✿ QUATRO: DO INÍCIO ✿

A cerimônia foi absolutamente deslumbrante, sem dúvida a mais emocionante que já testemunhei. Os votos do casal foram tão belos e poderosos que não consegui evitar que as lágrimas escorressem pelo meu rosto. Emma também estava visivelmente emocionada, soluçando ao meu lado. Porém, mesmo com toda essa comoção, havia algo que me incomodava profundamente: o estranho pedestre desajeitado. 

Sua presença peculiar conseguia atrair minha atenção, apesar de todos os detalhes encantadores ao meu redor. A beleza desse rapaz chega a ser irritante – com sua pele pálida e translúcida, consigo enxergar claramente cada veia roxa que percorre seu rosto, enquanto uma bolsa de olheiras repousa abaixo de seus olhos. Seu olhar é penetrante e, droga, seu sorriso é simplesmente estonteante. Seus dentes, alinhados e brancos como diamantes, brilham intensamente.

Após a cerimônia, todos nos reunimos na escadaria da capela para jogar arroz nos recém-casados e desejar-lhes muita felicidade em sua união. No entanto, antes que Emma e eu pudéssemos montar em nossa moto e partir, fomos abordados por Stephanie, que nos convidou para a festa. E é claro que minha prima não me permitiria recusar tal convite, então, aqui estamos nós. Emma e eu, com um copo de uma bebida desconhecida em mãos, nos divertindo ao lado de pessoas completamente estranhas.

— Essa festa está incrível! — Exclamou Emma entusiasmada. — Vou dar uma volta, procurar por alguém interessante. — Eu apenas concordei com a cabeça e voltei a tomar meu drinque.

A música que começou a tocar em seguida me fez rir internamente, balançando a cabeça em negação. As caixas de som do salão de festas ecoavam a trilha sonora de "Titanic", e casais se levantavam de todos os lados para dançar em ritmos diferentes. Soltei uma risada alta ao ver minha prima se juntar a eles, acompanhada por um jovem que parecia ter acabado de completar seus dezoito anos. Guardei esse momento na memória, pronta para mais tarde provocá-la sobre aquele garotinho.

— Então, está a fim de dançar? — Dou um salto no lugar, causando um pequeno acidente e derramando um pouco de bebida em minha mão direita.

— Qual é a sua, hein?! — Começo a dizer, mas me calo abruptamente ao fixar o olhar no dono da voz.

Minha boca fica seca e as batidas do meu coração começam a falhar. 

Respiro fundo e tento me recompor, em vão, enquanto tento desesperadamente secar minha mão na saia do vestido. O pateta ao meu lado percebe minha tentativa frustrada e, com uma expressão divertida no rosto e um sorriso estonteante nos lábios, tira um lenço impecável do bolso de seu smoking e me oferece.

— Agradeço. — Digo, um tanto mal-humorada.

— De nada. — Sua voz é amável. — Uma vez vi em um daqueles filmes novos com aquela atriz linda, nunca consigo lembrar o nome dela, mas... — Faço uma expressão entediada e ele parece notar, pigarreando e indo direto ao ponto. — Aprendi que um cavalheiro sempre deve carregar um lenço no bolso, caso uma dama chore.

— Eu não estou chorando. — Replico, franzindo as sobrancelhas e dando um gole no resto da bebida no copo. — E sobre a sua pergunta, você não tem namorada?

— Não. — Sua resposta é rápida e direta, me deixando momentaneamente surpresa. — Aquela que me acompanhou na cerimônia é a minha prima, Amber. 

— Além de ser desatento, você ainda é um cafajeste. — Deixo as palavras escaparem rapidamente dos meus lábios. A expressão no rosto do pedestre idiota é de genuína surpresa, está claro que ninguém nunca teve uma reação tão racional diante de sua beleza. — A desculpa de "ela é minha prima" é clichê, colega.

O idiota começou a rir incontrolavelmente e isso só aumentou minha raiva por esse ser humano. A vontade que eu senti mais cedo de me desculpar por gritar com ele desapareceu, eu só quero ficar longe.

Comecei a me afastar e ele segurou meu braço de repente, com firmeza. 

Esse gesto repentino fez meu coração acelerar e ficar descompassado.

— Me solta! — Grito, olhando para ele, incrédula.

O idiota desconhecido parece me ignorar, seus olhos vagam pelo salão e, sem aviso, ele me puxa para o meio dos diversos convidados, parando na frente da garota ruiva.

Sinto meu rosto ficar vermelho de vergonha, quero sumir.

— Ei, Amber. — Ele diz, sorridente.

Será que ele não percebe que está me segurando contra a minha vontade?

— Vincent! — Ela exclamou, abraçando-o. 

Eu senti o aperto em meu braço ficar mais fraco, mas por algum motivo desconhecido, eu não queria soltá-lo. Talvez fosse curiosidade, ou qualquer outra coisa, mas eu permaneci ali, aguardando o desenrolar da situação.

— Você está gostando da festa?!

— A festa está incrível! — Respondeu o rapaz idiota. — Nem acredito que finalmente a sua mãe se casou, demorou demais!

— Sua tia é mestre na arte de enrolar os homens — Ambos riram.

Me senti culpada por ter julgado Vincent precipitadamente.

Os primos continuaram a conversar de forma descontraída e, numa tentativa frustrada de ser discreta, comecei a me afastar.

— E então, aceita dançar comigo? — Vincent perguntou de repente, fazendo-me parar no meio da multidão.

— Claro. — Virei nos calcanhares depois de responder a ele.

Ele entrelaçou seus dedos nos meus e começamos uma dança suave e delicada. Um passo para a esquerda, dois para a direita. Seus dedos estão firmes em torno da minha cintura, a fragrância do seu perfume é doce e quase sufocante, estamos tão próximos que sinto um formigamento estranho na boca do estômago.

— Quero pedir desculpas novamente. — Sua respiração quente alcança meu ouvido, arrepiando-me involuntariamente. — Eu não deveria ter atravessado sem olhar para os lados e também não deveria ter puxado você pelo braço.

—Já que estamos falando de coisas que não devemos fazer e nos desculpando... — Começo, relutante, mas às vezes é preciso deixar o orgulho de lado. — Me desculpe por ter te chamado de cafajeste e por ter gritado com você. — Engulo em seco. — São só flores... e... — Não consigo dizer mais nada.

— Que tal recomeçarmos do zero? — Sugeriu ele, me girando logo em seguida.

Ao voltar para seus braços, não consigo evitar um sorriso tímido.

— Você verá que posso ser um cavalheiro.

A música chega ao fim e nos separamos, seus olhos verdes continuam me analisando. Sou surpreendida por ele se inclinar como em um filme antigo, estendendo uma das mãos em minha direção e mantendo seu olhar fixo em mim.

— Senhorita, sou Vincent Jackson e é uma honra dançar ao seu lado. — Meu rosto fica vermelho como um tomate, mas entro na brincadeira, me inclinando lentamente e segurando com cuidado a ponta do meu vestido.

— O prazer é todo meu, senhor Jackson. — Rimos juntos.

— Que tal irmos tomar algumas bebidas, hum? — Ofereceu, ainda agindo como um cavalheiro, e eu, sorrindo como uma idiota, o sigo até o bar. 


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