Teatro
Os primeiros raios de Sol despertaram Violeta. Ela tinha que voltar antes que todos dessem por sua falta. A noite tinha sido inesquecível... carinhos, olhares e beijos foram trocados. O amor estava no ar...
Alan acordou, sentiu o calor do corpo da cigana ainda nos lençóis, olhou pela janela e a viu do outro lado do Lago.
Desceu as escadas para o café da manhã. A mesa já estava posta, Alan decidiu esperar por seu pai, mas Jean o notificou que Simon saíra mais cedo.
Aproveitaram para conversar sobre tudo o que estava acontecendo.
Jean pacientemente o ouviu.
Alan disse que preparasse a Capela, porque iriam casar imediatamente.
- Rapaz, isso é fogo de palha! Daqui alguns dias você nem vai lembrar dela. Está se precipitando... - Jean falava como se tivesse alguma experiência. - Os negócios de amor, envolvem guerras piores do que as enfrentadas por Napoleão e as decepções são maiores que um fracasso de um time de futebol quando perdem um campeonato... As complicações amorosas são como vários nós sobrepostos, que a cada movimento ficam mais difíceis de serem desatados.
Alan desconversou:
- Jean, eu vou almoçar com Susan... não me espere. - Ele pegou o carro e se dirigiu a casa dela.
A casa muito linda, respirava tristeza... às deusas gregas também em miniatura enchiam as estantes.
Margareth estava estirada no sofá cheia de lenços de papel, chorava seu infortúnio.
- Não me diga que este cara de pau tem coragem de pisar aqui? - Faltava pouco para agarrar o vaso que estava na mesinha do centro e atirar na cabeça de Alan.
- Dona Margareth mil desculpas, mas não iria dar certo. Somos amigos de infância, não deveríamos ser obrigados a fazer algo que não manda o nosso coração.
- Por Deus! O que manda é o caráter! - falava assoando o nariz a cada frase.
Ele revirou os olhos.
- Eu preciso conversar com Susan, é que precisamos nos entender.
Alan foi até o quarto, onde afundada nos lençóis se encontrava Susan, ele balbuciou:
- Será que é apenas teatro ou você gosta mesmo de mim? - Perguntou sarcástico - Porque na faculdade você sempre estava agarrando um e outro... pensa que eu não estava vendo? Agora me responda, quantas vezes ficamos juntos? Passamos duas férias juntos e o que rolou foi só curtir cavalos, banhos de piscina... correr atrás de museus ou lojas para que você pudesse aumentar sua coleção de miniaturas. Somos apenas amigos de infância, daí me noivar e me envolver tem uma distância enorme... Nossos pais são equivocados ao pensar que nossa afinidade na escola, nas brincadeiras, pudesse tornar a coisa séria como um casamento.
Susan se ajeitou na cama
- Me desculpe. Eu estava desesperada! Sabe o Ronald que foi pra França? Pois é... Estou grávida dele. Como você e eu éramos amigos e realmente temos algumas afinidades... não seria difícil você ser o pai do meu filho. Eu falei com meu pai que estávamos apaixonados e que queríamos casar, como todos sempre fazem o que eu quero, deu nisso. E agora o que eu faço? - Susan colocou as mãos na cabeça. - Acho melhor ir para o Brasil e ter meu filho lá.
Alan sentou na cama e a abraçou.
- Caramba! Ô minha amiga conte comigo. Mas entenda, não era possível um casamento baseado apenas no carinho de dois amigos, tem que haver fogo, paixão, desejo de estar juntos, de respirar o mesmo ar, sentir o ressoar do coração batendo num mesmo compasso, a explosão que nos faz parar de respirar o ar com sofreguidão quando nos encontramos e sentir dor no coração quando não estamos juntos, é sentir as pernas tremer quando um se aproxima do outro, um aperto no coração quando nos afastamos...
- Nossa! Já dá pra ver que você está amarradão em alguém! Garota de sorte, eu conheço?
Alan maneou a cabeça negativamente e suspirou fundo, tinha que procurar ajuda-la sem se envolver muito pra não se comprometer mais e os pais pensarem que ele tinha alguma coisa, com a atual situação de Susan.
- Depois conversamos com sua família... quero conversar com seu pai para explicar.
- Ah, parece que surgiu um motim em algum lugar e ele não está em casa.
Alan ficou desolado, mas tinha que voltar para a Fazenda para conversar com seu pai, esclarecer tudo.
Ele pegou seu carro. Quando estava perto da Fazenda, ainda no caminho, pode perceber um clarão no céu, estacionou e correu em direção ao acampamento que pegava fogo.
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