12º Capítulo - O Carrinho de Mão
A maioria das famílias possuem o incrível, complacente e indispensável dom de agir como se nada houvesse acontecido no dia anterior. - Atitude pela qual evita brigas e prorrogações de discussões desnecessárias - E não era diferente na vida de Lara naquela manhã, durante o café. Com, claro, a exceção de Marco que sempre que pudera não perdia uma oportunidade de afortunar a sua prima com provocantes referências ao "incidente" da noite passada.
- Larinha, por gentileza, me passa o talher a sua esquerda. - Marco pede - Mas, por favor, só não me "depene" com ele. Vai que você descobre que eu também sou uma "pomba". - Ele conclui.
Lara vivia num constante impasse em sua cabeça sobre se odiava mais Marco do que o amava, ou se o amava mais do que o odiava. Pode até parecer um pouco hipérbole de se falar, mas ela brincava que "Esse metrônomo em sua vida, sambava mais do que dois bebês elefantes em cima de uma balança de mercado".
Inclusive, aquela era uma manhã de sábado e, como de costume, eles iriam fazer compras juntos pouco antes das 9:00.
Estava um dia frio - Por conta da chuva forte que ocorrera durante o período da noite. - Marco vestiu um casaco laranja enorme para se aquecer e Lara comentou.
- Ótimo, se o supermercado pegar fogo pelo menos nós teremos um sinalizador perfeito para que eles possam nos encontrar com esse seu agasalho, vulgo cobertor incrivelmente grande, aí.
- Melhor do que morrer congelado que nem algumas pessoas que parece que é oque estão pretendo, hoje. - Ele diz, com relação ao fato dela ter revolvido sair de casa, na quele dia, com apenas um par de sapatilhas e um vestidinho verde, sem mangas, com um cinto marrom amarrado, acentuando ainda mais a sua cintura.
- Eu nunca sinto frio mesmo, e outra, nós nem iremos para muito longe. - Ela responde.
Pouco depois, eles saem juntos pela porta dos fundos da cozinha e vão até a garagens. Lá, ela se depara com a Picakpe do seu avô.
- Você, com certeza, não deve está achando existe NO MUNDO a mínima possibilidade da minha pessoa entrar nessa "coisa" com a sua pessoa, novamente. - Lara ri, ironicamente.
- Relaxa, ela já está concertada. - Ele tenta argumentar, mas ela logo volta a falar.
- Você ainda continua não tendo: Habilitação, idade, chave e, muito menos, juízo para dirigir um carro. Além do mais, o fato da minha quase morte, bem pouco depois, da ultima vez que você encostou nesse volante já era motivo, mais que suficiente, para a gente nem está tendo essa conversa. Sem chance, vamos a pé! - Ela concluí.
- Mas são dois quarteirões... - Ele resmunga, insistindo.
- Então trate de começar a andar rápido, a não ser que o seu peso esteja contando por dois por conta desse casaco horroroso que você insiste em não deixar em casa. - Lara responde.
- Nossa, Lara Torres se impondo... e quando foi que você aprendeu a dar essas respostas? - Marco a questiona.
- Digamos que eu tive um bom professor.
Eles seguem caminhando. Não demorou muito para que eles chegassem até um prédio, recém reformado, com uma placa amarela escrita "New Supermarket of December" - "Novo Supermercado de Dezembro"- na frente. Marco abriu a porta para Lara entrar e ela foi logo pegando um carrinho.
- Seja breve, não quero perder todo o meu sábado aqui. - Marco pede.
- Se você me ajudasse, seria mais fácil. - Retrucou ela, enquanto colocava alguns salgadinhos de queijo e sabor cebola dentro do carrinho. - E nem pense que eu não estou vendo você flertando com a balconista aí atrás.
Ele morde o canto da boca, envergonhado.
- Ela namora. - Ele diz, pouco depois volta a falar. - Saí com ela semana passada...
Lara revira os olhos e joga um dos salgados nele.
- AÍ! Por que me agrediu com um Cheetos?! - Ele exclama.
- Porque você não presta. E vamos logo por que eu já quero sair daqui.
- Pegou tudo? - Marco pega a listinha de compras amaçada em seu bolso - Macarrão, Batata, Lanche, Atum... Aqui! Azeite, está faltando o azeite.
- Hm? Não lembro de ter azeite na lista. Deixe-me ver... - Ela estica a mão poder para pega-la dele, mas ele logo levanta o braço e põe-se a falar.
- COMO ASSIM VOCÊ NÃO LEMBRA... Azeite Lara! Você sabe sabe a importância que o azeite tem e os benefícios que ele trás para a saúde do ser humano? Fora o sabor e aroma agradável que deixa nos alimentos, ele melhora a digestão das gorduras, ajuda a controlar a pressão arterial das pessoas hipertensas, reduz a quantidade de LDL - Mau colesterol - do organismo e ele, também, ajuda na prevenção de oxidações biológicas, já que é rico em polifenóis, que reduzem a formação de radicais livres... COMO ASSIM VOCÊ ESQUECEU DO A-ZEI-TE?! - Ele berrava tão alto na seção de congelados, que deu para se ouvir na de massas até a de hortifrutis.
- Tá bem... - Lara diz, um pouco assustada - Para de ler essa placa sobre dicas de alimentação saudável e, deve ter azeite na ala de conservantes. Vai pagando as compras no caixa enquanto eu vou buscar. - Ela saí, sem entender uma só parte da cena que ele havia feito naquele corredor.
Ela, realmente, não dava a mínima para o azeite, mas qualquer desculpa estava valendo para sair do lado de Marco na quele momento.
Não muito depois, ela vai até ele e bate levemente o frasco sobre o balcão
- Está aí, o seu queridinho Azeite. - Lara brinca.
- Oque? - Ele diz.
Parecia verdadeiramente não entender uma só palavra do que ela estava dizendo.
- Você queria TANTO isso... - Ela tenta dizer, mas ele interrompe.
- Para de graça, já pegamos tudo da lista. Vamos, me ajude a levar as sacolas.
- Ah! Eu já entendi tudo. - Ela concluí e carrega parte das compras.
Assim que eles saem do estabelecimento, ela torna a falar.
- Me dá, Marco.
- Oque foi agora, menina? - Exclama.
- Você sabe do que estou falando. - Ela insiste - Anda, me entrega logo.
Pouco depois, ele retira do jeans um papelzinho rosa com alguns números escritos.
- Ela tem namorado, - Lara amaça e joga o papel no cesto de lixo - deixa a vida dos outros em paz.
Eles seguem andando. Pouco depois, Marco pegunta.
- Quer ir para casa?
- Não faço a menor questão. - Ela responde.
- Então vem comigo.
Eles corriam pela calçada tão rápido que até um casal de idosos os adivertiu para que eles fossem mais devagar. Porém, isso não os impediu de dobrar a velocidade. Lara riu quando marco pisou em falso sobre um galho no chão e quase caiu por perder o equilíbrio.
Não demorou muito até eles verem uma placa velha de madeira no chão, escrita "Welcome to the city of December. About the beauty of the stories lived in each season." - "Bem vindos(as) a cidade de Dezembro. Sobre a beleza das histórias vividas em cada estação."
Em determinado momento, Marco desacelerou o passo e Lara fez o mesmo. Até que ele para e concluí.
- Chegamos.
Lara levanta o olhar e vê a antiga casinha na árvore que costumava ir com seu pai quando era pequena. Eles amavam fugir da mãe de Lara após o almoço para ir até lá. Com o passar das estações, Marco passou ir também brincar com eles naquele lugar. Mas, em algum momento, ninguém nunca mais fora até lá. Até aquele dia.
- Lembra daqui?
Ela assentiu.
- Quer ir lá em cima? - Ele pergunta.
Lara apenas dá os primeiros paços em direção a escada de cordas da casa, que costumava a ser colorida. - Mas, por esta abandonada a tanto tempo, havia adotado um tom empoeirado de cinza. - Ele a ajuda a subir e entra logo após. Ao sentar-se, seus óculos acabam caindo no colo dele. Quando ele se posiciona para recoloca-los, Lara põe a mão sobre o braço dele para congelar aquela cena do jeito que estava pois ela lhe lembrara uma muito semelhante do passado. - Mas não fora com o seu primo, a da vez que ela se recordara.
- Você está a cara de...
- Vovô William? - Ele interrompe.
- Não, - Ela continua - Marco você está a cara de Guilherme Torres.
Era a primeira vez que ela falava o nome do pai em voz alta, desde o ocorrido. Marco não sabia direito como reagir aquilo, pois havia combinado com seus avós de que não tocaria nesse assunto com Lara a menos que ela desse o primeiro passo. Após um relativamente curto momento de silêncio, Marco pergunta sem fazer a menor ideia do que esperar como resposta. Porém, mesmo que ela o desse o maior fora do planeta, naquele momento, ele entenderia.
- Ainda doí?
Ela não demorou muito para responder.
- Sim, mas não como antes. As vezes parece que simplesmente falta um pedaço.
- Você ainda pensa muito nele?
- Todo dia de manhã, mas com o tempo eu aprendi a lidar. - Pouco depois, ela completa. - Até porque, já que toda manhã eu já acordo com um retardado praticamente me arrastando pelo pé da cama ou com um pombo invadindo meu quarto, não tem como isso me afetar mais tanto.
Ele sorri.
Ela começou a mudar a expressão da face e a tremer os dentes. - Parecia estar com frio - No mesmo instante, Marco tirou o casaco e cobriu ela pelos ombros. Pouco depois ele a envolve em um abraço e ela brinca.
- E não é que esse casaco feioso acabou servindo para alguma coisa a final.
Ele sorrir.
Após alguns segundos se silêncio, ela diz com um tom de voz baixo que, apesar disso, dava para se ouvir perfeitamente claro.
- Eu queria que ele estivesse aqui. - Assim, escorreu pelo seu rosto a primeira lágrima que ela deixava cair, após um longo tempo, para seu pai depois de tantas.
Marco apertou um pouco mais o abraço e, em seguida, diz.
- Eu sei prima, eu sei.
Enquanto eles estavam dentro da casinha de madeira, tiveram a leve impressão de haver alguns barulhos vindo de lá de baixo. Porém, acreditaram que não devia ser nada relevante.
Eles ficaram lá em cima por um tempo, até que resolveram que já era a hora de voltar. Lara desceu primeiro, mas seu vestido engancha em uma farpa da árvore e ela acaba caindo sobre um carrinho de mão vermelho. - Acontece que os barulhos que eles, por vezes, ouviram vinham de, nada mais, nada menos que Puffle e Miu que haviam os seguido até lá. Eles encontraram o carrinho, não muito longe lá li, e começaram a brincar e pular tanto nele que ele acabou rolando sobre a grama até a árvore onde os dois estavam - O impacto de Lara foi tão grande que ele acabou deslizando no chão íngreme até o lago da região. Marco ia descendo, quando ouviu-na gritar.
- SOCORRO! MARCO, SOCORRO!
- Lara? Está tudo bem ai em baix... OH MEU DEUS! - Ele diz, mas logo interrompe ao ver a situação pela qual ela se encontrava.
Marco corre o mais rápido que pudera em direção a prima, ele tira o casaco e em seguida a blusa listrada ao perceber que o carrinho de mão - que balançava muito em meio as pedras do chão com Lara dentro - logo iria chegar ao Riacho.
Na velocidade que ela estava, não demorou muito para que o carrinho voasse do final da ponte até a água. Lara se debatia muito lá em baixo e, imediatamente, Marco pulou para ajuda-la. - As águas não eram muito profundas, porém Marco sabia que ela não sabia nadar.
Ele tanta levanta-la mas o carrinho vermelho acaba virando-se sobre ela, que acaba engolindo muita água. Ele a puxa e a carrega para fora. Ela aparentava estar inconsciente, ele chama pelo nome dela porém ela n respondia.
- LARA! Por favor, de novo não. Não faz isso comigo, prima. POR FAVOR! ME RESPONDE. - Ele posiciona as mãos sobre o meio do no meio do tórax dela e começa a fazer Massagem Cardíaca. Porém ela não reage, ele se prepara para realizar a respiração boca-a-boca mas, assim que ia se aproximando dela, Lara levanta os braços e grita.
- PARAAAAAAAA! - Ela começa a rir, histericamente.
- Qual seu problema, garota. - Ele resmunga.
- HA! Deveria ter visto a sua cara. - Lara exclama e logo se levanta.
- Não tem graça, Lara. - Ele completa. - Não se brinca com isso.
- Ai, que cara de chato. - Ela brinca e estica a mão para ajuda-lo a levar - Está assim por que perdeu a oportunidade de encostar nos meus lábios.
- Eu não. - Ele fala - Pegar doença de menina com problema mental, só se fosse para salvar a sua vida.
- Ah tá! Mentira tem perna curta.
- Você também, - Marco retruca - então começa a andar para a gente ir logo para casa.
Não demorou muito para que eles voltassem para a chácara, tudo era muito perto no interior. - No caminho, eles haviam combinado de virar a noite jogando game após Marco insinuar que ela não aguentaria passar mais de 5 horas jogando. - Assim que chegaram, viram o gato e a pomba entrando dentro de casa pelo portão.
- Filho! - Lara exclama - Você nunca saí do quintal não é, iria adorar se explorasse mais a região.
- Miu.
Lara vai correndo em direção as escadas, quando marco diz.
- Eai, a aposta ainda está de pé?
- Vou só tomar um banho e desço! - Ela responde, sem nem parar se subir os degraus.
Assim que chega ao primeiro andar, ela expira, ainda bastante ofegante.
- Nem acredito que finalmente cheguei no meu quarto - Ela fala, para si, mesma enquanto abre a porta e ver oque havia em seu quarto.
Haviam balões lilás e luzinhas por todo lado decorando seu quarto. Sobre sua cama, uma pequena vitrola, - Ela já sabia de quem se tratava só de ouvir a música que tocava ao pisar dentro do quarto. - havia um papelzinho branco colado nela, que dizia "Never gonna give you up" - "Nunca vou desistir de você" - e uma caneta com varias fitinhas coloridas amarradas nela. Em baixo do papel ela completou "Never gonna let you down" - "Nunca vou te desapontar". Ela abriu os presentes que haviam sobre sua sua cama. Por baixo do embrulho de bolinhas havia a mais nova trilogia dos livros da sua escritora preferida - Ele sabia que ela amava ler - e do de corações beje havia um exemplar autografado do LP de Rick Astley.
Lara começou a pular e dançar tanto em seu quarto que deu para ouvi-la de lá de baixo. Mas, assim que se cansou, ela se jogo sobre a cama e, pouco depois, Miu entra pela porta com seu rabinho levantado e deixa-se sobre ela e eles ficam curtindo o som da música abraçadinhos juntos.
Pouco depois, Marco fora até o quarto dela para chama-la para o programa que haviam marcado.
- Então Lara, Va... - Ele interrompe oque dizia ao olhar como se estava o interior do quarto dela.
Ela parecia tão feliz, que ele não sentiu a menor necessidade de atrapalha-la.
- Dorme bem. - Sussurrou.
Marco fechou lentamente a porta e desceu as escadas. A música estava tão alta que ela acabou nem percebendo a presença dele ali. Não muito depois, ela adormeceu com Miu em seus braços e a lembrança do melhor fim de dia que ela tivera em anos.
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