Capítulo 25 - Recebemos mimos e uma missão de bônus

O fogo tremeluziu em mil cores diferentes. O chalé de Ares começou a bater os pés e a aplaudir a decisão de Tântalo, gritando:

— CLARISSE! CLARISSE!

Stella olhou de Percy para Clarisse, vendo que a garota se levantou meio atordoada com a notícia, mas em segundos se recuperando enquanto engolia a seco e inflava o peito de orgulho.

— Eu aceito a missão!

— Espere! — gritou Percy — Grover é meu amigo. O sonho veio para mim!

— Sente-se! — gritou um dos campistas de Ares. — Você teve sua chance no último verão!

— Sim, ele só quer ser o centro das atenções outra vez! — disse outro.

Clarisse olhou furiosamente para o Jackson, como se ele estivesse atrapalhando o seu momento.

— Aceito a missão! — repetiu ela. — Eu, Clarisse, filha de Ares, vou salvar o acampamento!

Os campistas de Ares aplaudiram ainda mais. Annabeth protestou, e os outros campistas de Atenas se juntaram a ela. Todos começaram a tomar partido — gritando e discutindo, e atirando marshmallows, até que Tântalo gritou:

— Silêncio, moleques!

Seu tom impressionou a todos.

— Sentem-se! — ordenou. — E vou lhes contar uma história de fantasma.

A aura malévola que se irradiava de Tântalo era tão forte quanto a de qualquer monstro que todos obedeceram o seu comando, alguns com medo e outros com receio do que aconteceria em seguida.

— Era uma vez um rei mortal amado pelos deuses! — Tântalo pôs a mão no peito, e Stella sentiu que ele falava de si mesmo, que iria contar a história dele.

— Esse rei — disse — Tinha permissão até para se banquetear no Monte Olimpo. Mas, quando tentou levar um pouco de néctar e ambrosia para a Terra, para descobrir a receita... apenas uma pequena quentinha, vejam só... os deuses o puniram. Eles o baniram de seus salões para sempre! Sua própria gente zombou dele! Seus filhos o repreenderam! E, ah!, sim, campistas, ele tinha filhos horríveis. Filhos... iguaizinhos... a vocês!

Ele apontou um dedo torto para diversas pessoas da plateia, inclusive Stella e Percy, que tinham se sentado lado a lado, esquecendo os limites entre os chalés.

— Sabem o que ele fez com os filhos ingratos? — perguntou Tântalo suavemente. — Sabem como ele retribuiu aos deuses sua punição cruel? Convidou os olimpianos para um banquete em seu palácio, só para mostrar que não havia rancor. Ninguém reparou que seus filhos não estavam presentes. E quando ele serviu o jantar aos deuses, meus caros campistas, vocês podem adivinhar o que havia no cozido?

Ninguém ousou responder. A luz do fogo brilhou em azul profundo, refletindo-se de modo maligno no rosto deformado de Tântalo.

— Ah! os deuses o castigaram na vida após a morte — coaxou Tântalo. — Eles fizeram isso, ah!, se fizeram. Mas ele teve seu momento de satisfação, não teve? Os filhos nunca mais lhe responderam nem questionaram sua autoridade. E vocês sabem o que mais? Diz-se que o espírito do rei agora reside exatamente neste acampamento, aguardando uma oportunidade de se vingar das crianças ingratas e rebeldes. E agora... mais alguma reclamação antes que mandemos Clarisse em sua missão?

Silêncio.

Tântalo acenou com a cabeça para Clarisse, dizendo: — O Oráculo, querida. Vá em frente.

Ela mudou de posição, constrangida, como se mesmo ela não quisesse a glória ao preço de ser a queridinha de Tântalo.

— Senhor...

— Vá! — rosnou ele.

Ela fez uma reverência desajeitada e correu para a Casa Grande.

— E quanto a você, Percy Jackson? — perguntou Tântalo. — Mais algum comentário do nosso lavador de pratos?

Percy ficou quieto, e Stella percebeu que ele estava sendo sábio para não ser castigado novamente.

— Bom — disse Tântalo. — E deixem-me lembrar a todos: ninguém parte deste acampamento sem minha permissão. Qualquer um que tentar... bem, se sobreviver à tentativa, será expulso para sempre. Mas as coisas não chegarão a esse ponto. As harpias irão reforçar o toque de recolher de agora em diante, e elas estão sempre com fome! Boa noite, queridos campistas. Durmam bem.

Com um aceno de Tântalo, o fogo se extinguiu, e os campistas seguiram devagar para seus chalés, no escuro. Stella olhou para o amigo e Tyson, que se aproximou com a cabeça, perguntando baixinho:

— Você vai de qualquer jeito?

— Não sei — confessou o Jackson.

— Posso te ajudar, se quiser.

— Não te pediria isso, grandão. É perigoso.

Tyson baixou o olhar para os pedaços de metal que estava montando no colo — molas e engrenagens, e pequenos arames que Charles Beckendorf lhe dera algumas ferramentas e peças sobressalentes.

— O que está construindo? — perguntou Stella, interessada nas pequenas peças nas mãos enormes do ciclope que ele mexia com delicadeza.

Tyson não respondeu. Em vez disso, fez um som lamuriento no fundo da garganta.

— Annabeth não gosta dos ciclopes. Você gosta? — ele perguntou para a filha do deus do sol, e o sorriso dela foi visto como algo positivo para ele, antes de se virar para o irmão e perguntar: — Você... você não me quer por perto?

— Ah! não é isso — Percy disse sem entusiasmo. — Annabeth gosta de você. De verdade. A Stella também.

— É, grandão! — a garota encorajou o ciclope que tinha lágrimas no canto dos olhos — E os que não gostam de você, não deve ligar, ok? Você é incrível!

Stella deu um leve beijo na têmpora de Tyson antes de se levantar e ir ao seu chalé, fazendo com que Percy ficasse com o coração aquecido pelo carinho da garota com o irmão.

•─⊱➶⛭♬⊰─•

Andar pelo acampamento após o toque de recolher era proibido desde a época de Quíron, e tudo piorou com a chegada de Tântalo, mas Stella parecia sentir que precisava ir para o lado de fora de algum modo.

E quando ela chegou na praia, perto do mar, entendeu o porque do sentimento: Percy também estava ali.

— Posso? — perguntou se aproximando e sentando ao lado dele, sem esperar a resposta do garoto e logo pegando uma das latinhas de Coca-Cola que ele possuía (uma certeza de algo contrabandeado dos filhos de Hermes) — Também não consigo dormir.

— Vim ver algumas constelações e...

— Queria falar com Poseidon, não é? — supôs a Archer — Ao menos, um conselho.

— Acertou. Mas... — Percy se calou e Stella entendeu, os deuses não falavam assim por livre e espontânea vontade conforme os filhos queriam. E assim como ele, ela passou a observar as constelações, em especial de Sagitário, um arqueiro assim como os filhos de Apolo, mesmo que a constelação fosse um centauro como Quíron.

O seu coração se apertou ao lembrar do antigo diretor, e se preocupou com ele.

— Lindas, não são? Posso me sentar com vocês? Faz tempo que não paro um pouco para esticar as pernas.

Percy não disse nada, mas Stella concordou observando o homem sentar na ponta da toalha e pegar uma outra latinha do refrigerante enquanto abria e tomava um longo gole, soltando um gemido satisfeito antes de dizer: — É exatamente o que eu precisava, um pouco de paz e sossego antes de... oh, me desculpem.

O barulho do celular interrompeu a fala, mas não era qualquer celular, especialmente com uma luz azulada e a presença de duas mini cobras das quais confirmou para Stella que ali era um dos Olimpianos.

E ela sabia muito bem quem.

Mas como Percy não tinha juntado os pontos, simplesmente perguntou: — Você tem cobras no seu telefone?

— Ah, diga olá George e Martha — disse o homem e os dois semideuses puderam ouvir as vozes em suas cabeças, uma feminina e outra masculina.

— O senhor é Hermes — Stella logo concluiu em voz alta, e logo o celular junto com as mini cobras se transformou no bastão com um metro, asas e as cobras enroladas em torno do objeto, uma versão em live-action do símbolo do Chalé 11.

— Que bom que te conheci, Stella Archer. Dá ultima vez você estava cantando no hotel enquanto outros estavam roubando minhas chaves — comentou o deus e Percy olhou para o outro lado, fingindo que não era com ele — Sorte que sua voz é muito bonita para eu ficar com raiva de você. Mas estou aqui pra saber o que vão fazer a respeito da missão?

— Não temos permissão para ir — disse o Jackson.

— Tá, isso eu sei mas isso vai te impedir?

— Não, eu quero ir e preciso salvar o Grover.

Hermes sorriu e apontou para o garoto: — Assim que se fala! Sabe, eu conheci um menino uma vez que roubou algumas cabeças de gado que pertenciam a Apolo, e ele só perdoou porque o garoto inventou uma lira. Gerava músicas muito boas que ele esqueceu da raiva que sentiu com os gados.

— E o que isso quer dizer?

— Que ele perdoa a gente por ter roubado as chaves, porque no final não foi ao todo ruim — explicou Stella e viu o deus concordar — E tá incentivando a gente a quebrar as regras para ir na missão.

— Sempre soube que Apolo se exibia usando seu nome por um motivo, é realmente espetacular, Stella — disse Hermes — Martha, o primeiro pacote.

A cobra expeliu uma garrafa térmica de inox com decorações da Grécia Antiga em tons de vermelho e amarelo, com desenhos de Hércules e enquanto Percy examinava tentando entender, Hermes explicou que ali estava ventos fortes dos quatro canto da Terra que poderiam despachar para qualquer canto o mais rápido possível.

— George, o segundo por favor — pediu o deus e a outra cobra deu um frascos de plástico cheio de pastilhas de vitaminas para Stella — Em formato de Minotauro, minha querida, e outros monstros mais, tudo o que é preciso para se sentir bem consigo mesmo outra vez, grave bem isso.

— Mas por que está nos ajudando? Quer dizer... tirando o lance de fazer com que a gente quebre regras e tudo mais?

— Quero que salvem mais de uma pessoa nessa missão.

Luke, Stella pensou.

— Com todo respeito, mas acho que não tem muita salvação para ele — Percy disse com pesar, porque ele gostava de Luke antes de saber que tudo que aconteceu tinha dedo do Castellan.

— Primo, eu aprendi ao longo de todos estes anos, que não se pode desistir da família mesmo tentando mais de uma vez. Não importa o quanto te envergonhe, ou te odeie... ou não reconheça a sua criação genial que foi a internet.

— Espera, o senhor criou a internet? — Percy se pegou apenas neste ponto dentro de todo o monólogo do deus.

— Isso não vem ao caso — cortou Hermes — Mas entende o que quero dizer? Sobre família? Sobre não desistir daqueles que... ama?

Percy olhou de Hermes para Stella e lembrou de sua mãe, concordando: — Acho que sim.

— Ótimo, porque preciso ir e vocês também, seus amigos estão chegando... agora.

A voz da Annabeth chamando a loira foi o timing perfeito, assim como Tyson gritando por Percy um pouco mais ao longe, e quando os dois semideuses viram que o Deus dos Mensageiros tinha deixado sacos de viagens impermeáveis nos pés deles, o encararam.

— Se você pedir com jeitinho, e de forma educada para o seu pai, ele te ajuda a chegar até o navio.

— Navio?

Hermes apontou para um cruzeiro enorme que atravessava o estreito de Long Island, com luzes brancas e douradas o destacando-o nas águas escuras.

— Mas nem decidimos se íamos ou não — Stella encarou o deus, que deu de ombros.

— Vocês têm cinco minutos para decidir, ou as harpias vão acabar comendo vocês. Que os deuses os acompanhem — e com isso, Hermes sumiu deixando apenas os dois parados olhando um para o outro.

— Acho que não temos muitas escolhas — comentou Stella.

— E quando tivemos? — rebateu Percy.

•─⊱➶⛭♬⊰─•

Logo que Annabeth e Tyson os encontraram na praia e que, aparentemente eles tinham gritado (um truque de Hermes pra juntar o grupo), eles se envolveram no dilema se deveriam ou não levar Tyson na missão.

Annabeth não estava confortável, Percy não estava muito favorável e Stella não aguentava ver a cara de Tyson desejando ajudar o irmão.

— Quer saber, vocês dois... se deixarmos ele aqui, Tyson vai pagar por nossa impertinência e desobediência, acho que ninguém quer isso, certo? — perguntou Stella de forma retórica — Bem capaz Tântalo torturar ele, ou sabe-se lá mais o que. Tyson vai com a gente... se ele realmente quiser.

Tyson bateu palmas animado: — Eu quero!

— Pronto, decidido — respondeu a loira prendendo o cabelo com a primeira presilha que tinha visto — Agora, Linguado, usa teus dons de filho de Poseidon e fala com seu pai para ele ajudar a gente.

— Hã... o que? — Percy gaguejou ao ver Stella prendendo o cabelo com a presilha que ele reconheceu ser de Afrodite, e engoliu a seco — Tá bom. Hã... pai, como vão as coisas?

— Você pode fazer melhor — incentivou a Archer.

— E estamos com pressa — Annabeth reforçou.

— Precisamos da sua ajuda para chegar ao navio, antes que sejamos comidos ou coisa parecida, então...

De início, nada aconteceu. As ondas quebravam na praia, como sempre. As harpias pareciam estar logo atrás das dunas. Então, cerca de cem metros mar adentro, três linhas brancas apareceram na superfície. Moveram-se com velocidade em direção à praia, como garras rasgando o oceano.

Quando se aproximaram, as águas se abriram e as cabeças de três corcéis brancos se ergueram das ondas. Tyson prendeu a respiração e disse:

— Peixes-pôneis!

Não era ao todo mentira, porque eram cavalos apenas na parte da frente enquanto a parte de trás eram prateados como peixes, com direito a escamas e nadadeiras de arco-íris na cauda.

— Cavalos-marinhos! — disse Stella empolgada. — São lindos.

O mais próximo relinchou, agradecendo, e esfregou o focinho na garota, ato que acabou aquecendo o coração de Percy.

— Vamos admirá-los depois — disse o Jackson. — Vamos!

— Espera, só tem três — observou Annabeth.

— Ali! — guinchou uma voz atrás do grupo. — Crianças más fora dos chalés! Hora do lanche para harpias sortudas!

Cinco delas estavam pairando acima das dunas — pequenas bruxas gorduchas, com a cara chupada, garras e asas de penas, pequenas demais para o corpo, e para a sorte deles, não eram tão rápidas.

— Tyson! — disse Percy. — Agarre um saco de viagem!

Ele ainda estava olhando boquiaberto para os cavalos-marinhos.

— Tyson!

— Ahn?

— Venha! — disse Annabeth, ajudando a recolher as coisas e montar nos corcéis.

Tyson e Annabeth foram primeiro, e antes que Stella falasse algo sobre a amiga ter deixado-a para trás, Percy em um ato rápido pegou a menina pela cintura e montou no cavalo-marinho, colocando-a na sua frente e dizendo o comando para que começasse a mergulhar, segurando a Archer com força com medo de que ela caísse.

A loira tinha os olhos arregalados, surpresa com a atitude do Jackson, que não deixou passar despercebido um detalhe.

— Você está corando, Solzinho?

— Adrenalina, apenas adrenalina. Se concentra em não me deixar cair, Percy.

— Nunca, Stella.

O navio de cruzeiro agora parecia cada vez mais perto, e Stella sabia que o momento no cavalo-marinho estava chegando ao fim para embarcarem no navio. Na proa estava uma figura de uma mulher com uma túnica grega branca, parecendo que estava mesmo amarrada ao navio.

Stella sentiu o estômago gelar ao ler o nome da embarcação, mas antes que pensasse em algo, a voz da Chase lhe despertou dos pensamentos.

— Como vamos embarcar? — Annabeth gritou por cima das ondas.

Mas os cavalos sabiam o que precisavam fazer, porque logo se encostaram na escada de serviço rebitada no casco.

— Vai na frente — disse Percy para a amiga e Annabeth agarrou o primeiro degrau, começando a subir com o corpo. Seu cavalo-marinho relinchou em despedida antes de ir, Stella e Percy subiram em seguida, e Tyson subiu por último porque estava se despedindo de Arco-Irís, o nome que deu ao cavalo.

— Não podemos mesmo levá-lo? — ele perguntou um tanto triste.

— Ele não pode subir escadas, amigão — explicou Stella — Mas quem sabe a gente não o veja de novo, Percy pode chamá-lo, não é Percy?

— Claro, é eu chamo de novo — concordou o Jackson.

— Amanhã?

— Em breve — disse Stella — Agora vamos.

— Que lugar é esse? — Percy perguntou.

— Você não reconheceu a mulher na proa? — questionou Annabeth e vendo o amigo negar, bufou com certa impaciência — Este lugar tem uma certa ligação com você, ou melhor... com um conhecido seu.

— Quem?

— Percy, este navio se chama Princesa Andrômeda, não te lembra nada? — questionou a filha de Apolo.

Demorou alguns segundos antes que Percy fizesse a associação, e algo dentro da mente do Jackson o alertou que essa missão poderia ser ainda mais perigosa que a anterior.

Se é que isso era possível.

•─⊱➶⛭♬⊰─• 

Notas da autora: Hey pessoal, como vão?

Mais um capítulo hoje para vocês e ele foi bem grande né, mas estamos oficialmente na missão do Mar de Monstros com direito a Princesa Andrômeda no pacote! #PartiuSalvarOGrover

E a relação do Percy com a Stella? A cada 10 palavras dela, 9,5 ele fica babando pela menina (mas vamos combinar que ele sabe desconfigurar ela também aos poucos), cada vez mais fã deste sol e mar.

Me digam o que estão achando, quero comentários neste capítulo (tô de olho em vocês fantasminhas)

Até o próximo!

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top