Uma amizade filosófica




Elena

Jamais imaginei que vovó concordaria com tamanha ignorância de meu avô. Confesso que não estou reconhecendo tal atitude, pois quando propus que conversássemos todos quando chegasse em casa, estava convicta que vovó ficaria do meu lado. Eu não podia estar mais errada. A conversa chegou de fato a ocorrer, mas ela não foi democrática, na verdade vovô John resolveu as coisas rapidamente, ''O rapaz ficara preso no porão enquanto eu penso no que fazer'', não dando brechas para discussão.

Assim, foi estabelecido que somente eu, vovó e Mary, saberíamos da existência do nosso convidado, ocultando tal informação das outras meninas. A refeição e tratamento da ferida do rapaz seria de responsabilidade exclusiva de minha avó, já que vovô só confiava nela, o que me deixou de certa forma chateada. Quando vovô estabeleceu isso, vovó Louisane chamou eu e Mary no canto da sala, dizendo que precisava de nossa ajuda com o soldado, já que o porão por ter um caminho estreito na descida, prejudicava a coluna já ruim dela por conta da idade. Nos dera inúmeras instruções para que vovô não desconfiasse, instruções essas semelhantes a de como cuidar de um cachorro com sarna, no qual não poderíamos tocar, chegar perto, olhar e muito menos tentar ser amigável, a tarefa era simplesmente ir lá, trocar o curativo e deixar a bandeja com comida e água, Mary levaria o almoço, e eu o jantar. Dessa maneira, só tive contato com o Harry no dia seguinte de noite.

Ao adentrar no porão, reparei que o lugar era menor do que eu lembrava, tinha apenas uma cama de solteiro, ao lado uma mesa de estudos pequena, e  na lateral um banheiro. Assim que entrei, notei que o soldado estava dormindo, então deixei a bandeja na mesa e me sentei na poltrona próxima a porta, e retornei para minha leitura da semana, Crítica da Razão Pura, de Immanuel Kant. Como por muito tempo, minhas únicas companhias foram meus avós, os quais não gostam muito de conversa, os livros tornaram-se meus amigos. Tenho como meta ler ao menos um por semana. Antes eu lia para passar o tempo e de certa forma até que forçadamente, já hoje não, leio porque realmente gosto e amplia meu aprendizado.

''Immanuel Kant ficaria no mínimo perplexo ao ver você lendo a obra mais celebre dele, enquanto me mantêm como seu prisioneiro'' diz Harry, em um tom zombeteiro.

''Para minha sorte então, ele já faleceu, assim não ficaria decepcionado em ver tamanha hipocrisia da minha parte. '' Respondo irônica também.

''Verdade, mas sei que não foi você quem me prendeu aqui, e que aquele velho filho da puta da espingarda não deva conhecer Kant''

''Ei, não xingue o Jhon. E ele conhece muito bem Kant, só não concorda com os princípios que ele prega. '' Saio em defesa do meu avô, fato que Harry ainda não tem conhecimento, e que vovô pediu para deixar assim.

''Como eu disse antes, um filho da puta, certeza que ele deve ser um defensor do Leviatã''. Harry diz tais palavras com tanta revolta, que por um momento esqueço que está falando do meu avô, e acabo achando atraente o jeito que ele fala.

''Então o inglês é um apreciador da filosofia? '' Tento mudar de assunto.

''Digamos que a escola me forçou a tais leituras, você sabe, leituras obrigatórias de clássicos filosóficos acompanhadas de discussão em classe com outros colegas, ou seja, uma merda''

''Na verdade não sei como é isso, fui educada a vida toda em casa. '' respondo tristemente.

Então deixo o livro na poltrona e me dirijo até Harry para trocar seu curativo, antes que ele diga algo. O mesmo parece me olhar com cuidado, captando todos os meus movimentos. Olhar esse no mínimo intrigante, causando reações ao meu corpo. Reações nervosas que nunca senti antes, afinal nunca alguém me encarou por tanto tempo, como se estivesse me estudando, e muito menos com esse olhar, o qual eu não faço ideia do que seja, mas me deixa tensa, não de uma forma negativa. Confesso que até gosto, mas não sei o que fazer, o que me deixa com muito vergonha, então apenas foco no seu machucado, ignorando seu olhar penetrante e as reações que ele me causa.

''Uau, deve ter sido o máximo ter estudado em casa, seus pais que eram seus professores? '' pergunta ele, parecendo realmente empolgado por saber um pouco mais sobre mim.

Nesse momento dor me invade, é tão estranho alguém fazer uma simples alusão aos meus pais. Meu avô estabeleceu que esse é um assunto proibido, então nunca é falado, e confesso que não queria que fosse assim, queria que falassem sempre dos meus pais, pois a única coisa que sei sobre eles está naquela carta, é ela é muito breve.

''Ah não, na verdade quem me educou foi Jhon, diria até que fui a primeira aluna dele.''

''Então aqui é como se fosse uma escola para meninas?'' Pergunta ele confuso, e eu não posso dar detalhes, já trai a confiança do meu avô ontem, então apenas digo, que de certa forma sim, aqui é como se fosse uma escola.

Harry me encara mais uma vez e murmura ''compreendo'', acredito que ele notou, que tal assunto não estava me deixando muito confortável, então logo muda para uma temática mais leve.

''Então a senhorita é uma apreciadora da filosofia moderna? Confesso que estou surpreso. '' diz Harry, enquanto termino seu curativo, e me dirijo novamente a poltrona.

''Eu diria que sou apaixonada por filosofia, seja ela qual for a sua época. Acredito que sempre há ao menos um filósofo dentro de um tempo, que nos ensina alguma coisa''.

''Alguns nos ensina a como ser uns cuzoes'' Harry diz isso de maneira tão indignada, que é impossível eu segurar a risada.

''Não irei discordar , imagino que você esteja falando de Maquiavel certo? Já leu algum? ''

''Infelizmente sim para as duas perguntas, quando estava na faculdade tive o desprazer de fazer aulas de filosofia. Não me leve a mal, mas não acredito que caras de séculos passados, que escreveram coisas para os momentos em que eles viviam, sirvam de base para nosso momento atual -ele para um pouco seu raciocínio e me encara- com exceção do Kant, o homem era um gênio.''

''Discordo de você soldado -digo com um sorriso- acredito que a sociedade vive em ciclos, e que não somos tão evoluídos para dizer que não necessitamos dos pensamentos de nossas brilhantes mentes passadas. Acredito que se todos tivessem o esclarecimento intelectual autônomo, que o próprio Kant defendia, Hitler, por exemplo, não teria sido eleito democraticamente na Alemanha. Vai por mim, soldado, todos estamos presos em alguma alegoria da caverna. ''

Harry me encara, e com certa admiração diz ''Você está certa, não evoluímos tanto, pelo menos não no aspecto humanitário. Mas me diga Murray, qual é a sua caverna? '' o olho sem entender, e o mesmo se explica: ''Você agora mesmo, fez uma referência a alegoria da caverna de Platão certo? Então me diga, o que te prende tanto, para que não possa sair disso ? ''

Medo. O terrível medo do desconhecido. Nunca sai das proximidades da casa, e por mais que eu entenda muito de geografia e história, tenho pavor de que meu conhecimento teórico não seja suficiente para o mundo totalmente desconhecido por mim lá fora.

''Acredito que estou confortável demais na caverna, quando você nasce nela, e não tem noção do que tem lá fora, a vontade de sair é apavorante, afinal todos temos medo do desconhecido. ''

''Calma aí, então você também é de certo modo uma prisioneira dessa casa? '' pergunta Harry um pouco confuso.

''Não, claro que não! Posso sair quando quiser, e não estava dizendo que essa casa em específico é a minha alegoria da caverna. '' Acabo por fim mentindo.

''Se você diz, não irei discutir. Mas com certeza você sabe que ao sair da caverna, você vive melhor né ''. Pergunta Harry com as sobrancelhas levantadas, esperando minha confirmação.

Imagino que sim, mas não pretendo ficar a vida toda aqui, tenho planos para o futuro, os quais não são da conta dele. Então só aceno que sim.

"Desculpe perguntar Lena, mas qual a sua idade? "

''Completei 23 anos ontem'' respondo com um sorriso.

''Uau, desculpe de verdade por atrapalhar seu aniversário, meus parabéns. ''

Acredite, você não atrapalhou, no mínimo tornou ele mais emocionante, mas apenas respondo: ''Obrigada. ''

''Então o que fizeram de especial para você ontem? ''

''Ah nada, não é grande coisa. '' Respondo com indiferença.

''Dessa vez eu discordo de você Lena, todo aniversário é grande coisa, ainda mais em tempo de guerra. Comemorar mais um ano de vida, é uma dádiva. Você não deveria ignorar seu dia.''

Apenas o olho e faço que sim  com a cabeça. Não sei se concordo, nunca celebrei meu aniversário, e nem ganhei presentes, logo como irei sentir falta de algo que nunca tive?

''Estou tempo demais aqui, é melhor eu ir. Se quiser eu posso trazer algum livro amanhã. '' digo timidamente. E ele me olha confuso.

''Você sabe, para passar o tempo, sei o quanto ele demora nessa casa. '' Explico gentilmente, recebendo em troca um sorriso, que eu direi ser lindo.

''Obrigado, seria muito gentil de sua parte. Mas se puder, você também poderia trazer um lápis e um papel? '' Pede ele um pouco envergonhado. Será se ele é algum artista?

''Claro, até amanhã soldado. '' Saio do porão com um sorriso e uma vontade de retornar para aquele lugar logo, não sei porque, mas desde a chegada de Harry estou mais feliz.

Assim que me retiro do porão, dou de cara com Mary. Nunca entendi o porquê de nunca ficarmos amigas, afinal temos quase a mesma idade, mas por algum motivo ela nunca me deu abertura para conversas igual as outras meninas. E também percebo os olhares debochado dela perante a mim.

''Louisane está a sua espera. Imagino que o papo com o inglês foi bom né, ficou por lá bastante tempo. '' Diz ela com um tom de inveja. Decido por não responder nada, e tento seguir meu caminho, mas novamente sou interrompida por Mary.

''Só tome cuidado preciosa Elena, você não conhece homens, e eu te digo, pelos olhares bem sugestivos do soldado para mim, você não faz o tipo dele. ''

Então após soltar seu veneno, a mesma se retira. Sei que não conheço homens, único ideal deles que eu tenho estão nos romances em que leio, os quais também sei que não passam de ficção, não sou burra. E além disso, não acho que Harry tenha algum interesse em mim, ao menos não amoroso. Acredito que eu e Harry possamos ser amigos, baseando no fato de que nossa conversa de poucos minutos, a qual eu diria que foi a melhor conversa de toda a minha vida -mas não tenho muitas referências-, fora agradável. E de qualquer forma, lembro da fotografia da bela mulher em seu bolso, a qual deve ser sua mulher. Então, logo afasto essas ideias da minha cabeça, e continuo meu caminho.

Adentro na sala de costura da vovó, e vejo que a mesma está terminando mais um vestido monótono. Assim que ela me vê, larga a costura e me chama para se aproximar.

''Lena querida, venha, acabei de terminar mais um vestido para você, experimente. ''

Impossível disfarçar minha cara de desanimo, mas desde que me entendo por gente meus vestidos são iguais, mangas cumpridas, gola até o pescoço e bege, ou seja, feios.

''Vovó, posso te pedir uma coisa antes de experimentar? '' pergunto em um tom mais manhoso, para quem sabe ela possa me escutar dessa vez.

''Fala minha filha, você sabe que pode me perguntar qualquer coisa'' desde que não vá de desencontro ao que o vovô pensa, mas guardo esse pensamento para mim mesma.

''Como a senhora sabe, ontem foi meu aniversário, e eu estava pensando se a senhora poderia me fazer um vestido, estilo ao que Jane irmã de Elizabeth de Orgulho e preconceito, usava. Eu até posso lhe ajudar. ''

''Um vestido? Mas porque? Não gosta dos que eu já faço? '' responde ela um pouco brava.

''Não vovó, não é isso. A questão é que já faz anos que eu uso o mesmo modelo, e a mesma cor, só queria mudar um pouco, mas tudo bem, esquece meu pedido, foi só uma ideia...'' digo por fim triste.

''Vamos esquecer mesmo isso, você e suas ideias malucas, para que mudar o que está bom não é mesmo? Agora, pegue seu vestido e vá arrumar o quarto das meninas. ''

Resmungo um tudo bem e pego o vestido.

Chego no quarto das meninas e vejo que Anne está chorando, ela tem apenas 8 anos, e digamos que ela seja minha preferida.

''O que foi meu amor? '' pergunto quando me aproximo.

''Não quero mais pintar, todos os dias eu só posso fazer isso, não sou mais criança. '' diz Anne como se fosse o fim do mundo.

"Mas você gostava tanto de pintar, o que aconteceu?"

"Não Lena, eu nunca gostei de pintar, e meus desenhos são bobos, mas como não sei ler direito, John só me deixa com desenhos e pinturas." Diz a menina realmente magoada.

''Vamos fazer assim então, você me da seus lápis e telas, e em troca eu vou conseguir alguns livros com ilustrações para você, o que me diz? ''

''Sim, mas você tem que prometer que vai trazer amanhã. '' Diz ela um pouco mais animada.

''E eu por acaso já menti para você? Eu juro de dedinho que amanhã de tarde vou trazer seus livros, agora vamos se preparar para dormir. '' Após Anne me abraçar, ela entrega seus pertences de pintura e vai para sua cama. Acho incrível o quanto ela é inteligente, com tão pouca idade.

Penso em esperar meus avós irem dormir, e ir novamente até o porão entregar a Harry seus pertences. Só assim, não terei riscos em ser pega levando algo para o prisioneiro de meu avô.

Harry

Meu terceiro dia aqui, e até agora não achei uma brecha sequer que possibilite minha fuga, o que é uma merda. Já arrumei meu rádio, mas como azarado que sou, é óbvio que não tem sinal aqui. Não vou conseguir sair daqui sem ajuda.

A menina loira que passa geralmente por aqui de manhã, fica me encarando muito, até pensei em tentar algo para quem sabe em troca conseguir ajuda, mas nosso impasse de comunicação torna minha ideia inviável. A velha que apareceu aqui duas vezes com umas plantas medicinais e roupas para mim, tem cara de boazinha, mas também não fala inglês. Já Lena, arrisco a dizer que temos uma boa comunicação, mas não sei como conseguiria algo dela, porque ela não é só uma gatinha selvagem, ela é muito inteligente, logo não cairia em nenhum dos meus papos. Mas reparei que ela é muito oprimida nessa casa, embora não saiba disso ainda. Talvez eu possa explorar isso, e quem sabe usar ao meu favor.

Após Lena sair do porão, vou tomar um banho e me preparar para dormir. De baixo do chuveiro só consigo pensar que merda que eu estou fazendo da minha vida, em Londres um casamento a minha espera, fora dessa casa uma guerra a minha espera. Talvez ficar aqui nessa caverna da Lana seja bom para eu pensar no que vou fazer.

Estou quase dormindo quando escuto alguém entrando, por um minuto penso que é aquele velho filha da puta, mas logo me acalmo quando vejo Lena entrar com uma sacola grande nas mãos.

Noto que ela fica com rosto muito vermelho ao me ver, e percebo que é porque estou só de cueca, penso em acabar com a vergonha dela e colocar mais vestimentas, mas não sabia que ela era tão tímida, então me permito conhecer mais esse lado dela. Já que pela segunda vez no dia, vejo ela sem reação. A primeira vez foi quando fiquei admirando sua beleza mais cedo, e a segunda agora, o que concluo que ela deve ter tido pouco contato com outros homens ou contato nenhum.

''Oi, desculpa te incomodar, mas eu só podia vir agora trazer esses materiais para você, aproveitei que vovô Jhon estava dormindo e vim'' Diz ela por fim, com muita vergonha, tanto é que nem olha nos meus olhos. Sua timidez, me deixa tão encantado que quase me fez ignorar o que ela disse.

Vovô Jhon? Que porra, não, aquele velho não pode ser avô dela. Coloco uma camisa e uma bermuda deixada aqui no primeiro dia, roupas que eu não faço  ideia de quem foram, e encaro Lena.

''Vovô? '' A mesma arregala os olhos e me olha com pânico.

''O que? '' E agora ela se faz de desentendida, o que só confirma o meu questionamento.

''Agora tudo faz sentido, isso explica o fato de você ser tratada como uma prisioneira aqui, e nunca ter tentado fugir, você é controlada por ele e nem percebe. ''

''Cala a sua boca inglês, você não sabe de nada. '' Diz Lena com raiva.

''Realmente eu não sei de nada. Então me diga Elena, quem são vocês de verdade, são mesmo russos? Por que algo me diz que não, porque estariam escondidos de todos aqui se fossem? '' Rebato com raiva também.

''Eu não tenho que te dar satisfação alguma inglês, só porque tivemos um papo legal mais cedo não quer dizer que somos amigos. '' Percebo que ela só me chama de inglês quando está brava, mas foda-se eu também estou, sinto que tem algo de muito errado nessa história, mas sinto que Lena é só uma vítima, então abaixo meu tom.

''Realmente não somos amigos, mas achei poderíamos ser. '' Digo por fim, e vejo que sua expressão facial ameniza.

''É complicado Harry, não são assuntos meus para que eu possa dizer algo a você. '' Nesse momento ela se abaixa e me entrega a sacola. Então decido ignorar tais assuntos de seu avô John por hora, e foco na sacola que ela trouxe.

Assim que vejo o conteúdo de dentro, abro um sorriso verdadeiro, um que eu não dou a tempos. ''Não acredito, como? ''

Lena me olha satisfeita e diz : "Não posso te contar meus métodos soldado . '' e me dá uma piscadinha. De modo involuntário, me aproximo dela e lhe dou um abraço apertado.

''Obrigado, sério, esse foi o melhor presente de todos. '' Digo ainda abraçado a ela, a qual percebo que parece meio deslocada por um momento, mas logo passa seus braços ao meu redor, como se estivesse aproveitando ao máximo tal afeto. E merda, ela tem um abraço tão bom que é difícil eu me soltar dele.

''Bom tenho que ir Harry, já está tarde.'' Vejo que mais uma vez ela está tímida e não me olha nos olhos. Noto que ela está louca para sair desse cômodo, confesso que acho lindo esse jeito dela, ela não se esconde, é fácil saber quando ela está brava, triste, tímida ou alegre, ela é uma pessoa transparente, algo raro de se encontrar hoje em dia.

Segurando a mão dela peço gentilmente. ''Fica mais um pouco, talvez possamos discutir sobre algum filósofo chato que você tanto gosta. ''

''Filósofos chatos? Você é muito abusado. '' diz ela sorrindo mais abertamente, e não afasta minha mão da sua.

''E então o que me diz? Fica? ''

''Só se você me contar sobre a sua faculdade. ''

''Feito'' Nos sentamos no chão mesmo, um do lado do outro, e conto a ela sobre os tempos que estudava em Oxford, não entro em detalhes sobre o quando eu odiava o curso, mas quando ela me pergunta, noto que não sou bom em mentir, ao menos não para ela.

''Eu não entendo, por qual razão fazer um curso que não te agrada? '' pergunta enrugando a testa.

Olho fixamente para ela e respondo: ''Porque quando desde criança você é silenciado, é difícil quando adulto fazer algo para mudar sabe? Você só continua fazendo o que agrada aos outros, e esquece de si mesmo. Sei que não parece fazer sentido. ''

''Claro que faz sentido, pelo menos para mim faz.''

''Você gostaria de fazer alguma faculdade? '' pergunto curioso.

''Claro que sim, pretendo cursar filosofia, e ser professora. '' Responde ela decidida.

''Não sei porque, mas estou zero surpreso. '' Digo irônico, recebendo um tapinha no ombro da parte dela.

''Elena, você será uma excelente professora, sério. Se por acaso você pensar em Oxford, ou em alguma outra universidade da Inglaterra, saiba que terá minha ajuda. ''

Naquele momento, eu e Lena parecíamos ter nos esquecido que estávamos ambos em situações complicadas. Mas não ligamos, conversamos por horas, e foi tão leve, que esqueci por um momento que eu queria fugir dali.
Assim, quando o amanhecer ameaçava chegar Elena foi embora, me deixando sozinho com meus pensamentos. E um em particular não queria sair da minha cabeça, um pensamento escroto, mas o único que me ajudaria a sair daquela casa, e voltar para minha realidade, a guerra. Sei que é errado usar da inocência e bondade de Elena para tal, mas não posso pensar somente em mim, meus companheiros estão a espera de um sinal, então por questão de sobrevivência terei que usar Elena para conseguir minha fuga.

Olá, como vocês estão?
Esse capítulo não foi reescrito, deixei do mesmo modo de quando escrevi pela primeira vez. Isso porque, infelizmente estou com muita matéria acumulada, mas já estou me organizando, e o próximo capítulo será todo revisado (prometo).
Espero que gostem.
Beijos 😘

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