03 De Julho De 2017
O final de semana foi um misto de risos e conversas aleatórias. Além de termos aproveitado bastante a cama...
Rebecca estava diferente. Em alguns momentos até pensei que estivesse escondendo algo de mim. Tentei sondar, mas ela sempre desconversava. Até que me dei por vencido e deixei para lá. Quando for a hora, tenho certeza de que irei descobrir.
Acordar com Becca em meus braços foi uma sensação muito diferente. Nunca imaginei que fosse querer ficar tanto assim com uma mulher e não me cansar dela.
Hoje iremos pôr em prática um projeto que Rebecca criou: “Um abraço para aquecer a alma...”
Sinceramente, não sei se gosto de abraçar pessoas aleatórias na rua. Mas ela insistiu tanto que eu não pude negar, então acabei cedendo ao seu pedido.
Estamos na praça da cidade, próximos à linha férrea que corta o centro de Muqui. Abaixo há a rua principal, que os automóveis transitam, e do outro lado da calçada é possível ver a loteria, uma espécie de churrascaria, farmácia, restaurante, uma sorveteria e um supermercado.
Na loteria há uma longa fila, com cerca de 20 pessoas — tanta gente para um estabelecimento tão pequeno, que a fila está na calçada — impacientes. De lá elas nos olham.
Nós estamos com camisa branca e Rebecca trouxe um banner com o slogan do projeto.
— Tio... Agora você já está namorando a tia Rebecca, não está? — Celly pergunta após notar que estou olhando fixamente para uns rapazes que se aproximam de Rebecca.
— Celly... Você quer que eu namore a Becca? — me agacho para ficar do tamanho dela.
— Vai ser muito legal tio! — ela dá pulinhos de felicidade.
— Então você tem que me ajudar. — me aproximo dela e a faço virar-se para Rebecca. — Preciso que você vá até lá e diga assim: “Tia Rebecca, seu namorado, o tio Caio, perguntou se você não quer se sentar um pouco.” — faço uma pausa antes de prosseguir — consegue fazer isso?
— Eu consigo, tio!
Rapidamente, a pequena garotinha vai até Rebecca. Não demora e elas olham em minha direção. Os dois marmanjos que se aproximaram para fazer hora, rapidamente se despedem, fazendo Rebecca me fuzilar com os olhos.
Sorrio e pisco para ela. Que acaba balançando a cabeça e sorrindo também.
— Pelo visto o final de semana de vocês foi produtivo.
Ao olhar para trás vejo Maurício sorrindo.
— Põe produtivo nisso... — gargalho — Mas ainda sinto que ela não está inteiramente na minha.
— Caio, dê tempo a ela. Quando for a hora você saberá o que está acontecendo — ele diz e em seguida dá três tapinhas em meu ombro. — Eu só peço para você não fazê-la sofrer. Por favor.
— Tá maluco, cara? — digo sorrindo. — Demorei muito para conseguir ficar com ela. Agora vou aproveitar cada momento. E mesmo que eu não seja muito experiente em relacionamentos, pretendo fazê-la a mulher mais feliz do mundo.
— Espero que esteja falando sério. — ele aperta meu ombro com um pouco de força — caso contrário vai se ver comigo...
— Relaxa cara — tento acalmá-lo. — Não quero confusão. Até porque, tenho certeza de que Rebecca mesmo fará o serviço se eu pisar na bola.
Compartilhamos uma gargalhada, que fora interrompida com a aproximação de algumas senhoras.
— Que coisa boa, Maria. Logo de manhã poder abraçar um homão bonito desse — diz a senhora após me abraçar.
— Parece até um festival de homem bonito isso daqui — a outra responde, pegando no braço de Maurício.
— Desejamos um excelente dia às senhoras — saudamos antes delas partirem.
— Interessante... Até agora só as idosas vieram nos abraçar. Rebecca já ganhou abraço de vários marmanjos — reclamo, cruzando os braços após observar um cara boa pinta se aproximando de Rebecca.
— É meu camarada, é melhor você ficar mais perto dela para garantir seu posto. Tem um bando de caras querendo ocupar esse cargo — Maurício debocha antes de se afastar.
Quando percebo que o cara está demorando um pouco demais no abraço, me aproximo deles.
— Tio, esse moço disse que gostava da tia Rebecca no tempo da escola — dispara Celly assim que chego perto deles.
— Uma pena ele ter perdido o bonde. Agora é tarde amigo — olho-o fixamente, para que entenda o recado.
— Culpa da Becca que não dava chance de ninguém se aproximar. Estou contando para ela que costuma ir às lutas dela. Sempre torcia por ela. Fiquei muito triste quando você parou de lutar.
— Uma hora a gente cansa... — Rebecca parece meio desconcertada. Já percebi que não é um assunto no qual ela se sente bem em conversar.
Esse cara tá pedindo...
— Rebecca, acho que é hora da gente fazer uma pausa. Você não disse que compraria sorvete para a Celly e para mim? — interrompo.
— Isso! — grita Celly, satisfeita — Quero tomar um sorvete antes de ir embora.
— Tudo bem. Mas só um pouco, mocinha! A senhorita tem que almoçar antes de ir para a escola.
— Eba! — ela dá pulinhos de felicidade, o que me faz rir. — Qual é seu favorito de toda a vida, tio Caio? — ela diz após me encarar.
— Hummm... Me deixe pensar... — coloco a mão no queixo e finjo pensar por um instante. — De chocolate!
— O meu também! — ela corre para meu braços.
— A senhorita está muito grandinha para ficar no colo — falo bagunçando seu cabelo.
— Não faz isso, tio! — ela gargalha.
— Becca, você está bem?
Celly e eu paramos de rir quando ouvimos o babaca falando isso. Ele está segurando Rebecca.
Rapidamente coloco Celly no chão e vou segurar Rebecca. Dou um chega-pra-lá no cara e tomo sua posição.
— O que foi, está se sentindo mal? — pergunto desesperado ao perceber que Rebecca está pálida.
Não demora e Maurício vem em nossa direção.
— Caio, leve a Celly para casa. Mande-a se arrumar para a escola. Eu vou cuidar da Becca — diz autoritário, pegando Rebecca em seu colo.
— Não! Preciso ir com vocês. Preciso saber o que está acontecendo — impeço que ele caminhe, segurando seu braço com força.
— Anda logo, Caio! — fala ríspido. — Faz o que estou mandando. Depois eu te explico.
Devido seu tom de voz, algumas pessoas começaram a se aglomerar. Pensei não ser bom para Rebecca, então resolvi fazer o que ele disse. Depois vou atrás deles.
— A tia vai ficar bem? — Celly puxa a barra da minha camisa. Quando a olho, percebo que está com lágrimas nos olhos. — Ôh minha pequena — pego-a no colo — ela vai ficar bem. Tenho certeza que foi só a pressão que abaixou.
Estou tentando me convencer disso também.
Assim como solicitado, levo Celly para a ONG e a faço trocar de roupa. Por sorte, ela já é grande o suficiente para fazer isso. Não creio que sou o cara certo para ser babá. Em instantes, ela terminou.
— Vou te levar até o restaurante para almoçar e de lá te levo pro colégio.
— Tá bem, tio.
— Pega seu material e sua escova de dente.
Pego a chave do carro de Rebecca e fecho a sala antes de sair.
Enquanto espero Celly almoçar, fico tentando entender o que aconteceu com Rebecca. Ela parecia bem... O que será que houve?
Por algum motivo, meu peito está doendo. É como se uma bomba fosse explodir a qualquer momento.
— Acabei, tio — informa Celly me cutucando o braço.
É possível que ela tenha me chamado mais vezes e eu não tenha ouvido.
— Ótimo. Agora pede a moça para te levar ao banheiro. Escove os dentes... — aponto para a mulher que está no balcão.
Assim como eu disse, Celly foi até a mulher e lhe pediu ajuda. A mulher atendeu com bom humor.
Logo que a garotinha voltou, agradeceu a mulher e então fomos para sua escola. A deixei lá e voltei para a ONG.
Preciso descobrir para onde Maurício levou Becca...
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