9º Capítulo - A Verdade Sangra


          Eram 07:15 da manhã quando Lara chegou ao hospital. Estavam todos lá, muito preocupados, na recepção a aguardando. Ela estava muito machucada - Seu pé havia Infeccionado, seu ombro ainda doía e sentia sua cabeça quase explodir grudada ao corpo - e não fazia ideia de como explicar oque havia ido fazer e nem o porquê. Então resolve colocar a culpa nos remédios - que foram administrados no soro pelo hospital, na noite anterior, para que ela se recuperasse e no efeito pós-trauma.

          Pouco depois, um enfermeiro trás uma cadeira de rodas e seus avós a levam para o quarto, enquanto Marco - que pedira licença para fazer uma ligação - vai até a lojinha. Ao chegar, deita-se cuidadosamente sobre a cama enquanto a moça, que trazia seu café da manhã, entra. Ela sorri, ao ver que eram Muffins de Blueberry acompanhados de um Frappuccino de Morango com Cobertura de Chantilly - Seu favorito.

          - Uau! Se eu soubesse que a comida aqui era assim de manhã, não teria nunca fugido daqui. - Brinca, tentando não transparecer muito a sua alegria de ver algo que não fosse verde, naquele lugar.

          A camareira, - que tinha uma à aparência jovem de uns 20 ou 25 anos - sorriu e disse, pouco antes de sair.

          - Não costumamos servir algo assim, normalmente. Foi um pedido especial, exigência de seu namorado. Espero que goste.

          - Pedido de quem? - Pergunta sua avó, que não estava prestando muita atenção, pois guardava as roupas da mala dentro da cômoda.

          Ao ouvir aquilo, Lara arregala os olhos, assustada. - Não sentia que aquele era o melhor momento para contar algo assim para ela, então, apenas permanece em silêncio, tensa. - Tereza parecia estar prestes a perguntar novamente, porém Marco entra no mesmo instante no quarto. Ela, literalmente, nunca havia ficado tão feliz em vê-lo como naquele momento.

          - Oi gente! Bom Dia. - Mas, como já era esperado, toda alegria com Marco tem que durar pouco - Oh, bolinho!

          - Ei, Esse Muffin é meu! - Reclama, dando um tapinha na mão dele. - Vou te denunciar para a Sociedade Protetora do Café da Manhã da Lara, por duas infrações gravíssimas já.

          - Foi mal priminha e a SPCML, mas a lei do lance da "nossa família, nossa comida" ainda permanece o mesmo em hospitais.

          - E o "lance" da frigideira também ainda permanece intacto aqui. - Brincou - Cuidado com a cabeça!

          Entre provocações e risadas, eles se divertiam. Mas, não muito depois, o médico chega ao quarto com o prontuário médico dela em suas mãos.

          - Olá, Família Torres. Como vão todos? E você deve ser a famosa Lara... – Ele diz. Era um senhor grisalho aparentemente bem simpático. Ela olha em seu crachá, também gostava de chamar as pessoas pelo nome, mas estava virado do avesso. - Ouvi disser que você não é muito fã de hospitais, - Brincou - muito menos de vidraças, pelo que eu pude perceber no caminha até aqui.

          - Eu sinto muito, Doutor. - Diz, sem graça. Ela sabiá, no momento em que ouvira o estrondo após entrar no elevador, que havia acontecido algo - Está tudo bem com os bebês? Eu tenho um dinheiro que minha mãe me deu, pouco antes de eu me mudar, não se preocupe eu vou pagar por tudo.

          - Minha jovem, - Ele ri - Você e sua família não tem dívida alguma com nosso hospital, aliás, todo seu tratamento já está sendo pago. Considere uma cortesia do Vera Cruz e, sim, todos os neonatos continuam muito fortes e saudáveis. - Lara faz uma expressão séria, de dúvida. Mas ele logo volta a falar. - Agora com relação ao seu caso, normalmente eu liberaria o paciente para receber tratamento em casa, com a restrição de vir direto para o hospital caso ocorresse alguma mudança significativa. Porém, pelo que diz aqui na sua fixa, você apresenta casos de desmaios por de Hipertensão e Traumas emocionais. Oque é um problema quanto se tem tendência a ataques de ansiedade e impulsividade como os que você vem apresentando. Ou seja, precisa controlar essa pressão Lara, tente não se estressar muito. Pedirei a enfermeira para realizar alguns exames e, para evitar mais "incidentes", prefiro que fique aqui por mais duas semanas se recuperando antes que possa te dar alta. Beba muito liquido e durma bastante.

          Após o médico sair, ninguém falou uma se quer palavra. Exceto Marco e Lara, que já não podiam mais conter o riso e, assim que se olham, ela não aguentar mais e diz.

          - BEBA MUITO LÍQUIDO...

          - E DURMA BASTANTE! - Ele completa.

          Acontece que, quando eram crianças, amavam assistir luta livre juntos, escondido, pela na televisão. Mas, sempre na melhor parte, seus avós descobriam e trocavam para o canal educativo. Ao ouvirem o Doutor dizer aquelas palavras, acabam se lembrando do bordão do fim de cada episódio do programa "Amigos da Saúde" que coincidentemente era "Bebam muito Líquido e durmam bastante, crianças!". Eles deviam ter ouvido aquilo umas 7.000 vezes, quando eram menores, foi inevitável que eles caíssem juntos na gargalhada. Até a avó deles entendeu a referência, mas foi firme ao segurar o riso. Já William, acaba se juntando a os dois. - que só faltavam rolar no chão de tanto rir. - Mas logo são obrigados a parar e a fingir que nada havia acontecido assim que a enfermeira chefe bate na porta.

          - Com licença, gostaria de fazer algumas perguntas aos responsáveis pela senhorita Torres.

          Era uma ruiva - de um tom não tão acobreado como o da Lara - que usava Crocs preto no pé. Pouco depois, seus avós se dirigem até a recepção com ela.

          - Você não vai também? - Diz, pensando em ligar para Nick para reclamar de todo tratamento especial, mais que evidente, que estava recebendo.

          - E deixar você aqui sozinha? - Ele responde, puxando o banco verde de plástico do quarto, para se sentar próximo a ela. - É muita paz para uma pessoa só, alguém precisa te irritar um pouquinho.

          Ela ri, sem graça, mas sabia que não era isso. Ele havia dito para si mesmo e para a mãe dela que nunca mais a perderia de vista, nem por um segundo. Porém, segundo ele, isso não o impedia de fazer aquele Bullying diário. Pois ele achava, ela com raiva, a coisa mais meiga e adorável.

          - Então, e seu namorando novo... - Implica, com um tom leve de deboche - Se pegaram muito no banco do avião?

          - Como você...

          - Ah, princesa do cabelo de fogo, - Ele Interrompe - às vezes você se esquece de que resolveu se envolver justamente com um dos meus melhores amigos. - Retruca - Mas ai, nem um beijinho?

          - Marco, sai daqui, vai! - Exclama - Vai procurar uma louça.

          - Oque? Não vai me dizer que você nunca beijou... - Ela morde o canto esquerdo do lábio e ele diz. - Ai meu Deus! Uma neném mesmo.

          Ela tenta alcançar o pescoço dele. Por não conseguir, joga o seu travesseiro o mais forte que pudera nele e deita-se com o rosto virado para a cama hospitalar.

          - A propósito, amei a aliança... - Fala, tentando ameninar o clima - Porém esperava mais de alguém com a grife do Nick. Quando ele me contou eu nem Acreditei.

          Ela se senta e, mais calma, diz.

          - Olha só, se ele ficar te contando tudo oque a gente faz, - Brinca - as coisa vão começar a ficar muito estranhas...

          - Acredite, - Marco responde - existem detalhes que eu não faço a menor questão de saber.

          Ela sorri e Eles ficam um tempo em silêncio, olhando para o nada. No entanto, logo Marco diz.

          - Mas sério - Marco solta uma leve risada com o canto da boca - quando ele me contou, eu realmente não acreditei.

          - Oque? - Lara questiona.

          - Sabe, como você pôde ser tão burra. - Completou - Aceitar um compromisso assim do nada, fora ter fugido em um único dia duas vezes de um hospital, doente e por um cara que você nem conhece. Oque você tinha na cabeça? Até o médico tirou onda com a sua cara. Você podia ter morrido.

          - ERA AMOR VERDADEIRO! - Ela grita, fazendo questão de pronunciar cada perfeitamente.

          - Não existe isso à primeira vista, Lara. - Ele responde - Leva tempo, anos até e, às vezes, a você acaba descobrindo de que nem era a pessoa certa. Não seja idiota.

          - O que deu em você em? Ele é seu amigo. - Adverte.

          - Outro imbecil, acaba com a empresa da mãe e quando é para fazer alguma coisa que preste para concertar, pede uma estranha em namoro e ainda acha que vai dar uma de "Tarzan" e leva-la com sigo, que nem uma Jane para a floresta, a outro país.

          - A CULPA É SUA! - Ela diz, irradia. Como se não já bastasse falar dela, agora estava falando da pessoa que ela amava e que ele tanto se dizia ser amigo - Se não fosse por você! Ele não teria ficado aqui na cidade, teria ido com a mãe, mas não... O marco não pode ficar sozinho! E se não fosse por você, também, eu nunca teria ido aquela festa idiota, para começo de conversa, e nunca teria visto ele de novo e me apaixonado só que, essa foi a única coisa boa que você me fez e ainda quer estragar? Como se já não fosse o suficiente fazer eu me sentir um lixo, desde o primeiro dia que eu pisei aqui, com seus insultos e piadinhas... Você nem para ficar feliz por estar viva e amando. Marco, eu não esqueci. - Lara fez uma breve pausa - Você não estava lá, para me salvar, ele estava. Ele fez oque você sente que deveria ter feito. Por isso doí tanto esse teu ego dentro de você quando me ver tão feliz e grata por ele. Porque você sabe que é tão imbecil, que nem isso fora capaz de fazer. - Ela ri - Sabe, você até podia ter impedido ele de ir, como muito bem fez da última vez, mas como não te interessava... Não ia ganhar nada mesmo, deixou ele ir. Você tirou isso de mim como se não fosse nada e ainda me julga porque tentei ir atrás dele? E não entendo porque essa preocupação toda de repente, você mesmo me insinuou para ele, no começo, pelas minhas costas! Como se eu não fosse nada, uma menina qualquer para se divertir antes de viajar. Nem passou pela sua cabeça o seu sangue, é o mesmo que corre dentro de mim também! Uma pena, parando para pensar. Porque, nesse exato momento, eu sinto nojo disso. - Ela conclui - Eu quero que você saia desse quarto, agora.

          - De jeito nenhum. - Ele ri.

          Os batimentos a cardíacos dela começam a subiam muito rapidamente e os enfermeiros são acionados imediatamente intervir, junto com os seguranças para tira-lo de lá.

          - Eu não vou sair daqui, de jeito nenhum. - Insiste.

          Eles o pegam a força pelo braço e então, de repente, o telefone dele toca e ele faz questão de mostrar a tela para Lara.

          - Não se preocupe prima querida, não é o seu namoradinho. É a vovó, deve está tendo problemas com a papelada do hospital. Eu não demoro - ironizar, enquanto é levado para fora por dois homens. Na porta, conclui. - Ah e a propósito, isso de vocês, - Balança a cabeça, de forma negativa. - não vai durar.

          - Vai a Merda, Marco! - E arremessar, sem pensar, o jarro com um cacto na parede que, sem querer, acaba acertando o braço dele. - Ai meu Deus, eu sinto muito! - E ele é levado.

          Ficara tão nervosa e em choque ao ver o sangue dele escorrendo pela parede. Estava prestes a desmaiar quando os enfermeiros administram 10mg de Diazepam. - Sedativo. - Antes dela se apagar, grita uma última vez.

          - ATÉ A PORCARIA DA PLANTA DE DECORAÇÃO TINHA QUE SER VERDE! Palhaçada...

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