A Corça
Parte 1
Anastasia sorriu, aninhando seu corpo contra o de Ethan, sentindo os lábios dele tocarem suas costas em um beijo terno e quente.
— Café da manhã? — ele moveu-se, afastando-se minimamente para encará-la e sorrindo ao vê-la concordar com um aceno preguiçoso. Cerberus correu sobre a cama, pulando sobre o moreno, pedindo um afago. — Alguém parece ansioso para descer.
Anastasia riu, encarando-o antes de girar seu corpo, levando suas mãos à nuca de Ethan e puxando-o para si, beijando-lhe apaixonadamente os lábios.
— Pequena, eu realmente preciso sair desse quarto... — a mão do moreno acariciou sua cintura antes de envolvê-la e puxá-la mais para ele. — E eu não vou ser capaz de tal feito se fizer isso de novo...
Ethan apoiou sua testa a de Anastasia, fazendo-a rir.
— Tudo bem... — ela beijou-lhe rapidamente os lábios antes de se sentarem. — Vamos tomar café.
— Eu devo ter algumas tarefas para com os cães e os cavalos, mas creio que até o almoço tenha terminado. — Um sorriso delineou os lábios da morena ao vê-lo levantar-se, caminhando até o biombo e pegando a muda de roupa deixada ali, começando a vestir-se. — Terei algumas agradáveis horas com a senhorita até o jantar, — Ethan se aproximou da cama, sorrindo malicioso e encarando Anastasia que escondia o corpo segurando as cobertas sobre seus seios. — Antes de voltarmos a esse quarto para outra agradável noite, se a senhorita assim desejar. — Anastasia sentiu seu rosto queimar antes de envolvê-lo com seus braços e beijá-lo. — Nunca desejei tanto que essa estação já tivesse começado como agora.
Ela riu, deixando que ele se afastasse, pegando Cerberus e prometendo encontrá-la na cozinha antes de sair.
— Céus. — Anastasia deixou seu corpo cair contra os travesseiros macios, cobrindo o rosto com uma das mãos e permitindo que um largo sorriso tomasse seus lábios. Havia sido tão diferente, tão terno, ardente e prazeroso, ela nunca havia sentido nada como aquilo.
Sexo para ela era sempre fora uma obrigação, um dever que com os passar dos anos passou a assombrá-la. Não que no início ela não desfrutasse de algo, mas jamais algo como o que havia acontecido na noite anterior.
Anastasia girou seu corpo, apertando um amontoado das cobertas contra seu peito, seu sorriso tornando-se maior à medida que aquela sensação boa e aconchegante se espalhava. A lembrança de Ethan levantando-se alguns poucos minutos após se deitarem apenas para buscar Cerberus quando ela sentiu falta do pequeno cão, fez seu coração aquecer-se.
Ela se levantou, juntando as peças espalhadas pelo chão do quarto e começando a arrumar-se para descer. Levou alguns minutos até que estivesse vestida e com o cabelo devidamente arrumado após lavar-se.
— Senhorita. — Thomas passou por ela, exibindo um sorriso simpático antes de seguir para o lado de fora da casa. Ethan estava sentado à mesa, com uma expressão irritada que logo desfez-se ao vê-la.
— Pequena. — Ele sorriu, esticando sua mão para ela e trazendo-a para seu colo, abraçando-a quando ela se sentou. — O que quer comer? O Thomas fez a comida. Ele cozinha melhor do que eu. Só não sabe fazer muito bem o café.
— O que me indica? — ela riu do comentário do moreno, levantando-se e se sentando ao seu lado enquanto ele se afastava, pegando um par de pratos e servindo o desjejum. — O cheiro está ótimo.
Ela voltou seus olhos para Ethan, encarando-o por um momento a mais e deixando um sorriso apaixonado tomar seus lábios.
— O que foi? — o moreno sentou-se, pegando sua mão e entrelaçando seus dedos antes de levar uma xícara de café aos lábios.
— Nada, apenas pensando... — ela se aproximou, aninhando-se contra ele e deixando que aquela sensação de calma tomasse seu corpo.
❄️
— Se continuar a me olhar assim, irei te demitir. — Ethan largou o pesado vaso sobre a mesa, seu rosto levemente corado fazendo o sorriso zombeteiro de Thomas tornar-se maior.
— Então seja mais discreto. — Thomas pegou as sementes, começando a preparar o vaso para as mudas. — Você desceu todas as manhãs dessa semana sorridente e relaxado. Eu teria que ser cego e surdo para não saber o que acontece.
— Calado. — A voz do moreno soou como um rosnar, arrancando uma baixa risada do britânico. — Um dia, será você e eu me lembrarei disso.
— Você não faz o tipo. Quem faria isso seria o Christopher, mas me lembrarei de sua ameaça. — Thomas o olhou de soslaio, seu sorriso aos poucos esmaecendo. — Por hora, recomendo que você aprenda a disfarçar. A estação se inicia em poucos dias, não vai querer a Prudence lhe dando um sermão ou a Beatrice despejando seu ciúme sobre a senhorita Anastasia.
— Ela não seria louca... ou acha que seria? — Ethan apoiou-se à mesa, encarando o britânico.
— Ela o fará. De forma sutil. Recomendo que fique de olho, serão coisas pequenas, que parecerão sem importância. — Thomas limpou as mãos no avental encardido preso a sua cintura.
— Mas de coisas pequenas esse local foi erguido. — Ethan olhou ao redor pela estufa, vendo de soslaio Thomas concordar.
— Terminei com este. Pode me trazer o próximo? — ele viu o moreno concordar com um aceno antes de afastar-se carregando o vaso consigo.
Algumas horas se passaram até que todas as tarefas da estufa estivessem prontas e Ethan pudesse cuidar dos outros afazeres da propriedade enquanto Thomas limitava-se a cuidar da cozinha e dizer para Anastasia que não havia mais nada a ser feito na propriedade.
— Preciso de você. — Ethan passou direto pela porta da cozinha, seguindo para a frente da casa, sendo logo acompanhado por Thomas.
Duas jovens de pele retinta, longos cachos chocolate e olhos curiosos observavam a propriedade do outro lado da cerca baixa, segurando a bagagem de mão em frente ao corpo devido ao enorme cane corso que as encarava rosnando ameaçadoramente.
— Goliath. — Ethan chamou o cão com um tom severo, que o olhou por um instante antes de ir trotando para dentro da casa. — Senhoritas, em que podemos ajudá-las?
— Estamos procurando pelo Haras Klein. — A jovem que aparentava ser a mais velha aproximou-se um passo a mais, alternando os olhos entre os dois homens antes que Ethan desse um passo à frente.
— Ethan Klein. — Ele apontou para a entrada na cerca, o olhar firme acompanhando as jovens que se aproximaram da casa. — Em que podemos ajudar?
— Soubemos que o senhor contrata por estação. — A mais nova os olhou através da amiga, encarando Thomas por um momento. — Queremos um trabalho, caso tenha algo disponível.
Ela exibiu um sorriso simpático para os dois enquanto Ethan as estudava com atenção antes de abrir um mínimo sorriso.
— Sempre precisamos de alguém, senhoritas. Sejam bem-vindas. — Ethan apontou para a porta da casa. — Thomas irá levá-las até a cozinha. Sintam-se à vontade e desfrutem de nossa hospitalidade. Eu preciso ver minha noiva antes de ir conversar com as senhoritas e lhes explicar o trabalho.
Elas concordaram com um leve aceno, seguindo o britânico até a cozinha e vendo Ethan afastar-se para a biblioteca. Thomas mantinha o olhar suspicaz sobre as jovens enquanto elas se sentavam lado a lado.
— Chá ou café? — ele conteve-se para não rir quando elas divergiram em suas respostas antes que ele servisse uma xícara para cada.
— Tudo pronto, podemos começar? — Ethan sentou-se em frente a elas, encarando-as. — A estação começa em poucos dias, então por hora não temos muito o que ser feito na casa. As coisas devem ser apenas mantidas em seu lugar, então pedirei que as senhoritas me ajudem com a estufa e com o canil por esses dias. Algum problema com isso?
Ethan mostrou-se satisfeito ao vê-las negar com um aceno antes de bebericar um gole do café que Thomas que colocara a sua frente.
— Passemos às apresentações e nossas últimas considerações. — Ethan colocou a xícara sobre a mesa, os olhos sempre atentos as jovens.
— Sou Elle e essa é minha amiga Cecília. — A jovem mais velha esticou sua mão para Ethan, que prontamente a cumprimentou antes de fazer o mesmo com sua amiga.
— Bem-vindas. Esse é Thomas, ele é responsável pela estufa. — Thomas as cumprimentou com um meneio antes que Ethan voltasse a falar. — A jovem na biblioteca é minha noiva, Anastasia. As apresentarei formalmente depois que se acomodarem. Existe um quarto no segundo andar para uso das senhoritas até que providenciem uma morada na comunidade. Thomas irá levá-las até lá e lhes dar as últimas instruções.
Ethan exibiu um pequeno sorriso ao ver as jovens concordarem com um aceno, parecendo aliviadas antes de levantarem e pegarem as bagagens. Ele as encarou por um momento a mais antes de levantar-se de rompante.
— Eu quase esqueci-me. Existe uma última coisa que precisamos resolver. — Ele deu um passo à frente, encarando com severidade ambas. — É uma história longa e complexa, mas desejo que tratem a mim como um homem comum, como qualquer outro trabalhador, não como o dono deste local. O mesmo é válido para minha noiva, com pequenas ressalvas. Caso percebam que ela precisa de ajuda com algo, prontifiquem-se a auxiliá-la, se ela lhes pedir algo, atendam prontamente. Conseguem entender?
— Sim. Apesar de um pedido incomum, não é a coisa mais excêntrica que já nos pediram, senhor Ethan. — Elle exibiu um sorriso espirituoso, fazendo Ethan acenar em aprovação. — Vamos nos instalar, se nos permite.
— Claro... E, por favor, caso uma das senhoritas cozinhe melhor que o Thomas, eu ficaria mais do que satisfeito com uma mudança de cardápio. — Ethan sorriu ao vê-las rir da expressão irritada de Thomas antes de se afastarem.
— Roupas de cama limpas nos baús, lenha seca ao lado da lareira e uma bacia para banho sob a cama. — Ele apontou para o leito, voltando-se para a porta. — Os baús podem ser usados pelas senhoritas, assim como a cômoda e a escrivaninha. Sejam bem-vindas à Fazenda Klein.
— Obrigada. — Elas sorriram, cada uma seguindo em direção a uma cama e deixando a bagagem sobre ela. Thomas afastou-se, voltando para a cozinha.
— Quanto tempo mais vai enrolar com isso? — disse ao encontrar Ethan distraído com um livro contábil.
— Não é da sua conta, dedo-verde. — Ethan o olhou de soslaio, parecendo irritado. — Agora, você não tem duas jovens para instruir?
Thomas levantou as mãos em sinal de rendição, afastando-se e aguardando que Elle e Cecília descessem.
❄️
Ethan encarou as letras negras que se destacavam contra a folha amarelada, suspirando de forma inaudível por um momento. Thomas pressionava-o, com razão, para que contasse a verdade a Anastasia antes que tudo saísse ainda mais de seu controle.
Ele espiou Anastasia deitada sobre um dos divãs da biblioteca, lendo com Cerberus entre seus braços, sorrindo quando ela voltou os olhos para si e exibiu um sorriso doce.
— Vou me ausentar por algumas horas, minha Pequena. — Ele se aproximou, abaixando-se ao lado dela e lhe tomando uma das mãos, depositando um beijo ali antes de voltar sua atenção para os lábios róseos. — Tenho alguns assuntos a resolver em uma propriedade não muito longe. Devo estar de volta ao anoitecer.
— Tome cuidado, por favor. — Anastasia encarou-o, apreensiva e temendo os perigos que as estradas escondiam.
— Não se preocupe, conheço atalhos e a floresta é minha companheira de velha data. — Ele sorriu para a morena, depositando um beijo nas mechas castanhas dela antes de apaixonadamente reivindicar seus lábios. Ethan apoiou sua testa à de Anastasia, encarando-lhe os dóceis olhos castanhos. — Estarei de volta antes que perceba.
Ela sorriu, segurando-lhe o rosto por um instante a mais e concordando antes de lhe beijar a bochecha, deixando que ele se afastasse.
— Vai sair? — Thomas surgiu no caminho de pedra que levava ao estábulo, carregando um vaso de cerâmica com uma muda de rosa.
— Sim. Tome conta das meninas e de Anastasia. — O moreno seguiu a passos apressados para a baia de Tormenta, acariciando o pescoço do animal antes de selá-lo e sair.
Galopando por entre as árvores, seguindo o caminho tão familiar, ele sempre sentia como se a floresta se abrisse para si, permitindo-o chegar até ela. Aiyana vivia em meio a floresta densa, como ela mesma dizia, em total conexão com os espíritos e os deuses.
Levou cerca de uma hora até que a pequena clareira surgisse, fazendo Ethan saltar do cavalo e caminhar calma e silenciosamente em direção a ela. Os resquícios de neve amorteciam seus passos, tornando-os silenciosos até para o mais habilidoso caçador.
— Eu estava a sua espera, Ethan. — Aiyana estava agachada de costas para o moreno, atrás de algumas árvores. Ela virou-se para ele, segurando uma aranha de pernas longas e finas, devolvendo-a ao apanhador de sonhos pendurado em uma árvore não muito distante. — O que te traz aqui, meu caro sobrinho?
— Olá, tia Aiyana. — Ele deixou uma risada escapar, aproximando-se e soltando as rédeas de Tormenta, deixando que o animal se acomodasse onde quisesse. — Estou com um pequeno problema e pensei que pudesse me aconselhar.
Ela acenou despretensiosamente para um banco forrado de peles próximo. Ethan sentou-se, deixando que seus olhos percorressem o ambiente ao seu redor. Apanhadores de sonho com aranhas que passeavam por eles, acrescentado fios de sua seda ao 'bordado'. Ervas secas penduradas sob uma proteção, de onde uma águia o observava, vez ou outra movimentando sua cabeça em outra direção.
— Pensei que ela tivesse se perdido. — Ethan encarou a pequena criatura de pelagem alaranjada que lhe pedia um afago.
— Na verdade, ela estava em missão, não é meu pequeno raio de fogo. — Aiyana aproximou-se, sentando-se ao lado do sobrinho e oferecendo-lhe uma bebida quente. — Ela trouxe um presente dos deuses para mim e para você, meu querido. A propósito, como vai sua doce Corça? Espero que esteja tratando-a bem...
— Minha- — Ethan pensou por um instante, encarando a tia que sorria a espera de sua resposta e ignorava seu olhar confuso. Então os dóceis olhos de Anastasia vieram a sua mente, grandes e de cílios negros e volumosos, como os olhos de uma corça. Sua risada alta preencheu o ambiente e o sorriso de Aiyana tornou-se maior. — Ela está bem. Como sabe dela?
— Os deuses me contaram. — Ela olhou para o céu por um instante, encarando o brilho cintilante do sol sobre algumas poucas nuvens antes de voltar a encarar Ethan. — Agora, diga-me meu pequeno Lobo, o que o traz aqui?
Ethan exibiu um sorriso pelo apelido carinhoso que muitas vezes ouvira ela o chamar, pensando por um momento em como trazer a ela tal tema.
— Eu menti para ela. — Ethan suspirou, desviando os olhos. — Não disse a ela quem era. Agora ela pensa que sou apenas um trabalhador, um homem simples e comum, sem posses. Agora tenho medo que ela pense que a julguei mal e que me deixe ou que mude.
— Como isso aconteceu? — ela pegou-lhe a mão, segurando-a carinhosamente entre a sua.
— Ela simplesmente chegou e, sem maldade alguma, não me viu como o dono do local. Creio que esperava um homem arrogante, talvez cruel, não sei. — Ele levantou os olhos para Aiyana, que estalou a língua.
— Se baseou nas experiências passadas, como você. — Ethan concordou com um aceno. — E você não fez questão de consertar essa pequena suposição dela, temendo que o comportamento dela mudasse.
— Não apenas isso. As coisas tomaram outro rumo rapidamente. Quando vi, já estava me perdendo em seus braços. — O moreno exibiu um pequeno sorriso que fez Aiyana sorrir largamente. — Agora temo que ela vá embora.
— Escute-me com atenção, meu doce Lobo. — Aiyana segurou-lhe o rosto com ambas as mãos, fazendo com que Ethan mantivesse os olhos fixos a ela. — Ela não irá embora se contar a verdade a ela. Toda a verdade, tudo o que passou. Os olhares, os xingamentos, as pequenas agressões. Conte a ela e ela irá lhe entender.
— Como pode ter tanta certeza, tia? — ele a encarou com os olhos preocupados e confusos.
— Eu apenas sei. Lembre-se, os deuses me contam coisas, principalmente as deusas. — Ela sorriu de forma confidente, levantando e sentando-se próxima ao fogo, de frente para Ethan.
A luz alaranjada das chamas banhava o corpo de Aiyana, dando-lhe um ar ainda mais misterioso e místico. Após alguns instantes encarando as labaredas, ela puxou para si uma pequena caixa, tirando dela um punhado de ervas e jogando-as no fogo, criando assim uma fumaça de aroma adocicado.
— Ouça com atenção minhas palavras, Lobo da Ravina. — A voz de Aiyana soou séria um tom mais alto, ecoando pela floresta silenciosa. A névoa era tingida pelos raios do sol, que começava a se pôr, misturando-se a luz do fogo, criando nuances de tons alaranjados e dourados. — Essa pequena e doce Corça foi lhe entregue como um presente das deusas, é seu dever cuidar dela e zelar por ela.
Aiyana fez uma pequena pausa encarando fixamente o fogo e respirando profundamente. E por um instante, Ethan jurou ver sombras se formarem em meio a fumaça que se estendia em direção aos céus.
— Sua pequena Corça desconhece o amor em sua forma mais apaixonada e ardente. — Ela esticou-se, encarando o moreno com um sorriso travesso que o fez corar antes que seu semblante novamente se tornasse sério. — É seu dever mostrá-la isso. E ela irá o mostrar o amor em sua forma mais pura, generosa e desprendida. Vocês agora estão interligados por seu afeto crescente e por sonhos que compartilham.
Aiyana novamente voltou sua atenção para a névoa e por um momento, Ethan distraiu-se, pensando em quais sonhos compartilhava com Anastasia. As lembranças de sua primeira noite juntos vieram à tona, fazendo-o sorrir ao recordar-se do semblante quase iluminado dela ao falar das crianças e de como desejava as suas próprias. Porém, a expressão apreensiva de Aiyana o trouxe de volta ao momento, captando sua atenção.
— As deusas me permitem ver que ela ainda tem assuntos pendentes para serem solucionados ligados ao passado. — Ela suspirou, levantando-se e se aproximando de Ethan, sentando ao seu lado. — São coisas que você irá entender quando chegar a hora. No momento, o que as deusas me permitiram ver é que ela precisará de você ao lado dela e que por muito tempo ela viveu sem amor, que sofreu muito. Pedi as deusas que trouxessem alguém para você, meu querido. Alguém que fosse merecedora do seu amor e as deusas a enviaram.
Aiyana acariciou as orelhas da pequena raposa que repousava tranquilamente ao lado de Ethan e, por um momento, ele se questionou se o pequeno animal teria mesmo alguma relação com a chegada de Anastasia.
— Ela merece o seu amor e sei que você merece o dela, Ethan. Mas ela possui uma... — Aiyana pensou por um instante em qual palavra usar antes de levantar os olhos para ele. — Carga. E não é qualquer homem que estará disposto a lidar com isso, mas sei que você não é qualquer homem. — Ela lhe segurou o rosto com ambas as mãos antes de apoiar sua testa à dele em um gesto carinhoso. — Lembre-se que estou sempre aqui para você, que pode me procurar sempre que precisar.
— Sim, tia Aiyana. — Ele sorriu, encarando-a. — Não irei abrir mão dela tão fácil. Os deuses precisarão de mais do que um passado, montanhas ou os oceanos para afastá-la de mim.
— Que assim seja, meu querido. — Ela riu, encarando-lhe os olhos por um instante. — Tem os olhos de sua mãe e a astúcia de seu pai, mesmo ele sendo um britânico pálido com tendências arrogantes. És o homem perfeito para aquela pequena Corça. Assim como ela é perfeita para ti, logo verás isso, meu pequeno Lobo.
Ethan exibiu um sorriso, acompanhando o olhar de Aiyana quando ela o voltou para o céu.
— Melhor voltar, o anoitecer está chegando e creio que sua Corça sentirá sua falta naquela enorme cama que tens na mansão. — Ela riu ao vê-lo corar, chamando Tormenta para perto com um assovio antes de entregar as rédeas a Ethan. — Cuide-se.
— Você também, tia Aiyana. Mandarei Thomas para buscar algumas ervas e trazer mantimentos frescos. — O moreno montou no belo cavalo de pelo negro, encarando-a sobre o ombro.
— Não preciso de mantimentos e mande aquele seu jardineiro arrogante aprender a ouvir se não quiser que minha bravia Tempestade o ataque novamente. — Ethan riu ao ouvir a ameaça direcionada a Thomas antes de sair trotando pela floresta.
Em poucos minutos o trote calmo tornou-se um galope enquanto ele ansiava por estar novamente em casa com Anastasia em seus braços.
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