Preparativos




Junho de 1941

Elena

Querida Astrid, sinto que minha volta para casa será mais longa do que eu pensava...não posso me estender muito nessa ligação, pois tem mais soldados que irão comigo hoje, e eles precisam falar com suas famílias também. Astrid, amo você, e não entre em contato com a base na Polónia para notícias já que não estarei mais por aqui, daqui meia hora não saberei em que lugar do leste europeu estarei, mas te garanto, que logo estarei em casa, ou quem sabe você estará aqui comigo, já que em um futuro bem breve, nosso exército terá dominada toda região. Que Deus nos abençoe, e espere por mim.

''O que achou dessa?'' Questiono a Luca, que está no centro de espionagem de comunicação junto comigo, traduzindo as ligações alemãs que estão sendo transmitidas aqui, via uma frequência de rádio rastreada, disponibilizada pelo centro de inteligência de Moscou.

''Só repete o que já sabíamos...invasão acontecendo nas fronteiras, precisamos de mais.'' Diz Luca totalmente frustrado.

''Vou continuar traduzindo por aqui, só precisamos de calma, uma hora algum soldado bisonho da algum fora, e conseguimos alguma informação.'' Falo na tentativa de acalmá-lo, tendo em vista que estamos horas aqui, e só conseguimos ouvir e registrar juras de amor de soldados longe de casa.

''Algo me diz que não, que estamos perdendo tempo aqui. De qualquer forma, irei agora mesmo falar com seu pai, ela já deve estar em uma reunião com alguns representantes dos aliados que estão nos dando apoio, quem sabe a Inglaterra não tem mais informações que a gente.'' Suspira Luca cansado, e se retirando da sala.

Aproveito que no momento estou sozinha, e fico mudando as frequências da rádio. Muito suspeita essa ordem diretamente de Moscou, em nos deixar apenas com o cuidado de apenas umas frequências...enquanto eles estão sob o comando de todas da região. Fico minutos tentando captar, algum sinal de qualidade, ou de significativa importância, mas nada. Até que uma conversa, meio chiada e estranha chama minha atenção.

...A Finlândia possui inúmeras razões para se levantarem contra a união soviética, e seria de grande importância fecharmos um acordo....

''Que merda é essa?'' Olho ao redor, e começo a anotar com rapidez o que está sendo dito.

...Continue explorando essa questão, se ela for concretizada o curso de ataque ao Norte da União Soviética será alterado...

...Sim senhor...quanto...

''Ué, repetições seguidas de palavras sem nexo?''Penso comigo mesma, não faz sentido, mas anoto mesmo sim.

''Droga, estou perdendo o sinal!'' Conforme tento arrumar a situação só piora, fazendo que eu perca a frequência, mas logo mudo, e consigo ouvir perfeitamente outra conversa.

...a informação de que a Finlândia irá se juntar aos alemães instalados na Polônia, muda alguns pontos. A princípio, vamos focar na nossa missão, a invasão de Bela Rússia será apenas uma passagem para destruição, e atingimos a capital com sucesso....

...Não vejo motivos para preocupações tenente, Hitler já nos...

E o sinal é de vez perdido. Essa é a segunda semana que estou aqui, trabalhando junto com mais quatro pessoas desse esquadrão que possuem certo domínio da língua alemã. No decorrer desses dias, não obtivemos muito sucesso, tendo em vista que a maioria das informações recolhidas, eram de cunho irrelevante, ou codificadas, como essa última. No entanto, nesse exato momento, acredito que consegui algo, com a Finlândia se alinhando a Hitler, não vamos ter defesas em nossas fronteiras ao norte.

''Droga, não.'' Dou um grito com raiva, enquanto me apresso para ir até meu pai contar a descoberta, o qual está em reunião com os soldados.

''Oi, desculpe entrar assim, mas é urgente. Descobri algo pai.'' Falo tentando controlar a respiração enquanto entrava na sala de reunião, ignorando a todos, e mantendo meus olhos em Mark, o qual me encara surpreso.

''Elena, não pode ir entrando assim, esperasse eu voltar para decidir se tal descoberta é ou não relevante para atrapalhar uma reunião como essa.'' Diz Luca, com a voz mais severa que eu esperava, me deixando por um instante sem reação.

''Se ela entrou aqui, deve ser sim de muita urgência, logo, deve ser algo que ela queira compartilhar com o pai dela, Capitão da operação, não com você, um cabo ainda em ascensão.'' Responde Harry em minha defesa de maneira ríspida.

''Cabo em ascensão? Que seja, ainda sou seu superior, e supervisor dela. Ou você já esqueceu que é apenas um soldado britânico aqui perdido?'' Devolve Luca, em tom de superioridade, o que me traz de novo para conversa antes que Harry diga algo que possa ser usado contra ele no futuro.

''Para vocês dois. Harry tem razão, não dava para esperar. Pai, por favor, preciso que o senhor dê uma olhada nisso, e agora.'' Falo séria, com os olhos presos ao de Mark, que se manteve quieto até então.

''Claro Lena, vamos até a minha sala. Senhores, volto em um instante, e vocês dois, mais um showzinho nessa sala, estão expulsos.'' Fala meu pai, bravo para Harry e Luca, os quais só trocam olhares raivosos.

''Estamos entendidos?'' Questiona Mark, já que fora ignorado, enquanto caminha em direção a mim.

''Sim, senhor.'' E eles respondem juntos, bem contrariados.

''Então, vamos lá. Me mostre o que descobriu.'' Começa meu pai, assim que fecha a porta de sua sala. Mostro a ele, as traduções e espero alguma reação de surpresa, a qual não veio.

''Pai? Isso não é importante? Acho que temos mais um novo inimigo, e bem na fronteira.'' Argumento.

''Claro que é importante. Mas já prevíamos isso, desde a Guerra de Inverno, esses malditos finlandeses têm horror a nós. Não é de surpreender que formariam aliança com aqueles que anseiam nosso fim.'' Comenta ele, enquanto esfrega os olhos meio cansado.

''Então, isso aqui não é novidade?'' Pergunto menos entusiasmada.

''É, filha. Agora podemos trabalhar com a certeza de que estamos à mercê de um cercamento. Vou pedir para que Kerensky esvazie a sala de reunião, deixando apenas os camaradas do comando, e você entenderá, o que isso muda.́ ́ Conclui Mark, e logo saímos e esperamos vários homens que estavam ali na sala da frente, se retirarem. Percebo que Harry, felizmente permaneceu, junto com seu tradutor.

''Bom, de forma resumida, quero comunicar que Lena confirmou nossas suspeitas. Finlândia, está sob persuasão nazista. Diante disso...́ ́ Começa meu pai, abrindo um grande mapa na mesa de centro, do leste europeu.

''Com essa afirmação, somado aos avisos de Moscou, os alemães, irão nos cercar. Aqui, e aqui, e mais aqui.'' Diz ele, desenhando no mapa, três pontos, um na região norte, outro no centro, e um ao sul.

́ ́Então, os nazistas atacarão pela Finlândia, Polônia e Ucrânia? Achei que estavam em paz com a Ucrânia.'' Questiona Harry em russo, o que me deixa orgulhosa. Ele evoluiu tanto no idioma.

''Por hora sim, mas no momento não devemos nos preocupar com a Ucrânia ao sul, não é esse objetivo. A questão aqui, é a seguinte: essas três áreas formam um cerco, começando ao Norte com a Finlândia, que promove o avanço a cidade de Leningrado, e posteriormente a capital. Seguindo ao Centro, atravessando a Polônia, temos Vilnius, Minsk e Bela Rússia, caminhos que levam a capital. Por último, nosso grande poderio econômico, Kiev, que é divisa com a Ucrânia que está ao Sul, o que abre caminho também para a capital.'' Diz Mark, enquanto traceja tais trajetos no mapa, circulando sempre a capital.

''E eles chegando em qualquer frente em Moscou...'' Começo um pouco receosa.

''Eles ganham a guerra.'' Conclui meu pai por mim.

''E qual nossa missão? Pela lógica, estamos a mais de 93 milhas ao norte de Kiev, e a menos de 60 milhas de Minsk. Assim, somos alvos da frente nazista do Centro e do Sul.'' Questiona Kerensky, a ninguém em específico.

''Por hora, devemos nos preparar para defesa e aperfeiçoar nosso exército, e esperar ordens de Moscou. Sem a autorização de Stálin, não movemos uma milha.́ ́ Explica Mark.

''Não, senhor. Com todo respeito, mas isso é suicídio. Hitler está mandando mais de três milhões de soldados da SS para o combate, sem falar da força aérea. Não podemos esperar que eles ataquem.'' Se expressa Luca revoltado, recebendo apoio de todos na sala com o olhar, inclusive o meu e de Harry.

''São ordens superiores Cabo Luca, estamos sob comando direto de Moscou agora.'' Diz de forma ríspida meu pai.

́ ́Detesto dizer isso capitão, mas concordo com o cabo Luca. É só olhar a França, Polônia, e Inglaterra, os germânicos conquistaram as duas primeiras de maneira absurda, levando o poderio militar com ataques relâmpagos, e só não terminou de destruir a Inglaterra, por conta da nossa navegação, mas os ataques aéreos foram drásticos. E aqui? Não temos um oceano de distância deles como a Inglaterra. Então se não atacarmos primeiro, acontecerá aqui, o mesmo que ocorreu com os nossos vizinhos.'' Argumenta Harry um pouco revoltado.

''A União Soviética possui também uma pesada artilharia de guerra Harry. Mas não posso avançar para ataques, sem a autorização de Moscou. Por hora, quero todos focados em suas funções, e esperar segundas ordens. Dispensados.'' E assim, Mark encerra a reunião, puxando o mapa central, e indo em direção a sua sala, com mais três camaradas, deixando apenas eu e Harry na sala.

''Estou orgulhosa de você. Soube argumentar bem agora, e diria que falou até como um nativo.'' Comento sorrindo a Harry.

''Acho que as rodas de baralho e músicas de noite, estão me ajudando bastante.'' Comenta ele rindo.

''Se você deixasse eu te ajudar, evoluiria bem mais rápido também. E você pode conversar com Luca também, ele é um ótimo professor.'' Digo a ele, que apenas revira os olhos para mim.

́ ́Prefiro não conversar em nenhum idioma com esse cara.'' Responde Harry mal humorado.

''Bom, mas pelo visto vocês dois são um dos preferidos do meu pai, então tentem não se matar.''

''Só ele parar de olhar para você do jeito que ele olha, e tá tudo certo.''

''Ele me olha normal Harry, e mesmo se olhasse diferente, não iria mudar nada, estou com você não estou?'' Indago a ele, com uma sobrancelha arqueada.

''Sim, eu sei...mas odeio esse cara. Mas não vamos mais falar dele. Vem cá.'' Fala ele, enquanto me puxa para um abraço e me beijando em seguida.

''E vamos falar sobre o que?'' Questiono enquanto ele me agarra pelas coxas e me leva até a mesa de reunião espalhando beijos pelo meu rosto e pescoço.

''Vamos falar, do quanto você está sexy nesse uniforme. Porra, sempre achei vestidos atrativos, mas nada se compara a isso.'' Sussurra ele no meu ouvido, enquanto suas mãos começam a desbotar alguns botões da minha farda.

''E por que você está tirando então?''

́ ́Porque eu ainda prefiro você sem nada.'' Diz ele puxando de vez minha roupa, deixando meu colo visível, e espalhando beijos pela região.

́ ́Filha, gostaria de discutir com você...'' Diz Mark, entrando na sala, mas logo parando no meio da frase ao pegar eu e Harry em um momento intimo. Rapidamente, coloco minha blusa, e me afasto de Harry.

''Pai, não estava...'' Começo, mas ele apenas faz que não com a cabeça, impedindo com que eu conclua minha frase.

''Eu já sabia que vocês namoram, e faço muito gosto. Mas jamais pensei que fossem tão desrespeitosos. Tenha dó Elena, essa é a sala de reunião.'' Diz meu pai bravo.

''Me desculpe pai, não era suposto o senhor presenciar...'' Começo o pedido de desculpas, mas logo sou interrompida.

''Não era suposto ninguém ver isso Elena, não era suposto nem vocês ficarem de atrevimentos um com o outro. A partir de agora chega, não quero mais os dois sozinhos.'' Fala meu pai bravo, deixando eu e Harry de boca aberta.

''Com todo respeito Mark, acho que você está exagerando.́ ́ Começou Harry, mas logo foi cortado.

́ ́Exagerando? Converso com você em instante rapaz, Elena, por favor, vá para seu dormitório.'' Fala meu pai sem desviar o olhar de raiva para Harry.

''Como assim? Não sou criança, e se vai punir Harry, também deverá me punir, afinal ninguém se beija sozinho.'' Enfrento meu pai, o qual parece só aumentar a raiva.

''Isso é assunto para homens Elena, por favor, vá para seu quarto.''

''Assuntos para homens? Oi? O tempo da Idade Média já passou pai. E não é assunto para homens, não quando irão discutir sobre a minha vida.'' Respondo igualmente irritada.

''Bom, já que é assim. Já pediu a mão dela em casamento Harry?'' Pergunta meu pai direto a ele, o qual fica vermelho.

''Não senhor, acho que ainda é cedo, e também estamos em guerra...''Começa Harry, mas já vejo que meu pai não gostou de sua fala.

''Cedo? Engraçado, para desonrar minha filha, não foi cedo, e parece-me que o senhor nem em guerra se lembrou. Curioso não acha?'' Fala meu pai de forma totalmente irônica.

''Quais suas verdadeiras intenções com minha filha? Pensa em construir uma família com ela?'' Continua meu pai de maneira ignorante, e antes que Harry possa responder, eu me manifesto.

''Acredito que esse não é assunto seu pai. Entendo a preocupação, mas sou grandinha, sei o que estou fazendo.'' Falo determinada.

''Mark, minhas intenções com Lena são as melhores, jamais faria algo que a machucasse, ao menos, não de forma intencional. Quanto ao casamento, confesso que realmente não penso, mas se for algo que ela almeja tanto, ficarei contente em fazer o pedido, mesmo eu achando cedo.'' Diz Harry com um sorriso lindo no rosto, o que me dá vontade de beijar ele até cansar.

''Bom, então vamos agilizar as coisas. Vocês se casam no próximo final de semana, irei a Moscou essa semana, e chamarei o padre.'' Fala meu pai contente, enquanto aperta a mão de Harry.

''Não.'' Digo apenas uma vez, com a voz séria.

''Como assim não?'' Questiona meu pai perplexo.

''Não irei me casar.''

''E por que não?''

́ ́Primeiramente, isso nem foi um pedido. Segundo, eu só tenho 24 anos. Terceiro, a pessoa tem que estar bem louca, para querer juntar igreja e Estado, em um evento. Quarto, estamos em guerra, não há como pensarmos em casamento. Quinto, eu só não quero.''

''Coloque-se no meu lugar Elena, não posso deixar você viver no pecado.'' Tenta meu pai mais uma vez.

''Acredito que esse é um pecado bem irrelevante para Deus se preocupar pai, olha só como está a Europa, Deus tem problemas maiores, do que a perda da minha virtude.'' Argumento, mantendo minha postura séria, e recebendo um olhar curioso de Harry, e o mesmo  olhar perplexo de meu pai.

''E além disso, pelo que eu saiba, minha mãe não era a favor do casamento, só estou seguindo os passos dela.'' Falo na tentativa de acalmá-lo, citando minha mãe, mas o resultado é inverso.

''Não me venha com essas desculpas Elena, sua mãe e eu...'' Começa meu pai com o tom de voz alterado, mas logo é interrompido por um soldado que adentra na sala.

''Major, chegaram novas ordens de Moscou, estão todos a sua espera.'' Fala o soldado, arrancando um suspiro alto de meu pai.

''Essa conversa não se encerrou.'' Diz meu pai, furioso, antes de sair da sala.

''Então a senhorita não quer se casar?'' Questiona Harry, segundos depois após a saída de Mark. Percebi que durante toda conversa, Harry apenas me encarava com um olhar curioso.

''Nunca recebi nenhum pedido. Mas de qualquer forma, não é algo que eu pense muito.'' Respondo sinceramente a ele, me sentando em uma das cadeiras giratórias perto da mesa.

''E se eu pedisse?'' Pergunta ele com os olhos presos ao meu, com muita intensidade.

''Acho que não estamos prontos para isso. Calma, isso não é um pedido não né?'' Pergunto alarmante a ele, o qual me da uma piscadinha, e faz um sinal negativo com a cabeça.

''Talvez deveria ser, estou sendo ameaçado por um chefe de guerra do exército vermelho. Tenho que me prevenir.'' Diz Harry brincando, com um sorriso na cara.

''Ah, então é um pedido de pura pressão? Seu medroso.'' Respondo rindo.

''E quem é o louco que não tem medo de Mark?''

''Bom, eu. Sei que conheço ele a pouco tempo, mas não acho que ele forçaria a gente a casar, só por estarmos juntos, isso é muito antiquado.'' Comento revirando os olhos.

''Na verdade, não...quero dizer, seu pai não está sendo tão antiquado assim, ele só está sendo um pai, se estivéssemos em Londres, por exemplo, você seria muito julgada pela sociedade.'' Comenta Harry, sentando-se em uma cadeira ao meu lado.

''E você? Seria considerado o que?'' Pergunto a ele, sem julgamentos, só por curiosidade.

''Um cafajeste.'' Responde ele rindo.

''Mas isso, seria apenas um detalhe, um homem pode terminar um relacionamento quando quiser, e sem ser condenado pela sociedade por isso.'' Termina ele, suspirando.

''E você já foi um cafajeste com alguém?'' Questiono a ele, o qual me encara por alguns segundos, e vejo que há hesitação em seu olhar.

''Não sei como te contar isso, mas Elena, antes de eu...'''Começa Harry, mas logo é interrompido por Steven e Joel entrando na sala.

''Olá, casal. Sem querer interromper nada, mas já interrompendo, queria dizer que os Aliados precisam de vocês, não que isso seja mais importante que o namoro de vocês, mas assim, o exército alemão está caminhando rumo a nós...e um infiltrado acabou de passar as coordenadas.'' Diz Steven de forma irônica.

''Tudo bem Steven, vamos Harry?'' Levanto, estendendo a mão para ele.

''Vamos.''

Ao sairmos da sala, vejo meu pai no grande salão encarando a mim e Harry, de forma raivosa, mas opto por ignorar, e caminho junto com meus amigos, até Lauretta.

''O que está acontecendo?́ ́ Questiono a ela, olhando ao redor, todos estavam a espera de um grande anúncio.

''Parece que iremos nos juntar a alguma tropa do exército vermelho. Acho que sairemos do acampamento de resistência, preciso arrumar minhas coisas.'' Comenta minha amiga séria.

''E você acha que Mark vai deixar você ir? Parece que engoliu uma melancia!'' Exclama Steven indignado, deixando Lauretta ainda mais nervosa.

''Aprenda o russo direito britânico, e depois venha falar comigo. Estou grávida, não doente.'' Responde minha amiga brava, arrancando risadas de todos nós.

''E no fim, viramos marionetes de Stálin, fazendo tudo que ele deseja, até arriscar a vida de minha mulher, e minhas filhas.'' Diz Alexander pensativo.

''Acho que Steven tem razão amiga, acho que meu pai não irá permitir que você vá para guerra, não grávida, e com um bebê de colo ainda, seria muito arriscado.''

''E qual lugar na Europa não é arriscado?'' Questiona ela brava.

''Irlanda do Norte, muitos britânicos se refugiaram lá, inclusive minha namorada.'' Comenta Steven.

''O que você acha Alex?'' Pergunta minha amiga a ele.

''Qualquer lugar que seja seguro para vocês, eu acho uma boa saída.'' Responde ele cauteloso.

'''Steven, você pode falar com a sua namorada? Talvez ela ajude a gente no inicio.'' Pede Lauretta gentilmente a ele.

''Claro, ela irá adorar. Com certeza vai fazer várias perguntas para vocês, afinal ela é jornalista. Tenho certeza que ela irá ajudar.''

''Aí, fico mais aliviada assim.'' Puxo Lauretta para um abraço, e ficamos tentando imaginar como será a vida dela. Mas em meio a nossa comemoração, escuto Harry e Steven conversando baixinho, a pouca distância da gente.

''Tanto lugar seguro, e você recomenda logo a Irlanda, que merda Steven, você sabe muto bem quem está morando lá.'' Comenta Harry, meio nervoso.

''Lá será bom para eles, ter algum conhecido é melhor do que não ter ninguém. E fica tranquilo, que eles nem irão conversar com quem você está preocupado, minha namorada não se dá bem com ela'' Se defende Steven com a voz alterada.

Ela quem? Penso em perguntar, me intrometer na conversa, para saber quem é ela, que deixa Harry tão nervoso, a ponto, de se preocupar com a presença de meus amigos lá. Mas antes que eu possa me manifestar, meu pai finalmente começa seu discurso para a multidão, perco metade do discurso com a memória perdida em Harry e seus segredos, mas logo volto ao foco, e pego o restante do discurso de meu pai:

''...Assim, torna-se imperativo, nossa junção com a defesa do pelotão Gama em Leningrado. Nossa cidade, cidade essa com o nome de nosso verdadeiro líder e nenhum nazista irá derrubá-la. Desse modo, partiremos hoje meus camaradas, pela defesa de nosso país, não de Stálin, e sim de nossa amada União Soviética, por Lênin, iremos matar nazistas...'' E então meu pai continua com seu discurso ufanista de motivação, recebendo aplausos e assovios.

Tento pensar no ataque Alemão, sei que é algo de extrema importância. No entanto, meu cérebro está preso em duas outras coisas. A primeira delas: quem é ela que está na Irlanda, e qual seu envolvimento com Harry. A segunda delas: para chegar em Leningrado, iremos passar próximo a Vilnius, logo, próximo a minha antiga residência.

Assim que o discurso do meu pai acaba, vou em sua direção.

''Elena, agora não. Meu dia está péssimo, já não bastava flagrar você e Harry em um ato de fornicação, agora recebo ordens de Stálin, preciso de um tempo.'' Diz ele suspirando alto, e evidentemente contrariado.

''Pai, mais uma vez eu sinto muito. Mas eu estava aqui pensando, acho que tenho um problema maior que a suposta falta de respeito minha e de Harry, e maior que a invasão alemã'' Falo de uma vez, recebendo um olhar assustado dele.

''Então fale minha filha. Ah não! Você também está grávida? Já decidi quem eu irei matar hoje, onde está aquele filho da puta britânico?'' Começa meu pai novamente, tomado pela raiva.

''Não, pai para, eu não estou grávida.'' Falo baixo, para que só ele possa ouvir, já que estamos chamando atenção.

''O que foi então Leninha, o que há de errado?''

''Pai, para chegar em Leningrado, não vamos passar próximo a Vilnius?'' Questiono apreensiva para ele.

''Bom, sim. Inclusive, iremos passar por Minsk, que também é próximo. Mas qual o problema?'' Questiona meu pai com o cenho franzido.

''Vovô John, com certeza ele já está por dentro de tudo isso. Não pode ser mera coincidência, nós que estamos mais próximos da Ucrânia, irmos para o frente de defesa Norte. Algo está errado pai, e não consigo dissociar meu avô disso, ele é muito influente no governo stalinista.́ ́ Desabafo de uma vez, todas minhas angustias.

''Lena, estamos em guerra, seu avô não está te perseguindo. Mas saiba, que eu não deixarei ele chegar um metro de distância de você, meu rifle será mais rápido.''

́ ́Acredito que ele possa estar atrás de Harry, eles tinham alguma pendência, a qual não faço ideia, mas que tem a ver com a família do Harry.'' Só de lembrar de Harry preso naquele porão, me dá arrepios.

''Harry é o melhor soldado da base, não medirei esforços para protegê-lo de seu avô também. John pode ser influente, mas eu participei ativamente na queda de uma família poderosa, não sobrou um dos Romanov para contar história. Então seu avô não é páreo para meu Rifle.'' Diz meu pai confiante, o que me tranquiliza um pouco, logo me dando um abraço, e me deixando sozinha novamente com meus pensamentos.

É, eu odeio Hitler, principalmente por facilitar um provável encontro entre mim e meu avô.

Olá, como vocês estão?
A história, está entrando em uma nova fase, finalmente a guerra chegou na URSS. Vale ressaltar, que embora a Alemanha tem sua grande derrota contra o exército comunista, no início não foi bem assim, ocorreu muita demora e preparativos do governo Stalinista para promover uma grande defesa, e por isso milhares de pessoas morreram a sangue frio no começo da invasão. Diante disso, qualquer dúvida sobre a questão histórica, só me chamarem, mas esse não será o graaaande foco no momento, e sim a volta do avô de Elena. Os momentos de paz, estão diminuindo, mas espero que estejam gostando, qualquer crítica construtiva, dúvidas, opiniões e comentários, são bem vindos.

Beijos, e até a próxima! 😜

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