2 | Job interview

Capitulo dois - Entrevista de emprego

POV Millie Bobby Brown

Olho mais uma vez para o relógio pendurado na parede e suspiro cansada de tanto esperar. Roo minhas unhas tentando me distrair, e não ter um colapso nervoso. Meus olhos rolam pela sala de espera e vejo uma mulher me encarando com um olhar nada bom, provavelmente é uma funcionária daqui já que esta com uniforme, que por sinal é muito curto.

Tento não me perder em meus pensamentos nesse silencio, porem é impossível. A ansiedade fala mais alto.

Estou prestes a ter uma entrevista de emprego para ser estagiária em uma das maiores empresas de New York, e não tenho certeza se vou me sair bem. Preciso muito desse emprego, é a minha chance de ser independente, algo que sonho há tempos. Sempre vivi as custas dos meus pais e essa é a minha chance de morar com a minha melhor amiga.

Porque me escolheriam sendo que existem milhares de mulheres aqui mais bonitas e competentes?--- penso ao lembrar das mulheres que também estavam aqui. Agora não resta mais nenhuma já que eu sou a última a ser chamada

Sei que devemos ser positivas, mas acreditar nessa possibilidade é tolice. Porem infelizmente já estou aqui e o jeito é fazer a entrevista.

O máximo que posso levar é um não...

—Senhorita Brown— escuto uma moça muito mais nova que as outras, e também uniformizada chamar pelo meu nome.

Levanto-me imediatamente sabendo que é minha vez e tento controlar minha respiração desregulada. Ando lentamente ate a mulher, e ela faz um sinal para que eu a siga.

—Acalme-se, eles não gostam de pessoas muito nervosas na entrevista— fala enquanto passamos por um corredor imenso.

Olho em seus olhos para checar se esta a querer me ajudar de verdade, a maioria só quer arrancar a minha cabeça. Tento deixar de ser paranóica e devolvo com um sorriso.

—Meu nome é Charli, e o seu?

—Millie Brown, prazer em conhece-la — levanto minha mão e ela me cumprimenta.

—Espero que consiga o emprego— disse quando paramos em frente a uma porta.

Sentia verdade em sua voz e isso me tranquilizou de alguma forma, Pelo menos teria uma amiga ali se fosse contratada.

—também espero— aquilo soou mais como um sussurro.

Charli deu de ombros e se retirou dali me deixando sozinha em frente à porta. Respirei fundo tentando não imaginar os milhares de coisas que poderiam dar errado nessa entrevista, e fracassar é uma delas.

—Calma millie, o não você já tem, e além do mais o que pode dar tão errado assim?— sussurro para mim mesma encarando a porta

Muitas coisas podem...

Estressada com esses meus pensamentos tolos, resolvo acabar logo com isso.

—Com licença— digo meio acanhada assim que entro na sala e vejo um homem me esperando.

Ele tinha cabelos encaracolados, sua pele era corada e seu sorriso era extremamente contagiante fazendo com que seus olhos se fechem um pouco toda vez que sorri. Por um momento achei que fosse o dono da imprensa, o senhor Wolfhard, mas vi que não era pelo sorriso.

Nunca vi Wolfhard, mas o que as pessoas mais falam é que ele nunca sorri, muitos dizem que ele nem sequer é feliz. O que eu acho uma tolice, como uma pessoa que é podre de dinheiro não é feliz? Ele deve ser só um carinha mal educado e mimado que sempre teve tudo o que quiz.

A ideia de que ele poderá ser meu chefe me assusta.

—Voce é a...— da uma pausa para conferir no papel que está sobre sua mesa —Millie, Millie Brown, certo?

—Sim, sou eu, e o senhor?

—Jack, apenas Jack, sou novo demais para ser chamado de senhor— seu tom brincalhão me fez rir.

Depois de nos cumprimentarmos eu sentei na cadeira a sua frente e o silêncio se instalou, mais uma vez meus pensamentos inseguros vieram à tona.

—Fique tranquila, não sou o "temido Wolfhard"— Debochou do apelido que as pessoas deram para ele e aquilo me fez rir .

Depois de perceber que Jack não era o típico cara durão que tinha imaginado relaxei meus ombros sentindo a tensão ir embora. Respirei fundo me preparando para as seguintes perguntas que ainda viriam.

—Bom Millie, eu andei vendo seu currículo e seu histórico e me parece ser ótimo, sinceramente um dos melhores que vi hoje— aquilo me tirou um peso enorme.

Pelo menos ele me achou inteligente — penso comigo mesma.

—O que acha de me falar um pouco sobre você, afinal não quero mais um metido arrogante trabalhando aqui— o fato de ele ser tão específico me faz pensar que realmente existe alguém assim nessa empresa.

Assim que propôs aquilo para mim, Jack se relaxou na cadeira e por incrível que pareça colocou os pés em cima da mesa deixando a vista suas meias de unicórnio junto aos seus sapatos formais.

Ignorei as meias na tentativa de não rir. O olhei espantada e ele se divertiu com a minha reação.

—Fique tranquila, sempre faço isso quando o Finn não está aqui— acho que minha expressão de dúvida deve ter transparecido ao ouvir o nome "Finn" —Ah, eu sempre esqueço que vocês não sabem o primeiro nome dele, sempre chamam por Wolfhard.

—Uau, essa é nova pra mim— o fiz soltar uma risada pelo que tinha dito.

—Esse vai ser nosso segredinho, não conte para ninguém, ao contrario vou ser decapitado pelo Finn— aquilo só me fez ter mais medo dele.

—Pode deixar- lhe lance uma piscadela—Bem, meu nome é millie bobby brown, nasci aqui, moro aqui e pra falar a verdade não tem nada de interessante em mim

Em partes era verdade, uma coisa que não sou é interessante e esse é um dos motivos para eu achar que não vou ser contratada.

—Ah vamos lá! Deve ter algo de interessante

Mordi meus lábios pensando se deveria contar. Afinal o meu hobby não tem nada haver com oque quero trabalhar, ou seja, não tem nada haver com contabilidade.

—Eu tenho um hobby...- jack me encarou me incentivando a continuar—gosto de pintar nas horas vagas

—pintar? Uau, não esperava por essa senhorita Brown. Nós estávamos mesmo precisando colocar uma corzinha nessas paredes—assim que ouço aquilo, olho para os lados e vejo as paredes em tons de preto e cinza.

Já tinha percebido isso na cede da empresa Wolfhard's, tudo era escuro e meio sombrio. Esse é um dos motivos que me fizeram repensar se queria ou não trabalhar aqui.

Dou um sorriso leve para Jack e o mesmo retribui com o mesmo ato. Depois que o silencio já tinha se instalado ele começou a folear meu currículo.

—Olha, vou te fazer uma pergunta muito idiota e clichê, mas o Gaten me obrigou a fazer para todos os candidatos, sou novo nesse negocio de contratar pessoas.

Ele não sabia mesmo o que estava fazendo. Tentei não rir mais foi impossível e ele me acompanhou.

—pode perguntar

—porque quer esse emprego?— existiam milhares de respostas para aquela pergunta.

—Sempre quis trabalhar com algo que realmente amo e acho que nessa empresa vou encontrar aquilo que procuro. Não vou ser hipócrita em dizer que não quero o salario, que é mil vezes melhor do que o da concorrência, por que quero muito. Mas sinto que aqui é o meu lugar e é aqui que poderei mostrar o meu potencial.

—Me surpreendeu, foi à resposta mais diferente de "Porque o salario daqui é ótimo e também porque o Senhor Wolfhard é um pedaço de mal caminho de tão gostoso"

—Quem é tão tola a ponto de dizer isso em uma entrevista de emprego?— ele também fez um sinal de que não sabia com as mãos e a partir dai começamos a gargalhar descontroladamente ate sentirmos nossas barrigas doerem.

—Se elas soubessem o capeta que o Finn é, tenho certeza que não ficariam tão animadas— um arrepio passou pela minha nuca assim que ouvi aquilo.

Algo me diz que esse finn não é um cara fácil de lidar...

Depois disso ficamos fofocando, rindo e ele me contou vários segredos do tal Wolfhard, alguns deles é que ele dorme de meias e que já foi pego transando na praia por uma criancinha que acabou contando tudo pra mãe.

Não me pergunte como uma entrevista de emprego virou uma conversa informal entre amigos porque eu também não sei.

—Sabe, eu gostei de você— disse com um sorriso fraco no rosto quando terminamos a nossa crise de risos —vou analisar seu currículo com carinho...

Meu olhar se iluminou ao ouvir aquilo, parece que o meu senso de humor me ajudou em algo finalmente. Estava prestes a agradecer pela gentileza quando ouço alguém bater na porta.

—Pode entrar!— jack permite tirando imediatamente as pernas da mesa e ajeitando seu terno.

Tento não rir ao ver ele piscar para mim.

—Ainda está aqui? Já deu o horário de almoço e não resta mais ninguém para entrevistar— uma voz masculina ecoa pela sala e eu nem me dou ao trabalho de virar minha cadeira para ver quem é o dono dela

—Sério?— olha por uns segundos seu MacBook provavelmente para conferir o horário. —meu deus, o tempo passou voando.

Agora é a minha vez de ver as horas pelo meu celular. São 12:40 sendo que cheguei aqui as 8:00, e sim, fiquei umas três a quatro horas esperando a minha vez. A essa hora Sadie deve estar roendo as unhas de tão ansiosa para saber como fui na entrevista de emprego, e também deve estar querendo arrancar minha cabeça por não ter chegado em casa ainda.

—O wolfhard mandou eu te chamar já que seu celular ta dando caixa postal, ele tá puto da vida porque vocês combinaram de almoçar juntos e ele ta te esperando no restaurante há uns trinta minutos— o cacheado bateu a palma de sua mão na testa percebendo a merda que fez.

—eu realmente perdi a noção do tempo, avise para ele que eu já vou Jacob

Jacob? Esse nome não me traz boas lembranças

—pode acompanhar millie ate a saída para mim? Tenho que correr para não perder o almoço com o boboca do Wolfhard

O rapaz responde um "claro", e só ai eu me levanto para me despedir de Jack que pega apressado a chave de seu carro.

—Foi bom te conhecer millie, espero que não seja a última vez que nos vemos— respondi o mesmo sorrindo para ele.

Assim que ele sai do meu campo de visão olho pra traz a procura do homem que vai me acompanhar ate a saída.

—Oi, vem que eu te levo pra saída— me viro e tenho visão a um cara alto, forte, cabelo organizado em um topete perfeito com um terno engomado.

Jacob Sartorius.

Flashback on

—achou mesmo que eu iria gostar de você?

Franzi o cenho não entendendo oque estava acontecendo. Todos da escola estavam aglomerados ao nosso redor e eu só me perguntava porque estavam rindo de mim.

—Oque? Como assim

Ele se levantou da mesa em que estávamos com um sorriso irônico em sua face

—Millie...Millie... Como pode ser tão burra em pensar que um garoto como eu gostaria de alguém como você?

Todas às vezes em que riamos, nos divertíamos e ate... ate transavamos não significou nada?

—C-como a-assim? Você disse que me ama Jacob!—tentava não chorar, guardar as lágrimas e só desabar quando estivesse sozinha.

Porem não adiantava, a dor de ser enganada por alguém que amava é maior do que tudo.

—Amar você? Como eu poderia amar uma gorda de merda?

Sentia meu estômago embrulhar ao ouvir aquilo, eu era apenas mais um de seus brinquedinhos.

Mas por quê? Provavelmente porque era gorda demais pros seus padrões de merda, ou porque era virgem e foi ele que tirou minha virgindade.

—Era tudo uma aposta millizinha. E como eu imaginei, foi fácil tirar seu cabaço

Como pude ser tão tola a ponto de confiar em um garoto que conheci a menos de um mês? Eu mereci isso

—Você é tão puta que foi logo abrindo as pernas pra mim né? Espero que morra engasgada com a comida sua vadia obesa do caralho

Não tenho culpa de ser gorda, de não ter uma aparência boa comparada às meninas da minha escola, de ser tão ingênua a ponto de pensar que um garoto popularzinho poderia gostar de mim, de perder minha virgindade com alguém que sentia que me amava.

Não tenho culpa de ser quem sou.

—Ninguém nunca vai te amar se você não for atraente brown...

E foi a partir dai que eu comecei a odiar Jacob Sartorius e odiar a mim mesma.

Flashback off

—Ei, você vem?—Me desligo dos meus pensamentos e lanço o meu melhor sorriso forçado

—S-sim— Vou ate ele saímos da sala de jack ainda em silêncio.

Haja naturalmente Brown, ele ainda não te reconheceu. Na verdade nem tem como me reconhecer, estou mais alta, magra, com cabelo longo e até meu jeito de andar mudou.

Só assim para ele querer falar comigo...

—Espero que tenha se saído bem na entrevista, seria bom ter mulheres como você aqui na empresa, pra variar o cardápio— tento não vomitar com o que ele havia me dito, o fato dele tratar mulheres como se fossem comida me dá nojo.

Lanço um sorriso tímido e continuo andando pelo corredor.

Andamos em silencio de lá ate o elevador, quando a porta do mesmo se abriu e eu já estava prestes a ir procurar meu carro, sinto algo me puxar pelo pulso.

Me solto rapidamente.

—desculpa— pede assim que vê que não gostei nem um pouco do seu contato físico —eu só queria saber seu nome, acho que não nos conhecemos mas te achei muito bonita.

Claro que me achou bonita agora que perdi uns 50 quilos desde a última vez que nos vimos.

—Meu nome é Millie— sorri tentando acabar com a conversa

—Prazer então millie, meu nome é Jacob Sortorius

Eu sei muito bem quem é você e pode ter certeza que vai me pagar por tudo que fez.

—Cheguei ruiva!— grito assim que a porta do apartamento é aberta por mim.

Não obtenho respostas então vou em direção a cozinha pelo cheiro delicioso que esta a sair de lá.

—Vejo que hoje vou encher a pança- digo fazendo à ruiva se assustar com a presença. Ela estava super concentrada com o que estava cozinhando e ouvindo músicas no air pods, então não notou a minha chegada

—Amigaaaa— fechou a panela que antes estava mexendo, e veio correndo me abraçar. —como foi lá, cara de cu?—dei um tapa leve em sua nuca pelo apelido que foi proferido a mim.

—Tirando a parte em que eu encontrei o Jacob foi legal—dei de ombros como se não fosse nada

—O QUE? COMO ASSIM VOCE ENCONTROU O OVNI?— coloquei minha mão em sua boca a impedindo de gritar e tentei não rir do que ela o chamou

—shiu, os vizinhos vão reclamar sua doida, vem cá que eu te conto tudo.

Sadie deu uma última conferida na panela que estava no fogão e me acompanhou ate a sala. Contei tudo que tinha acontecido, e quando eu digo tudo eu digo literalmente tudo, ate que um Pitbull tentou me atacar e me morder quando passava pelo estacionamento, nunca corri e me caguei tanto na vida.

—Meu deus, não acredito que esse filhote de cruz credo voltou.

Sadie nunca encontrou realmente jacob, mas o odeia como se já tivesse. Depois do que ele fez comigo o bullying foi tanto que tive que mudar de escola, e foi nessa nova escola que encontrei Sadie, minha melhor e única amiga. Contei para ela todos os traumas que sofri por causa da minha obesidade e ela sempre me apoiou desde o colegial ate hoje.

Hoje estamos aqui, morando juntas, buscando nossa independência juntas.

—Pois é, eu também não acredito— me esparramei no sofá suspirando de puro cansaço.

—Tenho pena dele— a ruiva deu de ombros

—Por quê?

—Você vai ferrar com a vida dele na empresa— aquilo não parecia ser uma má ideia...

—Eu nem sei se vou ser contratada Sadie— aperto uma das almofadas do sofá tentando não me iludir com algo que provavelmente não vai acontecer

—Vai por mim. Você vai, e ainda vai ganhar aquele chefe misterioso de brinde— jogo uma almofada em sua cara assim que um olhar malicioso é direcionado a mim

—Acho que alguma coisa esta queimando cosplay de doritos...

Ela estava prestes a me bater pela forma com que eu a chamei, mas assim que sentiu o cheiro de algo queimado correu desesperadamente em direção a cozinha.

—Meu deus eu esqueci do escaldado!

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Kisses on fire
-Mel

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