele leva a mão ao meu ombro. — Pense nisso...
Ele se levanta e vai dançar com Celly, que rodopia com sua boneca esquisita.
No som começa a cantar Mercy, do Shawn Mendes. Sempre odiei esse cara, mas agora ele está cantando extamente o que estou sentindo.
Talvez seja a bebida, ou meu coração frio descongelando. Mas tem algo estranho comigo, porque estou fazendo algo que nunca fiz na vida: sentindo a música.
You've got a hold on me
Don't even know your power
I stand a hundred feet
But I fall when I'm around ya
Show me an open door
And you go and slam it on me
I can't take anymore
I'm saying
Baby, please have mercy on me
Take it easy on my heart
Even though you don't mean to hurt me
You keep tearing me apart
Would you please have mercy, mercy on my heart?
[...]
Você me tem nas mãos
Nem sabe o tamanho do seu poder
Eu estou a cem pés de distância
Mas eu caio quando estou perto de você
Você me mostra uma porta aberta
Depois fecha ela na minha cara
Eu não aguento mais
Estou pedindo
Amor, por favor, tenha piedade de mim
Pegue leve com meu coração
Mesmo que não seja sua intenção me machucar
Você continua acabando comigo
Você poderia, por favor, ter piedade, piedade do meu coração?
[...]
Me retiro e vou na direção do banheiro, meio cambaleante. Tenho que jogar um pouco de água no rosto para dispersar esses pensamentos.
Assim que olho meu reflexo no espelho percebo o quão mal estou.
Sorrio sarcástico.
De tanto rir dos meus amigos que passavam por rompimentos ou coisas do tipo, acabei pior do que eles.
Quando saio do banheiro, no corredor vejo alguém me esperando.
Aperto meus olhos na intenção de confirmar se estou vendo direito ou é efeito da bebida. Mas para minha surpresa, ela realmente vem até mim.
— Tome. — ela me estende um copo. — Café. Ajuda a ficar sóbrio.
— Por que você faz isso comigo? — me aproximo — Você sabia que está me matando aos poucos? — me aproximo mais — Estou enlouquecendo. E você é culpada, Rebecca! Você despertou esse meu lado que eu nem sabia que existia. Me transformou nesse marica que fica sempre imaginando como seria bom estar contigo, nem que seja para assistir um filme em um domingo a tarde. — a faço encostar na parede — É você, Rebecca.
— Caio, você está bêbado. — ela tenta se desvencilhar, mas eu coloco cada uma de minhas mão em um braço dela.
— Não Rebecca. E você sabe disso.
— Caio... eu não posso... — ela diz sem me encarar.
— Por Deus, mulher. — lanço minha cabeça para trás em frustração, e respiro fundo antes de olhá-la novamente. — Somos adultos, vocês me disse que é solteira. Por que raios você não pode?
— Eu realmente não posso. Você ainda vai me entender. — diz com um fio de voz, mas sem me olhar, por isso eu levo à mão direita ao queixo dela e forço a me olhar.
É então que sinto meu coração partir em um milhão de pedaços. Quando seus olhos verdes encontram o meu, consigo ver o quão marejados estão.
— Rebecca... Eu não... — antes de terminar de falar, ela me puxa para um abraço, enlaçando apertado. Ao mesmo tempo que começa a tocar 'Give me Love', de Ed Sheeran.
Eu retribuo o abraço e antes que perceba, estou a embalando no ritmo da música.
[...]
And that I'll fight my corner
Maybe tonight I'll call ya
After my blood turns into alcohol
No, I just wanna hold ya
Give a little time to me
We'll burn this out
We'll play hide and seek
To turn this around
All I want is the taste that your lips allow
My, my, my, my, oh give me love
[...]
E eu vou lutar pelo meu espaço
Talvez eu te ligue hoje à noite
Depois do meu sangue virar álcool
Não, eu só quero te abraçar
Me dê um pouco de tempo
Vamos acabar com isso
Vamos brincar de esconde-esconde
Para mudar essa situação
Tudo que quero é o sabor que seus lábios permitem
Minha, minha, minha, minha, oh, me dê amor
[...]
Minha vontade é nunca mais soltá-la. Mas como não tenho controle sobre nada, ela simplesmente me solta e vai embora. Me deixando novamente cheio de dúvidas e sozinho.
Que porra é essa?
Sem controlar o que estou sentindo, chuto uma lixeira, fazendo-a voar para longe, assim como o lixo que estava nela.
— Não adianta fazer isso. — Caiã sai das sombras. — Só vai te dar mais trabalho depois para catar.
— Onde você... — olho para ele confuso.
— Se quer saber se eu vi sua cena romântica com Rebecca, sim. Eu tive o desprazer de ver. — ele não me encara, então não posso decifrar o quão ruim é essa situação. — Melhor catar isso antes que ela veja e fique com raiva de você.
— Caiã, eu não...
— Não precisa falar nada. Naquele dia que me telefonou eu sabia que tinha perdido. — ele pega a lixeira e começa a catar as folhas de papel amassadas.
— Eu sinto muito. — digo por fim.
Sempre evitamos passar por isso. "Irmandade acima de tudo" era o que dizíamos. Mas acho que evitamos o inevitável.
— Se te deixa mais confortável, ela disse que podemos ser bons amigos. — ele ri sem graça.
— Se te conforta, nem minha amiga ela quer ser.
Nós rimos.
Respiro mais aliviado.
Estamos bem.
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