Capítulo 28

ATT DUPLA HOJE :D confere o cap anterior pra ver se já leu ou se pulou sem querer

"Eu acho que vi essa cena muitas vezes em meus sonhos
Como um poste de luz que ilumina um caminho escuro, sim
Eu vou me responsabilizar e te levar pra qualquer lugar."
— Drive, BangChan & Lee Know

2020.

Me joguei no sofá ao lado de Charlie enquanto ele mexia tediosamente na tela do seu celular. Eu segurava uma barra de chocolate e destaquei um pedaço para ele.

— Quer? — Estendi o chocolate e ele apenas abriu a boca sem tirar os olhos do celular. Sorri e coloquei o pedaço em sua boca, e só nessa hora ele olhou para mim e piscou quando fechou a boca, o que fez meus dedos rasparem em seus lábios antes de eu retirar minha mão. — Ai ai, Charlie, ai ai.

— Não falei nada. — Ele deu de ombros e voltou a olhar o celular.

— Tá fazendo o quê?

— Achei um aplicativo de compras online, vende de tudo, aí tô vendo algo interessante.

— Vê sex shop, pô. — falei despreocupado enquanto comia, mas arregalei os olhos quando vi Charlie pesquisando isso. — Ei! É brincadeira!

— É brincadeira mesmo? — Ele se virou rápido para mim e estreitou os olhos.

— Se alguém visse isso, iria achar até que a gente tá junto há um tempão e já fodeu por todos os cômodos da casa.

— Tava esperando tua menstruação passar. — Ele simplesmente deu de ombros e começou a ver a lista de sex shops de entrega rápida.

— Qual é, Charlie! Não banca o desinibido agora! Tu fica mó nervoso quando faço alguma coisa, sempre demora pra se soltar comigo! — Dei um tapa leve em seu ombro e ele deixou o celular de lado. Suspirou e virou o rosto para mim, com o olhar sério.

— Mas aí quando eu me solto, quem fica com vergonha é você. Estou errado?

— Hum, tanto faz. — Fiquei com o corpo para a frente e destaquei outro pedaço de chocolate da barra. Contudo, antes de comer Charlie me segurou pelo pulso e levou minha mão até ele, e pegou o chocolate de mim com a própria boca, fazendo seus lábios tocarem meus dedos de propósito. De novo.

Filho da puta desgraçado.

Respirei fundo, vendo-o comer o chocolate enquanto me encarava com um sorriso travesso. Levei meus dedos sujos do doce até minha boca e limpei, notei que Charlie desviou o olhar para minha língua.

— Por que a gente se reprime tanto? — Ele perguntou depois de me olhar nos olhos de novo.

— Acho que é o que tu disse, a gente não foi feito pra ser casal... Quando eu penso na gente junto, alguma coisa não bate. — falei com sinceridade e Charlie pensou um pouco. Balançou a cabeça e se aproximou para beijar meu ombro, em um gesto carinhoso.

— Desculpa te assustar às vezes, com esse meu jeito. Fiquei muito diferente do guri que você conheceu. — Ele sorriu, mas seu olhar não acompanhou. Charlie soltou um suspiro pesado e apoiou a cabeça no meu ombro. Deixei o chocolate no braço do sofá.

— Relaxa, eu que não mudei nada, e isso é pior ainda. Mas tu tem razão, às vezes fico confuso vendo como tu mudou desde a época da Marie Curie.

— A história é longa. — Eu não via mais seu rosto porque sua cabeça estava apoiada em mim, mas eu sabia que ele falava triste por conta da voz.

Como sempre gostava de fazer, Charlie esticou as pernas e colocou em cima das minhas para ficar colado em mim, e sua mão procurou a minha para entrelaçar nossos dedos. Eu achava um gesto até fofo, mas eu notava que sua respiração ficava mais acelerada quando fazia isso.

— Tu pode me contar se quiser, a gente tem todo o tempo do mundo. — Apertei sua mão de leve.

— Verdade. — Sua risada saiu desanimada. — Bom, depois que publiquei aquele meu livro...

— Azul é a Cor do Silêncio.

— Esse. — concordou. — Tu sabe que muita gente leu e começou a me acompanhar.

— Sim, blogueirinho.

— Bobo. — Sua risada saiu um pouco melhor dessa vez. — Mas eu gosto dessas coisas, era legal compartilhar minhas histórias, só que eu acho que cometi um erro quando coloquei o Christian como um personagem fofo demais.

— Christian?

— É, o protagonista. Tu não leu meu livro?

— E eu tenho cara de que lê? — Charlie usou a outra mão para me dar um tapa na perna. — Ai! Desculpa, Christian Grey! É por isso que o nome dele é Christian? Tem BDSM no livro?

— Deixa de ser idiota! — Ele me empurrou com seu corpo, mas estava rindo, e logo depois voltou a deitar em meu ombro. — Como eu estava dizendo, antes de tu me interromper com esses comentários sem noção...

— Perdão, Mestre. — provoquei. Charlie respirou fundo e me ignorou.

— Enfim, eu senti que errei nisso, porque os garotos trans sempre parecem fofinhos para os outros, principalmente se não tomam testosterona como eu. Isso acaba sendo uma reprodução de estereótipo, de um garoto frágil só porque ele foi designado uma menina quando nasceu.

— Entendi, faz sentido. Mas tu não mudou isso na história, eu imagino.

— Bah, não, né, o livro já tava pronto. O que eu mudei foi... Eu mesmo, eu acho. Comecei a parar de ser assim, quis ser mais independente, dar ordens ao invés de receber.

— Pergunta séria: tu arrumou um quartinho vermelho igual o Christian Grey?

— Eu realmente acreditei que a pergunta era séria até tu abrir essa boca tua. — Ele tirou a cabeça do meu ombro e me encarou com uma careta. — Tu não tá levando a sério nada do que estou falando, né?

— Claro que tô! E eu sei de tudo isso, eu lembro quando te vi naquele bar LGBT em PA depois de tanto tempo, tu parecia até outra pessoa. Mas essa pessoa que tu te tornou, te faz feliz? — falei sério, como não havia falado até então. Senti Charlie vacilar e seus ombros se encolheram, ele ficou vulnerável.

— Na maior parte do tempo, eu acho que sim, quer dizer, é uma máscara confortável de usar. Isso me deixa mais confiante... Até sexualmente falando.

— Confiante ou só apático o suficiente pra ficar com quem não te atrai, já que tu é demi? — Toquei na ferida e Charlie fez uma careta.

— Não gosto quando o jogo vira contra mim.

— Eu gosto! — Sorri e me aproximei dele para ficarmos próximos outra vez. — Agora eu vou mesmo fazer uma pergunta muito séria, mas tu tem que ser honesto comigo. — Charlie arregalou os olhos e balançou a cabeça, concordando. — Alguém já te tocou?

— Não. — Foi tão rápido que eu nem esperava a sinceridade, até demorei para fazer a próxima pergunta.

— Ok... E por quê?

— Preciso ter atração pra isso.

— E tu nunca teve intimidade suficiente com mais ninguém depois da tua ex?

— Não. — Ele corou. — Depois dela... Só você.

Aquelas duas palavras chegaram em mim mais pesadas do que eu imaginei. Charlie também era um guri cheio de cascas que usava para se proteger, mas devia estar tão pilhado da cabeça quanto eu.

— E a Samantha nunca te tocou?

— N-Não, sempre fui ativo. — Ele abaixou a cabeça, envergonhado. — Não queria que ela achasse que... Sabe...

— Que ela tava pegando uma guria? — fui direto na minha pergunta. Charlie não olhava para mim, apenas balançou a cabeça. — Guri, tu fez isso comigo. Eu deixei de ser homem?

— Não! — Ele voltou a me encarar e negou. — Lógico que não!

— Então por que seria diferente pra ti? — Me aproximei e meus dedos tocaram seu rosto, eu queria beijá-lo, mas precisava da sua boca livre para me responder primeiro. — Só porque meu corpo é hormonizado e o teu não?

— No fundo... É. — Seus ombros subiram e desceram pelo suspiro alto que deu. Até eu senti o peso saindo de suas costas quando ele finalmente admitiu aquilo.

— Bah, tu disse que eu sou um homem lindo, pois tu também é.

Charlie piscou várias vezes e eu o havia encontrado ali: o mesmo guri da Marie Curie, tímido, descobrindo sobre si mesmo e tentando jogar fora os pré-conceitos que ele tinha e até eu também.

— Eu admito que... — Charlie mordeu o próprio lábio, nervoso. — Eu gosto de ser assim às vezes, ser confiante quando fico com alguém, provocar, até mandar... Mas às vezes eu também quero ser diferente e nunca me sinto confortável com alguém pra fazer isso.

— Tu se sente comigo? — Àquela altura, eu estava com meu rosto tão próximo dele que se eu me aproximasse mais um pouco eu o beijaria.

Charlie não respondeu com palavras, mas balançou a cabeça com um sinal de "sim".

— Tu confia em mim?

— Confio. — Agradeci mentalmente pela resposta ter sido diferente dessa vez. Peguei sua mão e a beijei, Charlie estremeceu com meu toque.

— Então agora é minha vez de te mostrar que tu é um homem de verdade. — Aproximei meus lábios, mas tudo o que dei foi um selinho rápido. — Vem pro quarto comigo?

Ele não respondeu outra vez, só balançou a cabeça. Me levantei do sofá e o fiz ir comigo pela mão, e segui com ele rumo ao quarto de hóspedes onde sempre ficava.

Charlie estava vermelho, e em outro contexto eu faria comentários engraçados sobre isso, mas não era o momento. Me dei conta de que aquele garoto nunca havia recebido prazer da mesma forma que dava e me senti na obrigação de ser bom para ele, porque ele também merecia isso.

Fechei a porta, mesmo sendo desnecessário, e o segurei pela cintura para beijá-lo. Charlie pegou em meu pescoço e correspondeu com um beijo lento, mas que aos poucos foi se intensificando à medida que chegamos perto da cama e o fiz cair nela, ficando em cima dele. Passei meu braço por sua cintura para erguê-lo e arrastar seu corpo para o meio.

Notei que a janela do quarto estava aberta e me estiquei o bastante para fechá-la, pois em algum momento queria Charlie sem roupa. Quando voltei a beijá-lo, pressionei meu quadril com o dele e o guri me interrompeu, assustado.

— A gente não tá de packer...

— Esquece isso, a gente não precisa de um pau pra fazer nada. Só confia em mim. — Ele balançou a cabeça outra vez. Tive coragem o bastante para provocá-lo um pouco. — Eu também não sou doido de fazer nada agora, tua buceta é virgem.

— Já te falei que eu que vou te foder. — Ele provocou de volta com um sorriso, mais confortável com o clima. Dei uma risada baixa e aproximei minha boca da sua orelha, queria falar da forma mais maliciosa possível para ele se lembrar muito bem daquela cena.

— Não, bebê, eu que vou te foder e tu ainda vai me pedir pra eu fazer isso, aposto que vai implorar ajoelhado pra mim.

O nível de perversidade da mente de Charlie poderia ser muito bem equiparado ao meu, e era por isso que na Bíblia, Deus tirou a asa da cobra.

Charlie me puxou para beijá-lo com força, em poucos segundos estava gemendo em minha boca enquanto minha mão passava por sua pele embaixo da blusa de manga longa. Apertei sua cintura com força e ele mordeu meu lábio inferior, me arrancando um suspiro. Seus quadris começaram a se movimentar e ele arqueou para mim; podíamos demorar o tempo que fosse para fazer algo, mas bastava começar e nós não tínhamos mais controle.

Eu perdia o pouco da minha sanidade mental com Charlie Stewart.

De quem foi a ideia de juntar um bi flex com um pan flex numa quarentena????? Meu deus do céu

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