Prometida


As mesas cobertas com toalhas finas, tinham um arranjo deslumbrante de flores. Os convidados já degustavam o vinho fabricado ali mesmo, além disso, os Bradfour tinham uma fábrica de cerveja que era o seu xodó, apreciado por todos e venerado por Simon.

Ele tinha herdado a fabrica do pai, conhecidíssimo na região e respeitado por ter participado da resistência francesa.

O salão ia se enchendo gradativamente, o burburinho das conversas iam aumentando, deixando Alan inquieto. O jantar fora servido e a música atiçava a todos para o salão de dança.

Alan chamou Susan para dançar e após algumas voltas, arranjou um jeito dela parar de pegar no seu pé. Correu entre as árvores e foi a cavalariça, onde os puro sangue descansavam e lá estava seu cavalo favorito, Perigo, o arreou e correu pela floresta, até chegar bem perto de onde os ciganos acampavam, olhou entre os arbustos e viu que eles também estavam em festa.

A fogueira acesa, os tocadores animados...  E lá estava ela! Dançando em cima de um tambor de vinho. As palmas ritmadas, os cabelos esvoaçantes, o rodopio que deu nele um frio na barriga, seu corpo parecia flutuar e ele ficou até sem folego de tanta beleza que via. Tinha que se aproximar.

- Olá? - disse se aproximando do grupo.

A música parou e armas foram apontadas para cabeça de Alan.
Ruan, um cigano forte o agarrou pelo pescoço.

- Ei! sou amigo, sou de paz!

Alan estava apavorado? Com certeza.
Ele sentia uma mistura de emoções, a adrenalina estava alta. Armou-se uma confusão, todos queriam falar ao mesmo tempo.
Sarita uma jovem, veio ao seu socorro.

- Que queres ganjão? - Era uma morena alta de olhar safado - Deixa ele explicar, gente! Desta forma, não vamos a lugar nenhum! Porque parece que todos somos uns trogloditas? Solta o rapaz!

Ruan soltou o pescoço de Alan, não sem antes lhe dar um safanão, que quase o fez perder o equilíbrio.

- Vim em missão de paz, quero pedir desculpas para a senhora e a garota, pelo tratamento insano de meu pai.
Ele se esqueceu que temos de ser cavalheiros.

Sarita suspirou fundo e, movendo as mãos deu ordens para que a festa continuasse.

Alan sentou num tronco, não desgrudando seus olhos da belíssima bailarina, que esperava os acontecimentos com as mãos na cintura. Depois deu um salto do tambor e foi pra cabana.

- Quem é ela? - Perguntou Alan a Sarita que estava bem em sua frente. Com ar debochado fez uma careta e resmungou:

- Tira os olhos gatinho... ela está Prometida a outro cara. Esse negócio é serio, nem queira saber, você não entenderia. Culturas diferentes, pensamentos diferentes, atitudes diferentes. Sacou?

- Eu queria falar com ela e me desculpar.

Ramon se aproximou, tinha olhos e cabelos negros indo até as costas, correntes penduradas sobre o peito descoberto e um cinto de pano amarrado na cintura, ele disse:

- Acho melhor você voltar a sua família, agradecemos sua presença, mas está na hora de menininhos, estarem na cama! - Seu olhar firme, o peito estufado e a cara de poucos amigos, eram um convite desencorajado.

Com aperto no peito e seguido por Sarita, Alan se dirigiu até onde estava seu cavalo perigo. Ela confidenciou:

- Este ai é o prometido. - Sarita disse enquanto batia na traseira do cavalo que avançou no meio da mata.

Quando eles passaram perto da Capela, um cavalo aparelhou com Perigo. Como um anjo saindo da escuridão, a belíssima bailarina cigana, segurou sua rédea, fazendo o cavalo de Alan frear.

- Quero agradecer por sua consideração. Você sendo o filho do dono da cervejaria mais famosa da Inglaterra, não podia ser mais... educado. - Seu olhos brilhavam, os lábios eram um convite, ainda mais numa noite tão linda, mas tão decisiva, para este jovem de coração titubeante.

- Como sabe quem sou eu? - disse surpreso. Mesmo na faculdade, ninguém sabia quem ele era.

- Sempre acampamos aqui, pelos arredores de Lookshere, quando você veio ontem, não passou perto da feira do centro? Te reconheci imediatamente. Toda vez que vinhamos pra cá, gostava de te ver tomando banho na piscina do Lago.

- Meu Deus! Onde estavam meus olhos que não encontraram os seus? Que desperdício de tempo! Vejo que você é uma mulher maravilhosa, me encantei com a sua simplicidade. - Alan disse surpreso, não se contendo de tanta alegria.

- Sempre te vejo entre os arbustos... O pedido da xícara de açúcar foi um pretexto pois, importunava sempre minha mãe para nos aproximarmos mais de vocês mas, ela sempre recusava. - As mãos da cigana tremiam.

Alan desceu do cavalo e arrebatou-a do seu. Olhou em seus olhos e ela passou a mão carinhosamente sobre as bochechas de Alan, descendo para o contorno de seus lábios, ele fechou os olhos, sentindo as mãos dela parando em seu queixo.

Ele não queria perder nem um minuto desse momento mágico. Quando abriu os olhos sua boca já estava na dela, num beijo singelo e lento.

Não pode aproveitar muito porque logo, escutou Susan gritando por ele.

- Te vejo amanhã? - disse beijando as mãos da cigana.

Ela balançou a cabeça afirmativamente.

Alan saltou sobre Perigo, e sumiu entre as árvores, arrastando seu cavalo, até a Cocheira.

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