Epílogo
Seis anos depois...
— Você tem o seu pão-doce com canela, sabia? — eu repreendo, mas não estou chateada de verdade. Além do mais, temos que sair em cinco minutos ou nos atrasaremos.
— O seu é mais gostoso. — Ri, seus lábios alinhados com a cobertura branca do açúcar. O sorriso que lhe permite conseguir qualquer coisa de mim. Tal como a mãe.
Dou um tapinha de brincadeira em sua mão que tenta raspar a cobertura de açúcar do meu prato com o dedo.
— Lave as mãos quando tiver terminado, porquinho. — Eu me levanto. — Nós vamos sair em cinco minutos. Não queremos que você se atrase no seu primeiro dia no jardim de infância. Vou pegar meus sapatos. Coloque seu prato na pia quando terminar de comer os nossos cafés da manhã.
— Eu não me importo de me atrasar — Logan choraminga um pouco. Nas últimas semanas, ele tem andado nervoso por começar o jardim de infância, embora nunca vá admitir. O menino idealiza tanto a mãe que acha que não pode ter medo de nada, assim como a Lauren.
— Bom, eu me importo. Portanto, acelera aí, moleque — provoco sobre o ombro, enquanto corro para o andar de cima para me calçar.
Meu celular toca antes que eu consiga voltar ao andar de baixo. É a décima mensagem de Lauren esta manhã. Ela se sente mal por não estar aqui para acompanhar o Logan no primeiro dia na escola, mas fico feliz que tenha decidido ir a Vegas alguns dias atrás para ver a luta do Ian. Após um início pedregoso, ao descobrirem a existência um do outro, Lauren e Ian encontraram o caminho deles. Ultimamente, os dois passam tanto tempo conversando que parece que estão tentando compensar o tempo perdido, embora, se você perguntar a eles, vão jurar que tudo que conversam tem a ver com as novas academias que eu e Lauren estamos abrindo com Ian, uma extensão dos negócios da Cabello's na costa oeste. Mas, se você perguntar a mim, o lance dos negócios foi apenas um ardil para dar a eles mais uma desculpa para passar mais tempo juntos. Inconscientemente, minha mão desce para a pequena saliência crescendo novamente no meu ventre. Espero que seja outro menino. Adoraria ter uma mini-Lauren da mesma idade de um mini-Ian, embora eu deva arriscar que teríamos muita mobília quebrada quando os dois pequenos descobrissem a luta.
Ele está bem. Não está nem um pouco nervoso.
Minto, respondendo a mensagem de texto quando ela pergunta novamente como está o Logan. Dizer a Lauren que a sua miniatura está nervosa só fará com que ela se sinta ainda mais culpado.
Como está o Ian essa manhã.
Na noite passada, Ian defendeu seu título pela quarta vez. A luta foi a mais curta até agora, durou quase um minuto antes que o Ian ganhasse por nocaute técnico.
Ainda está dormindo.
Machucou mais do que apareceu na TV?
Está bem machucado. Só que não por causa da luta. Houve uma grande celebração depois. Rs.
Ok, comporte-se.
Sempre. Esteja em casa hoje a noite. Cuide dos meus garotos.
Você não sabe ainda se esse será um menino.
Acaricio meu ventre.
Claro que sei.
Eu sorrio, balanço a cabeça e reviro os olhos.
Logan está parado na porta, esperando ansiosamente que eu vá para o andar de baixo. Ele me olha, seus grandes olhos verdes nervosos por trás de um mar de cílios escuros. Isso aperta meu coração, mas não deixo que perceba que sei que ele está com medo. Os meninos Jauregui são um grupinho orgulhoso, e não quero danificar o ego dele.
Lado a lado, caminhamos os sete quarteirões até a PS 199. A tensão em seu rosto aumenta quando sua nova escola desponta no horizonte. Quero tanto pegar sua mãozinha, apertá-la forte, fazê-lo saber que tudo ficará bem. Mas não o faço. Além de não querer quebrar sua fachada de não ter medo, a qual ele trabalhou duro para ostentar, lembro-me do meu pai me levando para a escola. Como eu adorava segurar sua mão. Ele me fazia sentir segura, como se tudo no mundo fosse ficar bem, desde que ele estivesse perto de mim. Mas algumas crianças podem ser muito cruéis. Não quero que impliquem com o Logan na escola, como fizeram comigo, por segurar a mão do meu pai. Tenho que colocar as mãos nos bolsos para me controlar e não pegar a de Logan, mas sei que é melhor assim.
Chegamos à porta da frente. Dois meninos estão parados no último degrau. Eles apontam para Logan e gritam o nome dele com entusiasmo. Seu rosto se ilumina com alívio, e isso faz com que eu solte o ar que estava segurando. Meu menininho se vira para mim, envergonhado pela afeição, pela primeira vez, e parece em conflito. Então sorri e levanta seu pequeno punho.
— Colisão de punho — ele diz, limpando a garganta. Já vi Lauren e Logan fazerem isso um milhão de vezes, mas sempre ganhei um abraço no lugar. Com uma mistura de orgulho e relutância, bato meu punho no dele antes que saia correndo, sem olhar para trás.
***
Lauren
As pessoas voltam suas cabeças e sussurram enquanto passamos. Não tenho certeza se é porque reconhecem Ian e Jon ou se é a visão de três pessoas musculosas e enormes empurrando um ao outro enquanto andamos.
— Mas que porra! — Jon reclama. Sua bebida derrama quando o empurramos enquanto andamos. Eu e Ian estivemos lutando desde que chegamos ao aeroporto. Dessa vez, eu o
encurralo contra a parede, infelizmente acertando Jon no processo. Estamos apenas brincando, mas as pessoas não têm certeza e saem do caminho como se fôssemos a realeza caminhando no tapete vermelho.
— Seus idiotas, vocês me fizeram derrubar minha bebida de novo... — Jon não termina a frase, tirando a tampa do seu copo, fazendo o líquido escorrer pelas laterais.
— Derrubou seu chá verde descafeinado com mel? Que tipo de pessoa pede uma merda dessas? — Ian zoa Jon. Os hábitos saudáveis de Jon são um assunto frequente quando estamos sacaneando um ao outro. É por diversão, embora isso não impeça Jon de deixar um hematoma no peito do Ian se ele continuar. Quando nós ficamos de zoeira, sempre termina em hematomas.
— O tipo que irá acabar com você em dois minutos se não calar a boca — Jon avisa.
— Velho, eu sou quatro vezes campeão de peso meio-pesado dos Estados Unidos. Não acho que você ainda tenha chance. — Ian mantém os braços para cima em sinal de vitória enquanto esnoba seus títulos.
— Quer ver? — Jon desafia.
— Pode apostar, velho. Pode apostar. — Ian sorri.
Jon balança a cabeça.
— Por que você não foca um pouco do seu esforço em me colocar no ringue com o seu irmão? — Jon desvia o assunto.
Eu rapidamente intervenho.
— Já fiz isso. Não vamos por aí novamente. Achei que finalmente tínhamos colocado esse assunto de lado — digo.
Após minha luta com Connor, eu precisava saber que conseguia vencer uma luta, e não apenas por falta. Por isso, voltei ao ringue duas vezes para lutas aprovadas. Ganhei em ambas. Não me arrependo de um minuto. Se não o tivesse feito, teria ficado pensando "e se" pelo resto da vida. Em vez disso, aprendi que podia vencer. Eu tinha o que era necessário, mas não era exatamente o que eu queria fazer. Amo o esporte, mas lutar profissionalmente não era a minha praia, no final das contas. Por isso, me retirei ainda no topo, embora Jon e meu irmão não conseguissem entender que meu coração estava em outro lugar.
Connor foi proibido de lutar após o veredito de furto qualificado. No fim das contas, Camila decidiu que era decisão do Ray o que fazer com o dinheiro que Connor havia roubado. Fiquei surpreso quando vi que Ray entregou o sobrinho para a polícia, e isso trouxe alívio à Camila e a mim por não termos que ficar olhando sobre o ombro durante um tempo. A última coisa que ouvi foi que sua pena tinha sido aumentada por ele ter lutado muitas vezes dentro da prisão.
Camila e eu fizemos a Cabello's crescer de sessenta e duas unidades para quase cento e cinquenta depois que coloquei um anel no dedo dela. E agora, tendo meu irmão como sócio nas novas lojas, chegaremos a duzentas unidades até o fim do ano. Finalmente encontrei uma forma de convergir as três coisas que amo na vida: gerenciar nossa empresa, minha família e as lutas. Seria difícil encontrar uma mulher mais feliz do que eu.
— Muito bem, senhores. E eu aqui estou usando esse termo bem vagamente. — Sorrio quando chegamos ao meu portão de embarque. Nós estamos voltando para casa, para as nossas esposas. Ian, com outro campeonato no cinturão, e eu e Jon orgulhosos disso. — Vejo vocês em algumas semanas. Quando aquela sua bela esposa tiver o bebê. — A esposa de Ian, Liv, também está grávida. Nossas esposas estão animadas que os primos terão apenas alguns meses de diferença. — Espero que a cabeça dele não seja tão grande quanto a sua, irmãozinho. — Coço o topo da cabeça do meu irmão e nos abraçamos.
— Até mais tarde, Cria 1 — Ian grita sobre o ombro, caminhando pelo terminal com o Jon.
— Até mais tarde, Cria 2 — eu grito de volta.
No final das contas, meu pai, eleito novamente, apesar de ser o maior mentiroso e traidor do leste do Mississippi, me deu algo que tornou minha vida completa: meu irmão.
***
Camila
A gravidez definitivamente diminui meu ritmo. São nove da noite, e já estou pronta para a cama. Lauren acabou de pousar e deve chegar em casa dentro de uma hora. Espero conseguir ficar acordada para vê-la. Abro a porta para dar uma olhada em Logan. Seus olhos estão fechados, mas tremem um pouco quando desligo a TV. Sorrio ao ver o pôster do Ian, "O Invencível", colocado acima da sua cama e, com cuidado, começo a recolher as roupas que ele usou de dia e que estão espalhadas pelo chão do quarto.
Ergo a camisa e o short de Logan e algo cai do bolso. Abaixo-me no escuro e não consigo entender o que é até que pego o objeto. É o relógio de bolso da Lauren. A voz grogue do Logan soa, me pegando de surpresa. Eu achava que ele estava dormindo.
— Posso ficar com isso?
— Isso? — Seguro o relógio de bolso, confusa sobre o porquê de estar com ele.
— Aham.
— Claro. — Vou até a cama. — Mas de onde você o pegou?
Logan dá de ombros.
— Não sei. Estava no meu bolso quando me vesti hoje de manhã. Talvez a mamãe tenha colocado no short errado. Meu short favorito azul é da mesma cor do dela.
Eu me inclino e o beijo na testa, puxando as cobertas para cima.
— Eu estava brincando com ele no meu bolso hoje na escola quando a professora estava passando pela sala, fazendo-nos levantar e dizer nossos nomes. Acho que fiquei um pouco nervoso — ele diz, tentando parecer casual. Ele é tão filho da Lauren! Ele alcança o relógio de bolso. — É estranho. Mas me fez sentir melhor. Me fez lembrar da mamãe e daí lembrei que vi o tio Ian na TV ontem à noite, e, quando chegou a minha vez, eu já tinha esquecido que tinha ficado nervoso.
Entrego o relógio a ele e sorrio vendo-o fechá-lo nas mãos e colocá-lo ao seu lado.
— Boa noite, querido.
— Boa noite, mama.
Encosto na porta fechada do quarto do meu filho e sorrio, pensando em como fui tão sortuda em ter duas pessoas tão maravilhosas na minha vida: meu pai e Lauren. Mal me lembro de ter contado a ela a história sobre meu pai e o relógio de bolso, no entanto, a história a tocou profundamente, e ela se lembrou e deu esse presente ao nosso filho. Esse é o tipo de mulher que ela é. Pensa nos outros, é carinhosa, protetora, sexy e linda. Uma mulher a quem aproveitei uma chance de perdoar há muito tempo, e nunca olhei para trás. Uma mulher a quem vale perdoar, porque eu nunca poderia esquecê-la.
*************
Agora sim esse é o final.
Queremos agradecer pelo apoio que vocês nos deram
ao longo da fic, pelos votos e comentários.
Nós amamos escrever essa história e espero que vocês
também tenham amado ler.
Então é isso gente, beijos s2
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