Quem é você e como me achou?
Essa fanfic foi originalmente uma oneshot que criei no spirit, minha primeira one, então resolvi reescrever ela e adicionar mais um capítulo pra trazer ela pra cá, espero que gostem.
A chuva caia incessantemente, dentro de casa e longe do frio, Jin assistia, em prantos, ao último episódio de seu dorama favorito. Suas únicas companhias naquele momento era seu bichinho de pelúcia, um cobertor fofinho e um pote de sorvete, nada que fosse muito diferente do habitual.
Enrolado no tecido delicado e aconchegante, ele limpava as lágrimas o melhor que conseguia, na tela os personagens principais haviam acabado de se reencontrar e estavam admitindo seus sentimentos, assim que o casal na televisão se beijou ele desligou imediatamente, jogando o controle para longe. Era cruel demais para si mesmo se torturar daquela maneira. Ainda enrolado no cobertor e abraçado ao RJ, sua alpaca de pelúcia, ele seguiu até a janela.
— Quem dera eu ter alguém – ele soltou um longo suspiro olhando o céu – bem que a lua poderia atender meus pedidos... só você me entende, sabe o quão solitário é viver assim. Você está sempre ai sozinha, longe do sol, longe de todos, custava ter uma peninha de mim? Você é a rainha das noites, o que custa me ajudar? Uma pobre alma solitária como a minha merece ao menos uma chance.
Naquele momento, em seu castelo enorme, Yoongi soltou um grito assustando até mesmo as estrelas vizinhas, fazendo Namjoon correr ver o que havia acontecido.
— Você vai ver a rainha quando eu acertar tua fuça seu humano idiota!
— É aquele garoto de novo, pai?
— Sim, todo dia isso, já irritou, todo dia pedindo pra trazer alguém pra ele já que "a lua é a única que me entende", eu lá tenho cara de cupido? Por acaso está vendo asinhas e um arco? Hein? Ele devia pedir pro Taehyung, não pra mim!
Namjoon não pode deixar de rir com aquele pequeno surto de raiva do mais velho, as reclamações sobre o tal humano eram diárias, o que trazia uma certa curiosidade ao rapaz, ja que nunca havia visto aquele que tirava a paz de seu pai.
— Como ele é?
— Por que a pergunta Namjoon?
— Apenas curiosidade...
Yoongi revirou os olhos e puxou o rapaz para frente do grande espelho que havia na sala, aos poucos a imagem de um garoto abraçado a um bichinho de pelúcia se tornou nítida. Então, foi como se o chão sumisse para Namjoon e ele fosse elevado ao espaço com milhares de novas estrelas nascendo em seu peito. Seu pai murmurava como o humano estava ridículo daquele jeito, usando um pijama idiota de animais, mas foi muito bem ignorado enquanto os detalhes de Jin chamavam a atenção do garoto.
Ele já havia visto alguns humanos antes, mas nenhum lhe trouxe as sensações que ver aquele humano em específico. Algo no brilho dos olhos daquele rapaz chamava a atenção de Namjoon, e fazia seu coração acelerar, era estranho, como se inúmeras borboletas apostassem corrida em seu estômago e a competição não acabasse.
Com isso ele tomou uma decisão, iria ser o companheiro daquele rapaz, precisava apenas da permissão e ajuda de Yoongi.
— Pai... eu quero ir la pra baixo. – Ele murmurou ainda aéreo.
— O que?
— Eu quero ir lá. – Ele apontou pro rapaz no espelho recebendo um olhar julgador de seu pai. – Veja só, se eu estiver com ele, ele não vai te incomodar mais.
— Não me diga que esse humano de meia tigela fez você se encantar.
— Por favor, eu preciso ir, pai você lembra quando viu mamãe pela primeira vez? Não lembra?
— Namjoon humanos são estranhos, sanguinários, traiçoeiros, mentirosos, você não vai querer um por perto. Ele vai te abandonar na primeira oportunidade! Ele vai mastigar seu coraçãozinho puro e brilhante enquanto sai com um babaca amante de filosofia que mora num jardim comunitário¹!
— Pai, você ta fazendo aquilo de novo.
— Pode passar dois mil anos e eu não perdoarei sua mãe!
— Ja passou! Nem os ossos dela devem ter sobrado! Ela ta morta, ele tá morto, todo mundo daquela época virou pó já!
— Não importa! Eu confiei na sua mãe e só levei um belo par de guampas²!
— Ele não é a minha mãe!
— Mas é um humano!
O mais novo olhou Yoongi com tristeza no olhar, o mais velho se xingou mentalmente por ter mimado demais aquele garoto.
— Ok, pode ir, depois não diga que não avisei.
— Obrigado pai.
— Vou aproveitar e chamar o Hoseok pra casa, talvez hoje a gente faça um grande eclipse. Ao menos eu esqueço essa burrada que estou concordando!
[...]
Seria mais uma noite solitária de sexta para Jin, ele ja havia vestido seu pijaminha e estava pronto para maratonar algum dorama ou passar horas vendo filmes de comédia romântica, mas então uma batida na porta ecoou pela casa silenciosa. Era estranho, afinal ele não costumava receber visitas, seus pais moravam longe e ele não possuía amigos que o visitassem.
Qual não foi sua surpresa ao abrir a porta e encontrar um belo rapaz sorrindo para si, ele nunca havia visto aquele homem, mas não podia negar a grande beleza do estranho.
— Boa noite Jin, eu sou o filho da lua, mas pode me chamar de Namjoon, meu pai me mandou.
A mente de Jin girava, como aquele rapaz seria filho da lua? Como ele sabia seu nome? Pai? Que tipo de pegadinha era aquela? Antes que verbalizasse qualquer de suas dúvidas, o estranho rapaz lhe abraçou deixando um beijo estalado em sua bochecha, e entrou na casa sem nem ao menos ser convidado.
— Olha, não sei quem você é, ou como me conhece, mas por favor saia da minha casa!
— Já disse, sou filho da lua, você não desejava alguém pra lhe fazer companhia? Não pediu todas as noites por isso? Sabe, meu pai anda de saco cheio de você reclamando pra ele, quase fez uma estrela vizinha entrar em colapso e morrer de tanto gritar de raiva.
— Mas não era esse tipo de companhia, era uma companhia romântica!
— Eu sei.
— Mas... – Jin não sabia o que dizer, como aquele rapaz estranho poderia saber do seu segredo? Nem sua família sabia... – Eu gosto de mulheres...
— Tenho certeza que não. Jin você incomoda meu pai mais que tudo, não acha que ele não iria bisbilhotar você?
O estranho deixou Jin sem palavras, será que ele realmente era filho da lua? Mas isso não era possível, afinal a lua não era uma pessoa, ou era? Pelo que falava era, e ainda um homem! Mas como ele poderia saber tanto sobre si? Estaria sendo espionado? E se ele fosse apenas um stalker maluco? As questões ecoavam na mente de Jin, mas então ele caiu em si sobre uma coisa: ele estava de pijama na frente daquele homem... um homem extremamente lindo!
Jin correu para o quarto deixando Namjoon confuso, o rapaz o seguiu e se surpreendeu ao ver Jin trocando de roupa. A presença de Namjoon no quarto apenas foi notada quando Jin terminou de por sua calça e se virou para a porta, seu rosto ficou extremamente vermelho e a vergonha se apossou de si, aquele cara que havia acabado de conhecer havia o presenciado sem roupas.
— Não precisa ficar com vergonha, você é lindo Jin.
Parecia que Namjoon lia os pensamentos do rapaz, talvez aquilo não passasse de um sonho no final das contas, com isso em mente Jin deixou toda a razão de lado e aceitou aquela situação, afinal logo acordaria e veria que apenas havia tido um sonho, um sonho bem tentador até... um sonho lindo e tentador que seria o combustível de pensamentos nada morais por dias.
Então Jin apenas aceitou assistir dorama com Namjoon, deitados no sofá, enquanto esperavam a pizza que haviam pedido ser entregue. Ele não se afastou quando Namjoon o beijou pela primeira vez, apenas retribuiu, e com a pequena experiência que tinha com beijos, aquele era melhor do que poderia imaginar, poderia dizer que era o melhor beijo do mundo. Céus, aquele estranho beijava bem até demais! A mão firme dele em sua cintura apenas o fazia choramingar imaginando como seria gostoso a ter apertando outras partes de seu corpo.
Eles conversaram sobre o dorama que assistiram, e Namjoon ensinou algumas coisas sobre as estrelas para Jin. Ensinou seus nomes e as constelações, assim como os primeiros humanos que as viram.
Namjoon perguntou sobre o dia a dia de Jin, e não poupou elogios ao rapaz que ficava cada vez mais envergonhado, porém feliz por estar nos braços dele.
O relógio marcava estar madrugada quando o sono tomou conta de Jin, ele aceitou dormir abraçado com Namjoon, e no fundo queria que aquele "sonho" não acabasse tão cedo.
Mas dormir não foi exatamente o que fizeram, não quando Jin sentiu o corpo colado ao peitoral firme de Namjoon que o abraçava apertado com seus braços musculosos, não quando ele tratou de se remexer até que uma ereção se formasse no rapaz e eles precisaram fazer aquilo sumir da forma mais deliciosa possível. Definitivamente, dormir não foi a única coisa que fizeram naquela cama.
Quando acordou, Jin sentiu a cama vazia e fria ao seu lado, para ele a noite passada havia sido apenas um sonho e aquilo era a comprovação disso. Meio zonzo ele foi até o banheiro fazer sua higiene matinal, nem notou a camiseta estranha que estava jogada no chão de seu quarto ou então a calça que estava dobrada em cima do cesto de roupas sujas.
Ele apenas notou que algo estava errado quando foi para cozinha fazer seu café da manhã, do corredor era possível sentir o cheiro de café recém passado e panquecas, mas ele pensou que deveria estar vindo da casa vizinha. Qual não foi sua surpresa ao entrar na cozinha e ver Namjoon de costas para si cozinhando.
O rapaz estava sem camisa e usando um dos calções de Jin, havia panquecas e sanduíches sobre a mesa, e pelo cheiro ele devia estar fritando ovos enquanto cantarolava o refrão de Heaven³, estava tão entretido que nem notou Jin parado na porta atônito.
Quando se virou para por mais um prato na mesa, Namjoon viu o rapaz parado e sorriu mostrando suas adoráveis covinhas, o que derreteu o coração de Jin.
— Bom dia Jin, dormiu bem? Você estava tão lindo dormindo que não tive coragem de o chamar.
Jin ainda estava confuso quando Namjoon se aproximou e o abraçou, não fazia sentido aquele rapaz lhe fazendo café da manhã. Não fazia sentido aquele rapaz estar ali.
— Mas... que?
— Jin, tudo bem com você?
— Não! – Lágrimas começaram a brotar nos olhos dele conforme a realidade lhe atingia – eu... eu dormi com alguém que sequer conheço!
— Eu não achei que você fosse achar ruim, você aceitou, e até me provocou.
— Eu achei que estava tendo mais um dos meus sonhos eróticos esquisitos.
— Então eu pareço o protagonista de um dos seus sonhos eróticos? – Namjoon sorriu de lado mas logo focou no rapaz chorando.
— Isso não vem ao caso, eu deixei um estranho entrar na minha casa, eu transei com um estranho! Você deve me achar um puto nojento isso sim.
— Jin se acalma. Eu sequer sei o que é um puto, mas tenho certeza que você não é um.
— Vem com esse papinho de filho da lua e eu caio como um pato, vai me dizer o que hein? Que o sol também é uma pessoa.
— Sim, Hoseok, meu padrastro.
— Ou que existe um coelho na lua⁴.
— O Jungkook, ele é muito fofo, mas isso não vem ao caso.
Namjoon o guiou até a mesa e secou suas lágrimas, enquanto comiam ele explicou tudo. Ele realmente era filho da lua, que se chamava Yoongi e estava cansado de ouvir as reclamações de Jin, e ao ver o rapaz, Namjoon havia se apaixonado. Ele estava ali para lhe fazer companhia, mas podia facilmente ir embora se assim Jin desejasse, não iria forçar o humano a aceitar sua companhia, apenas havia achado uma boa ideia.
Aos poucos Jin realmente foi aceitando a situação bizarra em que se meteu, mas ainda era estranho para si ter a companhia de alguém que mal conhecia, ele se sentia sujo por ter se entregado para alguém que viu apenas uma vez.
Ele falou isso para Namjoon, então mesmo triste o rapaz pegou suas roupas e saiu, deixando Jin sozinho olhando para um prato de panquecas.
Alguns dias se passaram, e Namjoon andava triste pelos cantos. Yoongi já não sabia mais o que fazer, seu filho nunca havia estado tão triste antes, nem quando sua mãe os abandonou, além de que havia dias que Jin não lhe pedia mais nada, mas Yoongi via o pobre humano chorando na janela de saudades. Saudades de algo que teve por tão pouco tempo. Farto daquela situação ele tomou uma decisão.
Jin achou estranho não ver a lua naquela noite, afinal era pra ser lua cheia e o céu estava limpo, mas não deu muito atenção a esse fato, também não deu atenção ao jornal reportando de última hora atividades estranhas das ondas⁵. Talvez se tivesse prestado atenção teria ligado as duas coisas.
Alguém bateu em sua porta, tirando Jin de sua bolha de tristeza . Ele desejou do fundo de seu coração que fosse Namjoon, mas sabia que o rapaz devia estar triste consigo, além que não iria forçar Jin a nada, então certamente não apareceria depois de ser dispensado.
Mas ao abrir a porta estava um outro homem ali, seu cabelo acinzentado brilhava de modo estranho e sua aparência era etérea.
— Quem é você?
— Você é Jin, certo? – Sua voz, firme e rouca, parecia cercar Jin por todos os lados. –Já cansei de ver você chorando e meu filho jururu, então decida duma vez o que quer, pelamor, em milênios meu filho nunca esteve daquele jeito! Nem quando a mãe dele o abandonou ainda criança! Você quer ou não quer a companhia dele?
O rapaz ficou sem palavras, ele não sabia bem o que dizer, mas não foi preciso, em sua mente os breves momentos com Namjoon apareceram e seu coração apertou, o rapaz em sua frente apenas sorriu esfregando as mãos.
— Não precisa dizer mais nada, já descobri sua resposta. Aliás, me chame de Yoongi, ou lua, ou sogro.
Um forte brilho surgiu fazendo Jin fechar seus olhos, quando o brilho sumiu lá estava Namjoon ao lado de Yoongi, com uma carinha triste e confusa.
— Tudo resolvido, crianças? Tudo resolvido. Agora vou pra casa que eu tenho meu marido me esperando. Se virem ai.
Em um clarão, Yoongi sumiu e a lua reapareceu no céu, mais brilhante do que Jin se lembrava. Em sua frente estava Namjoon, o rapaz parecia sem jeito, não dizia nada apenas encarava Jin com os olhos brilhando.
— Bom, entre, acho que a gente precisa conversar não é mesmo?
— Eu senti tanto sua falta.
— Eu também.
[...]
Jin sorria enquanto caminhava ao lado de Namjoon, o casal andava de mãos dadas pelo parque, enquanto esperava o horário da reserva que haviam feito no restaurante. Sobre suas cabeças, brilhava a lua forte como se estivesse feliz com a união dos dois, e realmente estava.
Pelo menos uma vez ao mês a lua parava de brilhar, era quando Yoongi ia visitar seu filho, e ao menos uma vez no mês a lua brilhava mais que o normal, era quando Jin e Namjoon iam visitar o castelo de Yoongi, os estudiosos se viam malucos com aquilo, não conseguiam explicar como algo assim estava acontecendo. Quando viam as notícias, e as hipóteses para o problema com a lua, o casal caia na gargalhada e contava para Yoongi, que sempre acabava virando alvo de piadas de Hoseok.
Enquanto jantavam, os dois rapazes estavam tão entretidos que nem notaram que a lua havia sumido, até que Yoongi entrou no restaurante e foi de encontro a eles. Os rapazes se surpreenderam, afinal fazia poucos dias que estiveram no castelo.
— Oi pai. Algum problema?
— Desculpe atrapalhar o jantar, só queria dizer que como vocês estão a um ano juntos... bom, parece que vocês realmente se amam, então... eu queria dar um presente, eu ia dar outra coisa, na verdade o Hoseok me mandou dar isso... bom, Jin agora você é imortal. Parabéns.
Assim como veio, Yoongi saiu e a lua voltou a brilhar, deixando Jin sem palavras e Namjoon rindo. Foi preciso um bom tempo até Jin entender o que aconteceu, por sorte Namjoon teve paciência para explicar.
Ele e seu pai, assim como Hoseok ou qualquer um daqueles seres, eram imortais, afinal se a lua ou o sol morresse seria um desastre, claramente viver com alguém mortal causaria um grande problema, afinal a pessoa morreria e você iria passar o resto da eternidade sofrendo, mas era possível que a lua ou o sol dessem sua bênção transformando um mortal em imortal, como fizeram com o coelho Jungkook.
Agora eles poderiam viver juntos por toda eternidade, enquanto o amor deles fosse vivo eles também seriam.
¹: em 306 a.C. havia um filósofo grego chamado Epicuro que criou uma escola em forma de jardim, lá seus amigos e seguidores possuíam uma vida simples porém feliz. Ele afirmava que para viver bem deveria ter uma vida de prazeres, mas não prazeres no geral, apenas aqueles que supram as necessidades básicas. (Salvo algum erro, informações retiradas da internet, não se sabe ao certo como funcionava a dinâmica completa desse jardim, porém vamos fingir, já que é uma fanfic mesmo, que haveria a possibilidade de contato entre os seguidores dele e alguma mulher comum de Atenas).
²: Para quem não sabe são os populares chifres.
³: Heaven de Bryan Adams, a parte citada:
And baby you're all that I want (e amor, você é tudo que eu preciso)
When you're lying here in my arms (quando você está deitada em meus braços)
I'm finding it hard to believe (quase não consigo acreditar)
We're in heaven (estamos no paraíso)
And love is all that I need (e amor é tudo que eu preciso)
And I found it there in your heart (e encontrei em seu coração)
It isn't too hard to see (não é dificil de ver)
We're in heaven (estamos no paraíso)
⁴: o coelho na lua é uma lenda encontrada em várias regiões do mundo, variando conforme o local, advinda da semelhança da mancha que vemos na lua com o animal.
⁵: caso não lembrem, a lua interfere na maré.
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