Vinte e quatro.
Camila
Lauren tem uma reunião de negócios hoje de manhã do outro lado da cidade, por isso nos despedimos do lado de fora do meu prédio e caminho sozinha para a Cabello's. É um percurso que faço sozinha desde que tinha dez anos. Essa é uma boa vizinhança e sempre me senti segura aqui. Porém, hoje, não consigo evitar a sensação de alguém me observando. É plena luz do dia, mas minha paranoia praticamente me faz andar mais rápido para encurtar a distância até a academia.
A manhã atribulada com trabalhos burocráticos me ajuda a relaxar e me perco em meus próprios pensamentos quando os sinos da porta da frente me assustam, mesmo eu estando olhando fixamente para ela. Um homem de terno entra. Ele parece deslocado. É bonito, diria ter por volta de uns cinquenta e poucos anos e se veste bem. Distinto, e basta uma olhada para dizer que ele é rico.
— Posso ajudá-lo? — pergunto, certa de que ele entrou no lugar errado. Mas então ele sorri e vejo seus olhos percorrerem meu corpo. Não é um olhar sutil e elusivo de um cavalheiro, mesmo que por fora ele se pareça com um. Não. É o ego inflado proveniente do olhar malicioso de um homem que tem pouco respeito pelas mulheres. O tipo de olhar cobiçoso e vulgar que me faz querer colocar um suéter. Talvez ele esteja no lugar certo, afinal de contas.
— Aposto que pode — ele responde cheio de si. Deparo-me com deslumbrantes olhos verdes que certamente conquistaram a atenção de muitas mulheres ao longo dos anos.
Sorrio educadamente.
— Você está procurando Ray Phillips? — Ele provavelmente está aqui para uma reunião de negócios. Eu o avalio rapidamente: é alguém que faz mais dinheiro em uma hora do que eu ganho em um mês, o que lhe dá a falsa ideia de valor próprio. Isso geralmente acontece com quem tem muito dinheiro. O que é uma pena, ele é realmente bonito.
— Na verdade, estou procurando Connor Phillips — ele diz com um sorriso praticado, o que me lembra o Gato, de "Alice no País das Maravilhas". Não deveria me surpreender ele perguntar por Connor. Esse cara parece pertencer à turma dele. Porém, não esperava ouvir esse nome.
— Ele não trabalha... — começo a responder, mas sou interrompida com o som dos sinos quando a porta é aberta. Connor. Minha mão automaticamente desce à procura do eletrocutador que mantemos debaixo do balcão. — Connor, você não deveria vir aqui — advirto-o.
O visitante se vira e olha para Connor e depois para mim. Eu havia recuado na direção da academia, pronta para gritar caso Connor desse um passo na minha direção. Sabiamente, o visitante lê a minha expressão e rapidamente diz:
— Sr. Phillips, melhor termos nossa reunião em outro lugar. Por que não saímos para almoçar?
Connor me olha por um instante, em seguida, volta sua atenção para o visitante. Ele concorda com a cabeça e os dois desaparecem sem dizer mais nada.
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