Treze.

Camila

Qual é o problema comigo? Eu sequer me lembro de desejar tanto algo antes, mesmo assim a coloco porta afora. E por quê? Por causa de uma má experiência em me envolver com alguém, ou melhor, em me envolver com Connor? Por que me sinto mal em terminar com um homem por quem não estou apaixonada? Um homem a quem nunca desejei, como desejo Lauren. Durante quase um ano, perambulei com um vazio que nunca achei que seria completado. E então chega uma mulher que me faz sentir mais viva do que jamais senti, e o que eu faço? Afasto-a como uma idiota.

Pego o celular para ligar para Shawn, como sempre faço quando tenho um problema. Mas, quando estou digitando seu número, me dou conta de que sei o que ele vai me dizer. Que se dane. Penso nas consequências amanhã. Escancaro a porta do meu apartamento, sem me importar em colocar os sapatos, e corro na direção da escada, na esperança de que não seja tarde demais. Quando vou abrir a porta pesada que conduz à escada, ela se abre repentinamente e eu encontro os lindos olhos verdes olhando para mim.

— Aonde você vai? — ela pergunta, seu peito subindo e descendo como se tivesse acabado de subir correndo os quatro lances de escada.

— Buscar você — sussurro.

Lauren dá um passo para mais perto de mim, segura meu queixo e percorre saudosamente meu lábio inferior com o polegar, antes de levantar minha cabeça para que meus olhos encontrem os seus.

— Você disse que não deveria. Não disse que não queria. — Ela esquadrinha meus olhos, esperando por algo, embora eu não saiba o que mais ela precisa. Eu vim atrás dela.

— Diga — Lauren exige, baixando o rosto para que fiquemos olho no olho. — Diga que você me quer tanto quanto eu te quero. Não me importo nem um pouco com o que você deveria ou não fazer. Só preciso ouvir você dizer. Diga que me quer.

— Sim. — Solto o ar e me sinto aliviada por dizer essas palavras.

— Diga, então — Lauren pede com mais firmeza, dando mais um passo em minha direção. Estamos praticamente nos tocando, mas não é o suficiente. Eu a quero contra mim, seu corpo duro contra o meu de novo.

— Eu quero você — guincho e sai como um pouco mais do que um sussurro.

— De novo. Mais alto.

Lauren envolve minha cintura com um braço, puxando-me para mais perto dela. A outra mão dá suporte à minha cabeça. Enlaçando seus dedos em meu cabelo, ela inclina minha cabeça. Não dói, mas sinto a força de suas mãos e isso me chama a atenção, forçando-me a olhar para cima... e talvez até faça com que eu fique ainda mais molhada entre as pernas. Olho para ela. Ela espera pacientemente. Ela quer que eu diga olhando-a nos olhos.

— Eu quero você — digo mais alto, com mais força, com mais significado.

Um sorriso perverso surge em seu rosto, e isso diz tudo. Ela me ergue e nossas bocas colidem com uma necessidade tão intensa que sequer me dou conta de que ela nos levou de volta ao meu apartamento. Só quando a porta se fecha e minhas costas encostam nela é que percebo.

Uma de suas grandes mãos segura meus pulsos e os puxa acima da minha cabeça. Isso faz com que eu me sinta pequena e vulnerável, mas, em vez de me assustar, me excita. Eu quero que ela me coma. E nem me importo que seja aqui na parede. Meu corpo inteiro grita de desejo.

Inclinando-se, acho que ela vai me beijar, mas, em vez disso, enterra o rosto no meu pescoço. A sensação de sua respiração cálida na minha orelha eleva minha necessidade a um nível insuportável. Minhas mãos estão firmes acima da minha cabeça, de modo que não tenho como tocá-la, não tenho como agarrá-la para puxar sua boca para onde mais preciso, então faço a única coisa que consigo para forçar mais contato: arqueio as costas e empurro meu corpo com força na direção dela até que estejamos pressionadas uma na outra. Mas não é suficiente. Eu ainda preciso de mais.

— Por favor — digo quase suplicando. Preciso senti-la novamente contra mim, saber que ela está de fato aqui novamente. — Me beija — gemi, enquanto ela mordisca do meu pescoço até a fina pele do ombro.

Ela joga a cabeça para trás. Sua voz não é mais do que um sussurro áspero, um delicioso contorcer da sua boca pecaminosa:

— Ah, eu vou te beijar. Cada parte sua. Da ponta dos dedos dos pés ao topo da cabeça. Vou enterrar minha boca tão profundamente dentro de você que você vai me implorar para parar de te beijar.

De alguma forma, registro Lauren me elevar e carregar, mas estou ocupada demais concentrada na forma como ela chupa a minha língua dentro de sua boca e me beija com mais paixão do que eu jamais fui beijada.

Ela me coloca deitada na cama e fica de pé, olhando para mim com fome nos olhos, o que provoca arrepios na minha pele, mesmo que ela ainda não tenha me tocado.

Eu lhe ofereço a mão, pois a quero perto de mim, mas ela ri provocativamente e nega com a cabeça. Seu olhar é quase predatório. Ela se inclina para baixo, o rosto na altura dos meus seios, e abaixa a parte de cima da minha blusa, revelando meus mamilos protuberantes e desejosos.

— Saber que você estava sem sutiã estava me matando — ela sibila, e então, sem aviso prévio, afunda o rosto, sugando profundamente um mamilo enquanto olha para mim... observando minha reação. Sua língua contorna as nervuras do mamilo antes de ela o morder, e eu ofego com a dor inesperada. Embora seja o tipo de dor boa, ela rapidamente me enche de beijos para fazer com que eu me sinta melhor.

Depois de tirar minha blusa para ter melhor acesso, ela foca sua atenção no outro seio. Novamente, sua língua circula gentilmente, despertando cada nervo, deixando meu corpo em estado de alerta antes de me morder com força, o suficiente para me fazer ofegar.

Minhas unhas afundam em seus ombros e tento puxá-la para cima, mas é em vão. Em todo caso, não era bem para cima. Com uma velocidade irritantemente devagar, ela beija e mordisca o caminho de volta aos meus seios, centímetro por centímetro, não deixando nenhum pedaço de pele intocado enquanto se encaminha para a beirada da cama.

Caindo de joelhos, ela me observa. Seus olhos verdes cativantes me queimam enquanto ela me puxa até que minha bunda esteja na beirada da cama. Então tira minha calça com apenas um movimento, deixando-me deitada ali apenas de calcinha preta de renda.

Ela acaricia com as pontas dos dedos a borda da renda antes de deslizar a mão para baixo. Seu polegar passa suavemente por cima do meu clitóris, mas é o suficiente para me fazer arquejar com o simples toque e fazer com que meu corpo lateje por ela. A tensão dentro de mim cresce ainda mais quando ela desliza um dedo dentro de mim, encontrando-me já molhada.

— Você está tão molhadinha pra mim — ela murmura em aprovação.

Ela desliza um segundo dedo, enfiando e retirando num ritmo constante, devagar e sem pressa. Ela foca em meus olhos e observa como meu corpo reage a cada um dos seus toques. Vê-la tão interessada em ler as reações do meu corpo contribui para aumentar a intensidade do que estou sentindo. Eu não sabia quão incrivelmente sexy podia ser uma mulher estar tão concentrada em dar prazer a outra mulher. Dar prazer a mim.

Ela aumenta a velocidade e sinto meu corpo se elevar a cada doce estimulação. Mas eu a quero comigo. Quero-a dentro de mim quando eu gozar, quero que ela caia sem forças quando eu me jogar do topo da montanha para a qual ela me trouxe.

— Por favor, Lauren. — Tomo fôlego, tentando alcançar seus ombros e trazê-la para mim.

— Shh... mais tarde, prometo. — Um sorrisinho safado surge em seu rosto. — Estou apenas começando.

Ela coloca o polegar no meu clitóris e o esfrega suavemente em círculos enquanto continua a enfiar dois dedos em mim. Eles deslizam para dentro e para fora rápido e firmemente, para dentro e para fora. Estou quase lá... caindo pelo túnel que conduz direto à euforia.

— Preciso te ver gozar, sentir sua boceta melada apertando meus dedos. Deixe acontecer. Mal posso esperar por vê-la gozar e lamber cada gota sua. — As palavras dela são suficientes para me fazer espiralar além do limite, e meu corpo começa a convulsionar, apertando seus dedos quando alcanço o clímax. Entre o instinto natural de fechar os olhos e me entregar e a intimidade daquele momento, luto para conseguir sustentar seu olhar. Consigo, porque é a única coisa que eu posso dar a ela nesse instante, e os olhos dela brilham de satisfação enquanto me observa alcançar o lugar para onde ela me levou.

Ainda me recuperando, sinto-me numa neblina. Ela retira minha calcinha, agora totalmente molhada, e levanta uma das minhas pernas e começa a beijar do meu tornozelo até a coxa. Devagar, ela levanta e cultua minha outra perna, mas, dessa vez, coloca as duas em seus ombros.

A primeira lambida de sua língua quente provoca um inesperado estremecimento que percorre meu corpo. Eu gemi, e uma sensação de êxtase toma conta de mim, dividido entre a força do meu orgasmo alguns minutos atrás e a sensação de sua língua lambendo de forma esfomeada meus fluidos, quase como uma necessidade, fazendo minhas emoções me consumirem.

Meu corpo arqueia para fora da cama, avidamente desejando mais. E ela me proporciona isso, generosamente, com sua língua entrando fundo em mim, lambendo e sugando, bebendo tudo o que meu corpo está liberando como se ela precisasse disso para sobreviver.

Minha respiração acelera e um gemido gutural conduz a outro. Meu corpo começa a tremer sob sua boca. Agarro e puxo os cabelos dela quando meu orgasmo me invade como uma maré cheia e me condiciona sob sua fúria até que eu tenha que lutar para respirar.

Estou em uma névoa de euforia, mas percebo a movimentação ao meu redor, embora meu cérebro não consiga registrar o que está acontecendo até que ouço o rasgar de algo e sinto o roçar da grossa ereção de Lauren esperando pacientemente perto da minha abertura.

Lauren paira sobre mim hesitante, um braço segurando todo o seu peso enquanto com a outra mão afasta meu cabelo do rosto, com um toque suave.

— Você está bem? — ela pergunta, com uma preocupação genuína na voz, muito embora seja eu quem deveria perguntar se ela está bem, depois da maratona que me proporcionou.

Concordo com a cabeça e ofereço um sorriso meio abobalhado, que aparentemente ela acha divertido. Sem pressa, ela beija gentilmente cada pedacinho dos meus lábios, sua língua entrando para se misturar com a minha vagarosamente. Seu sorriso ainda está lá quando ela joga a cabeça para trás para me olhar nos olhos. Levanto a pélvis brevemente, debaixo do peso dela, desejando silenciosamente que ela me possua. Ela sabe o que eu quero e vejo quando seu olhar muda de brincalhão para sedento, cheio de puro desejo.

— Você quer meu pau dentro de você? — ela sussurra.

Digo que sim com a cabeça novamente. Minha sede por esta mulher mal fora saciada, mesmo depois do que ela acabara de fazer comigo. Ela mantém os olhos nos meus e, com um forte avançar de seus quadris, finalmente afunda lentamente em mim. Ela é grande. E grossa. Nunca a vi pelada antes e não sei o que esperar. Mas qualquer que fosse a minha expectativa, a realidade manda a fantasia embora. Meticulosamente devagar, ela entra em mim pouco a pouco, alargando-me sem pressa, como se soubesse que precisa levar o seu tempo, até que finalmente sua base encosta em mim.

É como estar no paraíso. Mais do que ela dentro de mim, sinto-me preenchida por ela, possuída completamente e totalmente conectada. Como se tivéssemos nos isolado do mundo e apenas nós existíssemos. Juntas, como uma só pessoa.

Ela leva o tempo que precisa, dando-me chance de me ajustar à sua grande circunferência antes de começar a se mexer. Com nossos dedos entrelaçados, ela começa a conduzir nosso ritmo. No início, é lento e gentil. Envolvo as pernas em sua cintura, o que a permite enterrar-se ainda mais fundo. Sussurro seu nome e Lauren responde com um som que eu só posso descrever como um rosnado. Em seguida, o devagar e constante vai embora e Lauren enfia em mim rápido e com força, estocando implacavelmente até que meu aperto furioso em suas costas enfraquece e nós duas gozamos com um gemido feroz que ela silencia com um beijo.

***

Não me lembro de adormecer, mas acordo completamente emaranhada em Lauren, nossos braços e pernas envoltos fortemente coladas uma na outra. Minha cabeça está em seu peito. Olho para cima esperando encontrá-la ainda dormindo, mas ela já está acordada.

— Bom dia — ela diz numa rouca e grave voz matutina, que é sexy pra caramba.

— Bom dia. — Sorrio para ela e me aconchego um pouco mais. É tão bom! Tão certo! Fiquei meses com o Connor e nunca quis ficar o dia inteiro na cama. Ficar abraçadinho nunca foi minha praia... até agora.

— Há quanto tempo você está acordada? — pergunto.

Lauren acaricia meu cabelo. Seu toque acalma mais do que a minha recém-desperta cabeça.

— Não sei. Uma hora, talvez.

— Você tem que ir a algum lugar? — pergunto, intimamente torcendo para que ela diga não.

— Não. E você?

— É minha folga na academia. O gerente da outra filial vem me cobrir hoje. — Faço uma pausa. — Embora eu tenha que esboçar algo em algum momento do dia. Estou um pouco atrasada por causa de todas as horas extras que estou fazendo enquanto Ray está viajando.

Sem que eu perceba, Lauren me vira de costas e tira o lençol que me cobre, colocando um dos meus mamilos na boca.

— Você pode me desenhar.

— Posso, não posso?? — provoco, fingindo que ela é arrogante e que na verdade não quero desenhá-la, embora não há nada que eu queira mais do que traçar seu maxilar em um papel desde a primeira vez que coloquei meus olhos nela.

— Aham. — Ela sorri, mudando sua atenção para meu outro mamilo e me mordendo até que eu grite. — Pelada.

— E se eu não quiser desenhá-la pelada?

— Então você pode fazer outras coisas comigo pelada. — Ela balança as sobrancelhas de modo brincalhão.

— Hum... escolha difícil. Eu realmente gosto de desenhar. Que outras coisas você tem em mente? Preciso que seja um pouco mais específica para que eu possa decidir — provoco.

— Vejamos... meu pau tem tantas ideias... — Ela desliza dois dedos dentro de mim.

Eu ofego.

— Posso deixar para desenhar mais tarde.

— Boa escolha.

***

Se sexo matinal fosse sempre assim como o que acabamos de fazer, ficaria ansiosa por ir dormir todas as noites, só para acordar de manhã. Sentada na minha cozinha usando só a cueca boxer preta justa, Lauren me faz companhia enquanto faço panquecas.

— Posso te perguntar uma coisa?

— Dezesseis — Lauren responde, sem ouvir minha pergunta.

— Dezesseis o quê? — Quase tenho medo de perguntar.

— Esta é a resposta para a sua pergunta.

— Mas eu não fiz a pergunta ainda.

— Ah. Achei que você fosse perguntar quantas vezes eu posso transar com você em um único dia. — Lauren ri enquanto fala.

— Espertinha... peraí, o quê? Dezesseis?

— Você acha que estou exagerando?

— Claro.

Ela se aproxima do meu prato e pega um pedaço da minha panqueca, levando-a aos lábios, mas não consegue colocá-la toda na boca.

— Só há uma maneira de saber.

— Deixe-me adivinhar: vamos tentar? — Reviro os olhos, brincando.

— Exatamente! — Ela me recompensa com um sorriso cheio de covinhas.

Meu celular vibra no balcão próximo à mesa. É a terceira vez em uma hora. Tenho quase certeza de que é Connor, mas o pego mesmo assim só para checar. Aperto o botão REJEITAR e o coloco novamente no balcão.

Quase imediatamente, o telefone de Lauren começa a tocar.

— Acho que somos bastante populares.

Ela pega o celular, vê o nome do pai na tela e aperta REJEITAR com um trincar de maxilar.

— Então, qual é a pergunta?

Ela tenta voltar à nossa brincadeira, embora eu perceba que o nome no visor tenha mudado seu humor.

— Por que você não luta profissionalmente? Marco disse que você é muito boa.

Lauren levanta uma sobrancelha e um sorriso juvenil de satisfação levanta o canto de seu lábio enquanto fala:

— Andou perguntando sobre mim, é? — Ela engarfa mais um pedaço de panqueca do meu prato.

Claro que andei perguntando, mas não esperava que ela soubesse disso. Esta mulher viu cada parte do meu corpo. Porra, ela lambeu, chupou e mordeu a maior parte dele... Era de se esperar que eu tivesse superado a fase da vergonha, mas, mesmo assim, sinto minhas bochechas arderem por ter sido flagrada por bisbilhotar um pouco... perguntar sobre ela.

Na tentativa de evitar a pergunta, me direciono ao prato dela e pego uma panqueca com o meu garfo, mergulhando-a na calda vagarosamente. Um rubor toma conta do meu rosto. Seus olhos nunca deixam os meus; ela me observa com intensidade. Trago o garfo para a boca e tento desviar o assunto.

— Você está evitando a minha pergunta, Lauren Jauregui?

— Talvez. — Seu rosto fica sério. — Acho que eu gostaria de ter uma razão melhor para te dizer. — Ela para, pensando sobre algo antes de continuar. — Eu gostaria de ter uma razão melhor até pra mim.

— Tenho certeza de que o quer que tenha decidido, você teve uma boa razão na época. Às vezes, as coisas que escolhemos fazer têm o maior sentido em um momento... mas, depois, olhando para trás, não conseguimos imaginar no que estávamos pensando.

Lauren examina cuidadosamente meus olhos.

— Acho que você está certa.

— Geralmente estou — provoco, tentando suavizar o clima.

— Bom, eu poderia ter escutado você dez anos atrás, quando decidi seguir as escolhas de carreira que o meu pai tinha para mim, em vez de seguir o que eu queria.

— É por isso que você não luta? Não queria desapontar seu pai?

A expressão de Lauren fica tensa.

— Não foi o meu melhor momento.

— Na verdade, acho bem honrado que você tenha seguido a sugestão dele.

— Na época, eu achava que ele era uma pessoa honrada.

Sempre soube quão sortuda eu era por ter o pai que tive. Entristece-me saber que o pai da Lauren o tenha desapontado quando ela se espelhava tanto nele. Tento lhe oferecer algum conforto:

— Pais também são humanos. Às vezes, eles tomam decisões erradas.

Levantando, Lauren parece ansiosa para mudar de assunto, mas não antes de dizer seu pensamento final.

— E às vezes eles são más pessoas.

***

Lavamos a louça juntas em relativo silêncio. Porém, o silêncio não é tão confortável quanto era mais cedo. Parece que ela construiu um muro e eu fiquei do outro lado. A conversa recente ainda está claramente pesando nos ombros dela.

— Vou tomar uma ducha rápida.

Lauren concorda com a cabeça.

O calor da água ajuda a acalmar meus músculos doloridos. Já fazia tempo que eu não usava alguns deles. Fecho os olhos e sorrio com as memórias da noite passada sendo repetidas na minha cabeça. O sexo com Connor, mesmo no começo, quando as coisas ainda eram boas, nunca foi como foi com a Lauren ontem. Era apenas sexo. Uma atividade. Um alívio mútuo que eu gostava na época, mas nunca tivemos uma conexão para elevar a coisa de fazer sexo para fazer amor. Ontem à noite pareceu mais como se eu estivesse fazendo amor, uma sensação maior do que jamais vivenciei em toda a minha vida. Eu não entreguei só o meu corpo a Lauren... foi mais do que isso. Eu a deixei entrar, lhe dei um pedaço de mim. Talvez um pedaço que eu nunca mais recupere.

Quando fico suficientemente enrugada, enrolo uma toalha no corpo e abro a porta do banheiro, que leva ao meu quarto, e encontro Lauren deitada na minha cama. O lençol a cobre até a cintura e a visão do seu dorso sem camisa é suficiente para trazer o meu corpo recém-relaxado pelo banho de volta à vida.

— Oi — Lauren diz suavemente.

— Oi. — Sorri e caminho até a cômoda para pegar uma muda de roupa.

— Vem cá. — A voz dela é baixa, mas seu tom faz essas duas palavrinhas soarem mais como uma exigência do que um pedido, e isso mexe com alguma coisa dentro de mim.

Ainda enrolada na toalha, sento-me na beirada da cama, próxima a ela.

— Me desculpe.

— Pelo quê? Você não fez nada.

Lauren retira alguns fios molhados do meu cabelo do rosto.

— Eu me fechei quando você estava só querendo me conhecer melhor.

Sorri, gostando de saber que ela refletiu sobre a nossa conversa e sua capacidade de reconhecer o que fez. É sinal de maturidade, algo com o qual não estou acostumada nos homens com quem namorei.

— Obrigada. — Sorri.

Lauren acena. Ela cruza os braços atrás da cabeça e se apoia vagarosamente na cabeceira.

— Tive uma epifania enquanto você estava no banho.

— Uma epifania, é? — Arqueio uma sobrancelha. Meu banho parece ter lavado algo para nós duas.

— Sim. Estou virando para uma nova página. De agora em diante, não vou esconder o que eu quero. Não vou mais me preocupar com minha família, com a imprensa, com os reflexos que minhas atitudes possam ter no precioso legado dos Jauregui. Deixe-os tirar fotos. Eu sei quem eu sou.

— Isso parece ótimo! — digo, porque realmente parece. E ela faz com que também pareça fácil.

Lauren se inclina para frente e me puxa de volta para a cama. Em seguida, me coloca em seu colo.

— O que você está fazendo? — Eu ri.

— Começando com o primeiro item dos meus interesses — ela responde, tocando a parte de cima da minha toalha até desfazer o nó que a prende, fazendo com que ela se abra.

Sentada completamente nua em seu colo, Lauren esfrega as mãos nas laterais dos meus braços. Arrepios tomam conta da minha pele.

— E seu primeiro item de interesse é...

— Ver você me cavalgar. — Seus braços apertam em volta da minha cintura. Ela literalmente come com os olhos o meu corpo ainda úmido, agora completamente exposto diante dela, enquanto o sol da manhã brilha através da janela próxima.

A epifania de Lauren pode fazer com que eu caminhe um pouco engraçado amanhã. Mas vou me preocupar com isso depois.

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